D. Serebral Palsinin Holistik Bakış Açısıyla Sınıflandırılması
2. Bağlamsal Etmenler
2.2.3. Serebral Palsili Çocuklarda Aktivite, Katılım ve Çevre
O projeto gráfico de um meio de comunicação é composto por um conjunto de elementos, tais como diagramação, formato, número de páginas, tipologia, a organização dos elementos na página, entre outros. Esses elementos, somados à disposição dos textos e à sua ordem de colocação no suporte, configuram-se como procedimentos de composição que funcionam como protocolos de leitura, os quais guiam o leitor e direcionam a leitura para a produção de determinados sentidos. As pesquisas de Barzotto (1998, 2003) e Frade (2000) trazem elementos importantes que o pesquisador deve considerar ao investigar o modo como os sentidos são produzidos pela combinação dos procedimentos de textualização e
composição em diferentes revistas23.
Barzotto aponta alguns passos metodológicos. Ao eleger uma página ou um texto para análise, o pesquisador pode buscar a relação da página/texto com outros textos:
Numa investigação em que o efeito da materialidade do suporte de textos é levado em consideração, é necessário admitir que o discurso é constituído por um encadeamento de sentidos que vai se organizando pela ação do leitor sobre o texto. No entanto, o leitor não escapa a algumas coerções que limitam suas possibilidades de realizar esse encadeamento: a) o modo como
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Os estudos de Barzotto estão voltados para a investigação sobre a relação que se estabelece no ato da leitura entre o leitor, a materialidade do suporte do texto e os sentidos produzidos. Frade analisa em sua pesquisa três revistas no intento de compreender os modos de funcionamento da imprensa pedagógica e da edição de revistas pedagógicas. Para isso busca caracterizar o impresso a partir dos elementos que possibilitam visualizar suas especificidades como objeto e identifica nele as marcas que evidenciem as representações dos autores/editores fazem sobre o leitor-professor e suas leituras. A autora analisa, ainda, as possíveis representações e práticas dos editores e evidencia algumas regras de composição no campo da produção de textos pedagógicos, a partir dos discursos dos editores (FRADE, 2000, p. 47).
Revisão de estudos e pesquisas sobre o tema
alguns elementos são inseridos no texto; b) a forma do veículo portador de textos; c)a forma que o texto assume no interior do suporte que o veicula; d) o movimento que a própria forma do veículo exige que o leitor faça no ato da leitura (BARZOTTO, 2003, p. 146).
Adotar essa sugestão metodológica implica não tomar o corpus como um conjunto de textos desvinculado do seu suporte e da relação com outros textos, isto é, não se analisa o texto de forma isolada do veículo, já que se considera a influência do portador para a produção de sentidos, para a proposição de certas relações entre os textos que o compõem e para forjar seu manuseio.
Em sua pesquisa, Barzotto (1998) verifica as possíveis relações entre a capa e a entrecapa e os textos do interior do exemplar da revista. Analisa a entrecapa e o interior dos textos de números diferentes da revista e as possíveis relações entre as suas capas.
Em nossa pesquisa buscamos fazer um movimento semelhante, verificando os sentidos encadeados nos diferentes textos (seções, reportagens e publicidade) que compõem as edições de outubro e dezembro de 2006 da revista Nova Escola e as possíveis relações entre elas.
Um outro procedimento coincidentemente sugerido por Frade (2000) e Barzotto (1998) é a atenção que o analista deve ter para as partes periféricas do texto, o que o autor considera que o leitor não vai ler. Frade diz:
Muitas vezes, durante a pesquisa, com todos os apelos do conteúdo próprio dos textos pedagógicos, tive que ler outras coisas, aquelas que ficam à margem, como as fichas técnicas, as propagandas e a linguagem visual das capas, das páginas, que permitem ver o objeto (FRADE, 2000, p. 17).
Barzotto entende esse olhar para as margens como uma orientação metodológica e, por isso, afirma que “uma primeira indicação metodológica para análise de revistas periódicas é que o analista deve ler detida e cuidadosamente aquilo que se pressupõe que o leitor não vai ler desse mesmo modo. Ou aquilo que, do ponto de vista da resposta, não interessa à contagem do leitor” (BARZOTTO, 1998, p. 109). Esse olhar para as periferias do texto ou da página possibilitou, realmente, visualizar elementos relevantes para compreender principalmente aspectos relativos às suas condições de produção.
Especificamente sobre a apresentação visual na revista, recorremos a outros dois autores que nos deram outras ferramentas de análise. São eles: Williams (1995) e Wysocki (2004). O primeiro traz ao leitor “noções básicas de planejamento visual”, tal como consta no subtítulo de seu livro “Design para quem não é designer”. São abordados conceitos caros ao design – proximidade, alinhamento, repetição, contraste e tipologia.
Wysocki (2004) nos oferece um valioso caminho metodológico para análise de telas que aparecem em suportes como televisão e computador ou textos impressos que incorporam diferentes recursos midiáticos, tais como cores, tipos de letra, desenhos, pinturas, som, fotografias, quadros, animações, vídeo. Wysocki levanta uma série de questões que o pesquisador pode fazer a fim de verificar de que forma os aspectos visuais contribuem na produção de sentidos e na instituição de valores que o autor quer que o leitor incorpore.
Alguns dos pressupostos teóricos, segundo esses autores, fundamentam a análise dos aspectos visuais e orientam a análise dos textos24. Por meio deles, pudemos obter pistas sobre os possíveis efeitos dos recursos visuais para a proposição de uma determinada leitura e, conseqüentemente, um determinado leitor.
Seis conceitos básicos são apresentados por Wysocki (2004), a saber:
I. A apresentação visual da página ou da tela nos dá uma idéia imediata de seu gênero. II. Toda página e tela baseadas em textos são visuais e seus elementos visuais e arranjos
podem ser analisados. A autora afirma que trazemos certas expectativas em relação aos elementos visuais que constituem determinados tipos de textos. Seria estranho que um texto acadêmico figurasse com muitas cores e tipos de fontes25 ou se não fosse numerado. Para outros gêneros, tais como as revistas em quadrinhos e livros de crianças, isso seria possível (as cores, o tamanho, os diferentes tipos de imagem e arranjos visuais). Assim sendo, associamos esses diferentes arranjos aos diferentes tipos de gêneros.
III. Os elementos visuais e os arranjos do texto fazem um trabalho persuasivo. De acordo com Wysocki, o autor escolhe cuidadosamente os elementos da apresentação visual de um texto: sua cor, seu formato, as imagens colocadas para agir sobre o leitor, persuadindo-o. Um exemplo dado pela autora é que um autor pode estrategicamente dividir o texto em quatro seções, criando assim o efeito que sinaliza para o leitor que estes são os quatro pontos mais importantes da argumentação.
IV. Atitudes em relação aos aspectos visuais dos textos mudam com o passar do tempo. A autora explica que a disposição de tempo que se tem hoje em relação à leitura não é a mesma que se tinha em outros séculos. Wysocki solicita ao leitor que imagine a produção de um manuscrito feito em meses por um escritor e que passa posteriormente
24 Serão evidenciadas nesta dissertação principalmente as questões que interessam para a análise de textos impressos (livros
e revistas), mas devemos ressaltar que a autora elabora quadros de questões que orientam análises a serem realizadas em
websites, ou seja, textos que figuram em outros suportes midiáticos.
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“Fonte” é o nome dado aos caracteres de um texto, de acordo com seu padrão (ou família tipográfica). Nos atuais
softwares voltados para a edição de textos, encontramos centenas de fontes diferentes. Por exemplo, a fonte usada nesta
Revisão de estudos e pesquisas sobre o tema
por um ilustrador. Uma das suposições decorrentes dessa produção manual (artesanal) é que ela alimenta uma crença educacional de que a apresentação visual das páginas foi feita para que os leitores movessem-nas lentamente para apreciar as palavras e pinturas. A autora lembra que, em nosso tempo, há um alto valor para a transmissão de informação rápida e eficiente. Esperamos muitas vezes que o layout nos ajude a identificar rapidamente o que é preciso saber.
V. Os aspectos visuais do texto devem ser entendidos não apenas em termos de sua fisiologia, mas também em termos do contexto social. A autora exemplifica esse postulado dizendo que os livros nos monastérios medievais eram maiores e mais pesados. Esses elementos visuais, a aparência, o tamanho e os tipos de fonte utilizadas variam com o tempo e com as circunstâncias sociais.
VI. A composição de um texto visual está diretamente ligada aos objetivos do autor em atingir um determinado público. Em outras palavras, isto significa que o autor escolhe as estratégias que vão atrair a audiência preferida de forma a mover os leitores em direção aos objetivos por ele desejados.
Wysocki (2004) fornece ao leitor uma série de perguntas que podem ser feitas para se obterem pistas do público visado pelo texto a partir dos elementos visuais que ele apresenta ou não. Tomamos essas questões como uma possibilidade metodológica para realizar a análise visual dos textos. Vejamos algumas questões sugeridas pela autora:
• Com quais audiências você associa os elementos da página?
• Como essa página/tela seria diferente se um dos elementos fosse diferente, fosse incluído ou removido?
• Como essa página seria diferente se as letras fossem roxas ou maiores ou se a página fosse duas vezes mais alta? A autora sugere ainda que façamos um exercício de imaginar a substituição de certos elementos. Ela questiona: como essa página/tela seria diferente se seu videoclip fosse substituído por desenhos?
Wysocki observa que, ao movimentar o pensamento nesta lógica, podemos ver com mais clareza o que a página/tela deseja ativar, direcionar, uma vez que essas questões nos ajudam a ver os elementos visuais como escolhas do autor.
Outras questões são sugeridas ao analista para que ele pense nos elementos visuais empregados que ajudam o leitor a fazer conexões entre as páginas/telas de um texto:
• Quais as estratégias visuais que o designer usa para lhe dizer que essas várias páginas/telas são para serem entendidas como um só texto?
• As diferentes páginas/telas usam cores, tipos de letras e elementos gráficos similares?
• Como você pode saber que esse texto continua em outras páginas ou telas?
• Quais são os elementos visuais que lhe permitem reconhecer essa estratégia visual? A autora ainda faz outras perguntas no intento de circunscrever a relação/interação do público visado com o texto:
• O que as escolhas das estratégias visuais lhe dizem sobre a imagem ou a concepção da audiência para a qual essa tela/ página se destina?
• O que suas observações lhe dizem sobre como o designer esperava que a audiência fosse mover-se por esse texto?
• Que tipo de relação e interação a estrutura desse texto exige de sua audiência? • Que tipo de pessoa você imagina usando esse objeto?
• A forma como esse texto foi pensado lhe sugere um outro tipo de prática? Isto é, ao ler esse texto o leitor pode ter a impressão de que está tendo uma conversa com alguém. Quais seriam estas práticas?
Por meio das questões sugeridas por Wysocki (2004), identificamos alguns elementos visuais que compõem o projeto gráfico da revista Nova Escola, verificando em que medida eles orientam o leitor e propõem um determinado tipo de leitura.
Como pudemos ver, Wysocki fornece um aparato para análise composto por princípios e perguntas que deveríamos fazer para compreendermos a organização e as estratégias lançadas pelo autor e apreendermos também seus efeitos e as motivações de seu emprego. Ao fazermos a análise do projeto gráfico da revista Nova Escola, tal como diz Frade, “Muitas vezes, tive mais que ver do que ler para chegar a algumas conclusões” (FRADE, 2000, p. 17).
A revista Nova Escola