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A vertiginosa evolução tecnológica, própria do cenário pós-moderno, criou uma realidade comunicacional inusitada: as fontes aprenderam a gerar conteúdos e a interferir na pauta jornalística. É o que Chaparro (2007, p. 14) chama de “Revolução das fontes”, uma reviravolta gerada pelas tecnologias de difusão, graças às quais a notícia se tornou a mais eficaz ferramenta do agir institucional, nos cenários e conflitos da atualidade.

O jornalismo como processo inteiramente controlado pelo jornalista, em torno do qual tudo girava, pertence ao passado:

Trabalhava-se com uma noção passiva da atualidade (“as coisas que aconteciam”), sobre a qual o jornalista atuava de forma determinante, com a sua capacidade de “captar e recriar fatos”. Só acontecia o que fosse noticiado pelo jornalista, e sob sua decisão. [...] E as fontes, reduzidas a entes sem vida própria, nem citadas eram. [...] A crise resulta da superação desses conceitos pela realidade nova, moldada no ambiente criado pelas modernas tecnologias de difusão. (CHAPARRO, 2007, p. 15).

O discurso midiático agora circula, ou seja, já não vai de um ponto a outro, mas percorre um ciclo que engloba indistintamente as posições de emissor e receptor, cada vez menos identificáveis como tais. Segundo Harvey (2006, p. 55), o produtor cultural agora só cria matérias-primas (fragmentos e elementos), deixando aberta aos consumidores a recombinação desses elementos da maneira que eles quiserem. Baudrillard (1991, p. 44) alerta para os riscos dessa nova configuração discursiva:

A partir de agora torna-se impossível fazer a pergunta: De onde fala? De onde o sabe? De onde recebe o poder? Sem ouvir imediatamente responder: Mas é de vocês (é a partir de vocês que eu falo – subentende-se, são vocês que falam, são vocês que sabem, são vocês o poder). Gigantesca circunvolução, circunvolução da palavra, que equivale a uma chantagem sem saída.

Outra questão importante nessa nova dinâmica diz respeito à relação entre fato e notícia, profundamente alterada. Na realidade antiga, havia um intervalo – o intervalo que o poder das redações ocupava – entre o acontecido e o noticiado. No controle que exercia sobre a atualidade, estava o poder da ação jornalística:

Esse intervalo desapareceu, e aí está a razão primeira da crise. As redações perderam o controle sobre a notícia, que corre o mundo na dimensão do tempo real, livre e solta, em redes universais, para efeitos imediatos. O controle da notícia pertence, hoje, a quem produz os acontecimentos, os fatos, as falas, ou seja, os conteúdos discursivos que o jornalismo socializa. (CHAPARRO, 2007, p. 15-16).

Nesse sentido, o discurso jornalístico de Paulo Sant’Ana, em especial nas crônicas publicadas em ZH, enfatiza e valoriza, dos anos 70 até hoje, as falas dos leitores, conforme exposto no capítulo anterior. O controle da notícia nunca deixou de ser de Sant’Ana, mas a inserção de outras vozes no discurso sempre foi uma constante, o que antecipa, de certa forma, a tendência de valorização das fontes, hoje questão de sobrevivência para o jornalismo tradicional.

Diante dessa nova configuração na produção de conteúdo, com as fontes deixando a passividade, a mídia tende a adaptar suas práticas. O site de ZH (www.zerohora.com), de Porto Alegre, que entrou no ar em 19/09/2007, traz em suas páginas virtuais inúmeros exemplos de que o movimento do discurso agora é circular, conforme exposto anteriormente. A imprensa tradicional pretende que o olhar do leitor seja, de certa forma, o mesmo olhar da mídia, numa tentativa inequívoca de aproximar o público da notícia e dos veículos que a disseminam.

Por meio do link Leitor-Repórter, por exemplo, do site de ZH, pode-se postar textos, fotos, áudios e vídeos de fatos que acontecem no bairro, na cidade ou na região do leitor. O espaço Seu Olhar estimula os internautas a mostrar seus pontos de vista sobre lugares famosos ou a revelar detalhes especiais de lugares nem tão conhecidos assim. Eis o apelo: “Monte suas galerias, navegue pelos álbuns, compartilhe com outros leitores de zerohora.com o Seu Olhar sobre o mundo”. Além destes, há espaços interativos em enquetes, promoções e murais.

Há também os blogs, como o Digital Life, “prá ficar por dentro do que acontece na badalada comunidade on line Second Life”, e o Diários de Brasília, blog da sucursal multimídia de ZH em Brasília. No dia da inauguração do site, eram 13 os blogs no ar, quatro deles assinados por colunistas/estrelas do jornal: David Coimbra, Rosane Oliveira, Wianey Carlet e Paulo Sant’Ana (aspecto visual da primeira página do blog de Sant’Ana na última página do presente capítulo).

Os blogs também se inserem na revolução das fontes ao configurarem importante instrumento de participação e de geração de conteúdos através da internet, principal ferramenta comunicacional do século XXI. Segundo Hewitt (2007, p. 9-10), o primeiro blog surgiu em 1999, e hoje há cerca de quatro milhões. Mais de 70 mil blogs são criados por dia ao redor do planeta e acredita-se que um em cada quatro internautas brasileiros leiam blogs diariamente em busca de informação ou entretenimento.

Blog é a contração da expressão inglesa weblog. Log significa diário. Weblog, portanto, é uma espécie de diário mantido na internet por um ou mais autores regulares (geralmente um). Sobre o surgimento da blogosfera (nome dado a toda a comunidade de blogs na internet), Hewitt (2007, p. 14) afirma: “ [...] milhões de pessoas estão, mais uma vez, mudando seus hábitos no que diz respeito à obtenção de informação. Sim, pois isso aconteceu muitas vezes antes: com o aparecimento da imprensa, depois do telégrafo, do telefone, do rádio, da televisão e da internet”. O próprio autor acrescenta:

A blogosfera está evoluindo a um ritmo inacreditavelmente acelerado, abocanhando bom número de leitores, mais ainda há excelentes oportunidades entre centenas de milhões que precisam olhar além da TV para perceber que há um acesso mais rápido, mais específico, mais emocionalmente satisfatório à informação. A blogosfera tem a ver com confiança. (HEWITT, 2007, p. 21).

Até a presente data, o blog de Paulo Sant’Ana ainda era abastecido, em sua maioria, com conteúdos produzidos pelo comunicador para as outras três mídias (rádio, TV e jornal), postados em forma de gravações em áudio, vídeos ou textos. Pouco conteúdo exclusivo é encontrado no suporte ou espaço que, originalmente, permite uma dinâmica comunicacional intensa e variada.

Há no blog do comunicador uma predominância de colunas de jornal, áudios de comentários feitos na Rádio Gaúcha e vídeos de participações no programa Jornal do Almoço, da RBS TV, e pouco material inédito, produzido unicamente para o diário virtual. Dois jornalistas de ZH eram os responsáveis por postar – provavelmente a partir de idéias de Sant’Ana – o material do blog. Em 27/12/2007, mais de três meses após a criação do espaço na internet, o comunicador escreveu em sua coluna de ZH:

Criaram na edição online de Zero Hora um blog para mim. Nesse blog, eu posso pôr tudo, vídeos, gravações, poesias, colunas minhas etc. Não tenho me dedicado integralmente a meu blog, mas um dia ainda vou fazê-lo, tal é a tentação de aderir definitivamente à modernidade [...].

Até a edição final do presente trabalho, a promessa ainda não havia sido cumprida. O seguinte posicionamento de Sant’Ana, publicado em ZH na crônica A responsabilidade, de 22/07/2007, talvez ajude a explicar por que o comunicador multimídia em questão investe, prioritariamente, em seus espaços tradicionais na mídia de televisão, rádio e jornal, em especial o último:

A Internet é uma grande invenção. Como jornalista acabei beneficiado com seu advento. Mas não existe nada mais confortável do que dar opinião pela Internet. Lança-se ali a idéia, atacam-se as reputações – e ninguém é responsabilizado pelo que escreveu. Além disso, como as opiniões na Internet somam-se aos milhares, os seus autores vêem ficar difusas suas identidades, é quase uma ocultação no anonimato. Enquanto aqui no jornal, na imprensa, esteja errado ou certo quem opina, é, no entanto, pessoa de endereço conhecido, de prestígio ou sem prestígio, mas responsável pelo que diz ou assina. Responsável ou responsabilizável. Essa é a diferença entre a imprensa e a Internet. [...] E, diante das especulações de que a imprensa gráfica (jornais) deixará de existir por causa da Internet, concluo que não se acabará nunca a imprensa gráfica (os jornais), em face da responsabilidade dos jornais e de quem escreve neles. O leitor sempre dará maior valor à responsabilidade [...].

Uma leitura semiótica do discurso reproduzido acima nos indica que o texto foi construído a partir da oposição semântica responsabilidade versus irresponsabilidade, e conclui-se que Sant’Ana, ao optar concretamente em investir mais na comunicação impressa, passa a imagem de que quer, pode e deve ser responsabilizado pelas opiniões que emite. Essa postura combina com um jeito de construir-se baseado na autenticidade e na coragem, características associadas à imagem ideal do gaúcho, como analisaremos com mais profundidade no capítulo seguinte.

3 – Um simulacro

3.1. Gaúcho macho

No Rio Grande do Sul, a construção da identidade social é calcada em elementos emblemáticos e distintivos: a figura do gaúcho, homem livre e errante que vagueia soberano sobre seu cavalo em vastas planícies da região da Campanha – localizada no sudoeste do RS, em fronteira com a Argentina e o Uruguai –, e o passado rural do Estado.

Apesar da decadência da Campanha e do crescimento de outras partes do Estado, como a região serrana de colonização alemã e italiana, a representação da imagem do gaúcho campeiro, envolvendo o cavalo, o chimarrão e a construção de um tipo social livre e bravo, serviu também de modelo para os outros grupos étnicos presentes no RS. É uma representação que une os habitantes do Estado independentemente de sua origem.

O que ocorre no Rio Grande do Sul parece estar indicando que atualmente para os gaúchos só se chega ao nacional através do regional, ou seja, para eles só é possível ser brasileiro sendo gaúcho antes. A identidade gaúcha é atualmente reposta não mais nos termos da tradição farroupilha, mas enquanto expressão de uma distinção cultural. (OLIVEN, 2006, p. 193).

O romancista Erico Verissimo (apud Oliven, 2006, p. 63), respondendo a uma escritora nordestina que considerava os gaúchos acastelhanados e pertencendo mais à órbita platina do que à brasileira, remete à construção de um imaginário gaúcho e às representações de força que dele se originam:

Somos uma fronteira. No século XVIII, quando soldados de Portugal e Espanha disputavam a posse definitiva deste então “imenso deserto”, tivemos de fazer a nossa opção: ficar com os portugueses ou com os castelhanos. Pagamos um pesado tributo de sofrimento e sangue para continuar deste lado da fronteira meridional do Brasil. Como pode você acusar-nos de espanholismo? Fomos desde os tempos coloniais até o fim do século um território cronicamente conflagrado. Em setenta e sete anos tivemos doze conflitos armados, contadas as revoluções. Vivíamos permanentemente em pé de guerra. Nossas mulheres raramente despiam o luto. Pense nas duras atividades da vida campeira – alçar, domar e marcar potros, conduzir tropas, sair para faina diária quebrando a geada das madrugadas de inverno e você vai compreender porque a virilidade passou a ser a qualidade mais exigida e apreciada do gaúcho. Esse tipo de vida é responsável pelas tendências algo impetuosas que ficaram no inconsciente coletivo deste povo, e explica a nossa rudeza, a nossa às vezes desconcertante

franqueza, o nosso hábito de falar alto, como quem grita ordens, dando não raro aos outros a impressão de que vivemos num permanente estado de cavalaria. A verdade, porém, é que nenhum dos heróis autênticos do Rio Grande que conheci, jamais “proseou”, jamais se gabou de qualquer ato de bravura seu. Os meus coestaduanos que, depois da vitória da Revolução de 1930, se tocaram para o Rio, fantasiados, e amarraram seus cavalos no obelisco da Avenida Rio Branco – esses não eram gaúchos legítimos, mas paródias de opereta.

Da citação de Verissimo depreendem-se elementos recorrentes no discurso gaúcho, como o caráter fronteiriço do Estado, a escolha por pertencer ao Brasil, as insurreições contra os desmandos do governo central, a difícil vida campeira, a bravura do gaúcho e a autenticidade dos costumes e comportamentos. Características que, para Oliven (2006, p. 65), contribuem para a construção de uma série de representações em torno do Rio Grande do Sul, que adquirem força quase mítica e se projetam em práticas atuais. Para Harvey (2006, p. 273), representações que podem virar imagem e objeto de consumo:

A ironia é que a tradição é agora preservada com freqüência ao ser mercadificada e comercializada com tal. A busca de raízes termina, na pior das hipóteses, sendo produzida e vendida como imagem, como um simulacro ou pastiche. [...] O problema, com efeito, é que nenhuma das coisas está imune à distorção ou à falsificação pura e simples para propósitos presentes. [...] Por meio de um passado parcialmente ilusório, torna-se possível dar alguma significação à identidade local, talvez com algum lucro.

Baudrillard (1991, p. 60) reforça, de certa forma, essa crítica ao dizer que a agonia de referenciais fortes, do racional e do real, criou uma sensação de vazio para onde refluem os “fantasmas de uma história passada, a panóplia dos acontecimentos, das ideologias, das modas retrô”. Num tempo em que a história parece ter-se retirado, as pessoas têm necessidade de ressuscitar o tempo em que pelo menos havia uma questão de vida ou de morte:

Tudo serve para escapar a este vazio, a esta leucemia da história e do político, a esta hemorragia de valores – é de acordo com esta penúria que todos os conteúdos são evocáveis na confusão, que toda a história anterior vem ressuscitar a granel – já nenhuma idéia-força seleciona, apenas a nostalgia acumula sem fim. (BAUDRILLARD, 1991, p. 60).

Padrões de consumo e hábitos enraizados no cotidiano colaboram para consolidar e fortalecer as identidades regionais, preenchendo, em tese, esse “vazio”. No Rio Grande do Sul, o jornalista Paulo Sant’Ana, claramente identificado como um produto regional, dá sua

contribuição ao produzir discursos midiáticos que articulam valores associados ao gauchismo, como coragem, audácia e sensibilidade.

Essa imagem é sedimentada na medida em que o comunicador constrói a própria identidade com base em um discurso daquele que diz, sem medo, o que tem a dizer, com voz própria e autenticidade, conforme já abordado e exemplificado nos capítulos anteriores. Outra faceta desse processo, também já analisada, é que o modo de ser do comunicador transmite a idéia de mostrar-se por inteiro, sem censuras, em conformidade com um caráter íntegro e corajoso de ser.

O fato de Sant’Ana revelar sua intimidade e de mostrar-se frágil e humano, outra de suas recorrências discursivas, colabora para associá-lo ao simulacro do gaúcho macho e guerreiro. O discurso do comunicador constrói a imagem de um homem verdadeiramente macho, expressão que no Rio Grande do Sul extrapola o significado formal de um ser do sexo masculino. No Estado mais ao sul do país, a representação do macho está ligada a coragem e a audácia, valores que Sant’Ana transmite ao promover um desnudamento de si próprio, e também ao abordar, sem temores, assuntos polêmicos, delicados e íntimos.

3.2. Porta-voz do público

A construção de uma imagem ligada à bravura e à luta é reforçada pela relação que Sant’Ana estabelece com o público e com a classe política. Em diversas ocasiões, os arranjos discursivos propostos pelo comunicador são pautados pela indignação do cidadão com o político, figura que, na coletividade, se encontra desacreditada. Ao assumir-se como representante da indignação popular contra a inoperância de órgãos públicos e contra a classe política, Sant’Ana aproxima-se e constrói-se cúmplice do destinador. A seguir, trecho de coluna publicada em ZH que produz esse efeito:

Tudo soa uma farsa. Os políticos de todos os partidos se atiraram com ânimo famélico sobre os cargos e sobre as verbas, não há mais cor partidária em jogo, todos são leitões da mesma porca e mamam nas fileiras de tetas fartas do poder. [...] Virou tudo um bolo só. Como é feio, segundo a imprensa, votar em branco, essa nossa democracia acabou por virar na pior ditadura: nas eleições, inacreditavelmente, não há vencidos nem vencedores, todos são vencedores, mas elas terminam eles correm para partilhar o butim. (PAULO SANT’ANA, 26/03/2007, p. 51).

Na crônica Uma TV sem nexo, publicada em ZH em 31/03/2007, Sant’Ana faz nova crítica, desta vez endereçada a todos os políticos gaúchos da base de apoio do governo Lula:

É assim que está o quadro da saúde por aqui, na mais completa indiferença dos políticos que fazem parte da frente de governo montada por uma coalizão que abrange mais de uma dezena de partidos. Nenhum dos políticos gaúchos integrantes dessa base de apoio diz sequer uma palavra sobre este caos do SUS nem exige do presidente Lula uma medida para solucionar este impasse que ceifa vidas sobre vidas no Estado. Silêncio.

A partir da metáfora de uma orquesta ateniense, Landowski (1992, p. 25-26) faz uma análise que serve de referência ao estudo em questão. Para o autor, a vida política, hoje transformada em “espetáculo”, conduz à instituição, entre governantes e governados, de duas figuras distintas: a opinião/coro, de um lado, e seus porta-vozes/corifeu, de outro. Aplicando o esquema proposto por Landowski, Sant’Ana pode ser considerado o porta-voz que, situado no espaço imaginário da orquestra grega, desempenha uma dupla função de retransmissor, ora voltando-se para a cena, a fim de interpelar a classe política (em nome do público que representa), ora voltando-se para as arquibancadas, a fim de se dirigir, se necessário, ao próprio público.

Sobre a atuação dos “porta-vozes da opinião”, em geral representados por jornalistas, Landowski (1992, p. 26) afirma:

Os discursos de interpretação emitidos pelos porta-vozes são destinados [...] a fazer conhecer aos governantes as reações do povo [...] e, em troca, a fazer compreender ao público a significação e os motivos das condutas adotadas na cena política.

Além das críticas diretas que dirige à classe política, Sant’Ana com freqüência inscreve o próprio destinador, o público, em seus textos de ZH como forma de legitimar e reforçar um discurso orientado pela insatisfação diante de problemáticas sociais. A prática de delegar a fala dá mais veracidade ao discurso, conforme já abordado no primeiro capítulo desse trabalho. Um exemplo está no trecho da coluna assinada por Sant’Ana em ZH de 15/03/2007:

Só para os parlamentares federais gaúchos e a opinião pública tenham ciência do drama vivido pelos doentes, publico hoje um retrato dessa tragédia: “Caro Sant’Ana: Recorro ao amigo das ´causas perdidas` para pedir clemência em sua coluna ao que ocorre desde o dia 9 de março pela manhã. Minha tia, Leocádia Oliveira, 89 anos, quebrou o fêmur na outra perna. [...] Alega a Santa Casa que não tem leito. Mas como fica isso, Sant’Ana? Minha tia irá morrer, dito isso pela médica do HPS, se não for transferida com urgência para PUC ou Santa Casa [...]. Eternamente grata, Maria da Graça Souza.

Outra faceta dessa mesma problemática é que Sant’Ana reforça em seus discursos a idéia de estar sintonizado na escuta do sentimento público, de ser um porta-voz solidário, atento e sensível, como no trecho da crônica Prender onde?, publicada em 28/02/2007: (...) Tanto já escrevi sobre isso, mas tanto mais precisa ser escrito: é impossível fazer justiça penal sem presídios, com falta de agentes penitenciários e sem recursos mínimos para manter os presos dentro das cadeias (...).

Outro exemplo está na crônica Defeito de fabricação, de 30/03/2007, na qual o comunicador assume-se como representante do público ao falar em nome da “cidadania” e da “sociedade”:

Mas o fato causa apreensão entre a cidadania: três viaturas em serviço na Capital estavam se dedicando ao suborno, quando tinham de estar protegendo a população. Estavam no entanto estimulando o crime.[...] Pergunta da sociedade e do comando da Brigada Militar: e quando não há repórter em atividade jornalística investigativa, o fato se repete nas milhares de ocasiões respectivas?