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SABİT PLANLI KLASİK KARE SUNAKLAR

Belgede Örneklerle Sunak tipolojisi (sayfa 84-89)

A indústria do turismo transforma tudo o que toca em artificial, cria um mundo fictício e mistificado de lazer, ilusório, onde o espaço se transforma em cenário para o "espetáculo" para uma multidão amorfa mediante a criação de uma série de atividades que conduzem a passividade, produzindo apenas a ilusão da evasão, e, desse modo, o real é metamorfoseado, transfigurado, para seduzir e fascinar. Aqui o sujeito se entrega às manipulações desfrutando a própria alienação e a dos outros. (Carlos, 1999, p.25)

Será o turismo apenas uma fábrica de sonhos para turistas e nada mais?

Desde o princípio deste trabalho, aquilo que mais me preocupei em encontrar foram os efeitos sociais e individuais do turismo na vida das mulheres que iria entrevistar em Colônia do Sacramento e Parati. Esta busca incansável pelos efeitos do turismo é fruto de minha concepção do turismo como algo capaz de produzir tanto alterações quanto continuidades nos espaços sócio-culturais, econômicos e físicos em que este fenômeno se insere e não apenas naqueles de onde é emitido. Em primeiro lugar, acredito, assim como Fúster (1971, p. 32) que:

Turismo es, por un lado, conjunto de turistas (...); por el otro, son los fenómenos y relaciones que esta masa produce a consecuencia de sus viajes. Turismo es todo el equipo receptor de hoteles, agencias de viajes, transportes, espectáculos, guías-intérpretes, etc., que el núcleo debe de habilitar, para atender a las corrientes turísticas (...). Turismo es las organizaciones privadas o públicas que surjen para fomentar la infraestructura y la expansión del núcleo, (...). También es Turismo los efectos negativos o positivos que se producen en las poblaciones receptoras (...).

Parto, portanto, do princípio de que o turismo é acima de tudo um fenômeno social, que se estrutura e se opera como prática social e atividade econômica, da mesma forma que a indústria, o comércio, a agricultura, etc (Cruz, 2007). Dessa maneira, sendo o turismo um fenômeno social, acredito ser indiscutível sua interconexão, seja ela sutil ou descarada, com os outros fenômenos sociais que compõem a realidade do mundo ocidental – a saber, com a política, com a economia, com o avanço tecnológico, com a cultura, etc (Boyer, 2003). Daí a necessidade de se considerar sua capacidade de gerar “múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural” (De La Torre, 1984); o quê, aliás, sugere que os efeitos do turismo são apenas mais uma dentre as muitas forças globalizantes indutoras de transformações pessoais ou sociais, no mundo contemporâneo.

Mas afinal, o que a literatura dos efeitos sócio-culturais do turismo tem a ensinar sobre essa potencialidade transformadora ou reprodutora do fenômeno turístico? Em meio às leituras que realizei, alguns estudos de caso e proposições teóricas guiaram-me no processo de compreensão de minhas inquietações sobre a relação entre efeitos sócio- culturais turismo, gênero e transformações individuais tecidas na trama da relação do global com o local.

O crescimento vertiginoso do volume dos fluxos turísticos mundiais que irromperam nos anos 1960 e 1970, nos países tanto desenvolvidos quanto os subdesenvolvidos, desafiaram alguns cientistas sociais que, ao se depararam com a clara “invasão dos povos”, perceberam que o arsenal teórico que tinham à sua disposição, na época, não era capaz de dar conta dos impactos que poderiam estar destruindo ou transformando para sempre populações, grupos étnicos, cidades e países que viviam, antes da chegada da indústria do turismo e do turista, em completo isolamento. As preocupações destes cientistas sociais, em sua maioria antropólogos e sociólogos norte-

americanos e europeus, resultaram em um rico acervo de estudos de casos e modelos teóricos que tratavam de mensurar e delinear os efeitos diretos do turismo na vida cotidiana das populações de localidades receptoras de turistas.

Diante desse cenário, os cientistas sociais procuram por conexões existentes entre turismo, crescimento e desenvolvimento econômico (de Kadt, 1979); turismo e processos de aculturação (Smith, 1989 [1977]; Nash, 1989 [1977]; Boisseivain, 1979; Fúster, 1974); turismo e mercantilização ou descaracterização de manifestações sócio- culturais (Jafari, 1974; MacCannell, 1976; Greenwood 1989 [1977]), especialmente entre populações de países do terceiro mundo e grupos indígenas. Não obstante, todas essas conexões analisavam os impactos do turismo por um viés, ora estrutural- funcionalista ora marxista, restringindo, portanto, a análise da capacidade de adaptação e reação das ditas populações receptoras diante do avanço do desenvolvimento turístico em suas comunidades, aldeias e cidadezinhas, e impossibilitando, aliás, a demarcação dos efeitos sócio-culturais do turismo em populações de países desenvolvidos ou em contextos urbanos mais dinâmicos, como grandes cidades ou metrópoles. Enquanto as análises estrutural-funcionalistas condenavam os anfitriões a meros sujeitos frágeis e suscetíveis às transformações induzidas pela presença do “turista civilizado”, as análises marxistas reduziam o fenômeno do turismo e seus efeitos a meras conseqüências do avanço do sistema capitalista nos países subdesenvolvidos na era da Guerra Fria.

Todavia, estas análises estrutural-funcionalistas e marxistas acabaram sendo revistas por novos antropólogos e sociólogos que tentaram reacender as discussões sobre a inegável singularidade do fenômeno turístico - dessa vez já observado em escala mundial - e reformular algumas questões dadas como encerradas pelas análises tradicionais, a partir de meados da década de 1980. O romantismo e “pessimismo sentimental” (Sahlins, 1997) das análises dos antropólogos e sociólogos em busca do

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