2.3. Bahriye Dairesi Bağlı Kumandanlıkları
2.3.2. Samsun Müfreze-i Bahriye Kumandanlığı
Com os avanços tecnológicos e a mudança de atitude do governo em relação à transparência, novas modalidades de circulação de informação se tornam mais disponíveis, e tem entre suas funções criar novos guardiões da democracia.
Para entender os efeitos dessa nova forma de divulgação e transparência na naturalização da corrupção, realizamos um levantamento dos websites brasileiros que
disponibilizem matérias com a temática corrupção. Para a busca dos sites, utilizamos como descritor a palavra “corrupção”, nos valendo dos buscadores Google, Ask e Bing. Esse levantamento inicial direcionou a uma quantidade significativa de páginas, que foram selecionadas a partir dos seguintes critérios: elegemos os sites que disponibilizavam o assunto “corrupção” como tema predominante e existiam há mais de dois anos; também definimos exclusividade aos brasileiros. Para sistematizar as informações, os sites foram listados e organizados em tabela, criando um banco de dados com o nome do website, endereço, a autoria ou o responsável pelo site e os temas tratados (anexo A).
SITES GOVERNAMENTAIS:
o CGU - Controladoria Geral da União o CGU - Controladoria Geral da União o Não Aceito Corrupção
o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística o TCU - Tribunal de Contas da União
o CGU - Controladoria Geral da União o Siga Brasil
o Portal da Transparência SITES DA SOCIEDADE CIVIL o Transparência Brasil
o O Brasil Contra a Corrupção
o Movimento Contra Corrupção Eleitoral
o Articulação Brasileira Contra a Corrupção e Impunidade o Comissão Brasileira de Justiça e Paz
o Brasil sem Corrupção o Contas Abertas
o Amarribo Brasil: Coalizão Brasileira Contra a Corrupção o Movimento Voto Consciente
o Observatório da Corrupção o Instituto Ethos
SITES DE EMPRESAS DE COMUNICAÇÃO o Fique de Olho
o Caderno Justiça & Direito do Jornal Gazeta do Povo o Museu da Corrupção
SITES DE UNIVERSIDADES
o Democracia, Justiça e Controle Público o Observatório da Justiça Brasileira
o Centro de Referência do Interesse Público o Centro de Estudos e Pesquisas sobre Corrupção
Ficou evidente a predominância do tema corrupção relacionado à política. Observamos que existe um número significativo de sites que atendem ao que é preconizado na Lei de Acesso a Informação,15 que exige a disponibilização de informações à sociedade em todos os níveis, visando modificar a dinâmica da administração pública. Esses sites não entraram em análise nesta pesquisa, por não tratarem do assunto de maneira específica.
Em relação ao domínio ou à responsabilidade sobre os sites pertinentes ao estudo, constatamos que grande parte dos websites consultados são de responsabilidade do governo federal (N=8); e os demais (N=3) pertencem a empresas de comunicação – grupos editoriais e jornais. Uma outra parte, 12 sites, são de responsabilidade de ONG e OSCIPS (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Algumas universidades, por meio de grupos específicos de pesquisa, também mantêm sites, totalizando quatro endereços.
Em relação aos temas, a maioria trata de corrupção política: 11 sites abordam diretamente corrupção política; 11 tratam de controle dos gastos públicos, buscando prevenir a corrupção; 4 sites enfatizam as eleições; e 12 sites dividem-se em temas que incluem cidadania e pesquisa.
A postura de “transparência” adotada pelo governo federal, que permite ter acesso via internet às principais informações sobre as diferentes casas que compõem a estrutura pública, é uma das possibilidades de circulação de repertórios sobre corrupção. Transparência é a palavra utilizada internacionalmente para designar o acesso às informações, com o objetivo de oferecer participação popular, controle das ações governamentais e melhoria da gestão pública.No Brasil, o acesso à informação foi garantido pela lei nº 12.527, sancionada
15 Lei específica que regulamenta o direito de acesso a informações e dados públicos, a chamada Lei de Acesso
pela presidenta da República em 18 de novembro de 2011, em acordo com o já previsto na Constituição Federal. Como discutimos anteriormente, a mídia digital tem representado uma mudança importante na circulação de informações. Um dos aspectos de relevância é a possibilidade oferecida pela internet de armazenamento e organização de dados, num significativo esforço de manter vivas as memórias e a história. Por exemplo, o quadro com os
sites da corrupção (Anexo A) apresenta uma síntese de alguns dos mais interessantes e persistentes esforços nesse sentido.
Vale também destacar a iniciativa federal. Na página da Controladoria Geral da União (CGU)16pode-se ler que a “[...] informação sob a guarda do Estado é sempre pública, devendo o acesso a ela ser restringido apenas em casos específicos”. Dessa forma, podemos entender que a informação é um bem público, a informação pública pertence ao cidadão, mas gerenciada pelo Estado.
Para a sedimentação da democracia, é importante o acesso aos dados do governo: leis, decretos, portarias, documentos, arquivos, estatísticas, contas públicas e outros materiais que possibilitem o conhecimento e participação nas atividades de governo. O acesso à informação deve ser entendido como um direito e existem tratados e convenções internacionais que o reconhecem, como é o caso da Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (ONU).
A política de transparência enfatiza que não há nada escondido, tudo está às claras, sendo possível de ser visto, não estando em gaveta escura ou cofre de segredos.
No Brasil, a divulgação espontânea recebe o nome de transparência ativa, sendo a internet o seu principal veículo. As principais iniciativas da transparência ativa são: Portal da Transparência do Governo Federal, Página de Transparência Pública, Open Government Partnership e Rede de Transparência. Cada um deles oferece ampla área de informações sobre a gestão pública, permite acompanhar informações atualizadas sobre a execução do orçamento, obter informações sobre recursos públicos transferidos e sua aplicação direta (origens, valores, favorecidos).
No Portal da Transparência, por exemplo, é possível localizar informações para conhecer a aplicação dos recursos públicos federais e exercer o papel de fiscalização. Estão organizados em gastos diretos, transferências de recursos, receitas, convênios, servidores, despesas, controle social e consultas aos programas de distribuição de renda.
16 Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/acessoainformacao/transparencia-ativa/index.asp>. Acesso em:
Os órgãos e as entidades públicas dos três poderes (executivo, legislativo e judiciário), de todos os níveis de governo (federal, estadual, distrital e municipal), assim como os Tribunais de Contas e o Ministério Público, bem como as autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e municípios e também as entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos, devem disponibilizar as informações, através de portais de transparência.
Um Sistema Eletrônico do Serviço de Informações ao Cidadão, o e-SIC, foi desenvolvido para que qualquer pessoa, física ou jurídica, encaminhe pedidos de acesso à informação para órgãos e entidades do poder executivo federal, onde é possível fazer o pedido, acompanhar o prazo e receber a resposta da solicitação por email, entrar com recursos, apresentar reclamações e consultar as respostas recebidas.
A implementação de um sistema de acesso à informação, segundo a página da CGU, tem como desafio enfrentar “Cultura de Segredo X Cultura de Acesso”, pois a cultura de segredo prevalece na gestão pública. Na cultura de segredo, “[...] a gestão pública é pautada pelo princípio de que a circulação de informações representa riscos”17. Na cartilha da CGU, os principais entraves apontados são que muitos servidores pensam que o cidadão só pode solicitar informações que lhe digam respeito direto, ou que os dados podem ser utilizados indevidamente, sobrecarregando de trabalho os servidores ou ainda que os cidadãos não estão preparados para exercer o direito de acesso à informação.
Outro aspecto relevante na discussão sobre a importância da mídia na configuração da sociedade diz respeito à memória. Entre suas funções importantes, e que vêm sendo executadas com dignidade nos últimos tempos, é a de registrar e armazenar dados e informações, documentar de forma organizada e oferecer acessibilidade às pessoas sobre os eventos e a história de escândalos e situações políticas.
17 Disponível em: <http://www.cgu.gov.br/acessoainformacao/materiais-