IV. 7.2.1.2. Şirket-i Umumiye-i Osmani ve Salomon Fernandez
V.3. Selanik’teki Osmanlı Vakıflarının Günümüzdeki Durumu
O Programa Nuclear da Marinha surgiu no final da década de 80 a partir
83 O atual acordo limita-se ao projeto inicial do reator, não incluindo sua construção ou do complexo de laboratórios associados.
84 O reator OPAL tem desenho semelhante ao reator francês CEA OSIRIS, sendo ambos feitos “com piscina aberta”. Os dois se diferenciam-se principalmente pelo fato do primeiro é construído para conter água pesada com berílio para produção de radiofármacos e testes com feixes de nêutrons. O OSIRIS, por sua vez, contém água leve, idela para testes de materiais e combustíveis. O novo projeto brasileiro- argentino deve combinar as duas funções, contendo piscinas de água leve e pesada. (PERROTTA, 2013).
de discussões de membros da Marinha e autoridades e militares da República Federal da Alemanha (RFA) acerca das vantagens e possibilidades de construção pelo Brasil de navios de guerra ou de pesquisa com propulsão nuclear, no conteto de aproximação dos dois países em face do Acordo de Bonn em 1975. Essa ideia amadureceu a partir de relatórios de viabilidade elaborados pelo então capitão-tenente Othon Luiz Pinheiro da Silva, o qual havia sido enviado para realizar pós-graduação sobre o tema no
Massachusetts Institute of Technology (MIT), e entregues ao alto comando da Marinha (MARTINS FILHO, 2011). Do ponto de vista da Marinha, a aquisição de um submarino nuclear se mostrava interessante por atacar um problema criado pelo Decreto-Lei nº 1.098, de 25 de março de 1970, que extendeu o mar territorial brasileiro para 200 milhas, abarcando toda a plataforma continental brasileira e principalmente lençóis petrolíferos ainda não explorados pela Petrobrás. À época, a Marinha contava com uma esquadra de 57 embarcações pesadas, insuficiente para patrulhar uma área tão extensa (CARVALHO, 1999), a qual nos anos seguintes seria apelidada pela Marinha de “Amazônia Azul”, não só em por seu tamanho rivalizar com a referida floresta tropical, mas também para denotar sua importância estratégica para o país (PDN, 2005).
Nesse contexto, os submarinos à propulsão nuclear apresentam vantagens significativas em relação aos similiares movidos à diesel. A principal delas é sua autonomia: submarinos convencionais tem de emergir depois de alguns dias, tanto para abastecimento como para captar oxigênio para alimentar suas baterias, tornando-os mais vulneráveis e limitando as distâncias que podem ser por eles patrulhadas. Os submarinos nucleares, além de serem mais velozes, podem ficar longos períodos submersos, estando por vezes limitados mais pela tolerância da tripulação a longos períodos de confinamento (FRIEDMAN, 2011). Não é de se espantar que as potências nucleares utilizem essas embarcações como parte de sua estratégia de dissuasão atômica, transformando-as em verdadeiras plataformas de lançamento móveis, incapazes de serem detidas em caso de um ataque nuclear. Embora a princípio o interesse do Brasil não fosse o de produzir submarinos balísticos (PERROTTA, 2013), a eficiência dos modelos nucleares seria ideal para patrulhar a extensa costa brasileira.
O programa desde seu início seguiu as linhas gerais da proposta apresentada por Othon, a qual permanece até os dias de hoje. Definiu-se, portanto, que o objetivo do Programa Nuclear da Marinha (PNM) “é o domínio, por parte dos institutos de pesquisa e da indústria nacional, de todo o vasto espectro tecnológico necessário para
que a nação esteja capacitada para o projeto e construção de reatores de potência e de combustíveis para esses reatores.” Para tanto, o PNM era dividido em dois grandes programas: o Projeto do Ciclo de Combustível e o Projeto de Laboratório de Geração Núcleo-Elétrica (LABGENE) (Presidência da República, 2004). Embora a construção do futuro submarino nuclear dependesse de outras variáveis, o domínio desses dois aspectos certamente seriam as etapas mais complexas a serem vencidas. Por outro lado, note-se que essas duas tecnologias não são empregadas somente na área militar, mas também em diferentes campos. Cabe citar, por exemplo, que o país parece ter seguido a estratégia adotada pelos EUA, que na década de 50 desenvolveu seus primeiros reatores nucleares para submarinos, os quais serviram de base para a primeira geração de reatores termonucleares para fornecimento de energia do país (GUIMARÃES, xxxx). Dessa maneira, já em sua elaboração o programa passou a fazer parte do escopo maior do governo militar de dominar a tecnologia nuclear como forma de alavancar o desenvolvimento doméstico e projetar poder no cenário internacional, sendo assim inserido no PATN.
Graças a esse duplo propósito, o programa da Marinha conseguiu sobreviver ao debacle do programa autônomo durante a redemocratização, mantendo-se em funcionamento mesmo em períodos em que o Executivo não compartilhava da ideia da Marinha de construir um submarino nuclear para o país, em face da tecnologia associada por ele desenvolvida (CORREA, 2009). Mesmo a transferência da atribuição de produção do combustível nuclear em escala industrial para a INB realizada na década de 90 e comemorada como um afastamento dos militares do programa nuclear brasileiro (ROSA, 2009) deve ser relativizada. Até hoje, o INB firma acordos de cooperação com o CTMSP para o desenvolvimento tecnológico de partes essenciais do referido ciclo, ficando esse ente civil responsável administração e operação do maquinário produzido. Isso não quer dizer, no entanto, que o programa da Marinha não tenha sofrido constrições durante as gestões seguintes.
Como mencionado anteriormente, a literatura sobre o tema menciona que a partir do governo Collor o PNM perdeu os recursos do CSN e passou a contar apenas com uma parcela do orçamento da Marinha destinado a pesquisas em geral. Os autores apontam ainda que com o início da gestão Lula, o Executivo federal teria voltado a priorizar o PNM, buscando alcançar seu objetivo “imediato” de dotar o país de uma força naval nuclear. De fato, há indicativos de que a partir desse governo o referido
programa ganhou nova importância, mas é preciso fazer uma leitura atenta, de forma a não desconsiderar eventuais avanços já obtidos em gestões anteriores e não sobrevalorizar determinados pronunciamentos de diferentes governos sobre o tema.
Dessa maneira, em 2005 o governo Lula deu sinais de que pretendia retomar com maior empenho com a edição da Política de Defesa Nacional (PDN), instrumento legal de caráter diretivo que definiu os objetivos e diretrizes para o planejamento e condução das ações do governo federal na área de Defesa. Nesse documento o governo indicou a chamada “Amazônia Azul” como uma das áreas prioritárias, em especial em face da necessidade de exploração de seus recursos para o desenvolvimento do país. O PDN cojita ainda a intensificação de disputas em áreas marítimas nesse século, apontando que o país deve dispor de “meios com capacidade de exercer vigilância e a defesa das águas jurisdicionais brasileiras” (PDN, 2005).
No ano seguinte foi realizada a inauguração da primeira cascata de centrífugas na fábrica de Resende/RJ. Deve-se ressaltar, no entanto, que esse marco foi precedido de um processo iniciado com o já mencionado acordo INB-CTMSP, assinado em 2000. Ainda nos últimos anos da gestão FHC, os dois órgãos começaram as atividades necessárias para a implantação da referida instalação, permitindo assim que em 2004 a INB recebesse autorização do CNEN para dar início ao enriquecimento de urânio em larga escala (Presidência da República, 2001 a 2007). Nesse mesmo período, em visita à fábrica de Resende, o presidente Lula prometeu novos recursos para o PMN, considerado por ele prioritário para país. De fato, em 2008 o governo publicou seu segundo documento de orientação de alto nível na área de Defesa, a Estratégia Nacional de Defesa (END). O documento buscou definir estratégias de médio e longo prazo para a modernização da estrutura nacional de defesa, com base nas diretrizes definidas na PDN. Dentre elas, o END previu a necessidade de garantia de recursos para o PNM e sua conclusão bem-sucedida, com a construção de submarinos nucleares para auxiliar a Marinha em sua tarefa de “negação do uso do mar” (END, 2008). Essas declarações de vontade do governo Lula (e do subsequente goveno Dilma) encontraram correspondência no aumento da dotação orçamentária para o PMN?
Para responder a essa pergunta, optamos por analisar as Prestações de Gastos da Presidência da República dos anos fiscais de 2000 à 2011, período que compreende a quase totalidade da última gestão FHC, as duas gestões Lula e o primeiro
ano do governo Dilma. Esses documentos são organizados pela Controladoria-Geral da União (CGU) e entregues anualmente ao Congresso Nacional. De acordo com a Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101, de 04 de maio de 2000), as prestações de contas a partir de 1997 e estão disponíveis para consulta em meio online no sítio da CGU.85 Um dos seus itens é o “Balanço Geral da União”, que contem as
dotação orçamentária do governo para cada um de seus programas, bem como as despesas efetivamente realizadas. O PNM está inserido no programa nº 629 – “Tecnologia da Uso Naval”, o qual eventualmente inclui também outros projetos de menor porte. Para permitir a análise comparativa dos gastos anuais, esses gastos foram atualizados pela inflação acumulada de acordo com o índice IGP-DI. Essa análise é complementada pelos comentários dos gestores desse programa nas próprias prestações de contas anuais.
Tabela: Balanço-Geral da União – Despesa com programa “Tecnologia de Uso Naval” (Código 0629)
Ano Dotação (R$) Despesa Real Atualizada
2000 71.569.000,00 139.296.821 2001 79.935.607,00 161.729.113 2002 79.776.611,00 86.133.514 2003 51.980.003,00 67.894.603 2004 83.328.363,00 96.296.607 2005 63.885.845,00 72.345.965 2006 40.129.065,00 49.611.993 2007 44.712.455,00 56.620.401 2008 132.888.159,00 135.327.853 2009 188.029.000,00 203.643.421 2010 182.100.769,00 136.870.135 2011 265.484.699,00 191.114.786
Fonte: Prestação de Contas da Presidência da República. 2000-2011
A primeira informação que pode se depreender dos dados constantes na Tabela abaixo é que entre 2002 e 2007 as despesas efetivamente realizadas sofrem uma
queda constante. Mais do que isso, durante todo esse período essas despesas foram bem inferiores à dotação orçamentária inicial. Segundo seus gestores informaram, nesse período o programa foi objeto de sucessivos contingenciamentos, o que fez com que eles recorrentemente declarassem que os valores dedicados ao PMN permitiram apenas sua manutenção “vegetativa” (sic), ou seja, foram suficientes para evitar a perda da estrutura e capital humano conquistados nos anos anteriores, sem que houvesse prazo para finalização do programa (situação semelhante à paralização do projeto) (Presidência da República, 2003-2008). Somente a partir de 2008 os gastos do referido programa começam a retomar o patamar de 2000, considerando-se a inflação acumulada do período, com dois aportes maiores em 2009 e 2011.
Pode-se inferir ainda dos dados apresentados que, a despeito do aparente interesse no PMN, o governo Lula só teria efetivamente decidido capitanear o projeto e buscar sua conclusão em seu segundo mandato, seguindo antes a mesma política do governo FHC de “paralisação” virtual do programa. É possível que o PMN simplesmente não fosse uma prioridade para a nova gestão durante o primeiro mandato, e que esse quadriênio teria sido utilizado para construir consensos em torno dele, como parece se denotar dos documentos de Defesa mencionados acima. Essa convergência de vontades parece finalmente ter se materializado em 2008, com a recuperação orçamentária do programa e sua menção na END.
Além disso, o ímpeto do governo Lula na segunda gestão em favor do PMN ficou claro com o acordo firmado no mesmo ano entre Brasil e França para a criação do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Por meio do PROSUB, o Brasil objetiva a construção de quatro submarinos convencionais à diesel (dobrando a atual frota nacional) e um de propulsão nuclear. O ambicioso programa prevê ainda a construção de um estaleiro e uma base naval em Itaguaí/RJ para a construção desses veículos (Marinha, 2011). Especificamente em relação ao PMN, os contratos firmados em 2009 com a francesa DCNS prevêm que essa empresa irá auxiliar o Brasil na construção do casco do primeiro submarino nuclear a partir do modelo francês Scorpene, uma das etapas tecnológicas que os técnicos do CTMSP ainda não conseguiram superar (NTI, 2012).
3. Participação do Brasil no Regime Internacional de Não-Proliferação de Armas