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Semptomların Şiddetinin Azaltılmasında Neuman Sistem Modelinin Kullanımı

2. GENEL BİLGİLER

2.8. Semptomların Şiddetinin Azaltılmasında Neuman Sistem Modelinin Kullanımı

PAULO HENRIQUE AZEVEDO SOBREIRA

M

eu nome completo é Paulo Henrique Azevedo Sobreira e nasci em 25 de janeiro de 1968, em São Paulo, capital, no bairro da Vila Maria. Venho de uma família considerada normal, para alguns aspectos de hoje, ou seja, pai, mãe, irmãos e avó. Morei na casa de minha avó paterna, a Dona Maria, que, depois, se tornou a casa do meu pai, quando ela veio a falecer, em 1979. Sou daqueles camaradas criados pela avó, imigrante espanhola, em tempo integral, porque meu pai e minha mãe tinham que trabalhar fora.

Meu pai chamava-se Cyro, paulistano, e até os 5 ou 6 anos de idade só falava espanhol. Ele era policial militar do estado de São Paulo na maior parte da carreira, depois, foi fotógrafo, instrutor e dirigente de autoescola, locutor e, finalmente, professor. Minha mãe – Dorothy – era paulistana descendente de portugueses e espanhóis de Minas Gerais. Ela foi autônoma e não tinha emprego fixo. Eu era o filho caçula; tenho outros dois irmãos mais velhos, chamados Hamilton e Humberto. Eu ficava a maior parte do tempo com os meus irmãos e minha avó.

Quatorze anos depois de mim, nasceu minha irmã, a Heloísa, e aí eu tive uma experiência quase paterna com ela. Deixei de ser o caçula e passei a ser o seu “segundo pai”. Passei por toda aquela parte de trocar fraldas e essas coisas de bebês. Penso que isso contribuiu para que eu não tivesse interesse em ter filhos. Acho que essa experiência fez isso, por outro lado, acho que influenciei positivamente minha irmã, pois ela é casada com um astrônomo, o Willian Souza, excelente observador de cometas.

Meu primeiro contato com a Astronomia, eu diria que foi em casa, com meu pai e com meus irmãos. A lembrança mais antiga que eu tenho do meu interesse por Astronomia é de um final de tarde, em que o céu estava colorido de um azul belíssimo e não havia nuvens. Essa foi a primeira vez que olhei para

o céu. Eu não me lembro ao certo que idade eu tinha, mas deveria ser por volta dos cinco ou seis anos. Minha primeira memória do céu foi essa! Eu olhei para o céu e aí comecei a conversar com meu irmão mais velho, o Hamilton. Eu achava que o céu era meio arredondado. Eu tinha essa impressão. Foi quando ele olhou o céu comigo e disse que sim, que o céu tinha esse formato, de uma meia esfera, uma coisa arredondada.

Curiosamente, eu tenho uma foto antiga em que eu estou no colo da minha mãe e eu estou apontando para o céu. Eu deveria ter uns dois anos de idade. Era de dia e estavam todos os irmãos juntos. Minha mãe me segurando no colo e eu apontando para o céu e ela olhando junto. Provavelmente, devia ser algum avião passando ou um balão. Mas eu tinha esse olhar atento.

Eu conversava muito com meus irmãos a respeito de discos voadores, se tinha vida em outros lugares do Universo etc. Como eles já estavam na escola, eram alfabetizados. Eu era aquele irmão que fazia as perguntas, queria saber os porquês, e eles me davam corda, respondiam de fato minhas perguntas! Eu lembro que era interessado em ciências, em geral, mais especificamente, nas coisas do céu. Eu tinha esse interesse desde cedo e eles não sabiam muito, não conheciam, mas gostavam de dar as opiniões deles, ou do pouco que eles sabiam, me ensinavam alguma coisa. Lembro-me, na infância, de ter visto os eclipses parciais do Sol em 18 de abril de 1977 e em 10 de agosto de 1980. Meu pai teve uma participação muito grande em desenvolver minha curiosidade, porque ele era uma pessoa muito culta, apesar de ele só ter tido a chance de estudar depois que se aposentou da Polícia Militar, ou seja, depois dos 45, e perto dos 50 anos de idade, época em que ele foi para o curso superior.

Meu pai gostava muito do Monteiro Lobato e formou a coleção completa dele, obras que, posteriormente ao seu falecimento, eu herdei. Então, quando eu me tornei alfabetizado, ao final do primeiro ano da escola, ele me passou as “Caçadas de Pedrinho” para eu ler e me empolguei na leitura de Monteiro Lobato.

Também tem o livro “O Céu”, e todos aqueles que envolvem conhecimentos de Astronomia. Monteiro Lobato foi meu grande iniciador por influência de meu pai. Também tinha um livro em casa, que agora está doado para a biblioteca do Planetário de Goiânia da UFG1, que é “Na era da

Astronáutica”, do saudoso professor Rubens de Azevedo. Eu não sabia ler, mas, como aquele exemplar é fartamente ilustrado, um livro grande com capa dura, eu gostava de folhear e perguntar para os meus irmãos e para o meu pai, o que eram aquelas imagens.

Meu pai sempre gostou de explicar muito bem tudo; eu herdei isso dele inclusive, ou seja, gostar de ser minucioso e detalhado. E, assim, eu

PAULO HENRIQUE AZEVEDO SOBREIRA

vi as primeiras fotografias dos planetas. Lembro-me de que ali tinha uma imagem do antigo projetor do Planetário do Ibirapuera, em São Paulo, o Zeiss Oberköchen modelo III, e eu fiquei curioso para ver aquilo de perto. Então, eu tenho uma ideia, desde a tenra idade, do que é um planetário, mas eu queria ver de perto e eu sabia que em São Paulo tinha um. Eu queria um dia ir visitá- lo. Esse foi meu maior impulso pela Astronomia, ou seja, foi em casa. Depois, houve outros contatos mais enriquecedores, mesmo em casa.

Eu estudei sempre no mesmo colégio, em uma escola estadual chamada Professor Sebastião de Souza Bueno, no bairro da Vila Medeiros, Zona Norte de São Paulo. Meu primeiro ano primário foi em 1975, e fiquei naquela escola até o final de 1985, quando eu terminei o último ano do antigo colegial. Dali eu saí e fui para o cursinho, em 1986, ano marcante da passagem do cometa Halley.

No colégio da Vila Medeiros, eu fiz o antigo primário, no horário da manhã; o antigo ginásio, no horário da tarde, e o antigo colegial, no horário noturno. O colegial foi a época em que eu trabalhei como balconista de chaveiro, Office boy, auxiliar de escritório e de compras. Então, eu fui variando de turno sempre no mesmo colégio, que fica próximo de onde eu morava, tanto que eu me deslocava a pé até a escola. Lá eu fiz grandes amigos que trago até hoje.

No tempo do ginásio, um amigo, o Valter César Montanher e eu fundamos um clubinho de ciências. A sede era na casa dele e só tinha dois sócios, pois não conhecíamos outros colegas que desejassem participar. Nós conversávamos muito sobre Física e Astronomia. O pai dele, o “Seu” Valter, é técnico em eletrônica e por influência dele, nós tínhamos interesse em atomística e estrutura da matéria. O Valter é, atualmente, professor no Instituto Federal de São Paulo, em Piracicaba. Ele fez a graduação em Física e doutorado em Educação pela UNICAMP2 e mestrado em Física do Estado

Sólido pela USP3.

A escola foi o lugar para conhecer as primeiras namoradas e a prática de esportes, pois eu participava do time de basquete. A vida ali era muito legal, porque eu tive lá toda a minha experiência de criança e de juventude. Pude vivenciar, por exemplo, como era o trabalho dos professores.

Quando eu estava no primário, eu fui ao planetário pela primeira vez. Foi uma época muito boa, aliás, foi nesse colégio que lecionei pela primeira vez, pois eu voltei para lecionar lá.

Já perto da pré-adolescência, eu devia ter uns nove anos de idade, por volta de 1977 ou 78, eu fui ao planetário numa visita escolar. Lembro- me de como foi a sessão. Uma sessão ao vivo, possivelmente, narrada pelo

2 Universidade Estadual de Campinas. 3 Universidade de São Paulo.

Elias Tyrrel. O Elias tem o tom de voz mais próximo do que tenho registrado em minha memória. Isso foi lá no Ibirapuera. Foi uma alegria aquela visita escolar. A primeira ida ao planetário! Eu tinha nove ou dez anos de idade e fiquei fascinado ao saber que os planetas podiam ser vistos a olho nu no céu. Júpiter estava visível de madrugada, o que torna possível que a visita tenha ocorrido no segundo semestre de algum desses anos.

Por volta dos meus 12 anos, meu pai tinha em casa binóculos e com eles eu gostava de olhar para a Lua. Vendo o meu interesse e também o dos meus irmãos, ele adquiriu uma pequena luneta, daquelas que são usadas para verificar o alvo do tiro. São lunetas terrestres. Então, ele adquiriu uma dessas pequenininhas, com tripé pequenininho, e com ela comecei a observar a Lua. Nessa época, o meu pai fazia muitas trocas, compras e vendas por meio de um jornal que tinha em São Paulo, que se chamava “Segunda Mão”, depois, se chamou “Primeira Mão”, e nessas trocas ele substituiu aquela luneta por um binóculo 10x50, e, por fim, conseguiu um pequeno refrator de 56mm, também terrestre, que não invertia a imagem, mas tinha um bom tripé.

Com esse pequeno telescópio, eu passei a observar sistematicamente o céu das primeiras horas da noite, aos 13 anos de idade. Lembro que isso foi em julho de 1981. Eu me interessei pelo céu, para nunca mais largar disso. Com aquele pequeno telescópio, eu observava o que dava conta, antes e depois do jantar.

O Hamilton acordava cedo para ir trabalhar e eu pedia para ele me acordar de madrugada, caso o céu estivesse limpo. Eu conhecia as constelações do início da noite, cujos nomes oficiais eu não sabia, mas eu as nomeava e também explorava um pouco o céu do final da madrugada. Eu inventava constelações! Essa é outra curiosidade.

Eu apelidei o céu do início do ano de céu de verão, depois de céu de outono, céu de inverno e céu de primavera, sem saber que havia feito a coisa certa. Eu não sabia diferenciar um planeta de uma estrela, então, eu notava que havia diferentes astros no céu que não cintilavam. Esses me chamavam a atenção! Então, foi assim que eu apontei o telescópio para os planetas e fui encontrando um a um, ao longo das madrugadas ou das noites.

A minha maior emoção foi em uma noite de abril de 1982, quando apontei para um astro no céu, que eu não conhecia. Achei que era diferente, porque esse não piscava e, quando eu olhei pela ocular do telescópio, era o planeta Saturno! Para mim, foi a maior emoção, porque eu “encontrei” o planeta Saturno sozinho, diferente de alguém indicar para você e dizer: “- Você verá o planeta Saturno”. Saturno eu observei durante a noite e não de madrugada e, como eu disse, foi o que mais me marcou. Eu acompanhei a famosa conjunção de planetas de 1982.

PAULO HENRIQUE AZEVEDO SOBREIRA

Amigas e amigos do ginásio e parentes iam à minha casa e eu aproveitava para mostrar os planetas a olho nu e pela luneta. Assim, eu comecei a tomar gosto por difundir os conhecimentos sobre o céu.

A minha primeira palestra foi em casa, por volta dos 14 anos, para uns amigos do meu pai e um amigo meu, o Maurício Pereira Lima. O meu pai tinha um projetor e uma coleção de slides ou diapositivos, sobre a viagem da Apollo 11 e falei sobre cada detalhe daquelas imagens que eu conhecia muito bem. Eles me incentivaram a continuar com os estudos.

Eu descobri sozinho as manchas do Sol, porque eu já tinha noção anterior por ter brincado com pequenas lupas, e de que a luz do Sol no ponto focal da lente queimava papel, folhas secas e formigas. Logo, eu não me aventurei a pôr o olho na ocular do telescópio. Então, comecei sozinho a fazer a projeção da luz do Sol e descobri as manchas solares, sem ter visto isso em livros, apesar de que, nos livros do Rubens de Azevedo, tinha tudo isso, mas, naquela época, eu não lembrava que tinha esse assunto na obra dele.

Eu considero que essa trajetória que eu passei foi semelhante à da história da Astronomia, porque eu observei o céu a olho nu, inventei constelações, diferenciei planetas de estrelas, acompanhei as fases da Lua e eclipses, o movimento dos planetas e vi vários meteoros, depois, observei com uma pequena luneta e fui descobrindo as coisas, tais como as manchas do Sol, as fases de Vênus, os satélites de Júpiter, os anéis de Saturno, as estrelas duplas e os aglomerados de estrelas.

Então, foi mais tarde, por volta dos 15 anos, em 1983, que eu tive o meu primeiro emprego no chaveiro de um tio, e o primeiro livro que comprei foi o “Cosmos”, do Carl Sagan. Pouco antes, em 1981, a Rede Globo começou a transmitir a série “Cosmos” em português. Passava domingo à noite e, depois, passou aos sábados de manhã. A minha grande iniciação à Astronomia, na parte teórica, foi a série “Cosmos”, do Carl Sagan. Não tínhamos vídeo cassete naquela época, então, o meu amigo Valter e eu gravávamos em fita cassete magnética, o áudio da narração dublada, por meio de um microfone encostado no alto-falante da televisão. Assim, aos 15 anos, eu comprei o livro “Cosmos”. Lembro que foi com o meu primeiro salário e, depois, passei a comprar os livros do Mourão4 que havia na época, e ali foi que eu passei a ter

um conhecimento melhor da Astronomia.

Essa foi a parte de minha iniciação observacional e o início da teórica. Porque, antes da profissional, eu tive minha formação no Planetário de São Paulo. Aos 16 anos, eu comecei a frequentar o Planetário de São Paulo, e isso foi em 1984. Aos domingos, eu fazia cursos abertos ao público. Com 16 anos, eu já me deslocava bem em São Paulo de ônibus, e o Hamilton me ensinou

qual ônibus pegar para chegar ao Ibirapuera, a partir do Anhangabaú. Minha vontade era de ir ao planetário de novo.

Eu fui em 1977 ou 78 com meus nove, dez anos de idade e só retornei ao planetário aos 16 anos, em 1984, e ali eu fui para assistir a uma sessão que acontecia aos sábados e domingos à tarde. Eu levei todas as minhas namoradas ao Planetário do Ibirapuera, para mim, é o que tinha de melhor em São Paulo e que eu podia pagar. Assisti a uma dessas sessões e, ao final, sempre tinha uma chamada para quem queria fazer cursos que havia lá. Era só procurar a secretaria e foi isso que eu fiz. Eu saí daquela sessão e fui à secretaria me informar sobre os cursos que eram oferecidos. Fiz minha inscrição no curso de Astronomia Esférica. Isso no primeiro semestre de 1984.

Naquela época, eu estudava à noite e estava no segundo ano do Ensino Médio. Eu fazia aos sábados e domingos à tarde esse curso de Astronomia Esférica. Ali eu fui aluno dos professores Romildo Póvoa Faria, Walmir Thomazi Cardoso e Renato da Silva Oliveira.

Eu decidi, a partir daquele curso, que, realmente, queria estudar Astronomia. Havia aulas teóricas e as chamadas aulas práticas de Astronomia de Posição eram na cúpula do planetário.

O Romildo me disse uma vez que era absurdo eu fazer um curso de Astronomia Esférica, pois eu deveria fazer um curso de Introdução à Astronomia primeiro. Eu dizia que não, porque eu já tinha uma formação anterior! Eu estava com 16 anos e já tinha experiência observacional de três anos de Astronomia, eu dizia para ele.

Naquele mesmo ano, teve uma das bienais do livro no Parque do Ibirapuera, e ali esteve o Professor Mourão. Eu comprei um dos livros dele – O Universo Inflacionário – e o vendedor me informou que o autor estava lá e, assim, recebi um autógrafo, e eu disse: “- Professor Mourão, eu sou aluno do planetário”. E ele me perguntou: “- Há quanto tempo você estuda Astronomia?” Eu era um menino de 16 anos e disse que estudava há três 3 anos. Mourão me disse: “- Ah, então você já é um astrônomo!”.

Posteriormente, em 1985, eu fiz os cursos de “Fundamentos de Astrofísica” e “Temas astronômicos: o cometa Halley”. Ali eu conheci os professores Aulus Plautius Pimenta, Irineu Varella, Paulo Varella, José Carlos Barsotti e o Elias Tyrrel. Eu peguei essa passagem do cometa Halley.

Eu fiquei de 1984 a 86 estudando no planetário e sabia que aquilo tinha que ser minha vida dali para frente e, de preferência, se eu viesse a trabalhar no planetário, seria melhor ainda, porque o Planetário do Ibirapuera, realmente, foi minha escola e me encantou.

Naquela época, eu decidi fazer o cursinho em exatas, porque eu terminei o Ensino Médio em 1985 e, em 86, eu fui estudar exatas no curso

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Anglo Vestibulares, que é um curso famoso em São Paulo, na Rua Tamandaré. No ano anterior, o Valter e eu frequentamos um curso de Cálculo do professor Aguinaldo Prandini Ricieri nas manhãs de domingo. Aprendi muito sobre história da Matemática e suas aplicações. No Anglo, eu fiz o curso de exatas, fui novamente aluno de Física do Ricieri e prestei vestibular para o Instituto Astronômico e Geofísico da USP5.

No IAG,6 os cursos que havia na época eram Meteorologia e Geofísica,

eu não queria cursar Física, pois eu queria direcionar meus estudos para aplicações diretas em Astronomia ou Geociências. Eu prestei a primeira opção, Meteorologia e a segunda opção foi Geofísica. Entrei em Geofísica. Então, em 1987, foi meu primeiro ano de universidade no IAG, fazendo Geofísica.

Em 1987, nós estávamos numa época em que era praticamente o fim da ditadura militar, início do governo Sarney. No estado de São Paulo, a gente estava no início do governo estadual de Orestes Quércia. Isso foi um pouco antes do governo Collor. Eu peguei essa transição quando estava na faculdade. Eu tenho lembranças muito ruins dessa época na Política e na Economia. Infelizmente, para mim, a universidade não foi nada daquilo de que eu imaginava. Foi uma época muito dura, porque, quando eu fazia cursinho, eu trabalhava também durante o dia e estudava à noite. Foi um período em que eu quase entrei para o Exército. Então, foi uma época de enorme estresse.

Quando eu me apresentei ao Serviço Militar obrigatório, eu fui até as últimas etapas de alistamento e os exames médicos finais. Só consegui sair pelo excesso de contingente, porque eu tinha um problema de sinusite e eu apelei para isso na junta médica do Exército. Levei um monte de comprovantes, radiografias e consegui ser dispensado, mas fui liberado no último dia, na última hora, antes da distribuição dos novos recrutas. Uma hora depois, meu nome seria enviado para o banco de dados. Eu já tinha até as medidas de número da bota e do diâmetro do capacete.

Isso gerou um estresse muito grande, porque eu tinha um emprego, mas a empresa não estava bem, e eu só não fui dispensado do emprego porque eu estava preso ao processo de alistamento do Exército. Eu estava na segunda fase do vestibular nessa época, também. Então, o Exército me liberou; fui dispensado da empresa e, dali uns dias, eu passei na segunda fase da Fuvest7.

Foi uma transição, mas uma transição na qual eu estava desempregado, porque o curso de Geofísica é em período integral e eu não tinha dinheiro para me manter! Então, usei uma poupança que eu tinha na época e passei muitas dificuldades para comer, andar de ônibus, tirar xerox, comprar livros etc.

5 Universidade de São Paulo.

6 Instituto Astronômico e Geofísico, atual Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas. 7 Fundação universitária para o vestibular.

O curso de Geofísica é um curso com poucos alunos. São 20 vagas, mas, na época, apenas nove pessoas fizeram matrícula e apenas seis ou sete frequentavam as disciplinas. Então, a gente não tinha uma turma muito

Benzer Belgeler