3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.2. Yöntem
3.2.12. SEM analizi
A morte, conforme apresenta Paulo Nader71, é um evento pelo qual extinguem-se um grande número de relações jurídicas, a exemplo das que tangem os direitos conjugais. Entretanto, outras subsistem, verificando-se uma mudança de titularidade em determinados direitos, como o jus domini, o qual é transmitido aos herdeiros e legatários. Portanto, ainda que a morte provoque o fim da vida humana, juridicamente a transcende.
O Código Civil estabelece um conjunto de regras que tratam das relações patrimoniais as quais transmitem-se em razão da morte. Tais normas jurídicas formam o chamado Direito Sucessório.
Nas palavras do mencionado autor72:
O Direito das Sucessões é parte do Direito Civil que estabelece normas sobre a transmissão mortis causa de acervo patrimonial. É certo que a morte não prova apenas a sucessão na esfera patrimonial, [...] mas o objetivo deste sub-ramo do Direito Civil é apenas o patrimônio do sucedido, seu conjunto de bens, direitos e obrigações de natureza econômica.
Historicamente, afirma Maria Berenice Dias73, o direito sucessório teve origem desde que o homem passou a acumular recursos, fazendo surgir a propriedade privada e a ideia de que os bens pertencentes a uma família deveriam continuar sob a guarda da mesma por sucessivas gerações.
Lembra autora que, diante do Direito Romano, o titular do patrimônio era o pater
71 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro:
Forense, 2013. p-03.
72 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro:
Forense, 2013. p-05.
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familias, procedendo-se com a sucessão quando da existência de filhos varões, uma vez que as mulheres, ao se casarem, desvinculava-se da família de seus pais e passava a pertencer a de seu esposo. E, antes de chegar na sociedade atual, o direito sucessório sofreu grandes mudanças, sendo uma das mais significativas, a formulação do princípio de saisine74, na Idade Média.
Sob tais aspectos, comenta Fustel de Coulanges75:
Como o direito de propriedade havia sido estabelecido para cumprimento de culto hereditário, não era possível que se extinguisse depois da curta existência do indivíduo. O homem morre, o culto continua; o lar não deve extinguir-se, nem o túmulo deve ser abandonado. Coma continuação da religião doméstica, o direito de propriedade também permanece[...]
A regra para o culto é a transmissão de varão para varão; a regra para a herança era conformar-se com o culto. A filha não é apta para continuar a religião paterna, pois se ela casa, e, casando-se, renuncia ao culto do pai para adotar o do esposo: não tem, portanto, nenhum título para herdar.
Cumpre informar que Coulanges aduz em seu texto a relação existente entre a religião e a família, apresentando a face de um culto doméstico, pelo qual cada família tinha seu culto, adorando a deuses distintos e vivendo sob a autoridade de um único pater familias.
No Brasil, onde reproduzia-se que a família era apenas a constituída pelo casamento, assegurava-se a integridade patrimonial com não reconhecimento de filhos tidos fora do matrimônio. As mudanças jurídicas começaram com o reconhecimento de alguns direitos às pessoas que não viviam sob a égide do himeneu, bem como a equiparação de todos os filhos, fossem eles “ilegítimos” ou não.
3.1.1 Tratamento no Código Civil de 2002
O Direito das Sucessões, expõe Paulo Nader76, é tratado ao longo do Livro V do Código Civil de 2002, sendo o último das sequências de livros do Codex, pressupõe-se ao estudá-lo um conhecimento prévio sobre as demais normas expostas ao longo da lei, visto que o mesmo opera-se precipuamente no âmbito familiar, tendo como objeto os direitos obrigacionais e os reais.
74 O princípio de saisine, explica Paulo Nader, consiste na teoria que todos os bens constantes da herança são
transmitidos aos herdeiros no momento da abertura da sucessão, de modo que o acervo patrimonial nunca ficaria sem dono (NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2013.p-22)
75 COULANGES, Fustel de. Cidade Antiga. São Paulo: Editora das Américas S.A. – Edameris, 1961. p-
104/107.
76 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro:
38 Apesar de a Lei Civil, quanto aos aspectos sucessórios, ter sofrido significativas mudanças, Maria Berenice Dias77 critica o fato de o legislador não só ficar silente quanto a diversos aspectos relevantes para a sociedade, como as uniões homoafetivas, mas também promover de maneira relapsa institutos de questionável constitucionalidade, a exemplo da deserdação78 e da indignidade79.
Salienta a autora que apesar da matéria tratada no âmbito sucessório ser predominantemente patrimonial, a “Constituição Federal elevou a afetividade à categoria de direito constitucionalmente tutelado, ao afirmar que a família é a vase da sociedade e merece especial proteção do Estado”80. E, tendo por fim, o direito sucessório garantir a segurança familiar, este ganhou uma dimensão social necessária.
Não é o objeto do presente trabalho questionar a constitucionalidade dos institutos da deserdação e da indignidade, entretanto, cabe salientar que, apesar de estarem diretamente ligados ao aspecto patrimonial do Direito Sucessório, também estão vinculados aos princípios da justiça e da solidariedade entre os membros de uma mesma família.
3.1.2 Abertura da Sucessão
O Código Civil dispõe em seu artigo 178481 que uma vez aberta a sucessão, será, de logo, transmitida a herança a todos os sucessores. Esclarece Maria Helena Diniz82 que, abre-se a sucessão ao momento no qual falece o de cujus, sendo apenas através da morte que se pode tratar das questões sucessórias, pois não há como se considerar herança de pessoas vivas (viventis nulla est hereditas).
Uma vez aberta a sucessão, o acervo patrimonial do falecido é transmitido imediatamente a todos os sucessores, podendo o herdeiro recusar-se a figurar como um sucessor do de cujus, renunciando à parte do patrimônio que lhe era destinada.
77 DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões; 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo : Editora Revista dos
Tribunais, 2013. p-31
78 “Deserdação é penalidade imposta pelo autor hereditais a herdeiro necessário, mediante justificativa em
cláusula testamentária, visando a alijá-lo da sucessão em decorrência da prática de ato moralmente censurável e catalogado na Lei Civil” (NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2013.p-405)
79 “Indignidade é a situação jurídica em que se encontra o sucessível, condenado à perda do direito de suceder,
pela prática de danos graves contra o autor da herança ou a membros de sua família.” (NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro: Forense, 2013.p-89)
80 DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões. 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo : Editora Revista dos
Tribunais, 2013. p-34
81 Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. 82 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, volume 6: direito das sucessões. 28. ed – São Paulo:
39 Neste sentido, expõe Paulo Nader83:
Como efeito direto da morte, o acervo patrimonial se transmite imediatamente aos herdeiros e legatários. [...] O herdeiro, todavia, não é obrigado a aceitar a herança. Pode aceitá-la ou rejeitá-la como um todo, não em parte, nem sob condição ou a termo (art. 1804). Caso o herdeiro faleça antes de aceitar a herança, tal ato caberá aos herdeiros.
Complementa o citado autor, informando que, enquanto o herdeiro representa o de cujus tanto em relação aos ativos como os passivos do patrimônio sucessório; o legatário assume apenas as obrigações quanto ao bem que lhe diz respeito. E, o direito à herança é indivisível até o momento da partilha dos bens, mantendo os herdeiros um condomínio sobre os bens do acervo hereditário.
Maria Berenice Dias84 esclarece que a transferência imediata do acervo patrimonial aos herdeiros e legatários ocorre em decorrência do princípio de saisine, o qual, segunda autora, consagra uma ficção jurídica para evitar que o patrimônio do de cujus tornem-se coisa sem dono (res nullius), dispensando a necessidade personalidade jurídica ao espólio e, propiciando a qualquer herdeiro o manejo de ações possessórias.