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Second Life Ortamında Altı ġapkalı DüĢünme Tekniği ile TartıĢma Yapma

5. SONUÇ, TARTIġMA VE ÖNERĠLER

5.2. Second Life Ortamında Altı ġapkalı DüĢünme Tekniği ile TartıĢma Yapma

A nova orientação política do PSB-SP, mais independente e mais voltada à social-democracia, embora não rompesse com o socialismo-tenentista, na realidade, permanecendo aliada, ou ainda, dentro dessa tendência, já ficou evidente no apoio à greve dos ferroviários, conquanto a direção partidária tenha deixado bastante claro que não organizou ou orientou o movimento. Outro ponto importante foi o início da crítica aberta ao Governo Provisório. Se antes ela era rara e praticada nas páginas de sua própria imprensa, agora já se fazia da tribuna da Constituinte e pelas páginas da imprensa aberta. É o que aparece na parte final do “Violento discurso do Deputado Zoroastro Gouveia sobre a greve dos Ferroviários”237:

“Admiro (…) profundamente aqueles que não sabem ser a contradição e o farisaísmo toda a razão de Estado da política burguesa, que justamente o Sr. Getúlio Vargas, que acenou, pela primeira vez ao proletariado do país com a possibilidade de se organizar legitimamente para os legítimos prélios de suas lutas de classe, seja, justamente aquele que, hoje em São Paulo, se torna, senhores, não o paládio, mas a madrasta do operariado que, levado por ele se inscreveu em massa nos sindicatos amarelos, nos sindicatos governistas, nos sindicatos do Ministério do Trabalho. Estes serviram, apenas, para entregar o operariado de mãos amarradas ao governo por obrigação dos depósitos respectivos no Banco do Brasil, tolhendo-lhe, assim, a possibilidade pujante da greve, que hoje é direito esculpido em todas as consciências honestas, em todas as consciências cristãs e, por outro lado, indicando facilmente por um cadastro previamente organizado o nome dos homens leais, dos homens decididos nas pugnas de classe para os carinhos bem conhecidos da polícia especializada de São Paulo”.

O discurso de Zoroastro Gouveia soa mais como uma contradição, não tanto por sua oposição a Vargas, mas pela crítica ao sindicalismo oficial, já que os socialistas- tenentistas o incentivaram e agiam dentro dessas organizações. Sua crítica quanto aos

236 Luta Social, n.º 9, de 27/01/1934, p. 4. 237 A Platéa, 25/01/1934, p. 1.

sindicatos oficiais deu-se ao sabor dos acontecimentos durante a greve dos ferroviários paulistas de janeiro de 1934 e ainda, pela baixíssima politização de sindicalistas de outras organizações oficializadas e por sua igualmente baixa mobilização social. É necessário levar em consideração que os socialistas tinham a expectativa, assim como os sindicalistas do SFEFS e de outros sindicatos ferroviários, de que suas atitudes estavam dentro da lei e que, por isso e pelo próprio fato de suas organizações serem oficialmente reconhecidas, teriam tratamento diferenciado pelo governo e pela polícia. Nesse caso, se a interventoria oligárquica de Armando Salles de Oliveira ignorasse sua condição legal e os tratasse à pata de cavalo, contavam com o apoio e intervenção do Ministério do Trabalho e, até, do Governo Provisório. Ora, as instituições do governo central deixaram-nos sós com a truculência da oligarquia paulista. Justamente a eles que defenderam e ainda defendiam esse mesmo Governo Provisório nas urnas e, alguns, o fizeram até nas prisões durante 1932.

A própria atuação social do Partido começava a se radicalizar. Entre os dias finais da greve dos ferroviários de São Paulo, os socialistas-tenentistas participaram de uma manifestação pública de massa no Largo da Concórdia, na capital, em 25 de janeiro de 1934, convocada por sindicatos e teria a participação da juventude comunista e vinha sendo propagandeada havia dias através de panfletos. Enquanto os trabalhadores e manifestantes começavam a se reunir em frente à Estação Norte, as autoridades policiais apelavam ao tenente-coronel Cabanas e ao “conde” Frola para que pedissem a dispersão dos manifestantes. Então, um grupo de moças e rapazes irrompeu na praça entoando a

Internacional e empunhando bandeiras vermelhas. Quando os policiais tentaram tomar

as bandeiras, o conflito começou havendo pancadaria generalizada, com o saldo de vários feridos, inclusive com dois operários e um policial necessitando de atendimentos médicos238.

Na noite do dia seguinte, 26 de janeiro, Frola daria uma palestra na sede da União dos Trabalhadores Gráficos versando sobre luta de classes. A polícia proibiu tal evento como represália ao conflito havido na manhã do dia anterior. Ela cercou o prédio e logo começaram as provocações entre os agentes da Ordem Social e manifestantes nas janelas do prédio. Não demorou e as provocações deram lugar a um tiroteio no qual um inspetor de polícia foi baleado no ventre. A polícia com mais reforços invadiu o recinto e prendeu todos, inclusive Frola e o líder gráfico e trotskista, Aristides Lobo. Acusou-se

um irmão de João Cabanas de ter baleado o policial, mas este nem estava presente. Ele era guarda-livros (responsável pela escrituração de livros de registros fiscais) e trabalhou até as vinte e duas horas naquela noite. Dirigiu-se à delegacia de polícia após ouvir que seu irmão havia sofrido um atentado. Foi detido para averiguação239.

Esse aprofundamento político-ideológico dos socialistas continuaria pelos meses seguintes, inclusive com sua aproximação junto aos trabalhadores gráficos, influenciados pelos trotskistas da Liga Comunista Internacionalista, que possuíam líderes seus na direção da União dos Trabalhadores Gráficos. Vemos aí uma aproximação dos socialistas-tenentistas com os trotskistas que aumentou durante o transcorrer do ano de 1934. Note-se que a UTG já participara juntamente com elementos do PCB e do PSB-SP na formação do Comitê Anti-Guerreiro, uma forma organizacional que antecedera às coligações antifascistas maiores240.

Desde a vitória da Revolução de 1930, as diferentes correntes proletárias tentaram criar organismos intersindicais de nível municipal – nas capitais – estadual e federal, como no caso dos comunistas e de correntes ditas “amarelas”. Até fins de 1933, existiam no Estado de São Paulo quatro entidades dessas, a saber, a Federação Operária de São Paulo (FOSP) libertária, que fora reorganizada em fins de 1930, mas cujos sindicatos sofriam forte concorrência dos ministerialistas e se esvaziavam; as tentativas dos comunistas de darem vida a Federação Sindical Regional de São Paulo (FSRSP), que podia contar com as facções de oposição revolucionária nos diferentes sindicatos, inclusive e especialmente, nos oficializados; a Coligação das Associações Proletárias de Santos (CAPS) na Baixada Santista, onde militavam tanto sindicalistas não alinhados, como oficializados e a Coligação de Sindicatos Proletários de São Paulo (CSP-SP)241.

A CSP-SP surgiu em meados de 1933 com o intuito de reunir sindicatos e coordenar suas ações na capital e no interior do Estado. A Coligação reunia tanto sindicatos oficializados como livres para a defesa dos trabalhadores e reivindicação do cumprimento das leis sociais, ou seja, procurava ter uma atuação reformista e mesmo legal, ou semi-legal, já que nem todos os sindicatos que ela representava eram reconhecidos pelo Ministério do Trabalho. Segundo Ângela Araújo e Letícia B. Canêdo242, essa intersindical, quase à semelhança de sua congênere santista, a CAPS,

239 Idem.

240 Informes Reservados de R. Guimarães, 12/12/1933. APESP, DEOPS, pront. n.º 0037. 241 ARAÚJO, Ângela C. de, op. cit., pp. 286-288.

242 CANÊDO, Letícia Bicalho, O sindicalismo bancário em São Paulo. No período de 1923 – 1944: seu

também surgiu sob o patrocínio e iniciativa do Sindicato dos Bancários. Entretanto, ela teve pouco destaque até fins de 1933, quando os gráficos e os contadores resolveram se filiar em seus quadros. Daí em diante ela começou a experimentar importante crescimento. Até meados de 1934, a CSP-SP chegou a reunir cerca de trinta entidades e a CAPS, outras dezoito.

Ambas recusaram a oficialização porque pretendiam reunir sindicatos oficializados e livres. Suas direções fundaram a Federação do Trabalho do Estado de São Paulo, “nos moldes do decreto 19.770, para representar os sindicatos junto aos poderes públicos”243. Essa entidade, entretanto, não foi reconhecida a tempo da

mudança da lei de sindicalização que proibia a coligação de entidades que representassem diferentes ofícios, ou profissões de diferentes ramos econômicos. Ângela Araújo considera que isso foi uma manobra proposital do Departamento Estadual do Trabalho.

O programa da CSP-SP defendia a ampliação da legislação social bem como a efetiva aplicação das leis do trabalho já promulgadas, além da ampliação das liberdades democráticas. Também propunha-se a lutar contra o fascismo e as ameaças de guerra. Pugnava pela gratuidade e o laicismo do ensino; pela nacionalização dos bancos, das empresas de serviços públicos e das terras. Em outras palavras, possuía reivindicações de caráter reformista, democrático e outras mais avançadas já em direção ao socialismo.

“Além disso, defendia uma estrutura sindical de tipo corporativo, mas com um modelo distinto daquele proposto pelo projeto governamental, pois advogava a unicidade e completa autonomia dos sindicatos frente ao Estado e uma representação classista nos legislativos federal, estaduais e municipais, eleita pelos sindicatos”244.

Ainda segundo Ângela Araújo, o fato de a Coligação reunir principalmente sindicatos oficializados sob a direção de trotskistas e socialistas tenentistas fez com que ela fosse severamente criticada pelos comunistas que, na época, estavam sob forte sectarismo do chamado Terceiro Período, quando ainda vigorava obreirismo dentro do PCB.

Nesse momento, os socialistas tenentistas começam aprofundar suas ligações com as classes trabalhadoras. Podemos encontrar evidências desse aprofundamento através dos documentos produzidos pelos agentes da Ordem Social, tanto em suas missões de espionagem ao movimento operário e aos socialistas tenentistas, quanto ao

243 ARAÚJO, Ângela, op. cit., p. 288. 244 Idem, ibdi.

que se refere àquela produzida pelas vítimas desse órgão repressivo. Vemos um exemplo desse tipo de ligação na atuação de Hildeberto M. Queiróz, que foi bibliotecário do PSB-SP e acabou eleito Presidente do Sindicato dos Ferroviários da São Paulo Railway, que dirigiu de março de 1934 a janeiro de 1935. Foi ligado tanto ao Partido, como à Legião Cívica 5 de Julho245.

E, ainda, ao que se refere ao Sindicato dos Ferroviários da São Paulo Railway, o agente da Ordem Social comenta a nova tática usada pelos ativistas e militantes após a greve de janeiro de 1934. Ela consistia em não entrar em confronto direto com a superintendência da empresa com o objetivo de ganhar algum espaço para colocar cartazes e circulares nas dependências de suas instalações, bem como continuar a receber as cobranças de mensalidades em folha etc. Tão logo o sindicato pudesse crescer e se fortalecer, voltaria à “prática” da luta de classes. Essa era a orientação da nova diretoria sindical “sob a direção de Hildeberto Queiroz, legionário de primeira linha e membro do Diretório Central do Partido Socialista de São Paulo”246.

Devemos notar também, que a ligação entre os socialistas-tenentistas com os trotskistas da Liga Comunista Internacionalista (LCI) estava crescendo. Os trotskistas preferiram, conforme Ângela Araújo e parte da bibliografia consultada, iniciar uma militância dentro dos sindicatos oficializados que surgiam, no caso, dentro daqueles que não eram meras associações à base de carimbo. A argumentação trotskista a favor dessa tática era clara. Nas atas das reuniões da direção da LCI, durante o ano de 1933, discutia-se abertamente a dificuldade de ingresso nos sindicatos controlados pelos libertários e naqueles controlados pelos comunistas. Propunha-se o ingresso e militância nos sindicatos não alinhados ou “ministerialistas” porque neles os operários não estavam envolvidos em questões ideológicas sectárias. Nessas entidades haveria grande quantidade de operários associados por motivos econômicos e que buscavam melhora nos níveis de vida e nas relações de trabalho, que poderiam ser trabalhados politicamente. Entretanto, os trotskistas não podiam agir abertamente nessas entidades por motivos legais247.

Essa atuação fica visível dentro dos sindicatos que participavam da Coligação dos Sindicatos Proletários de São Paulo. Nessa atuação, os trotskistas começaram a colaborar e agir em conjunto com os socialistas-tenentistas, com clara intenção de

245 Declarações prestadas em 10 de Dezembro de 1935. APESP, DEOPS, pront. n.º 3.193. 246 Informe Reservado de Rubens, de 27/03/1934. APESP, DEOPS, pront. 2.432, vol. 3.

influenciá-los politicamente, bem como de adentrar em suas bases operárias que já não eram desprezíveis, haja vista sua influência nos sindicatos de ferroviários, principalmente no da Sorocabana, que já passava dos seis mil filiados248 e participara de uma grande greve no início desse ano. A colaboração entre eles fica visível quando vemos nomes de trotskistas e de socialistas-tenentistas partilhando a direção da Coligação a partir dos sindicatos a que pertenciam e dos quais faziam parte da direção.

Nas comemorações do 1.º de Maio de 1934, ambas as correntes apresentaram-se unidas, parecendo, entretanto, que o tom das manifestações estava ideologicamente muito mais próximo das formas social-democráticas que os socialistas tenentistas assumiam. “Como fora noticiado, a Coligação dos Sindicatos Operários de S. Paulo, juntamente com inúmeros outros sindicatos proletários estava preparando para o dia de ontem imponentes manifestações para a consagração do ‘Dia do Trabalho’”249. As

comemorações iniciaram-se às nove horas com a recepção aos deputados classistas da Constituinte, recém-chegados do Rio especialmente para a data. “Enorme massa de povo estacionava, em muita ordem, de fronte à Estação Norte”. Segundo a reportagem de A Platéa, estavam representados 17 sindicatos, mais a Coligação das Associações Proletárias de Santos e a Frente Única Antifascista. “A plataforma estava assim, literalmente, cheia de trabalhadores e curiosos”.

Os deputados que se apresentaram eram Waldemar Reikdal, Vasco de Toledo e João Vitaca. “Assim que desceram do ‘vagon’ [sic], a multidão, num entusiasmo indescritível prorrompeu em homenagens ao dia consagrado ao trabalho”. O primeiro a discursar foi Américo Paulo Sesti, do Sindicato dos Contadores de São Paulo. Foi seguido por Carmelo Chrispino representando, nesse momento, a Coligação dos Sindicatos Proletários de São Paulo. Respondeu Waldemar Reikdal em “brilhante discurso que arrancou aplausos delirantes dos que ali se achavam”.

Ao final dos discursos todos rumaram à sede da Coligação, pois manifestações de rua e em praças públicas estavam proibidas pela polícia. A CSP-SP conseguiu a autorização da Interventoria para usar um dos salões do Palácio das Indústrias para as comemorações. As imediações do Parque D. Pedro II estavam repletas de piquetes de cavalaria da polícia. Por outro lado, o salão estava cheio de trabalhadores. A mesa da solenidade era presidida por Hércules Santana, Presidente do Sindicato dos Empregados do Comércio. Américo Paulo Sesti, pelo Sindicato dos Contadores de São Paulo, falou

248 ARAÚJO NETO, Adalberto Coutinho de, Entre a Revolução e o corporativismo, op. cit., p. 148. 249 A Platéa, 02/05/1934, p. 6.

em homenagem à data. Falaram ainda rapidamente os diretores dos sindicatos dos Profissionais do Volante, dos Tecelões de Guaratinguetá, dos Barbeiros e Reikdal, como deputado classista e ainda Giraldes Filho pelo PSB-SP, Carmelo S. Chirspino, agora pela Frente Única Antifascista e José Antunes de Almeida pela Federação Regional dos Ferroviários de São Paulo; Mário Pedrosa e Luciano Teixeira pela UTG.

A partir de junho desse mesmo ano, os socialistas tenentistas começaram a organizar congressos nos diretórios do interior, nos quais discutir-se-iam várias teses que reforçavam a nova orientação partidária. Eram os preparativos para as eleições que se aproximavam.

2.3.1 As Eleições de 1934, disputas, tenentismo, rupturas políticas e a influência trotskista no PSB-SP

Os preparativos dos militantes do PSB-SP para as eleições de 14 de outubro de 1934, que elegeriam os representantes para a Constituinte estadual de 1935 e renovariam o legislativo federal, já que as funções da Constituinte de 1934 encerraram- se com a promulgação da Carta nesse mesmo ano, estavam intimamente relacionados com sua militância na capital e interior do Estado para consolidar as mudanças aprovadas durante o congresso partidário. Ao mesmo tempo, o ativismo antifascista crescia e começava a se transformar em uma militância concreta e sistemática, desenvolvendo-se ao lado da militância com fins eleitorais dos socialistas tenentistas e de outras correntes dentro do movimento operário. O mesmo se dava com os legionários, que se preparavam para o pleito.

Os dois dissidentes do Partido, Guaracy Silveira e Lacerda Werneck que romperam com a organização, estavam se preparando para as eleições com o intuito de renovar seus mandatos legislativos. Havia concorrência deles com o PSB-SP, noticiando-se que o Partido provavelmente se juntaria em frente única com outras correntes de esquerda mais “extremadas”.

“Os dissidentes do Reverendo Guaracy Silveira e do Sr. Lacerda Werneck é que parecem desanimados, pois as simpatias do proletariado voltaram-se mais para o grupo do Sr. Zoroastro, que captou confiança graças à atitude firme que teve ultimamente, só conservando em suas fileiras os socialistas em ligações com o que eles chamam de ‘burguesia revolucionária’ de São Paulo”250.

Esses dois dissidentes, representando o Partido Trabalhista, já tinham procurado se aproximar de sindicatos filiados à CSP-SP em junho-julho, sendo, entretanto, combatidos como traidores. Sua visita se dava em busca de apoio eleitoral251.

Em setembro, o Partido Trabalhista lançou manifesto “Ao Proletariado e ao Povo Paulista”252. No documento afirma-se que o Partido era formado pela “Maioria

Classista” e por “socialistas moderados”. Procurava-se atrair o proletariado às suas fileiras. Seus principais membros seriam autores das conquistas trabalhistas e direitos sociais consagrados na Constituição recém-promulgada. Essas conquistas teriam sido obtidas em oposição aos “plutocratas” reacionários e isso malgrado o exibicionismo dos radicais que “ambicionavam os aplausos das galerias” – alusão inequívoca à polêmica atuação do deputado Zoroastro Gouveia. Esse Partido também se mostrava declaradamente governista, já que seus membros, provenientes da maioria classista e socialistas moderados, teriam sido os responsáveis, segundo o documento, pela eleição do “candidato à presidência da República que era a garantia de suas reivindicações, porque as soube conceder quando ninguém lhas impunha”. Notemos que esse posicionamento declaradamente governista contrastava com as novas posições críticas do PSB-SP em relação ao Governo Vargas.

“Não era justo que enveredássemos por outros caminhos, enquanto definhavam os operários, mal alimentados, sem ar, sem luz, em porões insalubres, sem garantias contra os exploradores do braço, quando estávamos compreendendo que as autoridades, dentro de suas forças, se mostravam prontas ao acordo de que resultaram as medidas constitucionais garantidoras das classes trabalhadoras. Nem é justo que tomem os operários a senda dos petroleiros [sic], dos homens sem Deus e sem religião, arriscando a vida e o lar, expostos à ditadura semi-proletária dos intelectuais em sacrifício do proletariado, quando o povo brasileiro quer ver solvida a questão social e quando, por uma questão de índole, temperamento e coração, não existem em nossa pátria barreiras entre o operário e outras classes senão a barreira econômica”.

Salta-nos imediatamente à vista o conservadorismo desse Partido Trabalhista, malgrado tenha se colocado contra os “plutocratas”, dedicou-se mais a criticar os “radicais” que, como sabemos, não passavam de reformistas, ainda que avançados em diversos pontos. De mais a mais, o Partido pretendia a colaboração de classes e com as autoridades constituídas. Os trabalhistas propunham-se a coordenar todos os que trabalhavam e lutavam para garantir “seu direito à vida, à saúde, ao descanso, à

251 A Platéa, 06/07/1934, p. 2. 252 A Platéa, 22/09/1934, p. 4.

hospitalização e à escolha dos dirigentes da nação”. Como garantia de sua proposta, o Partido Trabalhista apresentava a candidatura de Guaracy Silveira, “socialista cristão”, fiel ao programa que aderira e que o eleitorado aprovara contra as modificações programáticas pós-eleições que descambaram “para a segunda internacional ou terceira”253. Era um pastor evangélico supostamente preocupado com a questão social…

De qualquer maneira, os militantes do PSB-SP continuavam suas atividades propagandísticas e organizatórias.

Foi programado um congresso partidário regional a realizar-se em Rio Preto, em 30 de junho. Participaram os diretórios municipais de São Carlos, Araraquara, Araçatuba, Taquaritinga, Catanduva, Santa Isabel, Rio Preto, Mirassol, Monte Aprazível e “demais diretórios da zona”. Os temas a serem apresentados e discutidos versavam sobre greve geral, luta de classe e divórcio. Edmundo Scala apresentou sua tese sobre a Luta de Classe. Como preparativo, haveria caravana a partir de 27 de junho, passando por Araraquara com conferências sobre o proletariado e o problema social, basicamente versando sobre luta de classes apresentada por Hélio Coelho e Carmelo Chrispino. No dia seguinte estariam em Taquaritinga e diversos oradores falariam e, em