3. MATERYAL ve YÖNTEM
3.2. Yöntem
3.2.1. Bitkilerin Ekstraksiyonu
Por anos, o casamento foi reconhecido como o único meio de constituir uma família, sendo as uniões existentes sem o selo matrimonial, como afirma Maria Berenice Dias61, identificadas com o nome de concubinato, relegadas à rejeição social e legislativa, tendo em vista as diversas punições que existiam para a concubina, a qual, por exemplo, não
60 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9. ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2013. p.252.
61 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9. ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora
33 poderia ser alvo de doações nem ser beneficiada no testamento do convivente.
Entretanto, hoje, a união estável recebeu uma nova dimensão jurídica, sendo reconhecida como uma entidade familiar pela Constituição, merecendo, inclusive, especial proteção do Estado, como já mencionado no presente trabalho.
Assim, esclarece Maria Berenice Dias62:
Ainda que a união estável não se confunda com o casamento, ocorreu a equiparação das entidades familiares, sendo todas merecedoras da mesma. Ao criar a categoria de entidade familiar, a Constituição acabou por reconhecer a juridicidade às uniões constituídas pelo vínculo de afetividade.
A normatização constitucional, como bem colocaram Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona63, não igualou a união estável ao casamento, mas conferiu espaço e dignidade ao companheiro na sociedade, que antes via-se denegrido quanto ao tratamento jurídico que lhe era dispensado.
Entretanto, como pontua o supracitado autor64, ainda que a legislação constitucional tenha reconhecido a união estável como uma entidade familiar equiparável ao casamento, a legislação infraconstitucional ainda diverge quanto ao reconhecimento de certos direitos ao companheiro, como os referentes à sucessão, quando o cônjuge possui uma gama de vantagens em face do convivente, vantagens essas que serão explicitadas com melhor propriedade no decorrer dos próximos capítulos.
2.3.1 Conceito e Características da União Estável
Com o surgimento do Código Civil de 2002, a união estável passou a ser regulamentada também por este, sendo definida nos termos do art. 172365, como a entidade familiar, entre um homem e uma mulher, a qual se estabelece com o objetivo de constituir família, tendo entre suas principais características a convivência pública, contínua e duradoura.
Ainda que a dualidade de gêneros tenha sido exposta como requisito caracterizador da união estável, admitir a existência de tal entidade familiar apenas para
62 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9. ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2013. p.175.
63 GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil, volume 6: Direito de
Família – As famílias em perspectiva constitucional. 2ed. rev., atual. e ampl. São Paulo. Saraiva. p-442.
64 GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil, volume 6: Direito de
Família – As famílias em perspectiva constitucional. 2ed. rev., atual. e ampl. São Paulo. Saraiva. p-442.
65 BRASIL. Código Civil (2002). LEI No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002. Disponível em:
34 núcleos compostos por pessoas de sexos distintos, seria ir de encontro aos preceitos constitucionais que dão validade a todas famílias, independentemente do modo que são constituídas.
Neste sentido, expõe Pablo Stolze e Rodolfo Pamplona66:
“[...] no sistema, inclusivo e não discriminatório inaugurado a partir da Constituição de 1988, espaço não há para uma interpretação fechada e restritiva que pretenda concluir pela literalidade da norma constitucional (art. 226, § 3º, CF) ou até mesmo da legislação ordinária (art. 1723, CC) com o propósito de somente admitir a união heterossexual.”
A publicidade, a continuidade, a estabilidade e o objetivo de constituir família continuam sendo elementos essenciais para a verificação da existência da união estável e para diferenciar a mesma dos outros tipos relacionamentos, como o namoro.
2.3.2 Conversão da União Estável em Casamento
Mesmo que a união estável tenha se equiparado ao matrimônio e seja reconhecida como uma entidade familiar, a possibilidade da sua conversão em casamento prova que os dois institutos possuem suas peculiaridades.
O art. 1726 do Código Civil, acompanhando o que diz a Constituição Federal no art. 226, § 3º, informa que: “A união estável poderá converter-se em casamento, mediante pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil”. Entretanto, não há na lei civil regras de como se deve proceder a tal conversão, assim afirma Maria Berenice Dias67.
Coube aos tribunais a operacionalização da matéria, tendo cada estado resoluções próprias para o procedimento de conversão. Neste ínterim, o CNJ através da Resolução nº 175, após o reconhecimento da união estável homoafetiva pelos tribunais superiores, regulamentou a sua conversão em casamento, o que será analisado com mais concretude no último capítulo deste trabalho.
2.3.3 Efeitos Patrimoniais da União Estável
Os efeitos patrimoniais da união estável são similares aos do casamento, assim
66 GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Pamplona. Novo Curso de Direito Civil, volume 6: Direito de
Família – As famílias em perspectiva constitucional. 2ed. rev., atual. e ampl. São Paulo. Saraiva. p-434.
67 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9. ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora
35 afirma Maria Berenice Dias68. No casamento, os noivos podem escolher qual ao regime de bens, graças ao pacto antenupcial, ou aceitar o regime legal da comunhão parcial de bens. Na união estável, os companheiros podem firmar um contrato de convivência, nos termos do art. 1725 do Código Civil, estipulando os mais diversos termos, mas, quedando-se em silêncio, presume-se escolhido o regime da comunhão parcial de bens.
Em seu texto, Maria Berenice Dias69 informa que, no regime da comunhão parcial de bens, todos os bens amealhados durante a união estável são considerados fruto do trabalho em comum dos companheiros, tal qual ocorre quanto aos cônjuges, ressalvadas as exceções legais de incomunicabilidade, nos termos dos arts. 1659 e 1661, ambos do Código Civil.
Ressalte-se que os bens de um casal, que deveria estar casado sob o regime da separação obrigatória de bens, como no caso de pessoas com idade superior a 70 anos, mas que vive apenas em união estável, não são mais considerados frutos do esforço em comum, necessitando-se de análise de provas para tanto.
Em recente decisão, o Superior Tribunal de Justiça70 entendeu que “na dissolução de união estável mantida sob o regime de separação obrigatória de bens, a divisão daquilo que foi adquirido onerosamente na constância da relação depende de prova do esforço comum para o incremento patrimonial.”
Saliente-se que, apesar das similaridades, a união estável e o casamento não são iguais, e é em sede de direito sucessório que o tratamento dispensado pela legislação ao companheiro e ao cônjuge tem a sua maior divergência.
68 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9. ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2013. p.187-188.
69 DIAS, Maria Berenice. Manual de direito das famílias. 9. ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2013. p.188.
70 BRASIL, Superior Tribunal de Justiça. Partilha de bens em união estável no regime de separação
obrigatória exige prova de esforço comum. Brasília, DF, 21 de setembro de 2015. Disponível em: < http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/noticias/noticias/Partilha-de-bens-em-união-estável-no-regime-de- separação-obrigatória-exige-prova-de-esforço-comum >. Acesso em: 10/10/2015.
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