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1.1.3 Finansal İstikrarsızlığın Nedenleri ve Ortaya Çıkışı

1.1.3.4 Reel Sektörde Bilançoların Bozulması

Recife, umas das grandes metrópoles da região Nordeste, com 1,537 milhão de habitantes, uma cidade com uma densidade populacional de 7. 037 habitantes por km², próxima a São Paulo, é uma metrópole regional, com grande expressão cultural no âmbito local e nacional.

Na história de sua formação, desde a ocupação holandesa, o domínio dos senhores de engenho e a colonização portuguesa, deram-lhe traços marcados em sua urbanização. Como nos ensina Josué de Castro (1954, p. 145), os vetores naturais do sítio foram também determinantes:

Cidade de ilhas em seu sentido fisiográfico, o organismo urbano do Recife formou-se pela associação ganglionar dessas ilhas de povoamento que, ampliando-se

progressivamente, provocaram a formação da massa total de construção urbana.

A cidade cresceu e se expandiu, ganhando um caráter comercial, como função portuária, ganhando, cada vez mais, por força da expansão demográfica, a feição de suas formas.

No que tange à produção, distribuição e consumo de música, a cidade é lugar de relevantes manifestações, incluindo gêneros musicais, como frevo, forró e maracatu. Conhece, ainda, movimentos de contestação como o mangue beat.

Cristiano Nunes (2010, p. 5), em seu estudo, problema- tizando o circuito sonoro na cidade do Recife, afirma que:

Consideráveis densidades informacionais e comunicacionais, dão ideia da presença desse Circuito Sonoro, da espessura de sua consti- tuição em Recife. Hoje há na cidade cerca de 500 bandas cadastradas na Prefeitura Municipal de Recife em 26 gêneros. Na capital pernambucana existem mais de sessenta bares com som ao vivo e cinquenta produtores musicais. A cidade conta com selos de gravação e cerca de trinta estúdios fonográficos.

Esses dados a que Nunes (2010) se refere mostram a dimensão da divisão do trabalho que Recife detém no tocante às firmas relacionadas à produção musical. Notamos no Recife uma profusão de firmas que se relacionam com o ramo cinematográfico, ligadas ao circuito superior marginal emergente, ampliando a divisão territorial do trabalho dessas empresas. Firmas ligadas ao cinema acabam por envolver empresas mais capitalizadas e com maior capacidade técnica e organizacional dentro da música que prestam serviços como a gravação de trilhas sonoras aos filmes.

Constatamos outro dado pertinente ao Recife: existem estúdios exclusivos à gravação e estúdios exclusivos ao ensaio. Em geral, essa divisão não era tão evidente em outras cidades.

Existe uma segmentação da demanda musical, ainda que o mercado seja uno: há uma busca de satisfação de gostos regionais, com a produção de uma especialização de gêneros musicais e de atividades que trabalham para essas demandas: gosto, relações sociais e gêneros.

No caso do gênero há uma sazonalidade recifense que inclui a repartição de tarefas a partir de três grandes eventos: (i) carnaval - frevo e maracatu; (ii) festas de São João (forró) e, por fim, (iii) festividades natalinas. As demandas por produção na cidade do Recife estão ancoradas nesses três grandes momentos.

A cultura, o mercado e o Estado estão indissociados, todos compõem o território e só podem ser vistos isolados para fins analíticos. É o uso do território pelos atores, com especificidades culturais, diante de políticas públicas regionais (estaduais e municipais), mas com o viés normativo da União a partir do fomento de programas culturais.

A divisão do trabalho, entre os dois circuitos, na produção, distribuição e consumo envolve o trabalho de músicos, estúdios de gravação e ensaio, estabelecimentos de serviços aos estúdios (marceneiros, eletricistas, pedreiros e as próprias gravadoras), empresas que vendem selos (CNPJ e notas fiscais – muito comum para conseguir participar dos editais do Estado, sobretudo em Recife), gráficas que imprimem os encartes dos discos, folders de shows e as empresas que prensam discos. Há, igualmente, firmas prestadoras dos serviços de distribuição, casas de show e lojas de discos.

As empresas, em geral, não têm registro de venda, porque não emitem nota fiscal aos clientes. As formas de pagamento são, normalmente, em dinheiro ou cheque à vista. Em especial, em Recife e Goiânia, é comum a venda de um conjunto de horas

que pode variar de 3 a 5 horas. Essas empresas, geralmente, pagam imposto simples ou não chegam a se registrar.

Em Recife, as produtoras de áudio têm um caráter que as diferencia das gravadoras, isto é, as etapas de produção da música estão circunscritas as etapas de pré-produção, produção e de facilitadoras entre músicos e locais para apresentação de shows. Nesse mesmo sentido, muitas vezes as gravadoras que dominam todas as etapas de produção no eixo Rio-São Paulo, estão ausentes no mercado de Recife. Isso reflete, também, que se o comando dos shows não está vinculado a essas empresas, significa que o poder e influência destas tende a ser menor.

Na regulação da divisão do trabalho, na música, o comando dos shows se torna decisivo, uma vez que estes são a forma de angariar o maior volume de recursos no atual momento. No período anterior, ainda no começo dos anos 1990, em que a comercialização de discos tinha uma relevância maior na contabilidade das transnacionais da música, podia-se falar que os shows dividiam o orçamento de bandas e gravadoras com essa vendagem. Todavia, com a queda desse tipo de comercia- lização, os shows acabam por ganhar protagonismo frente aos orçamentos gerais dessas empresas e indivíduos.

Por essa razão, talvez, hoje, assistimos um distanciamento entre os artistas e as grandes gravadoras, isto é, o artista- -trabalhador, proprietário dos seus meios de produção e de sua força de trabalho, genericamente, seu corpo, sua voz, seu talento artístico e musical, encontra-se em uma nova situação, na qual as grandes empresas não possuem mais o fator de mediação entre artistas e casas de show, em outras palavras, entre a força de trabalho e os meios de produção.

Do mesmo modo, os artistas já não dependem das majors para produzir um selo, uma vez que os selos independentes ganharam força no atual período. Desse modo, os locais em que este trabalhador poderá vender sua força de trabalho já não

estão, necessariamente, vinculados à mediação de uma grande empresa. Esse é um novo dado do período da globalização.

Devemos estabelecer uma nova reflexão, sobre a capacidade da demanda na música. A música está aberta pelas frequências das rádios AM e FM e também pelos novos sistemas técnicos, internet, compartimentação de arquivos digitais, venda de discos nas contiguidades do meio construído urbano (em diferentes formatos como CD de MP3, CD convencional, LP ou fita magnética), nas centralidades e subcentralidades das metrópoles. Por esse novo caráter da presença da música no cotidiano, a demanda é cada vez mais ampliada.

Da ação técnica à técnica da ação:

Benzer Belgeler