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1.2. EDEBÎ KİŞİLİĞİ

1.2.1. Sanat Anlayışı

Jane Cleide Bispo dos Santos Silva22– Universidade Federal do Rio Grande do Norte – RN; Jefferson Fernandes Alves23 - Universidade Federal do Rio

Grande do Norte – RN.

Resumo

O presente artigo objetiva discutir acerca do uso da audiodescrição como recurso de acessibilidade audiovisual para pessoas com deficiência visual em contexto inclusivo escolar e cultural. Para tanto, apresentamos um levantamento teórico- reflexivo acerca da audiodescrição de filmes infantis, o qual constitui um recorte do estado da arte da nossa pesquisa de mestrado. A partir dos estudos empreendidos, observamos que a produção científica a respeito da audiodescrição de filmes infantis ainda apresenta números restritos, dado a importância da leitura fílmica por parte das crianças com deficiência visual. Nessa perspectiva, compreendemos ser necessário proporcionar aos alunos com deficiência a possibilidade efetiva de aprendizagem, que pressupõe equiparação de oportunidades para o acesso ao conhecimento, utilizando-se de ferramentas, estratégias e tecnologias apropriadas. A metodologia aplicada a esta produção foi a pesquisa do tipo estado da arte. A partir da pesquisa bibliográfica e análise dos trabalhos encontrados, discutiremos resultados de produções científicas nacionais encontradas em forma de dissertações e artigos sobre o uso da audiodescrição como recurso de acessibilidade audiovisual. Reiteramos a importância dos trabalhos selecionados, por apresentarem grandes contribuições para a inclusão de pessoas com deficiência visual aos meios de cultura, além de permitir a interação entre esses sujeitos e seus pares em diferentes ambientes sociais. Entretanto, verificamos o caráter embrionário de pesquisas sobre a audiodescrição de filmes no contexto escolar para o público infantil com deficiência visual.

22 [email protected] 23 [email protected]

Palavras-chave: Audiodescrição e Audiovisual; Audiodescrição de filme infantil;

Deficiência Visual.

Introdução

A escola inclusiva é aquela que assegura a qualidade no processo ensino- aprendizagem a cada um de seus alunos, independente de suas diferenças, reconhecendo e respeitando a diversidade e atendendo cada sujeito de acordo com suas potencialidades e necessidades, “não há mais como tratar os estudantes como se fossem homogêneos” (BRASIL, 2013, p. 35). São as diferenças que possibilitam enriquecer as experiências curriculares e que ajudam a melhor assimilar o conhecimento que se materializa no currículo escolar.

No desdobramento do processo educativo inclusivo é necessário proporcionar aos alunos com deficiência o acompanhamento pedagógico adequado, modificação no currículo, na gestão escolar, garantindo ao aluno com deficiência equiparação de oportunidades para o acesso ao conhecimento, utilizando-se de ferramentas, estratégias e tecnologias apropriadas. Tojal (2007, p. 85) ressalta que

a simples abertura da escola para um processo de inclusão e inserção de alunos com necessidades especiais (sejam elas de ordem social, cultural ou por limitações físicas ou de aprendizagem), não garantem nem uma educação de qualidade, uma educação inclusiva e, muito menos, uma sociedade inclusiva.

O presente artigo objetiva discutir acerca do uso da audiodescrição como recurso de acessibilidade audiovisual para pessoas com deficiência visual em contexto inclusivo escolar e cultural. Para tanto, apresentamos um levantamento teórico- reflexivo acerca da audiodescrição de filmes infantis o qual constitui um recorte do estado da arte da nossa pesquisa de mestrado. A partir dos estudos empreendidos, observamos que a produção científica a respeito da audiodescrição de filmes infantis ainda carece de esforços investigativos.

Nesse sentido, compreendemos que a audiodescrição é um recurso de acessibilidade que possibilita tornar eventos culturais e produtos audiovisuais acessíveis para pessoas com deficiência visual. É transformar a linguagem visual em linguagem falada. Assim, de acordo com Alves (2014, p. 263)

[...] a audiodescrição consiste em uma palavra alheia cuja expressividade se dirige, principalmente, para pessoas com deficiência visual, a fim de que estas possam atribuir sentidos a artefatos, cenas e eventos visíveis e imagéticos que, na ausência do discurso verbal, não seriam compreendidas.

A audiodescrição por fazer uso expressamente da palavra como reveladora das imagens e das ações não visualizadas pelas pessoas com deficiência visual, no contexto escolar, pode disseminar uma relação dialógica entre os envolvidos no processo de ensino-aprendizagem.

No contexto escolar, assegurar acessibilidade comunicacional às crianças com deficiência visual é garantir-lhes acesso ao mundo imagético, sua participação plena nas atividades escolares com o acesso aos conteúdos curriculares, utilização do livro didático, participação em culminâncias de trabalhos, apresentações teatrais, o processo de contação de histórias, apresentações de dança, agenciamento de filme, aulas de campo, entre outros eventos no âmbito educacional. A audiodescrição, quando usada com objetivos educacionais, contribuirá grandemente para a participação efetiva do aluno com deficiência visual na compreensão e construção do espaço imagético do próprio ambiente escolar.

O procedimento metodológico utilizado foi o levantamento bibliográfico, orientado pelo delineamento do estado da arte, a qual nos conduziu a um conjunto de trabalhos sobre a audiodescrição e o audiovisual infantil, cujo levantamento tomou como referência o período de 2009 até 2016. A partir da análise dos trabalhos encontrados, discutiremos resultados de produções científicas nacionais encontradas em forma de dissertações e artigos sobre o uso da audiodescrição como recurso de acessibilidade audiovisual. A esse respeito Ferreira, (2002, p. 257) afirma que a pesquisa desta natureza,

[...] definidas como de caráter bibliográfico, elas parecem trazer em comum o desafio de mapear e de discutir uma certa produção acadêmica em diferentes campos do conhecimento, tentando responder que aspectos e dimensões vem sendo destacados e privilegiados em diferentes épocas e lugares, de que formas e em que condições têm sido produzidas certas dissertações de mestrado, teses de doutorado, publicações em periódicos e comunicações em anais de congressos e de seminários. Também são reconhecidas por realizarem uma metodologia de caráter inventariante e descritivo da produção acadêmica e científica sobre o tema que busca investigar. (FERREIRA, 2002, p. 257).

Dessa forma, este artigo apresenta uma revisão teórico-reflexiva sobre o uso da audiodescrição em filmes, procurando evidenciar os filmes infantis e seu agenciamento no contexto escolar inclusivo. Nesta revisão direcionamos o olhar para as produções de Silva (2009); Silva e Lima (2011); Santos (2011); Teixeira, Fiore e Carvalho (2013); Morais, Lopes e Tavares (2015); e Michels e Silva (2016).

O filme infantil com audiodescrição no contexto escolar inclusivo – uma revisão de literatura

Para investigar as contribuições da audiodescrição do filme infantil para criança com deficiência visual no processo de inclusão escolar, realizamos um levantamento de produções científicas que tomou como referência o período de 2009 até 2016. No decorrer dessa análise, mencionaremos diversos resultados de produções científicas nacionais encontradas em forma de dissertações e artigos sobre o uso da audiodescrição como recurso de acessibilidade audiovisual para pessoas com deficiência visual no processo de inclusão escolar e cultural.

A pesquisa que compõem esta revisão bibliográfica foi realizada no banco de produções da CAPES e nas revistas especializadas: Revista Brasileira de Tradução Visual, Tradução & Comunicação: Revista Brasileira de Tradutores, Dispositiva: Revista do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC/MG. Nas pesquisas, utilizamos como direcionamento temas correlacionados a audiodescrição de filmes para o público infantil. Elegemos para estudo os trabalhos que mais se aproximaram com o tema

da nossa pesquisa. A busca inicial se deu através dos descritores: audiodescrição, audiodescrição e filme, audiodescrição e filme infantil e audiodescrição e educação. Silva (2009), em sua dissertação “Com os olhos do coração: estudo acerca da audiodescrição de desenhos animados para o público infantil”, destaca em sua pesquisa a importância de se desenvolver um modelo de audiodescrição que atenda o público infantil brasileiro não-vidente, elencando como objetivo delinear os primeiros parâmetros para a construção de um modelo que atenda às necessidades das crianças com deficiência visual. Por se tratar de uma pesquisa de recepção de caráter qualitativo, organizou dois tipos de audiências distintas (as próprias crianças e os adultos com os quais elas se relacionam), as quais ela categorizou como primárias e secundárias. A pesquisa foi realizada com 20 crianças do CEC24, assistidas pelo Instituto de Cegos da Bahia (ICB) e seus respectivos pais e/ou responsáveis, professoras e a diretora pedagógica da própria instituição. Silva (idem) constatou em sua pesquisa que a audiodescrição não só facilita o entendimento do desenho como também proporciona ao espectador infantil momentos prazerosos e educativos. Detectou ainda, a preferência das crianças por uma narração mais interpretativa, descartando a hipótese de uma audiodescrição mais explicativa que é feita para o público adulto.

Na dissertação “Avaliação da audiodescrição de desenhos animados: uma pesquisa exploratória”, Santos (2011), realiza uma pesquisa de caráter exploratório caracterizando-se também como qualitativa. Propondo, como objetivo geral do seu estudo, avaliar se a audiodescrição de desenhos animados propostos por Manoela Cristina Correia Carvalho da Silva (2009), em sua dissertação, é bem aceita por crianças com deficiência visual do Rio Grande do Norte, considerando as cidades de Pau dos Ferros e Mossoró. Santos (2011) utilizou, em testes de recepção, três dos desenhos audiodescritos disponíveis em DVD, cujas audiodescrições foram realizadas por Silva (2009). A pesquisa foi desenvolvida com um grupo de cinco crianças com deficiência visual na faixa etária de 10 e 12 anos, em 4 escolas da rede municipal e estadual. Foram organizados dois grupos (grupo A, composto por 3 crianças que foram perdendo a visão e atualmente tem baixa visão e o grupo B formado por 2 crianças com cegueira total e congênita), de acordo com o grau de cegueira dos participantes, para observar se existiria diferença na recepção desses indivíduos. Após a realização dos testes de recepções, verificou-se que, independente do grau de deficiência das crianças, elas tiveram uma boa compreensão da narrativa ficando claro que a audiodescrição teve fundamental importância nesse processo, uma vez que os auxiliou na percepção de informações

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Centro de Educação Complementar do ICB. Unidade escolar reconhecida pelo Estado, atende crianças e adolescentes desde a pré-escola ao final do ensino fundamental.

importantes referentes aos personagens e suas ações, aos ambientes e ao tempo em que os enredos aconteciam.

“Filmes infantis audiodescritos no Brasil: uma análise dos filmes A Turma da Mônica 2 e Hotel Transilvânia”, foi o tema do artigo de Teixeira, Fiore e Carvalho (2013), que para sua pesquisa faz uma análise de 3 episódios do filme “Se Liga na Turma da Mônica”, volume 2 e do filme “Hotel Transilvânia”, verificando se os parâmetros em relação às questões de linguagem, personagens, efeitos sonoros, ambientação e outros elementos visuais e não verbais foram utilizados de acordo com o guia RNIB Sunshine House School para uma audiodescrição adequada para o universo infantil.

Ao analisar os 3 episódios do filme da Turma da Mônica, do diretor Maurício de Souza, percebe-se que nos desenhos “Jogo de Vôlei” e “Árvore de Natal” a audiodescritora fala apenas o nome dos personagens sem se preocupar em descrever informações adicionais, como características, pressupondo que os telespectadores não terão dificuldade uma vez que, a descrição com relação ao ambiente e aos personagens está disponível na primeira parte do filme (parte que antecede os episódios). No entanto, no decorrer do desenho aparecem novos personagens (amigos e pais de Cebolinha e Mônica) e, mesmo assim, ela não descreve, só menciona o nome.

Já na audiodescrição de “Chico Bento e Companhias” aparecem informações detalhadas a respeito das características dos personagens além das roupas que os caracterizam ao passo que sem o recurso da audiodescrição as crianças com deficiência visual não teriam acesso a esses detalhes, tendo seu entendimento prejudicado. Com relação à ambientação, os autores levantam algumas situações onde a história acontece em mais de um cenário que não são descritos. Em outros momentos, não indicam claramente a localização temporal ou apenas infere-se que a ação ocorreu em um período no tempo.

Nos 3 episódios analisados, percebe-se que a audiodescrição utilizada apresenta uma linguagem simples e de fácil compreensão. Quanto aos efeitos sonoros, em 2 dos desenhos (Chico Bento e Companhias e A Árvore de Natal) eles são preservados e identificados pela audiodescritora, já em “Jogo de Vôlei” a narradora não faz menção a alguns barulhos pressupondo que o público já o conhece, o que pode ocasionar em uma má compreensão do enredo. Outro ponto importante a ser observado e analisado, são os elementos visuais não verbais como as ações e o estado emocional dos personagens que devem ser descritos na audiodescrição. Nos 3 desenhos, as ações são bem descritas o que facilita o entendimento do que está acontecendo, além de focalizar mais a atenção das crianças com deficiência visual.

Para o Filme “Transilvânia”, foram utilizados os mesmos parâmetros para analisar se a audiodescrição está de acordo com as orientações do guia RNIB para o público

de crianças com deficiência visual. Mesmo não sendo uma pesquisa de recepção, constataram que a audiodescrição apresentada contém alguns problemas que podem prejudicar o entendimento das crianças com deficiência visual.Um dos problemas identificados é a linguagem utilizada na audiodescrição por não corresponder aos parâmetros sugeridos para o público infanto-juvenil, apresentando uma narrativa rápida e dinâmica, com poucas descrições do ambiente, podendo prejudicar a compreensão. De acordo com o guia RNIB, os parâmetros musicaissão preservados, não sobrepondo com descrição às músicas e, quando necessário, o faz rapidamente sem causar prejuízo à compreensão de sua letra.

Em “Áudio-descrição de animação: caminho para o letramento literário das crianças com deficiência visual”, Silva e Lima (2011) valorizam a contribuição da animação como gênero de linguagem no processo de letramento das crianças. Ressalta ainda que quando o sujeito não tem acesso total ou parcial a esse gênero artístico/literário lhe é podada a “[...] oportunidade de construir os sentidos, de vivenciar a experiência catártica, de vivenciar o lúdico, construir o simbólico e de perceber representações sociais contidas nas animações” (SILVA E LIMA, 2011, p. 3). Portanto, quando uma produção não está em formato acessível às pessoas com deficiência são prejudicadas tirando-lhes o direito a cultura, ao lazer e à educação. Diante do olhar da falta de acessibilidade às animações, os autores instituem a discussão sobre o conceito, o surgimento e a linguagem da animação.

No artigo “Acessibilidade Cultural: Áudio-descrição em cena para jovens com deficiência visual”, Moraes, Lopes e Tavares (2015), apresentam como objetivo da pesquisa, investigar os benefícios do recurso de áudio-descrição para um público de jovens que não conheciam o recurso. Para a realização do estudo, foram selecionados 10 jovens alunos da rede municipal de educação da cidade do Rio de Janeiro, com idade entre 13 a 26 anos. Seis desses alunos eram cegos e quatro possuíam baixa visão. A pesquisa foi realizada no Instituto Municipal Helena Antipoff25, desenvolvida na “Oficina de Áudio-descrição, espaço de observação e experimentação de obras artísticas com o recurso da audiodescrição”. Por ser uma pesquisa de caráter qualitativo, utilizaram, como material de análise, questionários semiestruturados que eram respondidos oralmente após a exibição de cada obra (obras com e sem áudio-descrição), sendo possível identificar dificuldades na compreensão de algumas informações descritas. Tais identificações, segundo os autores, reforçam a importância da audiodescrição como recurso pedagógico, oportunizando ao aluno com deficiência visual, desde a educação infantil, acesso ao mundo cultural.

Michels e Silva (2016) propõe, no artigo “A audiodescrição na escola”, uma reflexão sobre a importância do uso da audiodescrição no ambiente educacional por

25Órgão da Secretaria Municipal de Educação responsável pela educação especial do Município do Rio de

entender que a escola é um ambiente formado por uma diversidade de alunos e que nele se estabelece a perspectiva da construção do conhecimento e da formação do cidadão. Com o processo de inclusão de alunos com deficiência nas escolas regulares, entre eles, alunos com deficiência visual, a implantação do recurso da audiodescrição torna-se cada vez mais importante. As autoras ressaltam em seu trabalho a necessidade da incorporação da audiodescrição nos programas de formação continuada de professores por ser um recurso de tecnologia assistiva e por possibilitar ao aluno do ensino básico ou superior o acesso à linguagem imagética. Segundo Michels e Silva (2016) o uso da técnica da audiodescriação considerada uma tecnologia assistiva no ambiente escolar

[...] amplia as possibilidades de acesso aos conhecimentos e oportuniza o acesso aos processos históricos acumulados socialmente e culturalmente pelos indivíduos, por meio de figuras, imagens e cenas de filmes utilizados na educação básica ou universidade (MICHELS e SILVA, 2016, p. 122).

Debruçando-nos sobre tais trabalhos, verificamos a importância desses estudos por apresentarem contribuições para a inclusão de pessoas com deficiência visual aos meios de cultura, além de permitir a interação entre esses sujeitos e seus pares, em diferentes ambientes sociais. No entanto, verificamos ainda que é embrionária a pesquisa sobre a audiodescrição no contexto escolar para o público infantil não vidente.

Partindo das reflexões acerca dos trabalhos mencionados, é explícito o quanto ainda é restrita a discussão sobre a questão do audiovisual e da audiodescrição no contexto da sala regular, considerando a perspectiva educação inclusiva.

Na pesquisa realizada, constatamos em Silva (2009) e Santos (2011), a presença da criança com deficiência visual no contexto escolar. O primeiro estudo busca estabelecer um modelo de audiodescrição adequado para o público infantil. E o segundo trabalho almeja avaliar se o modelo de audiodescrição feito por Silva (2009) é bem aceito por crianças cegas em escolas de duas cidades do interior do Rio Grande do Norte.

O outro conjunto de estudos pesquisados, busca analisar os parâmetros utilizados nas audiodescrições de filmes infantis (SILVA e LIMA, 2011; TEIXEIRA, FIORE e CARVALHO, 2013; MORAIS, LOPES e TAVARES (2015). O estudo de Michels e Silva (2016), destaca a necessidade da incorporação da audiodescrição nos programas de formação continuada de professores do ensino básico e superior. Nessa perspectiva, é essencial reconhecer uma lacuna na produção de literatura no que diz respeito à audiodescrição do filme infantil e a inclusão escolar. Existem

produções relacionadas à importância da audiodescrição no desenvolvimento do indivíduo com deficiência visual, mas poucas são as referências ao ambiente escolar.

Considerações Finais

Quando o assunto em questão é filme, a audiodescrição é um importante recurso de acessibilidade audiovisual para as pessoas com deficiência visual, favorecendo a equiparação de oportunidade e o acesso ao audiovisual. A audiodescrição é sistematizada a partir de palavras objetivas, vívidas, imagéticas, breve o que traz o acesso à comunicação com o objeto artístico, traduzido em palavras, convidando o ouvinte a viver experiências lúdicas, informativas e formativas.

Para a criança com deficiência visual, a ausência da audiodescrição nos filmes, quando estes são usados como recurso pedagógico dificulta, reduz e impede a construção das imagens mentais desencadeadas pela narrativa fílmica.

Nesse momento, é essencial reconhecer uma lacuna na produção de literatura no que diz respeito à audiodescrição do filme infantil e a inclusão escolar. Existem produções relacionadas à importância da audiodescrição no desenvolvimento do indivíduo com deficiência visual, mas poucas são as referências ao ambiente escolar.

Dessa forma, a perspectiva de incluir e vivenciar o uso da audiodescrição no contexto escolar é permitir e assegurar ao aluno com deficiência visual seu desenvolvimento e participação nas atividades pedagógicas, propiciando assim sua aprendizagem. A audiodescrição tem como objetivo transformar imagens e ações em palavras e a sua presença no contexto escolar pode desencadear relações dialógicas de construção e de reconstrução do conhecimento. Nessa perspectiva, o aluno com deficiência visual tem a possibilidade de uma maior clareza interpretativa dos fatos que permeiam seu processo de autonomia e seu desenvolvimento cognitivo, na medida em que amplia-se as possibilidades de interação com os colegas em contexto escolar, mediado pelo audiovisual acessível.

Com a realização dessa pesquisa, verificamos que existe a necessidade de mais estudos sobre o uso do filme infantil com audiodescrição na proposta da educação especial na perspectiva da educação inclusiva ou, pelo menos, do uso de seus princípios no contexto escolar, com vista a expandir o horizonte dos alunos com deficiência visual dando-lhes o direito ao acesso educacional e cultural.

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