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2. GENEL BİLGİLER

2.1. Serbest Radikaller

Em se tratando do desenvolvimento normal, a boca tem representatividade significativa na relação do bebê com o mundo; ela desempenha a função de receber alimento, e também é o órgão dos sentidos e do conhecimento, e isso também implica uma atividade agressiva. É por meio da boca que a criança aprende a conhecer e assimilar o mundo, provando-o e comendo-o. Para um bebê, cujo mundo, de início, é idêntico à mãe, enquanto seio e alimento, a boca é uma das fontes essenciais de experiência; e isso tende a ser verdadeiro também no que se refere à criancinha que coloca todas as coisas na boca.

Assim, a conexão entre o instinto de conhecimento e a atividade agressiva da zona oral está imersa, desde o começo, na vida da espécie humana; mas, nesse ponto, deve ser dito que o impulso cognitivo é uma forma essencialmente humana de domínio do mundo, e que não pode ser derivado de outros instintos.

Por essa razão, os símbolos da atividade agressiva são específicos da consciência, e, em especial, do pensamento, para os quais a linguagem aplica uma grande quantidade de símbolos militares. A consciência patriarcal relaciona-se, em princípio, com o setor da realidade, e o conhecimento é sempre uma consideração que destaca, isola e delimita. Da mesma forma, o fato de empregarmos simbolismo oral, para nos referirmos a uma forma de assimilação do mundo típica do homem aponta para o papel desempenhado pela atividade agressiva dos dentes.

A essa altura, é preciso distinguir entre a agressividade, especificamente humana, reconhecida socialmente (que dificilmente merece o nome de agressividade), da agressividade patológica que excede a agressividade normal aceita ou até mesmo encorajada pela sociedade.

A presença de dentes, por exemplo, traz a mastigação do alimento, que é um comportamento humano normal, e não, estritamente falando, agressivo.

Mas o mesmo equipamento pode servir a propósitos agressivos, por exemplo, quando um ser humano morde outro. Por outro lado, quando um animal carnívoro morde e come outra criatura viva, isso não pode ser chamada de agressividade patológica, pois essa é a conduta normal da espécie.

Neste sentido, o desenvolvimento normal da dentição da criança e de suas funções é especificamente humano, e não patologicamente agressivo. Talvez devêssemos chamar esse comportamento normal de “atividade agressiva”, a fim de distinguí-lo da atividade verdadeira, tal como o da criança que morde a mãe.

Isso também conta a expressão na atividade de redução analítica que precede o conhecimento, e, posteriormente, a boca assume a função antagônica e compensatória de recepção em gestão que corresponde ao ato de adquirir conhecimento.

Os braços funcionam, para a compreensão e a apreensão do mundo, de modo distinto da função de remodelar o mundo que a eles está conectada.

A mão é um órgão especificamente humano, em que a experiência ativa e a receptiva de apreender o mundo encontram-se intimamente combinadas.

Boca e braços são órgãos essencialmente cognitivos, com que o pólo da cabeça exercita o domínio do mundo; há sempre um certo grau de agressividade em sua luta pelo domínio, mas não podemos, por isso, falar em agressividade patológica, no sentido de sadismo. Isso porque sadismo, diferentemente da agressividade, implica necessariamente infligir dor de forma consciente, e isso se encontra totalmente ausente na atividade agressiva ingênua, ligada ao impulso humano ao conhecimento e ao domínio do mundo.

Quase que simultaneamente ao aparecimento dos dentes, a criança começa a sentar-se; isto é a expressão do fato de que a atividade da criança, visando alcançar e dominar o mundo, atinge um novo estágio, que abrange uma área maior do mundo. Esse desenvolvimento específico dos homens é acompanhado de uma nova orientação quanto ao corpo e ao mundo. Na relação primal, o mundo-corpo – que com seus impulsos, suas dores e prazeres, confronta o ego como se fosse um “outro” – está inteiramente imerso no mundo “tu”, da mãe. A criança não possui um corpo próprio distinto da mãe e ainda não integrou o desconforto originário de seu próprio corpo como algo que lhe pertence. No entanto, à medida que o ego se consolida e desenvolve sua relação com o corpo e suas funções, o corpo vem a ser experimentado como um todo.

O corpo próprio da criança e o Self Corporal, em outras palavras, a experiência da criança de seu corpo como um Self e como um todo, torna-se agora a base para a independência do ego e para o seu controle para mais e mais funções corporais.

Quando a criança começa a se sentar, a ênfase desloca-se para o pólo da cabeça. Isso corresponde ao desenvolvimento da orientação da criança no mundo por meio dos órgãos sensoriais situados na cabeça e ao acelerado desenvolvimento do seu cérebro. Agora, gradualmente, o pólo do ego-cabeça emancipa-se como centro da personalidade, e esse centro dá lugar a uma nova orientação, baseada em critérios de em cima e em baixo, frente e atrás.

No curso desse processo, a psique da criança afasta-se da terra e volta-se para o céu. Esse novo desenvolvimento, esse afastamento do pólo inferior do corpo, é acompanhado por uma mudança no aspecto da Grande Mãe. Como Senhora das Plantas, ela tinha sido até agora a mais alta autoridade no que diz respeito às leis do crescimento – em grande parte de forma inconsciente e sem conflitos –, governando o desenvolvimento da criança, no qual o ego ainda era subordinado e o Self da mãe desempenhava a liderança. Agora, como Senhora dos

Animais, tornou-se a deusa de uma existência mais altamente polarizada e complexa, na qual o ego e a consciência da criança encontra-se em conflito com impulsos e tendências que são rejeitados pelo superego, enquanto representante do cânon cultural do grupo.

No plano psíquico, a figura humana da Grande Deusa que governa os animais significa que o Self encarnado na mãe (isto é, o Self Corporal que determina a totalidade do corpo) ultrapassa o conflito entre as diferentes tendências no interior da personalidade e como personificação do mundo – a mãe transcende e integra o antagonismo entre a personalidade da criança e a comunidade.

Nos casos em que a relação primal é positiva, existe um equilíbrio positivo entre o ego e o “tu” social; um não é reprimido às expensas do outro. Um ego com desenvolvimento normal, não se torna um expoente do inconsciente, como extinto e expulso, contrário à sociedade, nem se torna o expoente da sociedade, opondo-se ao inconsciente, a que reprime e inibe.

A correlação entre a separação das partes do corpo da criança provoca os seguintes esquemas característicos da orientação arcaica do mundo: por um lado, cabeça-ego-em-cima- céu, e por outro lado, pólo inferior, instintos-escuridão-terra. Por essa razão, a situação conflitante da criança corresponde, por um lado, à polarização da psique em sistema de cabeça, vontade, consciência e, por outro lado, ao mundo conflitante do inconsciente e seus instintos.

Em um grande número de mamíferos, a orientação pelo olfato restringe-se ao campo social e ao mundo. Quando a criança se senta, essa orientação pelo olfato relacionada com a terra recua e é encoberta por uma orientação visual, que se volta para o leste, para onde nasce o sol, e liga-se ao simbolismo da luz e da consciência.

Isso não quer dizer que a orientação visual fique limitada ao homem; ela é bem mais desenvolvida entre os pássaros. Nem se pode dizer que a orientação pelo olfato desaparece no homem, mas a orientação mais alta, pela visão, nessa fase, entra em conflito com a orientação mais baixa, pelo olfato. Aqui também ocorre a polarização, o que não acontecia nos estágios anteriores da infância.

No caso dos odores anais, estes são rejeitados como desagradáveis, e, na verdade, tudo o que se situa atrás e embaixo passa a ser visto como uma personificação do desagradável, do feio, do pecaminoso e do mal. Trata-se de uma identificação para a qual poderiam ser citados muitos exemplos da linguagem, da religião e dos costumes. Especialmente numa cultura patriarcal, essa polarização é ilustrada pela associação entre o mau cheiro do demônio, o lixo e o excremento, da mesma forma como os odores corporais e sexuais, que posteriormente são rejeitados, pelo menos oficialmente, pela cultura, e que são simbolizados pela associação entre o demônio e o bode.

Nossa arte e nossa moda mostram que, mesmo em nossa cultura, a região posterior do corpo é considerada – pelo menos não oficialmente – uma zona de atração erótica. Como ficamos sabendo, desde Freud (1996), nem os cheiros nem as substâncias ligadas à zona anal são desagradáveis em qualquer sentido primário; o desagradável é cultivado, de modo bastante consistente, por certo, pelo mundo patriarcal, que enfatiza tudo o que é “superior”, espiritual e não-sensual, e rejeita tudo o que é “inferior”, corporal e terreno.

Assim, na primeira fase da relação primal, o pólo anal é integrado positivamente, mas depois passa a ser objeto de uma exclusão e desvalorização moral, proveniente da hostilidade simbólica entre o mundo do firmamento celeste e o mundo terreno.

O prazer natural dado por substâncias plásticas, que a criança experimenta primeiro com as fezes, depois com a lama e com a argila, é um pré-requisito inconsciente

universalmente humano para a expressão plástica. Não é por acaso que a pintura do corpo, a pintura mural e a cerâmica estão entre as primeiras manifestações artísticas da humanidade. Em todas elas, o elemento anal de lambuzar e amassar, e o uso de cores excrementais desempenham um papel decisivo.

Com a polarização das duas zonas corporais opostas, a auto-avaliação da criança também fica polarizada. De início, o pólo inferior de seu corpo, e também o excremento, eram “amados” pela mãe; era uma parte criativa da personalidade da criança como um todo, e a criança estava pronta para entregar essas partes valiosasde sua totalidade-corpo, com a qual se encontrava identificada, à sua mãe. Agora ocorre uma rejeição do pólo inferior do corpo e de sua realização criativa. Se essa reavaliação se efetua dentro do tempo próprio da criança, se ocorre quando a criança está assumindo a postura ereta, desenvolvendo o pólo encefálico adquirindo domínio sobre o seu sistema nervoso motor e aprendendo a exercer sua vontade, a conversão será livre de afetos ou distúrbios, e será adequada ao desenvolvimento social natural da criança; como treinamento de higiene, acontecerá sob a proteção de uma relação primal positiva.

A postura ereta e a correspondente rejeição do pólo inferior do corpo são contribuições para a formação do superego; essa contribuição tem um colorido fortemente mágico, porque a formação do superego situa-se no começo do desenvolvimento filogenético e ontogenético. Uma vez que esse desenvolvimento é especificamente humano e normal, um superego que se tenha estruturado desse jeito e que esteja ancorado na sociedade corresponderá à constituição e desenvolvimento interno da criança.

Benzer Belgeler