• Sonuç bulunamadı

- Verificar se existe um padrão comum de expressão e de gestos, nas mães, em relação a seus filhos, na aplicação da massagem Shantala, sem se submeterem a Calatonia;

- Verificar se, após a Calatonia, as mães passaram a ter reconhecimento e consciência das sensações de seus corpos;

- Investigar se após a Calatonia, as mães modificaram a aplicação da massagem Shantala em seus filhos, e se houve mudança no comportamento das crianças;

- Verificar se, após a vivência da Calatonia, houve modificação das expressões e gestos das mães em relação a seus filhos.

7 MÉTODO

A pesquisa qualitativa é um processo permanente de produção de conhecimento, em que os resultados são momentos parciais que se integram constantemente com novas perguntas e abrem novos caminhos à produção do conhecimento (REY, 2002).

Baseei minha pesquisa no modelo de pesquisa qualitativa uma vez que as relações entre eu e os participantes foram fundamentais para o desempenho do trabalho, já que segundo este modelo de pesquisa é fundamental a interação do pesquisador com os participantes, sendo estes os principais protagonistas da pesquisa, e os instrumentos ocupam o lugar de coadjuvantes. No caso do participante desta pesquisa, seu papel foi essencial, não por representar uma entidade objetiva, homogeneizada pelo tipo de resposta que deu, mas pela sua singularidade como responsável pela qualidade de sua expressão, relacionada com a qualidade de interação comigo, enquanto pesquisador.

Em todo processo de interação com o participante mantivemos um diálogo progressivo e organicamente constituído, como uma das fontes principais de produção de informação. Nos diálogos procuramos criar um clima de segurança, interesse e confiança, que favoreceram níveis de conceituação da experiência do participante de maneira espontânea sob sua vida cotidiana.

Os instrumentos da pesquisa adquiriram um sentido interativo. Minha participação foi ativa no curso da pesquisa, com o participante, sendo que suas respostas basearam-se em verdadeiras construções implicadas nos diálogos que mantivemos.

Com base nesta modalidade de pesquisa o método utilizado foi o estudo de caso, pois permitiu uma investigação do “como” e “porque” sobre os fenômenos inseridos no contexto da vida real, baseando-se então numa investigação empírica explorativa, descritiva e explanatória.

A preparação para realizar o estudo de caso, envolveu habilidades prévias, treinamento e preparação de estudo de caso específico. Desenvolvi um protocolo (um instrumento, que contém os procedimentos e as regras gerais a serem seguidas ao se utilizar um instrumento), que no caso de minha pesquisa foi a organização das sessões, para aplicar as técnicas corporais – Calatonia e Shantala, de maneira adequada. Elaborando estes critérios conduzi um estudo de caso piloto. Estes procedimentos fizeram parte das instruções propostas por Yin (2002), sobre estudo de caso. Segundo este autor o estudo de caso é “uma investigação empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos” (YIN, 2002, p.32).

A estrutura da constituição de caso foi analítica, onde a seqüência dos sub-tópicos incluiu o tema ou problema que me propus estudar e também com uma estrutura na construção da teoria, em que a seqüência dos capítulos segue uma lógica na construção da mesma.

A fonte utilizada na coleta de dados do estudo de casos, foi a observação participante. Enquanto pesquisador, não fui um mero observador passivo; procurei perceber e entender segundo a realidade dos participantes os pontos de vista apresentados, segundo Yin (2002) “dá a oportunidade de perceber a realidade do ponto de vista de alguém (dentro) de um estudo de caso e não de um ponto externo” ( p. 98).

Sendo assim o trabalho implicou numa relação intrínseca do pesquisador com os participantes, baseado no uso das técnicas corporais Calatonia e Shantala, e a fonte de investigação foi dentro do método hermenêutico, pois a análise implicou em interpretar as expressões corpóreas apresentadas na comunicação humana não verbal entre mãe e filho, em toda sua complexidade e simplicidade, bem como a análise das entrevistas (DEMO, 1992).

7.1 Instrumentos

1. Entrevista semi-estruturada, tal escolha se deu pela flexibilidade que esta

entrevista propõe, pois permite uma aproximação entre o pesquisador e o pesquisado, bem como a elaboração de perguntas abertas que favoreçam uma análise de conteúdo no sentido de se obter uma compreensão sobre os aspectos a serem investigados (Apêndice 1).

2. 1a sessão de Shantala, como ferramenta interativa, e também como dados colhidos

das reações e expressões observáveis tanto da mãe quanto da criança durante o trabalho corporal, sem a mãe ter experienciado as sessões de Calatonia, em si mesma, pelo pesquisador.

3. Quatro sessões de Calatonia em cada uma das mães, como instrumento de

intervenção para possibilitar-lhes sensações de relaxamento e de percepção do corpo pelo toque.

4. 2a Sessão de Shantala: dados colhidos das reações e expressões observáveis na

relação mãe e filho após a mãe ter se submetido as sessões de Calatonia com o pesquisador;

Embora Leboyer recomende que a Shantala seja aplicada até a idade em que a criança se encontre numa atitude passivo-receptiva, em nossa pesquisa utilizamos essa técnica em

crianças até cinco anos, e notamos que as crianças reagiram de maneira cooperativa e receptiva.

Os resumos das técnicas encontram-se em anexo (anexo 6)

5. Registro áudio-visual das sessões, com o objetivo de compreender as expressões e

reações diante da experiência dos participantes, na 1a e 2a sessão de Shantala.

7.2 Participantes

Os participantes foram escolhidos, inicialmente, pelo Setor do Serviço Social do Fórum, autorizado pelo Juiz da Vara da Criança e do Adolescente sendo a escolha das mães a critério do referido setor.

O grupo foi montado por famílias no modelo monoparental ou uniparental, por sugestão do setor de Serviço Social do Fórum, em que apenas um dos pais é o responsável pelo sustento e guarda dos filhos, pois no setor este é o padrão de estrutura familiar mais freqüente. E em sua maioria, segundo as assistentes sociais, são as mães que estão com a guarda, neste caso por ser as mães que ficaram com a guarda de seus filhos menores, segundo o modelo de família sistêmica foram chamadas de famílias matrilineares.

Foram atendidas quatro mães, com idade entre 18 e 44 anos e apresentaram como queixa dificuldades de relação com os filhos, entre a faixa de 2 meses a 5 anos. No caso das mães com mais de um filho dentro desta faixa etária, todos participaram da pesquisa.

Diante das dificuldades enfrentadas para montarmos o grupo de participantes, que detalharemos logo abaixo no procedimento, o grupo de participantes foi composto de: um mãe com três filhas, menores de cinco anos (4 anos, 2 anos, 4 meses), encaminhada pelo Fórum, duas mães com um filho cada uma, menores de cinco anos ( um menino de 3 anos e

outro de 5 anos) encaminhadas pelo Conselho Tutelar e uma mãe com uma filha de 4 anos encaminhada pela Clínica de Psicologia da UNITAU.

Cabe ressaltar que esta faixa etária é o período de maior dependência da criança dos laços maternos para construção de sua autonomia e personalidade sendo que os padrões de vínculos afetivos certamente influenciarão todo o processo de desenvolvimento destas crianças, e efetivamente a construção dessa autonomia e deste vínculo está interligada a toda forma, gesto e expressão na relação das mães com as crianças.

7.3 Procedimento

A idéia inicial de escolher os participantes do Fórum partiu da preocupação que me despertou, frente as observações dos psicólogos da Clínica de Psicologia da UNITAU, em nossas reuniões semanais, sobre a freqüência na triagem de crianças e mães encaminhadas para atendimento vindas com carta ou do Fórum ou do Conselho Tutelar.

Como sou a atual chefe da Clínica este dado chamou-me a atenção uma vez que por longo tempo a maior incidência de queixas na Clínica eram por problemas escolares, e as crianças vinham encaminhadas das escolas. Agora, dentro de uma nova realidade social, estávamos recebendo de outras fontes de encaminhamento crianças e mães com queixas envolvendo problemas nas relações familiares, tais como: violência doméstica, abuso sexual e molestação física por um dos pais, incidência de alcoolismo provocando muitas brigas familiares, aspectos caracterizando negligência e maus-tratos.

Baseada nesta informação, e o interesse em minha pesquisa de trabalhar a relação mãe e filho utilizando o trabalho corporal, agendei uma entrevista com as assistentes sociais do Fórum de Taubaté, para levar a proposta da pesquisa. Neste encontro, que participei com cinco assistentes sociais , trocamos muitas informações e como várias queixas surgiram sobre

os problemas familiares trazidos pelas assistentes sociais, propus fazer um levantamento de abril de 2004 à abril de 2005, sobre qual maior incidência de ocorrência havia nos registros deste setor, para então definir-se sobre quais queixas estaríamos trabalhando e como minha pesquisa poderia contribuir.

Foi aceito prontamente, muito embora já neste encontro tenha delimitado alguns critérios necessários para a participação das mães, que foram:

1. Não serem portadoras de doenças mentais graves que interceptem a capacidade de organização das suas funções cognitivas, comprometendo sua capacidade de elaboração;

2. As crianças não estarem em abrigo temporário ou lares substitutos; 3. As mães terem a guarda dos filhos.

4. As mães participarem espontaneamente do trabalho, sem qualquer coação ou intimidação.

Com o resultado do levantamento que apresentamos no capítulo três desta pesquisa, verificamos que a maior incidência de queixa foi negligência e maus-tratos entre a faixa etária de 1 a 3 anos, em crianças de ambos os sexos e que a constituição familiar era monoparental, no modelo matrilinear. Levamos ao conhecimento do setor do serviço social do Fórum o resultado solicitando então que escolhessem as participantes. Após um mês de espera, uma assistente social, ligou-me informando que havia feito uma lista das mães para a pesquisa e pediu-me que fosse buscá-la.

Nesta lista constavam nome de cinco mães, com seus respectivos endereços. Por tratar-se de uma pesquisa, achei melhor ir pessoalmente às residências das mães para

conversar e como a maioria não tinha telefone para agendar previamente, fui as residências sem previamente marcar com as mães.

Num total fiz quatro visitas, pois uma mãe havia mudado de cidade. Destas visitas apenas uma mãe concordou em participar, com muita desconfiança. Das outras três, uma se recusou a participar e sequer abriu a porta, outra havia perdido a guarda recentemente do filho e não se encontrava mais morando naquele local. Segundo os vizinhos a mãe era usuária de droga e no dia anterior a polícia deu batida na casa e ela foi recolhida para a delegacia. A outra mãe tinha um parente que trabalhava na Clínica da UNITAU, e por causa desta proximidade entendi ser melhor não atendê-la, mas encaminhei-a para outro colega e ela aceitou.

Com estas dificuldades enfrentadas para montar o grupo, avisamos o setor do serviço social e as assistentes sociais sugeriram então, que se contatasse o Conselho Tutelar, para montar o grupo de pesquisa. Assim o fiz, porém como a equipe de conselheiros estava em final de mandado no mês de novembro de 2005, solicitaram que aguardasse a posse dos novos conselheiros e aguardei quase dois meses para que encaminhassem os casos. Devido a grande demanda de queixas que chegava ao Conselho o mesmo enviou-nos vários casos que não correspondiam aos critérios de nossa pesquisa, tais como: encaminharam crianças de 12 anos, mães com problemas mentais, crianças que se encontravam no abrigo provisório, solicitação de avaliações psicológicas, enfim surgiu uma demanda que na verdade era mais para a Clínica de Psicologia do que para a minha pesquisa, num total de 10 encaminhamentos. Fiz a triagem em todos e apenas dois se adequaram à minha pesquisa, os demais foram encaminhados para os procedimentos de atendimento da Clínica Psicológica da UNITAU.

Na Clínica da UNITAU surgiu em uma triagem dos psicólogos um caso, em que a mãe foi procurar atendimento, porque a filha estava apresentando muitos comportamentos que

ela não aprovava como birra, agressividade, teimosia e que isso começou a acontecer desde que a mãe se separou do pai da criança. Por conta disso a mãe estava batendo muito na filha e não sabia mais o que fazer com a filha de apenas quatro anos e foi a Clínica procurar tratamento para a menina. Com esta queixa a psicóloga me perguntou se o caso caberia em minha pesquisa, pois demonstrou muita preocupação com o que a mãe relatou e acabei incluindo também este caso.

Sendo assim montei um grupo com quatro mães, com seus respectivos filhos , ficando então:

CASO 1: mãe com três filhas menores de 5 anos, encaminhada do Fórum CASO 2: mãe com uma filha de 4 anos, encaminhada pela Clínica da UNITAU CASO 3: mãe com um filho de 3 anos, encaminhada pelo Conselho Tutelar CASO 4: mãe com um filho de 5 anos, encaminhada pelo Conselho Tutelar

Com todas as mães apresentamos o termo de consentimento livre e esclarecimento, para permitirem que as sessões fossem gravadas e filmadas e todas autorizaram por escrito.

O número de sessões variou entre de 6 a 10 sessões em cada caso, isto por conta das variáveis que surgiram em cada caso.

No CASO 1 por conta das dificuldades enfrentadas pela mãe com seu companheiro e com a família do mesmo, aliada a sua desconfiança sobre a pesquisa, achei que não compareceria ao primeiro encontro conforme havíamos combinado na visita que fiz em sua residência pela primeira vez. No entanto, compareceu conforme o combinado, muito embora dentro da sessão demonstrou desconforto e desconfiança repetindo, insistentemente, se não iríamos retirar seus filhos, pois o seu companheiro achava que era para isso que ela foi chamada. Esclareci novamente o objetivo da pesquisa, e aparentemente, demonstrou mais

tranqüilidade. Compareceu em seis sessões sem interromper. Quando faltou, fiquei preocupada, mas aguardei o outro dia que teríamos sessão, conforme havíamos combinado, como também não compareceu e não avisou, pois costumava avisar, quando ocorria algum imprevisto, resolvi visitá-la, para saber o que estava acontecendo.

Contou que o marido disse-lhe para não ir mais, porque o que “nós” queríamos era “fuçar” na vida dela e das crianças e era melhor ela se afastar “dessa gente”, conversei longamente sobre a proposta do nosso trabalho, e embora alegasse ter entendido questionou, novamente, se eu não estava ali para contar as coisas para a assistente social do Fórum. Disse-lhe que não, e que também que não precisava sentir forçada para ir à Clínica e se quisesse retomar nosso trabalho, eu estaria esperando no horário que havíamos combinado. No dia marcado ligou que dois filhos estavam doentes e que os levaria ao postinho, naquele dia, e se poderia comparecer em outro dia, acertamos o horário e assim ocorreu.

Porém no dia que iríamos fazer a segunda sessão de Shantala com a filha de 4 anos, chegou muito agitada, tensa, relatou que o companheiro estava muito agressivo e que não viria mais, não conseguindo fazer a massagem na filha e dar prosseguimento à proposta.

Neste caso ocorreram três sessões de Shantala com as filhas, quatro sessões de Calatonia com a mãe, e quando fomos retomar 2a sessão de Shantala com as filhas, chegou até trazer a menina de 4 anos. No início da sessão a mãe aceitou brincar comigo e com sua filha de bola, a criança demonstrou estar satisfeita, sorria bastante e quando solicitei que iniciássemos a massagem a criança sozinha retirou seu vestido pôs-se deitada no colchão esperando que a mãe começasse a massagem, mas a mãe começou a queixar-se da agressividade do companheiro. Por longo tempo a mãe sentada no colchão, falou do que estava passando e a criança ficou deitada no colchão quieta, sem queixar de nada até que se aproximou de mim procurando atrair minha atenção. Perguntei à mãe se teria condições de

fazer a massagem na filha, ela disse que não, a criança olhou para a mãe, parecia espantada, pegou seu vestido deu para a mãe, a mãe vestiu-a e ajudei ajeitá-la, pois a roupa estava em desalinho e a mãe verbalizou que não viria mais, pois tinha outras coisas para resolver. Não quis dizer o que era, e disse-lhe que não era obrigada a participar da pesquisa, e como ela queria interromper não haveria problema. Disse-lhe que se eu pudesse ajudá-la era só me procurar na Clínica. Desde então não nos falamos mais. Neste caso o trabalho com esta mãe foi encerrado em 8 sessões.

No CASO 2, CASO 3 e CASO 4 ocorreram 8 sessões, para cada um dos casos, sendo: uma entrevista inicial, duas de Shantala, quatro de calatonia, e uma devolutiva. Foram realizadas 24 sessões com estes casos, mais sete sessões do primeiro caso perfazendo um total de 31 sessões. O número de sessões, por semana, variou de uma a três , em dias alternados, da seguinte maneira:

1. Entrevistas inicial, individual com as mães, sem a presença da criança, apresentação do projeto de pesquisa e o termo de consentimento.

2. Atendimento com cada mãe e seu filho em sessão de no máximo 1:50 hs, com atividades lúdicas livres, utilizando o armário de brinquedos disponível na sala, para descontrair as crianças e observar, como que ambos, mãe e filho interagiam brincando, para então a mãe aplicar massagem Shantala, em seu filho;

3. Atendimento individual, de 50’ com cada mãe, em que apliquei a técnica da Calatonia, nas mães, em quatro sessões, cada uma, sem a presença da criança. 4. Repetimos a sessão de Shantala, usando o mesmo procedimento antes da aplicação

da massagem, que era brincar com a criança para descontraí-la, utilizando o mesmo tempo da primeira sessão que foi de 1:50 hs.

5. Devolutiva e encerramento de 50’, em que propuzemos caso houvesse interesse de continuarmos o trabalho, não mais como pesquisa e sim atendimento psicoterápico. Todas as mães aceitaram, exceto a do CASO 1, que desistiu.

7.4 Descrição do Procedimento

• As quatro entrevistas foram semi-estruturadas, de 50’, com cada uma das mães,

para colhermos informações a respeito do relacionamento entre elas e seus filhos. Foi feito um breve histórico sobre condições de gestação, desenvolvimento das crianças e situações de conflito. Foram também orientadas sobre a natureza da pesquisa, assim como esclarecimentos sobre o termo de consentimento para utilização de filmagem e gravação durante as sessões de atendimento.

• Nas sessões de Shantala com os filhos, procuramos promover condições de que

ambos se sentissem à vontade e descontraídos, procurando tranqüilizar a criança para entrar na sala e também deixar a mãe descontraída, pois sabíamos das condições psíquicas que as mesmas se encontravam. A utilização da filmadora, embora com o consentimento de todas, sabíamos que poderia se um fator de inibição e constrangimento na sessão e procuramos facilitar o entrosamento entre a mãe e a criança na sala, abrindo o armário e sugerindo que a criança e sua mãe brincassem não dando direção ou conduzindo a hora lúdica. Apenas controlei o tempo para a mãe fazer a massagem em seu filho, para não fazê-la com agitação e com pressa. Havia uma certa apreensão nas mães quanto aplicar a técnica, por desconhecê-la e confesso que também fiquei apreensiva. Entretanto fui observando que mesmo as mães não conhecendo a técnica pareciam envolvidas com o trabalho e conseguiram executá-la até o final sem demonstrar constrangimento.

• Quando observei este fato, percebi que o importante era tocar e ser tocado, e o que

isso significaria para as mães e crianças e que a técnica da massagem era apenas circunstancial, pois a medida que houvesse treino era passível de aprendizagem, mas o tocar não, o tocar representaria algo muito maior, simbolizaria os sentimentos, a relação, o cuidado era isso que se fazia importante para mim, não só pela pesquisa mas muito mais pela queixa que as mães trouxeram, e eu queria tentar minimizar seus sofrimentos, tanto das mães quantos dos filhos, e achava que este trabalho poderia contribuir.

• Nas sessões com cada uma das mães de Calatonia pudemos perceber como se

sentiram aliviadas, tendo a sensação de proteção. Relataram tranqüilidade, sono, sensação de gostoso, bem estar, poder ficar em paz. Em cada sessão fui percebendo maior descontração das mães e uma expressão de gratificação por poderem sentir-se mais calmas. Interpretei esta conduta, não só pelos benefícios que eu sabia que a Calatonia proporciona, mas também pelo interesse, despojamento com que as mães se entregaram ao relaxamento. Era como se estivessem procurando um lugar ou talvez alguém que lhes desse escuta e não as criticasse, e me senti muito gratificada por estar

Benzer Belgeler