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Second Life Ortamında Ġnovasyon Etkinliği ile Sunum Yapma

5. SONUÇ, TARTIġMA VE ÖNERĠLER

5.1. Second Life Ortamında Ġnovasyon Etkinliği ile Sunum Yapma

Essa diretoria provisória tomou posse com a finalidade de convocar um congresso para 23 de setembro do mesmo ano de 1933, que foi, contudo, adiado para o dia 25 do mesmo mês por falta de quórum. Desse congresso enfraquecido foi eleita uma diretoria que não tomou posse por causa de impugnação. À sua mesa, composta por Sílvio Marques, Carmelo S. Chrispino, João Cabanas e Caio Machado, foram delegados poderes para decidir a posse de uma nova diretoria provisória, em 4 de outubro de 1933, que, por sua vez, reorganizou o Partido e convocou outro congresso, dessa vez para “data legal”207.

A nova direção partidária buscava retomar sua origem socialista apresentando um novo discurso no qual elementos marxistas de cunho social-democrata eram declarados. Essa renovação de sua orientação foi expressa em um Comunicado da

Secretaria, redigido em papel timbrado, destinado a todos os diretórios datando

provavelmente de outubro de 1933.

“O Partido Socialista Brasileiro está atravessando um período de reorganização. Trata-se, sobretudo, de definir a sua ideologia e proceder à sua organização administrativa. Assim, o Partido prepara sua inscrição à Segunda Internacional

205 Idem.

206 KAREPOVS, Dainis, op. cit., pp. 178-182. 207 Luta Social, n.º 9, 27/01/1934, p. 2.

(I.O.S.)”208. Nessas primeiras linhas, a nova diretoria já anuncia sua intenção de seguir

uma orientação definida e internacionalmente reconhecida. Isso será, mais adiante, um dos elementos de discórdia com outros grupos socialistas mais identificados com o tenentismo, especialmente àqueles mais próximos ou ligados à Legião Cívica 5 de Julho, que se declarava socialista-nacionalista.

Declarava-se que a Internacional Operária Socialista, ou simplesmente Segunda Internacional209, reunia a quase totalidade dos partidos socialistas que admitiam a luta de classes através de métodos democráticos. Ainda nesse documento comenta-se uma moção de Otto Bauer associando a crise econômica com o fascismo e sua conclamação para “os socialistas de todo mundo defenderem as conquistas da Democracia”. “As instituições democráticas são a garantia da Liberdade e a condição ‘sine qua non’ para as lutas sucessivas. Da democracia política dever-se-á passar necessariamente à Democracia Social”. No mesmo sentido, são também citados comentários de Emil Vandervelde sobre a democracia parlamentar: “É pouco? Mas esse pouco custou lutas terríveis. Esse pouco não foi dado pela burguesia, mas conquistado com o sangue dos trabalhadores e deve ser extremamente defendido”.

Para firmar essa nova orientação doutrinária e dar substância político-ideológica aos militantes partidários, a direção, através do comunicado da Secretaria se propunha a organizar conferências doutrinárias nos principais centros urbanos do interior do Estado “e onde quer que os companheiros solicitarem”.

A direção também se dispunha a estudar “o problema econômico das classes trabalhadoras” a partir de possibilidades de criação de cooperativas de consumo, de trabalho, de produção, de cultura e de organizações sindicais livres. Notamos que permanecia a orientação que valorizava o cooperativismo como política econômica e, como veremos, como vetor de políticas públicas também. Entretanto, uma dissonância, ainda que passageira, surge nesse documento; a disposição de se criarem “sindicatos livres”, isto é, não oficializados. Isso destoava da política anterior, seguida inclusive pelos autodenominados marxistas de vertente social-democrática, que buscavam organizar os trabalhadores em sindicatos reconhecidos oficialmente. Mas, essa disposição parece ter sido passageira e talvez nem tenha sido implementada, como a pesquisa nas fontes demonstrou.

208“Partido Socialista Brasileiro de São Paulo – Comunicado da Secretaria”, s/d, s/l. APESP, DEOPS, pront. n.º 1.009, vol. 1.

209 Após a I Guerra Mundial, a Internacional Socialista, ou Segunda Internacional, foi reorganizada com o nome de Internacional Operária Socialista.

Em relação à sua reorganização administrativa, a Secretaria do PSB-SP conclamava todos os filiados a fazerem suas carteiras de identidade partidária e a contribuírem financeiramente.

Falando aos trabalhadores do Brás, a comissão local do Partido conclamou todos os proletários, “de colarinho e gravata” ou “sem camisa, sem colarinho e sem gravata”; os “técnicos diplomados” ou não; “criadores ou executores”; os “pequenos proprietários” que viviam “das migalhas vomitadas com desprezo pelos detentores do ouro”; os “estudantes pobres” e “os empregados públicos preteridos todos os dias pelos filhotes das sinecuras” a cerrarem fileiras junto ao PSB-SP, o único que os contemplava em seus interesses. O Partido declarava ter seu programa “consubstanciado nas teorias marxistas”210.

Passando ou não por reformulação político-ideológica, o Partido se dirigia ao proletariado e também e, ainda, à classe média e à pequena burguesia…

Finalmente, no primeiro número do jornal do Partido, Luta Social, começa-se o esclarecimento da situação da agremiação, no artigo de primeira página “Batismo de Fogo”. A redação do jornal assume suas atitudes como “ato de fé” em defesa da democracia contra o fascismo/integralismo, contra o imperialismo e na luta de todos os oprimidos contra todos e quaisquer opressores. É também um “ato de fé” sua luta pelo socialismo que havia de vir sob a forma de uma República Socialista trazida pelo desenvolvimento do próprio capitalismo.

“(…) A evolução jurídica trabalha por nós; a concentração de capital trabalha por nós; as extensas estagnações industriais das crises cada vez mais profundas e temerosas trabalham por nós; os despotismos integralistas incapazes de governar sem sentirem no dorso as garras imperiosas do determinismo econômico e cultural trabalham por nós, eles também. Podemos, pois, socialistas, ter fé varonil e flamante no próximo triunfo do neomarxismo [sic].”211.

Esse evolucionismo em direção ao socialismo, a partir do próprio desenvolvimento do capitalismo era estrategicamente defendido pela social-democracia européia, como indica Marek Waldenberg212. O jornal apresentava-se como um defensor dos direitos do trabalho vergando sua própria essência estética reivindicada: o uniforme operário, seus músculos, cabelos ao vento anunciando as novas dos “vagões

210 “Partido Socialista Brasileiro de São Paulo, Comissão do Braz”, panfleto s/d. APESP, DEOPS, pront. 1.009, vol. 1.

211 Luta Social, “Batismo de fogo”, n.º 1, de 13/11/1933, p. 1. APESP, DEOPS, pront. n.º 1.009, vol. 1. 212 Marek WALDENBERG, “A estratégia política da social-democracia alemã”, op. cit.

de correio” de trens pelo interior do país. Essas “novas” eram a “racionalização” do poder e da economia; coletivização dos instrumentos de trabalho; ideal de justiça, de virtude, de alegria e de cooperação fraternal. Ele seria também o porta-voz do PSB-SP; um estandarte dos intelectuais e trabalhadores paulistas “na poderosa marcha para frente do proletariado nacional”.

O redator desafia os jornais burgueses à luta ideológica e confraternizou com outros órgãos de imprensa defensores dos direitos do povo e defensores “das conquistas liberais da cultura universal”. Eram eles: A Plebe; A Lanterna; Homem Livre e o “valente” Boletim da Legião 5 de Julho. O último era tenentista socialista-nacionalista, dois eram libertários e um antifascista.

Esse texto acima analisado, o “Batismo de Fogo”, é de autoria da direção e da redação do jornal, respectivamente de Zoroastro Gouveia e Carmelo S. Chrispino. Embora já demonstre a acentuação das tendências social-democráticas, não tão novas porque já estavam presentes desde a fundação da organização, sendo apenas tendência e de forma alguma dominante, era necessário que houvesse uma explicitação oficial do próprio PSB-SP quanto à sua orientação. Isso se faz através do Manifesto do Partido

Socialista Brasileiro ao Povo e ao Proletariado213.

O documento começa com a constatação da luta de classes entre a maioria da população e as classes dominantes em torno da disseminação versus contenção do acesso ao bem-estar. A Revolução Industrial e o início da “era da maquinofatura” simplificaram isso na luta entre a burguesia e o proletariado na forma do que chamaram de escravidão renovada, o “salariato”.

O Manifesto classifica como ilusória a promessa de disseminação do bem-estar geral através do progresso do capitalismo. Em lugar de bem-estar e prosperidade geral viu-se a expansão do imperialismo com todo seu cortejo de guerras e saques até que se chegou à Grande Guerra (I Guerra Mundial). E, como se não bastasse, a super- exploração assistia ao desencadear da crise econômica iniciada na produção e ampliada pelo setor financeiro. A cruel e suprema ironia era a existência de milhões de homens e mulheres padecendo na miséria e passando fome, enquanto se deterioravam, senão se destruíam mesmo, milhões de toneladas de alimentos com o objetivo único de se manterem seus altos preços para comercialização. Em meio a esse cenário caótico e de sofrimento já se preparava novamente a drástica solução à crise econômica e social; a

solução típica do imperialismo: a guerra. Alertava-se que os magnatas do aço e dos setores das indústrias de materiais bélicos insuflavam essa “solução”, especialmente diante da concorrência pela abertura de mercados fechados por eles mesmos. Nesse ponto, o Manifesto assume um tom liberal recorrente em alguns documentos do Partido desde a fundação: a crítica ao protecionismo. Isso tudo, segundo os autores do documento, evidenciava a incapacidade do “regime capitalista” em dirigir a economia mundial. De qualquer forma, anuncia-se a política antibelicista do Partido que se apresenta associada ao antifascismo que se materializa na luta contra seu congênere nacional, o integralismo. Até aqui, notamos vários elementos provenientes das orientações socialistas e social-democratas européias, como a luta contra a guerra e contra o fascismo.

Constatava-se que, em meio à crise internacional, não só a classe operária padecia na exploração e na miséria; também as classes médias urbanas e rurais arruinavam-se, da mesma forma que os pequenos comerciantes e pequenos industriais. Também era para elas que o Partido dirigia seu Manifesto.

E, para que não restasse dúvida do posicionamento do Partido no espectro político nacional, ou mais propriamente, regional, Frola e Carmelo S. Chrispino explicitam o conteúdo do socialismo que defendem ao responderem como se chegaria à nova organização sócio-econômica, apresentando, ao mesmo tempo, certa confusão conceitual em outro texto dessa mesma edição de Luta Social.

“Dois métodos se apresentam: o radical de socialização imediata, integral e o liberal socialista [sic], que comporta a socialização dos meios de produção, admitindo a propriedade privada dos objetos de consumo, a pequena propriedade rural e industrial, sempre que não importem em exploração do esforço alheio.

Esta, a solução que adotamos”214.

Para que a nova orientação se solidificasse era necessária sua aprovação formal e inquestionável através da realização de um congresso partidário. Karepovs afirma que os novos dirigentes tentaram realizá-lo ainda em setembro de 1933, não conseguindo, contudo, por falta de quórum, o que também confirmamos na documentação pesquisada. Daí até o final do ano, eles retomaram a atividade partidária e contatos com os diretórios remanescentes após a debandada do que poderíamos chamar de sua extensa ala direita. Essa atividade materializou-se no lançamento do novo órgão partidário de

imprensa e na retomada de atividades junto aos trabalhadores organizados oficialmente, como a carta de apoio da direção à Associação dos Empregados do Comércio da capital em sua luta pela não revogação do Decreto n.º 400 da Prefeitura Municipal que instituiu a Semana Inglesa para essa categoria profissional. E ainda, um artigo denunciando as péssimas condições de saúde e higiene em que viviam as populações pobres trabalhadoras nas fábricas e na agricultura na zona cafeeira.

Antes ainda, disputas internas e esclarecimentos quanto ao período anterior e ao novo vivido pelo Partido aparecem nas páginas de Luta Social demonstrando que a situação não estava fácil, mas que se possuíam valores morais e certeza para a condução da luta. Nesse caso, Francisco Frola responde aos detratores defendendo a nova situação e, ao mesmo tempo criticando a anterior.

“Poucos, porém bons”

O socialismo não é conquista de uma hora. Quando se tira proveito de determinadas condições políticas para arregimentar cidadãos em torno de uma situação de conveniência, não se organiza o socialismo, e sim o oportunismo, a confusão, o negocismo e muitas vezes, até a desonra. Socialismo significa consciência [sic]. Consciência política, social e moral. O socialismo é o mais alto cume da solidariedade humana. Junta a palavra de Cristo, queremos dizer a palavra rebelde do pregador da Galileia, à verificação histórica, econômica, científica da lei que regula as relações entre os homens e delas traz conseqüências infalíveis.

(…)

Socialismo significa desporsanilização (sic). Não é um homem que pode realizar o

socialismo.

Quando é sincero pode ser o orientador.

Mas, não pode identificar todo o movimento em sua pessoa. Se tal coisa acontecer, o partido ficará ligado à sorte daquele homem: se o homem cair, cairá o partido. Será isso socialismo?

(…)

Somos poucos? É melhor poucos convencidos, fiéis, que muitos oportunistas que traem

ao primeiro sopro de temporal.

O socialismo se conquista. Hora a hora, com sacrifício, com a sublimação da alma, dos costumes políticos da vida inteira”215.

Além da declaração político-ideológica reformista de que o socialismo é uma conquista lenta, fruto da luta incansável travada a cada momento, a acidez da crítica de Frola é inegável no texto. Seu estilo vai da identificação do erro em contraste com o que

considera que deveria ser de fato o socialismo, à denúncia da má fé praticada, que beira a desonra, também em contraste à virtude possuidora de várias nuances religiosas. Sem dúvida, critica o general Waldomiro Castilho de Lima e seus seguidores. O general é criticado pelo erro de querer identificar o partido consigo e de querer impor seu

programa, ou seja, seu personalismo. Tal atuação, mesmo que feita de boa fé, na

ignorância, prejudicava profundamente o Partido Socialista. Mas também, e no início, coloca-se a desonestidade oportunista de querer aproveitar a situação, ou seja, o contexto político paulista de fins de 1932 e nacional de inícios de 1933, para proceder à organização partidária com fins outros em relação ao qual deveria animar ideologicamente o Partido.

Os partidários do general são tratados, embora não nominalmente, de forma muito mais pesada, como oportunistas e traidores.

Se a nova realidade do PSB-SP mostrava-se dura, especialmente na queda dos números de filiados e militantes, ela também demonstrava que se procedera à depuração e que esse era o melhor caminho para o crescimento saudável e sustentável da agremiação. Ficaram poucos, mas somente os que estavam convencidos quase que

religiosamente dos altos ideais socialistas e de sua superioridade científica, histórica e moral. Evidentemente, o idealismo está tão ou mais presente que o materialismo, sendo

uma contradição, mas apenas aparente, já que não perdemos de vista a retórica propagandística de Frola. Aliás, habilidosa para a época e meio social.

Zoroastro Gouveia foi muito mais objetivo em tratar da nova situação do Partido e na crítica à direção anterior em entrevista concedida à Gazeta do Rio e transcrita no número 4 de a Luta Social216.

Segundo Gouveia, o Partido “admite integralmente a parte crítica do marxismo, fazendo quanto à construção política e econômica as reservas que a experiência crítica socialista impõem”. Admite a existência da luta de classes e considera a “socialização dos meios de produção como a única forma de extinguir aquela”. Declara ainda que o Partido se filiaria à “Segunda Internacional de Zurique” e que procuraria se difundir por todo o território nacional, pois “não se compreende um Partido Socialista acantonado no regionalismo”. Além de ser consoante com sua característica político-ideológica, a difusão por todo o território nacional deveria representar e fortalecer a nova forma partidária que, no entanto só se consolidaria após o fim da Era Vargas, com as únicas

exceções modernas e diametralmente opostas dos comunistas, que já se esforçavam em pôr em prática essa forma de organização nacional desde a fundação do PCB, e a recente AIB. De qualquer forma, a intenção dos socialistas do PSB-SP não se realizou, conquanto fosse fundado um PSB no Rio de Janeiro e que deveria ser nacional. O Partido não irradiou sua organização para outros estados e a agremiação paulista permaneceu independente217.

Zoroastro considerava que algumas “reivindicações de caráter social, pelas quais se bate o Partido Socialista”, seriam consagradas na nova Carta Constitucional, o que soa como uma valorização da tática reformista. Quanto ao que se refere à sua penetração no interior paulista, comenta as dificuldades iniciais, mas também a superação que levava-se à cabo:

“No princípio, como era natural, houve uma certa indiferença e mesmo desconfiança ante a ação do partido e sobretudo pelo fato de se encontrarem em suas fileiras homens conhecidamente reacionários. Hoje, porém, o partido se constitui como um instrumento de luta de classe, declaradamente socialista proletário, a atitude dos obreiros paulistas vai se modificando gradualmente e começamos a merecer-lhes confiança e estima”.

À bem da verdade deve-se dizer, “declaradamente socialista proletário” e socialista para as classes médias e pequena burguesia, como se afirma em muitos documentos…

Quanto à consideração da presença dos reacionários, Karepovs218 nota em seu trabalho – e nós também – quanto ao próprio Zoroastro Gouveia, em passagem em capítulo anterior, que o então líder socialista, que viria a ser eleito deputado do Partido à Constituinte de 1933, discursou na recepção pública e de massa ao general Waldomiro Lima quando de sua chegada a São Paulo, em retorno de uma missão política no Rio de Janeiro219. Evidentemente, essa crítica é extensiva também a Frola, já que fazia parte do PSB-SP desde sua fundação e desde aquele momento, era um dos membros destacados da direção partidária, participando de atos públicos reportados pela imprensa, como citamos anteriormente. Nesses momentos, conquanto professasse o socialismo da

217 Note-se que os socialistas tenentistas e social-democratas tanto do PSB-SP, como da Legião Cívica 5 de Julho, embora defendessem ardentemente a unidade nacional, não conseguiram desenvolver uma atividade com essa amplitude, restringindo-se à forma que consideravam velha e condenavam, a atuação regional, quase regionalista, haja vista a independência de cada uma delas em relação aos congêneres cariocas que deveriam representar a direção nacional de ambas. Os socialistas tenentistas tentarão novamente criar um Partido que deveria ter presença nacional em meados de 1937. Entretanto, o Golpe do Estado Novo encerrou essa nova tentativa.

218 KAREPOVS, Dainis, op. cit., p. 174. 219 A Platéa, 10/04/1933, p. 6.

mesma forma que agora, não criticava a intromissão de elementos personalistas e oportunistas. Talvez isso possa lançar certa sombra ao convencimento de que Frola e os “poucos bons” agiam com “sublimação da alma”, “sacrifício” e manutenção de “princípios políticos da vida inteira”. Os motivos da aceitação, ou convivência dos socialistas com essa situação e esses personagens já discutimos anteriormente, em subtítulo próprio e não vamos voltar ao mérito, conquanto a crítica ao personalismo do general Waldomiro Lima venha aparecer novamente na abertura do Congresso do Partido.

Entretanto, as críticas ao general Waldomiro Castilho de Lima e aos oportunistas que se associaram à sua forte influência sobre o Partido e à sua interventoria, não se dirigiam ao tenentismo ou aos tenentistas. É o que depreendemos da publicação desta crônica na seção “Notas Políticas”, da página 2:

“Em 1922, no dia 5 de Julho, lá nas praias de Copacabana, 18 homens que, focalizando as necessidades brasileiras daquele momento em conseqüência de tantos anos de desgoverno, melhor, de exploração, e, reconhecendo a necessidade de fazer com que este nosso Brasil, também, resolvesse a sua questão social que para os beleguins policiais foi, é e será sempre um caso de polícia, foram até o sacrifício da própria vida numa desambição admirável, afim de que, [de] uma vez para sempre, libertar-se dos grilhões malditos dessa meia dúzia de exploradores que, por ironia, se intitula governo”

O texto trata dos militares rebeldes de 1922 como revolucionários idealistas despojados de ambições e já preocupados com a questão social do trabalho. Obviamente, o texto apresenta uma versão idealizada dos fatos, uma vez que os tenentes não tinham qualquer proposta para a questão social em 1922 e nem mesmo em 1924, embora já ensaiassem aproximações com o movimento operário desde 1923220 e, no levante de 5 de Julho em São Paulo, voluntários operários tenham se oferecido para lutar ao lado deles, como vimos anteriormente apoiados na bibliografia a respeito. Em 1924, porém, além dos revolucionários tenentistas e do povo que por eles se simpatizava, políticos ambiciosos teriam adentrado o movimento e nele permanecido. A própria Revolução de 1930 passa a ser vista como uma manobra daqueles que ansiavam pelo poder. Os sinceros revolucionários apoiaram a Aliança Liberal e a Revolução para acabarem vendo suas esperanças perdidas. A desilusão com os resultados pós-