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Selanik´in Kaybedilmesi ve Hasan Tahsin Paşa

Pautados nos fundamentos teóricos elencados ao longo dessa reflexão, defendemos que com a transitividade, a modalidade apreciativa, a temática dos termos axiológicos e juízos de valor, aqui entendidos sob a ótica da TOPE, podemos tentar explicar, com base nos postulados do programa de trabalho culioliano, a concordância do verbo gustar com a noção do segundo argumento

ε

1 (objetivo), como ocorre em Me gustan los libros / A nosotros nos

gusta el teatro;119 já que as propriedades que se atribuem a uma noção são uma apreciação feita pelo sujeito enunciador, baseado em traços e assimilações culturais e em gostos e valores pessoais. Em um enunciado como Me gustas tú/Me gustan los vinos, 120ocorre, portanto, uma determinação do valor que representa algo/alguém para um sujeito determinado, o qual pode ser o sujeito enunciador ou o sujeito do enunciado (A Ana le gustan

las flores/ A mí me gustan las manzanas/A ellos les gusta el payaso).121 Em nossa concepção, termos axiológicos e juízos de valor dão condições para que o enunciador tome uma posição, fazendo um juízo subjetivo (avaliativo). As noções lexicalizadas por determinadas marcas linguística já têm uma carga apreciativa, ou seja, propriedades primitivas que atraem a atenção do sujeito enunciador e o levam a tematizar determinado argumento. Daí podermos corroborar com o defendido por Culioli (1999a,p.101-104): a relação construída (predicativa) é submetida a uma avaliação, cujo alvo é uma apreciação de ordem qualitativa feita pelo enunciador.

119 Agradam-nos os livros / Agrada-nos o teatro 120 Gosto de ti / Agradam-nos os vinhos

Nesse sentido, citamos Marília B. Onofre (2003,p.40), que fazendo alusão a Culioli (1990), postula que as invariantes linguísticas podem ser recuperadas nas línguas por meio das operações de determinação quantitativa e qualitativa; causalidade/transitividade; modalização e aspectualização. Com relação à causalidade/transitividade, ela observa que essa operação se refere à relação estabelecida entre os termos do enunciado, ou seja, entre as noções que instanciam uma léxis: “na enunciação estabelece-se um jogo de forças entre tais noções, e nesse jogo, uma pode se sobrepor à outra [...], determinando, assim, o que chamamos de termo de partida” (ONOFRE,2003, p.40). Ao tratar das relações que retratam a atividade de linguagem e a temática da transitividade, a autora explicita:

Para Culioli, a sintaxe e a semântica apresentam-se imbricadas. Nesse modelo atribui-se um relevante papel à posição ocupada pelos argumentos (x, y) no enunciado, quer estejam ordenados à direita ou à esquerda do relator R, e será essa ordenação que determinará a relação argumental que vai constituir a significação. Essa relação argumental não está determinada pelo relator [...], nem será este que selecionará os argumentos estabelecendo uma relação hierárquica entre eles, mas será construída na relação entre os argumentos (x, y) e o relator.” (ibidem, p.91).

Nessa perspectiva, considerando os enunciados anteriormente apresentados como exemplo de estrutura inversa (OVS) ou ergativa do verbo gustar, no sentido de agradar/aprazer, constatamos que aquilo que afeta o sujeito, ou seja, o que é tematizado pelo enunciador, figura como a origem do sentimento, do estado emocional ou da experiência sensorial que provoca algo no sujeito, quer se trate de pessoas, de objetos, de eventos, etc.

Em se tratando da relação predicativa, nos citados enunciados, constatamos que o objetivo

ε

1 (estímulo) é escolhido como o termo em torno do qual se organiza o enunciado. É

o termo de partida, o termo tópico que fornece a orientação sintática à citada relação; é o termo que controla a origem (

ε

0) (sujeito/experienciador) do evento estativo “gustar”,

dominando a referência e, por isso, intuitivamente (nocionalmente), é possível fazer a relação do relator (gustar) com o objetivo (

ε

1) e não com a origem (

ε

0), conforme observamos em:

(Me gustan los aviones, Me gustas tú, A nosotros nos gusta el teatro). Nas línguas acusativas, esses termos serão considerados, respectivamente (dativo e sujeito), nas ergativas (ergativo e absolutivo) e, na TOPE, simplesmente, termo de partida e termo de chegada da relação predicativa.

P – ¿Qué prefiere/ qué le gustaría tomar el poeta?122 R – A Neruda le gustan los vinos.123

λ <Neruda – gustar – vinos> a r b

Aplicando-se a propriedade transitiva da léxis (REZENDE,2001,p.204), temos: o predomínio de /b/ sobre r/a. É possível aludirmos, também, ao jogo de forças entre as noções que determina o termo de partida (ONOFRE,2003,p.41). Exemplificamos com:

- A Neruda le gustan los vinos. (termo de partida los vinos - y) → b

- Los vinos le gustan a Neruda. (termo de partida los vinos – x) → a

Outro ponto que reforça essa nossa suposição é o fato de que, ao fazermos o levantamento para o corpus desta pesquisa, não encontramos exemplos de voz passiva com o verbo gustar, no sentido de “agradar/aprazer”. Não há, portanto, uma relação entre agente e paciente, o que corrobora a não-agentividade dos processos compactos/estativos.

Para postular a tematização do segundo argumento (

ε

1) nos enunciados supracitados,

a partir das razões já expostas, encontramos apoio, ainda, nos estudos de Rebuschi (apud CULIOLI,1999a,p.114) sobre a língua basca que, seguindo os postulados da TOPE, propõe a seguinte fórmula para a relação ativa ergativa:

a

ε

< b

ε

( ) r ( )

(a З é marcado pelo ergativo, e b ε pelo absolutivo)

a é orientado em relação a b e b é orientado em relação a r

(REBUSCHI apud CULIOLI,1999a,p.114)

Quanto às dificuldades em fornecer uma opinião cabal sobre o tema (estrutura inversa de enunciados com o marcador gustar), citamos novamente Culioli que, no final de um estudo sobre o papel das representações metalinguísticas em sintaxe, explicita:

[...] o percurso descrito serve para filtrar as observações, tornar mais rigorosas as teorias, para construir uma ferramenta de representação e de tratamento que permita re-construir as invariáveis linguagísticas. Minha convicção é que as línguas são mais abstratas e coerentes em sua sintaxe (em sentido geral) do que nós imaginamos, mas que essa sintaxe é regida por um pequeno número de operações fundamentais.124

(CULIOLI,1999a,p.114)

122 O que prefere o poeta / O que o poeta gostaria de beber 123 A Neruda agradam os vinhos.

124 La démarche décrite vise à affiner les observations, à rendre plus rigourex les raisonnements, à construire un outil de représentation et de traitement qui permettent de re-construire les invariants langagiers. Ma conviction est que les langues sont plus abstraites et cohérentes dans leur syntaxe (au sens large) que nous ne le pensons, mais que cette syntaxe est régie par un petit nombre d’opérations fondamentales.

Benzer Belgeler