4. BULGULAR ve TARTIŞMA
4.11. Antibakteriyel aktivite sonuçları
Tal como suscitado, a ordem de vocação hereditária elege os sucessores os quais figurarão como herdeiros de determinado de cujus, sendo que os herdeiros de uma classe precedente, no rol apresentado pelo artigo 1829 do Código Civil, afastam os subsequentes.
Embora, conforme com palavras de Maria Berenice Dias104, seja assegurado, primeiramente, o direito sucessório aos descendentes e depois aos ascendentes; ao cônjuge e ao companheiro sobreviventes é garantida uma porcentagem da herança, fazendo com estes herdeiros concorram ao patrimônio do de cujus, juntos aos herdeiros que os precedem na ordem de vocação hereditária.
A concorrência sucessória é direito decorrente da qualidade de herdeiro, portanto, caso um matrimônio ou uma união estável findassem antes da abertura da sucessão, retiraria do cônjuge e do companheiro o direito à herança do de cujus, bem como a concorrer com os seus possíveis sucessores.
Em seu texto, Paulo Nader105 manifesta o seguinte entendimento: “...o cônjuge sobrevivente terá direito à herança se o casal não se encontrava separado judicialmente, divorciado ou separado de fato por mais de dois anos ou, se por tempo superior foi culpado pelo término da convivência.”
Ao contrário do que expressa o autor mencionado, não se vê a necessidade de
103 DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões; 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2013. P – 55 e P – 138.
104 DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões. 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2013. P – 149
105 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro:
45 arguir a culpa do término do relacionamento ou calcular um tempo mínimo de rompimento, uma vez que a Emenda Constitucional nº 66/2010106 torna dispensável tais questionamentos. Assim, basta a comprovação da separação de fato para que o cônjuge perca efetivamente a sua condição de herdeiro.
O fim da união estável segue em igual apreensão, visto que não se necessita da chancela judicial para que seja reconhecida o seu fim. Assim, expõe Maria Berenice Dias107: “Finda a vida em comum antes da abertura da sucessão, desaparece o direito sucessório entre os companheiros, uma vez que a dissolução da união estável não depende da chancela judicial.” Acrescenta a autora que o direito a meação não se confunde com os sucessórios.
3.4.1 Concorrência do Cônjuge e do Companheiro
Ainda que, tanto cônjuges como companheiros, sejam agraciados com direito à concorrência hereditária, esta não ocorre de igual maneira para ambos. Enquanto no matrimônio, o consorte supérstite concorre com apenas duas classes de herdeiros, o convivente participa de concurso sucessório junto a outros três tipos de sucessores, e há divergências quantos aos quinhões correspondentes a cada um.
Neste sentido, afirma Maria Berenice Dias108:
...a lei empresta tratamento desigual ao casamento e à união estável no âmbito do direito sucessório. Ainda que assegurado tanto ao cônjuge como ao companheiro o direito de concorrer com os descendentes e ascendentes, este privilégio previsto em dispositivos legais distintos e são diferentes, tanto no que diz com o cálculo como a base de incidência.
A supracitada autora discorre também sobre as questões referentes ao regime bens e as consequências que cada um assume ante ao direito sucessório.
...apesar de haver a possibilidade de os companheiros firmarem pacto de convivência dispondo sobre o regime de bens, tal não se reflete no direito de concorrência. Isto é, a vontade dos conviventes não elevada em conta. Ao contrário do que ocorre no casamento. Os noivos têm a possibilidade de afastar o direito de concorrência optando pelo regime da comunhão parcial ou separação convencional de bens.
Esclarece-se que o art. 1829, inciso I, da Lei Civil, quando trata da concorrência
106A Emenda Constitucional 66/2010 deu nova redação ao §6º do art. 226 da Constituição Federal, que discorre
sobre a dissolubilidade do casamento civil pelo divórcio, suprimindo o requisito de prévia separação judicial por mais de 1 (um) ano ou de comprovada separação de fato por mais de 2 (dois) anos.
107 DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões. 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2013. P – 158
108DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões. 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos
46 sucessória do cônjuge com os descendentes, informa que são excluídos aqueles que convolaram núpcias sob os regimes da comunhão universal de bens e da separação obrigatória de bens.
Cabe salientar a diferença existente quanto a ordem de vocação hereditária, visto que os cônjuges, além de serem considerados como herdeiros necessários, figuram em terceiro lugar ao momento da sucessão, ao passo que os companheiros, sendo herdeiros facultativos, não se encontram no artigo 1829/CC, acabam por participar em último lugar da sucessão.
3.4.1.1 Concorrência com os Descendentes
Em linhas gerais, quando o cônjuge sobrevivente concorre com os descendentes do sucedido, o seu quinhão hereditário definido pelo art. 1832/CC109, o qual ainda assegura uma quota mínima de um quarto do acervo sucessório. Aos companheiros é reservado o determinado pelo inciso I do artigo 1790/CC, ou seja, a quota equivalente dos descendentes comuns.
Paulo Nader110 observa que a reserva da quota mínima só é válida quando os descendentes com quem o cônjuge concorre são filhos comuns com o de cujus.
Se entre os descendentes houver apenas alguns herdeiros que também o sejam do cônjuge sobrevivente, embora não haja expressa previsão legal, o entendimento é que o limite da quarta parte não impõe. É o que se depreende do texto do art. 1832: “... não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for o ascendente dos herdeiros com que concorrer”. Não sendo ascendente de todos os herdeiros, não deverá se beneficiar do mínimo legal.
Entretanto, prevê o artigo 1790, inciso II da Lei Civil, que caberá ao convivente supérstite metade do que destinado aos descendentes exclusivos do de cujus, ao participar de concurso sucessório apenas com os mesmos.
Maria Berenice Dias111 atenta quanto à existência de famílias compostas por filhos do casal e filhos somente do autor da herança, pois não há previsão legal quanto aos direitos do cônjuge e companheiro em relação aos descendentes de filiação híbrida,
109 Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao
dos que sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros com que concorrer.
110 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro:
Forense, 2013. P-151
111 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, volume 6: direito das sucessões. 28. ed – São
47 divergindo a doutrina na tentativa de solucionar tal lacuna. Enquanto propõe autora112:
Parece que o legislador esqueceu das famílias pluriparentais, que surgem da sucessividade dos vínculos afetivos, ensejando o surgimento da chamada filiação hibrida. [...] Ao tratar da sucessão no casamento, alei deixa de esclarecer se, havendo filiação híbrida, subsiste ou não o direito À quota mínima. Também na união estável são concedidas parcelas diferenciadas quando existem filhos comuns e filhos exclusivos do de cujus. Mas ouvidou-se a lei de indicar o modo de calcular o quinhão do companheiro sobrevivente. Assim, não há como saber se o víuvo permanece com a garantia de receber um quanrto da herança e tampouco se o companheiro percebe quinhão igual ao dos herdeiros ou apenas metade. A única solução é socorrer-se de complicadas equações algébricas[...].
Paulo Nader113 apresenta um ponto de vista diverso, uma vez que, conforme informou-se anteriormente, considera válida a reserva da quota mínima para os cônjuges apenas quando a filiação for comum ao casal. E, quanto aos conviventes, informa:
O legislador não previu a hipótese, comum na prática, de haver descendentes comuns aos companheiros e outros apenas do falecido. O fato se verifica quando o de cujus teve filhos em relação anterior à união estável. Sem considerar fórmulas matemáticas de complexa e que afrontam o princípio da operabilidade, [...] uma alternativa se apresenta ao interprete: ou considera o critério previsto no inciso I, quando os descendentes são comuns ao casal, ou a do inciso II, em que descendem apenas do autor da herança. Como solução preconizamos a aplicação prevista para o caso em os herdeiros apenas do de cujus, pois faz parte da mens legis priorizar os descendentes em relação aos companheiros ou cônjuges. Tal critério se harmoniza, inclusive, com a solução proposta para a sucessão do cônjuge, em que o supérstite concorre com descendentes comuns e outros apenas do de cujus.
Há de se considerar, por fim, o regime de bens, no qual o cônjuge casou, vez que o mesmo, conforme disposto em lei114, não concorrerá com os descendentes quando casado sob a comunhão universal ou a separação obrigatória de bens, ou comunhão parcial, quando o de cujus não houver deixado bens particulares. O companheiro, independente do regime bens avençado, concorrerá apenas quanto aos bens amealhados onerosamente na constância da união estável, conforme consta no caput do art.1790/CC.
3.4.1.2 Concorrência com os Ascendentes
112 DIAS, Maria Berenice. Manual das Sucessões. 3ª ed., rev., atua. e ampl. - São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2013. p- 161.
113 NADER, Paulo. Curso de Direito Civil, v. 6: direito das sucessões. 5ª ed. ver e atual. Rio de Janeiro:
Forense, 2013. P-160.
114 Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares;
48 O artigo 1837/CC115 informa: “concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau”. Assim, uma vez que não há descendentes do de cujus, concorrerá o consorte sobrevivente com os ascendentes do sucedido, nos termos apresentados. Explica Paulo Nader116 se ao cônjuge couber a sucessão com ambos os genitores do de cujus, caberá àquele um terço da herança. Entretanto, se concorrer com apenas um dos genitores ou com outros ascendentes do falecido, o consorte terá direito a metade da herança. E, por não existir mais observações legais quanto ao regime de bens dos cônjuges, aduz-se que todos tornaram-se passíveis de concorrer ao patrimônio do autor da herança.
Atente-se que o artigo 1790, inciso III, do Codex, reserva ao companheiro sobrevivente um terço do patrimônio sucessório ao concorrer com ascendentes e colaterais.
3.4.1.3 Concorrência com os Colaterais
Em quarto lugar na ordem de vocação hereditária, os parentes colaterais não são considerados herdeiros necessários, podendo ser afastados da sucessão pela disposição de última vontade do de cujus.
Não existindo ascendentes e descendentes, o cônjuge supérstite não concorre com os colaterais pela herança do sucedido, visto que encontram-se em terceiro lugar na ordem de vocação hereditária, passando a receber a integralidade do acervo sucessório.
Os companheiros sobreviventes, todavia, fazem jus apenas um terço do patrimônio hereditário, nos termos do 1790, inciso III. Eles receberam a integralidade da herança quando não houver qualquer parente sucessível.