Os projetos já implantados pelas cooperativas COOPERBIO e CRERAL contribuem como alternativa para ampliar a produção de álcool para atender a demanda interna desse produto e, ao mesmo tempo, vocacionar o pequeno produtor rural, parcialmente, a um setor dinâmico da economia e com a tecnologia que integra a produção de alimentos, energias renováveis e serviços ambientais. Podem possibilitar aumento de renda e fixar o pequeno proprietário na terra, O modelo faz com que o produtor passe a deter conhecimento técnico acerca da produção conjugada da cana com produtos agropecuários tradicionais da região, e passe a contar com o apoio proporcionado pelo sistema cooperativo e atrelado a um mercado mais dinâmico, como é o do álcool.
A implementação dos projetos propiciaram alternativas de produção nas propriedades dos agricultores vinculados aos empreendimentos que utilizam a mão de obra familiar e proporcionaram efetivos aumentos de renda, contribuindo para diminuir os deslocamentos da população para as cidades ou outras regiões, em busca de melhores condições de vida. Os projetos organizados através de cooperativas, como órgãos de representação de pequenos proprietários rurais, aglutinam esforços em defesa dos interesses dos agricultores frente a instituições com maior poder econômico e político. Também estimulam e orientam os pequenos agricultores na busca de alternativas tecnológicas para aumento de produtividade e incremento de renda, com o objetivo de elevar as chances de permanência no campo. Isso apesar das dificuldades que se apresentam, principalmente as relacionadas com o enfrentamento do sistema convencional de produção, vale dizer, o agronegócio.
A elevação do patamar tecnológico dos pequenos empreendimentos rurais, com introdução de novos modos de produção proporciona aumento de produtividade, e eleva a importância da agricultura desenvolvida na propriedade familiar. Já nos anos 60 apresentava maior grau de produtividade que o latifúndio e o minifúndio. O incremento de renda monetária dos pequenos agricultores, que, embora proprietários dos fatores de produção terra e força de trabalho, são descapitalizados, constitui importante aspecto para o incremento do mercado interno de bens e serviços.
A preocupação com o manejo adequado dos recursos naturais em consonância com o clima e relevo da região garante a sustentabilidade produtiva dos
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cultivos sazonais agregados à cana e à atividade pecuária, em consonância com as questões ambientais, sociais, econômicas e culturais. Também contribuem com a redução de custos e incremento de produtividade e renda dos pequenos empreendimentos rurais familiares e para o desenvolvimento local e regional.
Tal sistema produtivo pode ser implantado em qualquer região do País. Porém só será possível através da intervenção do Estado, com a implantação de políticas públicas para o segmento do pequeno produtor, que historicamente sempre abasteceu o mercado interno do país.
As PCH‘s demonstraram ser alternativa viável para a produção de energia elétrica para o abastecimento local.
A produção de biodiesel pelos pequenos produtores ainda não se viabilizou no Rio Grande do Sul, mas o sistema cooperativado dos pequenos produtores, que é viável na produção de óleo vegetal, seja de soja ou de outras oleaginosas, mostra grande potencial para contribuir para a cadeia produtiva desse biocombustível.
Ainda que a participação da agricultura familiar na produção do biodiesel seja viável hoje apenas na primeira fase, a de extração do óleo vegetal, e encontre obstáculos na etapa seguinte, por certo o envolvimento nesse setor econômico dinâmico da economia, ainda que parcial, representa incorporação de tecnologias e acréscimo de renda para os pequenos produtores rurais e, de outro lado, contribuição efetiva para o incremento da produção nacional do combustível. Nada obsta que os pequenos proprietários cooperativados forneçam óleo vegetal às empresas privadas já constituídas para a produção do biodiesel – inclusive no Rio Grande Sul, região de Erechim --, ou, mesmo para a Petrobrás.
É verdade que a busca por oleaginosas alternativas à soja, em especial a transgênica, para a produção de biodiesel, não tem obtido grande sucesso. A presença dominante da soja no Rio Grande do Sul é um fato do mercado que não pode ser esquecido.
Todavia, a participação dos pequenos produtores cooperativados na produção do óleo vegetal para fins combustíveis pode se inserir facilmente no modelo de produção
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de energia conjugada a de alimentos. E isto, seja com a utilização da soja, que é amplamente cultivada na região Sul do país, inclusive em regime de economia familiar, mesmo a transgênica, seja com o uso de outra oleaginosa que venha a se mostrar adequada.
Cumpre assinalar que sem usufruir dos equipamentos, das tecnologias e da assistência técnica propiciados pelo sistema cooperativo, o pequeno produtor rural perderia a oportunidade de abocanhar uma fatia maior do resultado econômico final da produção do biodiesel. A transformação dos grãos em óleo e farelo implica em agregação de valor, o qual passa a ser absorvido pelo pequeno agricultor. Além disso, deixando de ser mero fornecedor de matéria-prima agrícola, o pequeno produtor passa a ter mais opções para enfrentar as instabilidades dos mercados de grãos, especialmente no caso da soja. O sistema cooperativo, de outro lado, aumenta o poder de barganha do pequeno proprietário rural na hora de negociar sua produção.
O sistema cooperativado de produção integrada de energia e alimentos, com adoção de práticas ambientalmente sustentáveis, atende à crescente reivindicação geral de políticas energéticas substitutivas e de ampliação da produção de alimentos.
Para que esse modelo possa ser expandido na região Sul, onde já implantado, e possa ser reproduzido em outras regiões do país, é fundamental a criação de políticas públicas voltadas especificamente ao fomento da pequena agricultura familiar e ao desenvolvimento do cooperativismo, possibilitando mais linhas de financiamento direcionadas ao desenvolvimento tecnológico e à capacitação dos agricultores cooperativados para a participação efetiva e competitiva no mercado.
Como lembra o Prof. Vidal, o mundo precisa de um novo combustível, mas, desde a implantação do Pró-Álcool, o pequeno produtor ficou à margem das políticas públicas adotadas, que atenderam prioritariamente à grande usina, aumentando ainda mais a concentração da renda.
O momento atual proporciona especial oportunidade ao Estado brasileiro para, ao mesmo tempo, satisfazer o interesse de incrementar a produção de energia limpa e atender o reclamo dos pequenos agricultores. Estes, que sempre abasteceram o mercado interno com a produção de alimentos, podem também, sem abandonar a sua vocação histórica, participar do setor dinâmico da economia voltado à geração de energia limpa,
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de modo eficiente, economicamente sustentável e com respeito ao meio ambiente, conforme demonstrado pelas micro usinas e microdestilarias visitadas.
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6. Referências Bibliográficas