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SAHİPLERİ 2.1 Yatırımcı İlişkileri Bölümü

Belgede FAALİYET RAPORU İyi Gelecek (sayfa 114-119)

A IG é incentivada pelos agentes públicos como instrumento potencial ao serviço da promoção da agricultura familiar, da proteção da biodiversidade e da sustentabilidade da agricultura e de seus territórios. Neste sentido se constitui hoje na política pública de agricultura como uma ferramenta de agregação de valor a produtos agropecuários, fomentada pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Alertamos neste trabalho, para o fato de que a reestruturação e legitimação de dispositivos de mercado, tais como selos oficiais de qualidade, marcas “eco” ligadas a novos objetivos ambientais ou de desenvolvimento territorial sustentável, e outras formas de comercialização, voltadas primeiramente à diversificação da oferta, atendem diretamente a demandas advindas da globalização dos sistemas agroalimentares.

Dessa maneira, o desenvolvimento desses dispositivos voltados para a garantia da qualidade específica de um produto, entre eles a IG, não representam um mercado alternativo a esta globalização, voltado para a promoção da sustentabilidade da agricultura familiar, mas, pelo contrário, faz parte deste mesmo movimento de globalização agroalimentar, sendo estes alimentos produzidos/modificados por necessidades (demandas) internacionais impostas através de acordos e tratados32.

Sendo assim, a abordagem das IGs pode ser orientada em duas vertentes: para a preservação das tradições e do patrimônio, valorizando os territórios e resignificando a agricultura familiar, aproveitando as brechas do sistema, que podem ser vistas como oportunidades para o pequeno produtor no contexto da globalização; e por outro lado, utilizado somente como instrumento de competitividade no mercado, como marketing

territorial, reestruturando os espaços rurais e a dinâmica da agricultura familiar segundo a lógica capitalista, e provocando a exclusão dos agricultores tradicionais.

Através da analise do caso do arroz vermelho produzido no Vale do Piancó na Paraíba, que esteve em processo de obtenção de IG, apoiado tecnicamente pelo Projeto Arroz Vermelho Faepa/Senar) de 2008 a 2011, buscamos demonstrar as implicações do processo de registro de IG na agricultura familiar do nordeste.

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Aqui não estamos desqualificando produtos com qualidades específicas e tradicionais, estes existem historicamente com ou sem registro; mas voltamos nossa crítica para a necessidade de criação de formas de registro, que são utilizadas como certificação (conferem um selo ao produto), direcionadas para a inserção no mercado exportador.

A dinâmica da agricultura familiar funciona de forma particular, de acordo com Van der Ploeg apud Sabourin (2008) é uma relação intima com recursos naturais vivos, mas limitados (capital ecológico); onde ocorre a valorização da ajuda mútua e da coletividade; no distanciamento institucionalizado das regras do mercado capitalista associado à capacidade de autonomia, atrelado a uma relação simbólica e identitária com a terra.

Essa dinâmica pode ser modificada, durante o processo de registro e certificação de alimentos de qualidade especial (IG), isso porque nesse processo é necessário atender a certos requisitos pré-definidos primeiramente voltados para a lógica mercantil. Mas por outro lado se esse instrumento refletir os interesses da coletividade dos agricultores e for protagonizada por estes, pode ser utilizada como vetor de desenvolvimento local.

Pois o desenvolvimento de projetos, de alternativas socioeconômicas, representa um elemento substancial para a melhoria das condições de vida das populações tradicionais rurais (indígenas, quilombolas, extrativistas, agricultores) e para conservação e reprodução de seus territórios, sua cultura e seus saberes.

No entanto, esses projetos devem considerar a cultura existente e a dinâmica endógena do grupo, de forma a fomentar o protagonismo e autonomia dos sujeitos envolvidos, para que estes se tornem atores do território, sem isso a sustentabilidade desses projetos é comprometida.

No caso da produção de arroz vermelho no Vale do Piancó, a grande maioria dos agricultores presentes no território se caracterizam como agricultores familiares de base camponesa, o arroz vermelho possui longa história na região e é base da cultura alimentar local. Estes agricultores garantem sua Segurança e Soberania alimentar utilizando sementes crioulas tradicionais e métodos artesanais para o cultivo.

O Projeto Arroz Vermelho Faepa/Senar, atuou no território durante 4 anos e não interviu nas necessidades básicas imediatas que dificultam a produção, pouco envolveu os agricultores no processo de IG, e tão pouco considerou a realidade destes, na prática impulsionou um modelo de desenvolvimento empresarial no campo, fundado na artificialização do cultivo, incorporando insumos externos, engenharia genética, mecanização do cultivo, irrigação artificial, entre outros, que geram dependência tecnológica e financeira. Sendo, portanto, no processo de IG um modelo de desenvolvimento incentivado.

Assim atualmente no território do Vale do Piancó ocorre um embate de forças entre um setor interessado na modernização da agricultura através da IG e outro setor

que defende os interesses dos agricultores familiares, e sendo estes divergentes, impossibilitam a organização dos agricultores em uma entidade que represente todo o Vale do Piancó.

Essa tensão permanece até o momento, mas enquanto os agricultores ligados à Associação dos Pequenos Produtores de Arroz Vermelho de Santana dos Garrotes continuam sem informação sobre o processo de IG, e sem saberem, nem terem como, seguirem em frente com ele; outro grupo se organiza paralelamente para a finalização do processo, pois detém os estudos realizados e apoio da Faepa, assim dispondo de corpo técnico para assessoria na organização do pedido de IG. Assim está montado o cenário que pode levar a exclusão dos produtores tradicionais do arroz vermelho, e que por sua vez, estabelecerá um conflito sem proporções.

Sendo assim, a IG do Arroz Vermelho do Vale do Piancó, levada a cabo por este grupo dominante, reflete tendências de atender à crescente demanda dos grandes centros urbanos por alimentos, divulgando um modelo de “modernização” baseado num conjunto que tornava os sistemas agrícolas dependentes de tecnologias e insumos gerados pelo setor industrial.

A perspectiva de convivência com o semiárido tem demonstrado que a sustentabilidade do desenvolvimento exige que as proposições e práticas sejam contextualizadas, considerando as especificidades da realidade local e suas várias dimensões. Pois o grande problema do semiárido é muito mais de ordem sociopolítica do que climática, tratando-se claramente de uma opção em favor de um modelo de desenvolvimento que privilegia os interesses do agronegócio, em prejuízo da sustentabilidade ambiental e da inclusão social. Esses interesses se mantêm predominantes até hoje (DUQUE, 2008).

Ao longo da história local, os agricultores e agricultoras do Vale do Piancó desenvolveram estratégias de sobrevivência baseadas no uso sustentável das diversas espécies vegetais e animais: produção, criação, seleção, armazenamento, etc. São essas experiências e estratégias que melhor respondem aos desafios da convivência com o semiárido: estratégias de estocagem (de sementes, de água, de ração) e de diversificação das atividades (policultura, criação, colheita).

De acordo do Ploeg (2008) a agricultura é vista como um processo de conversão de insumos em produtos, mas esses insumos podem ser mobilizados de duas formas: no mercado, alternativa estrita da agricultura empresarial, ou na própria unidade produtiva e, para além dela, na comunidade mais ampla. Como o mercado é controlado pelos

grandes capitais, e isso supõe um ônus à agricultura, dado o aumento dos custos para produzir, mas são os camponeses que podem escapar de seus tentáculos.

O modo de fazer agricultura dos produtores de arroz vermelho de Santana dos Garrotes implica um equilíbrio entre os interesses individuais e comunitários, sendo que a cooperação aparece como um pilar fundamental, assim, o que tradicionalmente comprado, como as sementes, são obtidas na rede de trocas entre camponeses, e mecanismos de estocagem, que garantem a autonomia e continuidade da atividade. No entanto o modelo de desenvolvimento incentivado no processo de IG realizado, está pautado na incorporação de insumos externos à produção, gerando dependência.

De tal modo, concluímos que o destino da IG determina também o futuro da produção de arroz vermelho no Vale do Piancó, configurando-se uma grande ameaça para os agricultores familiares locais, dependendo de como ela for efetivada. Em nossa avaliação, a IG deverá estar fundada na perspectiva de convivência com o semiárido, buscando tecnologias sociais de convivência para o cultivo do arroz, tendo os agricultores familiares como protagonistas do processo, de forma a garantir a o uso dessa ferramenta de forma sustentável, assegurando a autonomia dos agricultores e o desenvolvimento do território.

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