Definida esta perspectiva de progresso e tradição nas representações sanj oanenses, alim entadas e difundidas nos alm anaques, e associando- as à futura batalha11 travada e contada
nos periódicos locais12, podem os, através dos m esm os, identificar
a perm anência e ou transform ação dest as idéias at é o início do conflit o. Em nenhum m om ent o se negará o fato de que a cidade era, no m ínim o, bicentenária13, ant iga:
cidade em que se encontram os prazeres da alm a e espírit o, lugar pra educar o int elect o ( ...) um dos fat ores que m ais podem influir na educação da alm a e form ar, por assim dizer, o caract er de um povo, é a t radição ( ...) quanto m ais tradicionalista é um povo, m ais seguro é na rota do progresso (S. JOÃO D’EL REY..., 1935) .
O ponto é j ustam ente esse. A tradição local seria sem pre valorizada, pois aqueles anos todos consolidavam um a civilização experiente, m adura, capaz de seguir adiante. Cidade antiga era um a coisa. Cidade velha, do passado, outra. Assim , tem os com o lançar bases para um contrapont o entre os diferentes olhares lançados à paisagem sanj oanense.
10 A Tribuna, São João del- Rei, 02 de outubro de 1927. Arquivo do Museu Regional de São
João del- Rei.
11 O conflito em torno do casarão do Com endador João Mourão, futuro Museu Regional de São
João del- Rei.
12 A TRI BUNA - Em 1914, Tancredo Braga, João Jeunon Júnior e João Viegas Filho publicam “ A
Tribuna” , cuj a prim eira etapa se estendeu até 1920. De então até 1938, sua segunda fase, teve este periódico com o diretores e redatores em diversos períodos Custódio Batista de Castro, Basílio de Magalhães e Cristóvão Braga. O CORREI O - Em 1926, sob a gerência de Luiz Ávila e redação de Alm ir de Sousa, vem à luz nest a cidade “ O Correio” , que, depois, t endo com o diret or Herculano Veloso e com o redat or o j ornalist a e poet a Asterack Germ ano de Lim a, se edita com brilhant e corpo de colaboradores em que se dest acam Mozart Novais, Belisário Leite de Andrade Net o, Tancredo de Alm eida Neves, o poet a Venâncio Cast anheira Filho, o j ornalista João Viegas Filho e em que teve distinta atuação o Dr. Antônio de Freitas Carvalho. Em 1949,
Tem os no m esm o ano do lançam ent o do últ im o alm anaque, em 1924, a ilustre visita dos m odernistas em busca do passado, durante a Sem ana Santa. Algum as sem anas depois, encontram os um art igo que relat a a visit a de Nereu Sam paio, com issionado pela
Sociedade Brasileira de Bellas- Artes, sob o t ít ulo Relíquias de Art e Ant iga. Nereu e outros estudiosos
[ ...] foram , com o t odo m undo, t om ados de ent husiasm o pelo m uito que nos ficou do estylo colonial.
As suas vistas foram at trahidas, não som ente para os tem plos, m as ainda por várias casas particulares e pelos inúm eros “ passos” que ostentam as suas azulineas fachadas em várias ruas e praças da cidade.
Acharam elles sobrem odo interessante a disposição excêntrica do “ passo” collocado à Rua Direita, o qual perm anece com a frontaria inclinada em relação ao alinham ento daquella via publica, prej udicando desde aquelle ponto até a esquina da rua Nova ( RELÍ QUI AS..., 1924) .
O autor, não identificado, descreve o roteiro seguido pelo visitante, e seu interesse pelas igrej as, das quais se ocupa em detalhada descrição, passos da paixão e pontes de pedra. No fim do texto, ele diz ainda do interesse do pesquisador por “ varias casas particulares” , m as logo retorna às igrej as, parabenizando às irm andades religiosas pela conservação dest as relíquias.
O interesse que a cidade despertava pelo que tinha de histórico era m otivo de orgulho. Só que não o único m otivo. Em 06 e 09 de m arço do m esm o ano, em textos referentes ao carnaval, identifica- se o “ incontestável progresso e a índole ordeira de nosso povo” , a cidade aparentava “ um grande e m ovim entado centro” e era inegável, portanto
[ ...] nosso espant oso progresso, sob t odos os pont os de vista, pois dessas festas de caract er em inentem ente popular é que se aquilata do evoluir de um a cidade ( A TRI BUNA, 1924 d) .
Os investim entos direcionados à festa profana ( que carregaria durante o século XX a im agem de ser um a das m elhores do estado) eram um term ôm etro:
[ ...] para aquilat ar-se do grande progresso e desenvolvim ento que se vêm operando dia a dia nest e m unicípio, o carnaval offerece m agnífico padrão. ( ...) Est e anno, então, o tríduo de Mom o foi anim adíssim o. Basta dizerm os que se apuraram perto de 40: 000$000 em lança- pefum es. E ainda há quem negue o nosso evidente progresso?! ... ( A TRI BUNA, 1924 c) .
Qualquer “ observador culto” perceberia que em São João, sobre as “ rem iniscências do passado” , erguia- se um a “ grande cidade m odernizada” ( S. JOÃO DEL- REY, 1927, p.1) , graças ao trabalho daqueles que a dirigiam , hom ens suficientem ente capazes de perm itir o seu “ progresso m aterial e m oral” ( ENTREVI STA, 1930) . Um a das cidades m ais “ históricas e pinturescas de Minas” , a cidade estava destinada a destinada “ a ser um grande centro industrial e confortável estância de repouso” ( ALGUMAS, 1927) .
É interessante ver que, seguindo estes artigos, existe realm ente um a repetição das m esm as idéias, com o se fosse um exercício de fixação. Um exercício de ( auto) afirm ação da identidade que a cidade deveria assum ir e propagar. Se antes vim os um a série de fotografias que durante um a década m ontam um cenário, nestes j ornais a palavra vem concret izar a “ ficção urbanística” ( FERNANDES; GOMES, 1991, p.93) .
A im prensa adquire um papel fundam ental no processo de difusão de idéias que ensinam não só o “ com o agir” ( FERNANDES; GOMES, 1991, p.98) , m as o com o pensar tam bém . Este pensar vem diferenciar São João das outras cidades históricas do estado, porque ela não ficou parada no tem po:
[ ...] cidade hist orica e cidade j ardim ( ...) é, antes d e tudo, um a cidade do presente, vanguardeira do progresso do nosso hint erland, m ovim ent ada e bela, caprichosa e culta ( ...) cidade lim pa, com todos os rigores da m oderna higiene, ruas alegres, claras, cheias de sole de luz,
avolum a- se dia a dia, est endendo os braços para o grande futuro ( REPRODUÇÃO..., 1935) .
Seis anos depois:
Toda cidade que se preze possue o j ardim . É o ponto de reunião da sociedade, o local de encontros, o logradouro onde se filtra e onde se palestra, nas horas de lazer. Nas grandes cidades, onde a falta de paisagens natural e excessiva paisagem hum ana chega a nervosar, os j ardins são invadidos pelo povo enervado ( O JARDI M..., 1940) .
Para FERNANDES e GOMES ( 1991, p. 99) a preocupação com a estética da cidade é fundam ental, por aj udar na com posição da im agem da cidade m oderna:
Em Bello- Horizonte, m ais duas casas com m erciaes inauguraram annuncios lum inosos em suas fachadas. Agora que, com o fecham ento ás 18 horas, o nosso com m ercio gasta tão pouca luz, porque os nossos negociantes não resolvem adapt ar esse processo de reclam e, que, sobre ser utilíssim o com o propaganda, dará t ão bom aspect o á cidade? Aqui lhes fica o lem bret e... (A TRI BUNA, 1924 a) .
Das edificações para as vias públicas:
[ ...] por est arem pert urbando o t ransit o e serem ant i- estheticas, foram derribadas as arvores que existiam ao longo do j ardim da avenida Ruy- Barbosa ( A TRI BUNA, 1924 b) .
O dinam ism o da vida sanj oanense é identificado com o um a constante:
É verdadeiram ente not ável a intensificação que, nos últim os tem pos, têm tido os serviços públicos em prehendidos pela patriótica m unicipalidade local. Assim é que, em vários pontos da cidade, se notam m uitas obras da Câm ara, em andam ento. O núm ero de operários m ultiplica- se. E por toda parte se sente aquella febre de úteis reform as, destinadas ao m odernizam ento da vetusta “ Princeza do Oeste” ( OBRAS..., 1924) .
Um m ês depois, na m esm a coluna:
A propósito do aform oseam ento que, com a colocação de parallelepípedos na Rua Municipal e avenida Herm íllo Alves, em substituição ao antigo e incom m odo “ pé- de-
m oleque” , que vem transform ando a “ Princeza- do- Oeste” num a urbe m odernizada e civilizada, - em bora vetusta e tradicional [ ...] ( OBRAS..., 1924) .
Assim , pelos artigos, a cidade é m ostrada na sua evolução, em que decisões são tom adas e escolhas são feitas para que a m esm a continue a desenvolver- se, sem perder suas referências do passado. Estas referências são específicas e m uitos dos vestígios devem ser elim inados: grande é o núm ero de construcções e reconstrucções de prédios que se m ostram traj ados no rigor da m oda, despidos das velhas indum ent arias coloniaes ( MELHORAMENTOS..., 1932) .
Os forasteiros têm reproduzidas suas experiências, que confirm am a visão propagada. Por exem plo, “ quem vai de Oliveira ao Rio chega, depois de dificuldades, à cidade que aparece com o um oásis ( ...) florescente e próspera” e repara “ o sem num ero de elegant es predios em const rução ( ...) t udo ali indica vida e progresso” ( MELHORI AS..., 1933) . Reproduzido do “ Diário de Minas” , um artigo de 1924:
[ ...] quer no cinem a, quer na rua, a gent e ‘élit e’ não dem onstra nenhum constrangim ento quando defronta ou está ao lado de qualquer desconhecido. O m ais m odesto operário, cingindo a blusa m odest a m as asseada do trabalho, senta- se ao lado da distincta j ovem : é que naquela adorável terra há confiança recíproca, há um m utuo respeito, de onde um a tranqüilidade perfeita ( ...) A cidade de S. João passa por um sopro de renovação e progresso [ ...] ( JARDI M, 1924) .
Abilio Barret o, em sua passagem pela cidade nove anos depois, [ ...] m aravilhou- se com a nossa civilização e com o nosso progresso ( ...) j ulgava encont rar um a cidade m ort a, vivendo exclusivam ente da grandiosidade de seu passado, e achou um a S. João del-Rei cheia de barulhos de fabricas, de agitação e de dinam ism o ( ABÍ LI O..., 1933) .
Depois este, sete anos depois:
Viegas que, am ando est a terra desinteressadam ente, só desej a vela grande e adiantada em t odos os setores da atividade, afim de resgatar as tradições do passado, quando ela se fazia realçar, em m eio às m aiores, às m ais cultas e às m ais adiantadas cidades m ineiras ( S. JOÃO DEL- REI ..., 1940) .
No m esm o ano ( 1940) , há a publicação de um relatório ( PREFEI TURA..., 1940) da prefeitura direcionado o governador do estado de Minas Gerais, Benedito Valadares, com um a síntese da adm inistração do Dr. Antônio das Chagas Viegas durante o ano anterior.
Dele constavam : “ a abertura de um a nova avenida para ligar o centro a um bairro im portante onde se encontram : quartéis, Santa Casa, Colégio e Ginásio ( ...) trazendo ainda saneam ento” ; calçam ento de várias ruas; construção de passeios; construção de galerias de águas pluviais etc. E aquilo não era tudo,
[ ...] porquê o serviço público é int erm inável, é ele um a seqüência de exigências do progresso das cidades que não param no tem po e do povo dinâm ico que olha sem pre o fut uro ( PREFEI TURA..., 1940) .
É curioso o fato de que, bem no eixo de abertura desta avenida, situava- se a antiga casa de Bárbara Eliodora14, assunt o de um
artigo de 1933, escrito por Agostinho Azevedo que sugeria a dem olição da edificação:
[ ...] ora, m ais j ust o seria que o Munnicipio fizesse, no local onde hora se encontra o velho solar, j á m odificado no seu aspecto externo pelo est ylo Beira- praia, um prédio novo, de linhas rigorosam ente coloniaes, que ficaria sendo a casa de BH ( AZEVEDO, 1933) .
Lá seriam em pregadas as “ m ais m odernas exigências da técnica” : Porque havem os nós de conservar- lhe o solar em ruinas, quando podem os conservar- lhe o nom e num edificio de finalidades elevadas com o albergue da arte im m ortal de São João del Rey? ( ...) Collocara bbbt num edifício escuro, pezado, envelhecido, que cederá, fatalm ente ao pezo dos anos?( ...) a casa de BH seria um a hom enagem à art e que
14 Bárbara Eliodora – com “ E” e não “ H” - foi casada com Alvarenga Peixot o, um dos
inconfidentes. Foi considerada a única m ulher que se envolveu ativam ente com o grupo de insurgentes.
vae desaparecendo lent am ent e ( ...) São João del Rey, que recebeu do passado tanta cousa de definitivo, irá legar ao futuro ruínas, apenas ruinas? ( AZEVEDO, 1933)
Um ano depois, O Correio publicaria “ Na casa de Bárbara Alvarenga” , artigo de Maria Cam argo, que escreveu do Rio de Janeiro expressando seu pesar pela dem olição da residência da heroína da I nconfidência:
Am iga que sou de todas as cousas que liga com o passado, sentia- m e estranham ent e feliz então,percorrendo aquele tradicional recinto, contem plando as largas j anelas, os artísticos tetos e as paredes espessas que abafaram e esconderam os pensam ent os. ( ...) ao ter ciencia agora de que poderes públicos det erm inaram a dem olição da casa hist órica, sint o, o coração confrangido, lastim ar sinceram ente m ais um a tradição que se vai em São João del Rey ( ...) m as que fazer, si ávida m oderna, os hom ens dinâm icos se antecipam ao tem po na destruição da antiguidade?
Das ruinas das velharias abatidas surgem as m aravilhas da arquitetura atual nas novas creações que o m odernism o exige. E para aquêles que am am e respeitam a tradição e que com o eu sentem vertigens na sim ples contem plação dos arranha- céos, para esses restará a m enoria im perecível que tudo reconstruirá e tudo contem plará nos quadros vivos e im pagáveis do pensam ento e da recordação ( CAMARGO, 1934) .
Sem pre cidade velha, m as nunca cidade m ort a1 5
A Rom a da região ( A PRI NCEZA..., 1934) , em São João del- Rei, diferentem ente de Ouro Preto e Mariana, “ o presente não exclue o passado e nem o passado rouba ao presente a sua actividade e a sua força” ( S.J.D.R...., 1934) . O turism o seria, então, um a form a de valorização daquilo que era um a herança de um passado de realizações e, ao m esm o tem po, m aiôs um a das at ividades econôm icas a fom entar a econom ia local.
Antigo, Em 32, Tancredo Braga16 descreveu sua visita a
Tiradentes, cidade a apenas treze quilôm etros de sua terra natal. Ele fala da “ lendária cidade” , que “ surge de repente ( ...) com seu casario ant igo” ( TI RADENTES..., 1932) . Afirm a que respeita a
pertence a outro tipo de cidade: aquela que poderia m uit o bem ter feito parte do roteiro de um grupo de franceses que visitou Belo Horizonte, Mariana, Ouro Preto e Sabará.
Se a EFOM se preocupasse com São João del- Rei, faria propaganda das “ possibilidades t uríst icas” locais, levando grupos com o est e a visitar “ os nossos m onum entos e o nosso progresso” ( MOVI MENTO..., 1932) . Ninguém resistiria ao
[ ...] risonho e encant ador aspect o da velha e t radicional cidade, com os seus m agestosos t em plos ( ...) com as suas int eressant es pont es de pedra ( ...) com as suas largas e bellas avenidas, onde florem , plantadas á beira do Lenheiro, aprazíveis j ardins ( ...) São J. D’El- Rey é, certo, um a das antigas cidades m ineiras, e que, por isso m esm o, offerece ao t urist a archeologo, ou, sim plesm ente, curioso do passado, am pla m atéria para estudo e observação; m as não é nenhum a dessas cidades m ortas de que falam Carlos Laet e outros, ‘em cuj as ruas desertas parecem vaguear os phant asm as do passado’. ( ...) A cidade de hoj e não é a dos tem pos que vão longe; o progresso distendeu sobre ella suas largas e fascinantes asas, transm udando- a em j ovem garrida e bella, t raj ada de lindas roupagens ( ...) E o progresso que o espírito observador e culto nota irá para a frente, com segurança e desassom bro ( SÃO JOÃO D’EL- REY..., 1930) .
Onze anos depois, talvez j á com a EFOM tendo acordado para a oportunidade perdida, encontram os isso:
São João é j á um a cidade m ovim entada de t urism o, atraente, prazenteira – velha rem oçada, que surpreende a cada um e a todos quantos, desprevenidos de seu progresso, saltam da gare da Rede para a sensação de beleza urbana e curiosidades históricas que ela reserva ao visit ant e ( SÃO JOÃO DEL REI ..., 1941) .
Três dias depois, m ais um ato que contribuiria para a proj eção da cidade, que era
[ ...] cent ro de cult ura, art e, t radição hist órica e, finalm ent e, no que t oca ao seu progresso. ( ...) Nesse sentido um largo passo vam os dar, agora, com a film agem da cidade por interm édio do produtor Eurico de Oliveira, que aqui se encontra há dias, j á em plena fase de trabalho. ( ...) Não se trata de um a película ligeira contendo aspectos superficiais apenas do que possuím os m as de um film e de larga m etragem , m inucioso, histórico, rico em detalhes sobre nossa vida industrial, sobre os m onum entos, a cultura, a vida religiosa, o trabalho de
m ineração e fascinação, as alidades colegiais e, finalm ente, o panoram a geral de S. João Del Rei, num confronto de duas épocas ( PATRI ÓTI CO..., 1941) .
E confirm am os o papel reconhecidam ente fundam ental da im prensa:
[ ...] a sua vida econôm ica é de progresso porque o povo é dinâm ico. O parque industrial j á de si considerável cresce progressivam ente e o com ércio é sólido. Se querem os que ela cresça em progressão contínua e em todos os sentido, unam o- nos para isto, congreguem os o nosso esforço no m esm o e único sentido construtivo, trabalhando todos por ela e para ela.” “ S. João é um a bela cidade, digna de continuadores da obra construtiva dos antepassados ( A CI DADE..., 1941) .
Est a cont inuidade conferia valor e garant ia a m anutenção das representações sanj oanenses:
Pode- se m esm o dizer- se que a terra dos sinos m aravilhosos, que sorriem e choram em repiques festivos e dobres de finados, m archou resoluta, sem olhar para traz, com o acertadam ent e j á o disse o talentoso j ornalista José Belini dos Santos. O seu feitio colonial, as suas ruas outrora tortuosas, cortadas de becos estreitos e m al acabados, os seus casarões antiquados de balcão à frente a lem brar- nos a época dos I nconfidentes, foram extintos de m odo com pleto. ( ...) São João Del- Rei é hoj e um a cidade m oderna, progressista e opulenta. Todavia, a despeito dessa radical transform ação, em bora o tem po e o progresso tenham m odificado a estrut ura arcaica do berço de Bárbara Heliodora, m uita cousa ainda ficou para criar um m ixto perene do passado com o presente ( A I MAGEM..., 1941) .
O m ixto perene do passado com o presente no olhar local não estaria em sintonia com o olhar dos viaj antes de 24. Com o verem os adiante, nenhum deles se expressa com o m esm o otim ism o dos citadinos. Estes não consideravam dignos de preservação aqueles elem entos sem caráter m onum ental, que não contribuísse com destaque na m alha urbana:
Não se j ust ifica, entretanto, que velhos e arruinados edifícios fiquem atentando contra a estética da cidade. E se fosse só contra a est ética da cidade. E se fosse só contra a estética! Esses casarões, com as suas fachadas
Que os proprietários destruam ou vendam essas velhas carcaças, se não quiseram reform á- las ( NÃO..., 1939) .
Dentre estes casarões, um de nosso especial interesse, aquele em torno do qual se dará o conflito por nós analisado:
Quão desoladora e triste é a perspectiva da aprazível praça Severiano de Resende com o im enso sobradão de três andares, dom inando t odo um quarteirão, com as suas j anelas quebradas e port as enj am bradas? ( ...) Não som os, absolutam ente, apologistas da dem olição total das casas velhas. Som os pela sua conservação desde que as m esm as sej am subm etidas a severa vistoria e perfeitam ent e adaptadas às necessidaes do m om ento quer nas condições para sua m aior expansão com ercial. Casa arej adas, higiênicas e confort áveis ( DESAPROPRI AÇÃO..., 1939) .
O SPH AN encont ra a Princesa do Oest e
A ação do órgão estatal em São João del- Rei será vista de form a coerente, até o futuro choque de opiniões e int eresses em t orno do casarão do Com endador. As atividades eram acom panhadas com interesse:
Dentro em pouco terão início as obras de reconst rução e valorização das ruínas da Fazenda do Pom bal, onde nasceu o proto- m art ir da nossa I ndependências Joaquim José da silva Xavier – o Tiradentes ( A RESTAURAÇÃO..., 1939) .
O ent ão diret or do j ornal Diário do Com ércio, José Bellini dos Santos17 recebeu do “ Dr. Rodrigo Melo Franco de Andrade, diretor
do Serviço do Pat rim ônio Hist órico e Artístico Nacional” um a carta transcrita no j ornal:
Tenho a grat íssim a satisfação de com unicar- lhe que o sr. Presidente da República aprovou o parecer deste Serviço relativo à valorização das ruínas da fazenda onde nasceu Tiradentes, cuj as obras serão iniciadas com a possível