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SAATLERİ AYARLAMA ENSTİTÜSÜ

As Diretrizes ao descrever a estrutura do curso de Pedagogia ressaltam que os núcleos de disciplinas devem sempre conjugar teoria e prática, permitindo e estimulando a aplicação prática dos conhecimentos obtidos. Gatti e Nunes, considerando todas as ementas examinadas, independentemente de região do país e categoria administrativa da instituição de ensino,

identificaram a presença do termo escola em apenas 8% dos casos “(...) o que leva a pensar

numa formação de caráter mais abstrato e pouco integrado ao contexto concreto onde o profissional-professor vai atuar...” (GATTI, NUNES, 2009, p.40). Tendo em vista que a análise dos currículos evidenciou a predominância de modelos formativos que não conciliam teoria e prática, as autoras questionam se a formação atualmente disponível nos cursos de Pedagogia prepara o professor de modo eficaz para dominar e implementar todos os procedimentos relativos aos processos de ensino e aprendizagem, sendo capaz de abordar os conteúdos lecionados a partir de uma perspectiva interdisciplinar.

Semelhantemente, Barbosa (2014) interroga se as matrizes curriculares dos cursos de Pedagogia efetivamente possibilitariam práticas de ensino interdisciplinares, ou se apesar de as Diretrizes preconizarem em seu artigo 3º a valorização da interdisciplinaridade na formação dos pedagogos, esse seria um aspecto raramente concretizado na formação destes profissionais durante a graduação. Sobre a função de cada grupo de disciplinas na formação do pedagogo e a inter-relação entre esses grupos, Libâneo afirma faltar a necessária conexão entre as matérias que fornecem (ou deveriam fornecer) os fundamentos teóricos para a atuação do pedagogo e aquelas disciplinas dedicadas essencialmente aos aspectos práticos da atuação deste profissional.

95 Apesar das dificuldades para concretizar a interdisciplinaridade na formação dos pedagogos, a pesquisa de Ribeiro (2010) sinaliza que algumas instituições têm buscado desenvolver estratégias neste sentido. A autora, que examinou como o curso de Pedagogia da Universidade Federal de Uberlândia incorporou em seu projeto curricular a concepção de docência defendida pelas DCNP, destaca entre as principais alterações o estímulo a interdisciplinaridade na formação do pedagogo, representada principalmente por meio do Projeto Integrado de Prática Educativa (PIPE). O PIPE, cuja carga horária é distribuída nos dois primeiros anos do curso, visa a articulação dos conteúdos abordados durante o curso através do estímulo à pesquisa. Ao invés de reservar uma matéria específica para a formação em pesquisa, intencionava-se que todas as disciplinas permitissem aos alunos correlacionar os conteúdos abordados aos métodos e técnicas da pesquisa em educação, e que o PIPE fosse o espaço aglutinador dessa visão interdisciplinar.

Entre os problemas vivenciados para concretizar esse objetivo, foram citados a dificuldade de mobilizar os professores para alterarem suas práticas e passarem a atuar de forma efetivamente cooperativa e interdisciplinar além do fato de que o PIPE pode se distanciar de suas finalidades originais, uma vez que seu conteúdo é determinado pelo professor por ele responsável. De modo geral, apesar das dificuldades para a implementação das alterações propostas, os professores da UFU apontaram algumas alterações bem-sucedidas, a exemplo da melhor integração teoria e prática, que teria sido obtida por meio da realocação do estágio obrigatório anteriormente confinado ao último ano letivo para o início do curso. O que demonstra que a interdisciplinaridade no curso de Pedagogia se relaciona, necessariamente, à melhor articulação entre teoria e prática, e pressupõe rearranjos que efetivamente conectem atividades práticas, estágios e conteúdos teóricos, propiciando de fato o preparo do pedagogo para o exercício da docência ampliada, tal como definida pelas DCN em conexão com a pesquisa e a gestão. Apesar disso, conforme as pesquisas examinadas, não obstante a ênfase que as DCNP conferiram a relação entre teoria e prática na formação do pedagogo, através da criação das Atividades Teórico-Práticas e da destinação de 300H para a realização de estágio curricular obrigatório, preferencialmente na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, há ainda muito o que fazer para superar as fragilidades que persistem em torno desse aspecto central na formação do pedagogo.

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2.10 Considerações

Alguns dos estudos aqui examinados enfocaram de forma global a formação em Pedagogia, enquanto outros analisaram aspectos específicos dessa graduação, tais como a docência e/ ou a gestão. Guardadas as especificidades de cada uma dessas pesquisas, de modo geral, todas convergem para a necessidade de melhor equacionar alguns aspectos nos cursos examinados, em especial, a falta de conexão entre teoria e prática, a pouca profundidade nas abordagens teóricas e a escassa presença, em alguns casos total ausência, dos conteúdos curriculares da Educação Infantil e do Ensino Fundamental nas disciplinas dos cursos examinados. Dessa forma, a análise de Gatti e Nunes (2009) descortina um painel pouco animador no que diz respeito à formação de professores para o Ensino Fundamental nos cursos de Pedagogia. Mesmo após a definição do preparo para a docência como objetivo central desta graduação, os cursos examinados no estudo ainda não conseguem efetivamente propiciar aos alunos o acesso à necessária conexão entre teoria e prática, cerne da Pedagogia e elemento sine qua non da atuação docente.

Ainda que existam diferenças nas condições de oferta dos cursos, com os ofertados por IFES exibindo, em geral, melhor qualidade24 do que os das outras IES, as constatações da pesquisa sinalizam para a necessidade de alterações nos cursos de Pedagogia, tanto nas IES públicas quanto nas privadas. O elevado percentual de cursos que não incluem a Disciplina Didática, bem como a ausência de conteúdos relacionados à Educação Infantil, entre outros problemas detectados pelas autoras evidenciam que os cursos de Pedagogia precisam ainda realizar ajustes importantes para efetivamente ofertar uma formação que atenda aos pressupostos estabelecidos pelas Diretrizes Curriculares em vigor.

Resultados semelhantes aos de Gatti e Nunes (2009) foram encontrados por Libâneo (2010), que analisou as principais caraterísticas dos cursos de Pedagogia das IES de Goiás, apresentando uma análise detalhada dos aspectos considerados positivos e negativos na

24 No ranking de cursos de graduação elaborado pelo jornal A Folha de São Paulo, entre os 17 melhores cursos de

Pedagogia no Brasil apenas 01 é ofertado por IES privada, conforme disponível em http://ruf.folha.uol.com.br/2014/rankingdecursos/pedagogia/ Acesso em 15 de agosto de 2015.

97 formação ofertada naquele estado. O autor afirma que apesar de se referir apenas ao estado de Goiás, e a despeito de não incluir informações que permitiriam aprofundar as análises realizadas, tais como o exame dos programas completos das disciplinas, sua pesquisa permite formular algumas inferências acerca das matrizes curriculares e suas consequências para a formação dos pedagogos. A exemplo, cita ser possível pensar que a maior parte dos cursos de Pedagogia mantêm a mesma estrutura e concepção curricular que remontam as regulamentações anteriores dessa graduação, ou seja, a estrutura atual seria muito similar aos modelos quando da criação do curso em 1939 e quando da publicação dos pareceres em 1962 e 1969, mantendo com poucas alterações as limitações e problemas detectados há muitos anos,

ou seja, “dubiedade em relação à finalidade do curso (formação de professores? de gestores?

de pesquisadores?), separação entre teoria e prática, entre conteúdo e método, etc” (LIBÂNEO, 2010, p.579). Em seu entendimento, as DCNP teriam colaborado para a manutenção deste quadro, uma vez que suas orientações conduziriam a uma matriz curricular hipertrofiada, que se perderia em meio ao excesso de funções e que seria pouco explícita em relação principal objetivo do curso, ou seja, a formação de professores. Para alterar esse quadro, assim como Gatti e Nunes (2009) sugere Libâneo a reformulação da formação inicial e a promoção de políticas públicas que assegurem aos professores melhores condições salariais, de carreira e de trabalho.

Em relação a gestão, as pesquisas divergem sobre qual deve ser o espaço ocupado por essa dimensão nos cursos de Pedagogia após as DCNP, demonstrando que, em certa medida, ainda persistem dissensos em torno da formação dos pedagogos, mesmo com a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais. Assim, enquanto Gonçalves (2011) e Barbosa (2014) apontaram a diminuição do papel e da carga horária da gestão, para Libâneo (2010) e também para Gatti e Nunes (2009), tendo em vista que o principal objetivo do curso é a formação de docentes, a gestão educacional ocuparia espaço excessivo na carga horária da graduação em Pedagogia. Apesar de Gonçalves (2011), como anteriormente mencionado, privilegiar o exame da docência, a autora analisou também como o curso de Pedagogia foco do seu estudo prepara os licenciandos para a gestão, o que pode sinalizar que bem ou mal estes dois aspectos têm sido considerados na formação do pedagogo após as DCNP. É preciso lembrar também que as Diretrizes definem a docência em conexão com a gestão, e dessa forma, cabe necessariamente as instituições de ensino equacionar estas duas dimensões na formação do pedagogo. Tendo em

98 vista que a docência é considerada base da formação, é de se esperar que nas matrizes curriculares esse seja o fio condutor a perpassar todos os conteúdos trabalhados e a articular as diferentes dimensões da Pedagogia. Tendo em vista que isso demanda níveis de aprofundamento e de conexão complexos e difíceis de atingir não surpreende que as IES ainda enfrentem dificuldades para formar, a um só tempo, o professor, o gestor e o pesquisador.

Todavia, a complexidade e dificuldade dessa tarefa não justifica as lacunas identificadas em parte dos cursos de Pedagogia examinados pelas pesquisas aqui mencionadas. Dessa forma, é preocupante que um curso cuja principal função seja preparar professores deixe de incluir na formação dos futuros docentes os conteúdos curriculares da Educação Infantil e dos anos iniciais do Ensino Fundamental, saberes essenciais para o exercício dessa atividade. Como se sabe, comparativamente aos alunos de outros países, os estudantes da Educação Básica no Brasil exibem fraco desempenho em exames de proficiência que mensuram o domínio de habilidades e conhecimentos rudimentares em disciplinas como matemática e língua materna. Apesar de fatores não relacionados a atuação docente, tais como a precariedade das condições de trabalho e o peso da origem socioeconômica dos alunos sobre seu desempenho escolar explicarem, em alguma medida, as dificuldades dos estudantes, as falhas na formação dos professores da Educação Básica também se refletem nessa situação. Assim, caso não se reverta o ciclo constituído por alunos do Ensino Fundamental com dificuldades em conhecimentos básicos, professores com pouco domínio dos conteúdos que deveriam ensinar, cursos de formação de professores que não incluem esses conteúdos, é muito difícil que sejam superados os problemas enfrentados pela educação brasileira. Ao identificarem as lacunas e também os pontos positivos nos cursos de Pedagogia, as pesquisas sinalizam que para melhorar as condições de oferta dessa formação é necessário investigar os diversos aspectos nela envolvidos. O próximo capítulo apresenta estudos e pesquisas que se dedicaram ao exame da formação e da atuação dos pedagogos, a partir de elementos tais como remuneração, prestígio social, entre outros.

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CAPÍTULO TRÊS: FORMAÇÃO E ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO PEDAGOGO

Neste capítulo são apresentados os principais resultados e conclusões de pesquisas que examinaram ao longo das últimas décadas diversos aspectos relativos à formação e principalmente a atuação de profissionais graduados em Pedagogia. A princípio são apresentados os principais resultados de estudos que examinaram a carreira de Pedagogia tendo em vista aspectos como remuneração e status social (NÉRI, 2005; PAUL e FREIRE, 1997; CASTRO e PAUL, 1992). Tendo em vista que a reflexão sobre a inserção profissional de egressos de cursos como a Pedagogia, cujo principal objetivo é a formação de professores não pode desconsiderar a análise acerca das condições de trabalho e de valorização dessa carreira, são também examinadas neste capítulo pesquisas que relacionaram esses aspectos à atratividade da docência, investigando os fatores que justificam a opção de estudantes pelo ingresso em cursos de formação de professores (NOGUEIRA, FLONTINO, 2014; ARANHA,SOUZA, 2013; LEME, 2012) e/ou de egressos destes cursos que decidem exercer e permanecer na profissão (GATTI, BARRETO, 2009; GATTI, NUNES; 2009). São ainda comentadas

pesquisas que focalizaram licenciandos e licenciados, delineando perfil socioeconômico e analisando a avaliação que os graduados fazem sobre a formação recebida na graduação em Pedagogia e em outras licenciaturas (GATTI E BARBOSA, 2009). Essas pesquisas examinaram

o perfil socioeconômico dos discentes e graduados, entre outras questões relacionadas às características do curso.

Benzer Belgeler