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Saç Temizliği

Belgede Çocuklarda Öz bakım (sayfa 15-0)

1.1. Önemi ve Temizlik Araç Gereçleri

1.1.5. Saç Temizliği

Uma nova fase se inicia para Apurinã; agora ela não era apenas uma abrigada da casa, mas simplesmente a primeira menina abrigada a passar na Ufam, por isso a CMM premiou-a com uma viagem para a Itália, onde teve a oportunidade de conhecer vários lugares; foi também para a Áustria. Durante a viagem, a jovem recebeu um convite para ficar na Itália, mas não quis porque não queria abandonar as irmãs que estavam no Brasil.

A jovem volta para Manaus e inicia a sua vida de universitária, mas agora ela já estava com quase 19 anos (faltava apenas dois meses para seu aniversário) e precisava sair da CMM. Então, ela foi morar de aluguel com uma amiga, mas não seria fácil viver sem a proteção da CMM; era um pássaro inexperiente, que saíra do ninho para buscar outros voos e outras relações num horizonte cheio de complexidade. E ela fala sobre a nova experiência:

Então, a minha saída da CMM, não foi fácil em nenhum aspecto, nem emocional, nem financeiro, nem educacional, enfim, quero dizer que foi “barra” de todas as formas. Para começar, eu sempre deixei parecer para as pessoas muito independência, mas, no fundo, no fundo, sempre foi autodefesa. A verdade é que desde quando me dei conta de que não tinha possibilidades de sair da CMM e ir morar com minha mãe, ou com qualquer outra tia, fiquei muito mal, me senti um lixo. As crises começaram a vir, mas, ao mesmo tempo, eu precisava provar para mim que eu podia ser feliz, sem ter que estar com aquelas pessoas que não entendiam e não respeitavam minhas opiniões, minha visão de mundo, meus gostos, meus defeitos, minhas qualidades. A verdade é que eu sou muito diferente de todos e todas da família, e a CMM contribuiu para isso.

Eu saí da CMM com algumas coisas materiais encaminhadas, pois tive um ano para juntar dinheiro, junto com uma amiga que também era abrigada e vivia a mesma situação que eu. Então, nós já tínhamos certo que iríamos morar juntas, assim que o juiz nos desabrigasse. Assim, quando saí da CMM, fomos morar num ap/quitinete, até legalzinho. Lá pagávamos aluguel, energia e uma taxa de água. A vida fora do abrigo é muito difícil, até hoje, porque imagina que você passa a tua infância e adolescência toda sendo sustentada por alguém, bem ou mal, mas por um adulto e, de repente, você se vê sozinha, responsável pelo teu próprio sustento, pela tua sobrevivência! Foi muito difícil conciliar trabalho, estudo, e despesas, que nem tinha noção de quanto pesavam na vida da gente. Mas fui vivendo. A vida a dois com a amiga não durou muito tempo, pois os conflitos começaram a chegar logo; eu comecei a me sentir a empregada dela, porque ela ganhava mais do que eu, apesar de ainda estar cursando o ensino médio, mas trabalhava em dois horários, logo, ganhava pelos dois. E eu acabava contribuindo bem

menos, na compra da alimentação, visto que as despesas com energia, água e aluguel eram divididas em partes iguais. E todo serviço doméstico acabava sobrando para mim, sobretudo nos fins de semana. Então, não deu certo, a relação começou a ficar insustentável, e eu resolvi procurar um lugar para morar sozinha, mesmo porque tinha o desejo de que minhas irmãs passassem o fim de semana comigo, e lá não era possível, devido o espaço ser pequeno para muitas pessoas. (Pesquisa de campo, 2012).

E talvez por ironia do destino, Apurinã sai da CMM no mesmo período em que suas irmãs Potyra e Jassy iniciam a vida de abrigadas, pois elas são retiradas do convívio com a mãe por causa de abuso sexual sofrido por Potyra.

Potyra revelou à minha tia, que o marido da minha mãe, meu padrasto, a aliciava há mais de um ano. Isso gerou um caos, pois eu fiquei revoltadíssima, sobretudo porque minha mãe não acreditava na minha irmã e porque eu sempre desconfiei dele, e sempre disse à minha mãe, mas ela nunca me dava ouvidos e sempre o defendia, me acusando de estar com ciúmes dela. A partir disso, sob muita pressão que fiz, minha mãe resolveu deixá-lo, e sair de casa. Assim, minhas irmãs chegaram ao abrigo, pois corriam risco de vida. Apesar da denúncia de violência sexual não ter ocorrido de fato, pois, como o marido da minha mãe sabia que ela cumpria condicional, e que estava com nome falso, tinha medo de que ele contasse à polícia o fato, então, minha mãe seria presa novamente, agora por uma preventiva que tinha em seu nome verdadeiro e por falsidade ideológica. E eu, na época, a entendi, mesmo preferindo que ela denunciasse, e mesmo que corresse o risco de voltar à prisão. O que importava para mim naquele momento era saber que o que minha irmã sofreu não iria ficar impune, o que não aconteceu. Então, as duas, Potyra e Jassy, foram morar no abrigo, no período em que eu estava de saída, que contradição, a vida! (Pesquisa de campo,

2012).

Apurinã já trabalhava como auxiliar administrativo na própria CMM (com CTPS assinada), no turno matutino, e no turno vespertino cursava Ciências Sociais na Ufam e Serviço Social, no Centro Universitário do Norte (Uninorte) (universidade privada), no turno noturno. Porém, conciliar trabalho e estudo não foi fácil e ela não aguentou um ano nesse pique, então desistiu da Ufam, e passou a estudar à tarde no Uninorte.

Contundo, antes de sair da federal, no dia 26 de março de 2008, dia do seu aniversário de 19 anos, ela conheceu um professor (E), que faria parte da vida dela futuramente.

Eu pedia nas minhas orações, que o homem da minha vida, eu queria encontrar na universidade, então eu conheci o (E) na Ufam no dia do meu aniversario de 19 anos. sempre tive aquela coisa de menina, príncipe encantado, etc., fiquei toda mexida, trocamos telefones e nos encontramos depois. (Pesquisa de campo, 2012).

Nesse mesmo período, a vida começa a exigir mais ainda, de Apurinã, e ela vai percebendo a cada dia que não era fácil ser adulta e responsável por diversas situações, pois, quando se tem com quem dividir as questões cotidianas, as coisas parecem mais simples, ou apenas podemos sentir segurança, e assim, em cada dia de gente grande, a moça sentia as novas agruras da vida, e o peso da responsabilidade com ela e com as irmãs.

Em meados de 2008, fui morar sozinha e, nesse mesmo período, minha irmã foi internada com urgência por suspeita de tuberculose, e então começou o pior momento da minha vida. Foi uma mistura de tudo, fragilidade emocional, crise com minha melhor amiga, relação com as irmãs da CMM fragilizada, carência de recursos financeiros para a vida agora sozinha, minha outra irmã que estava no abrigo em depressão, nossa! foi um turbilhão de dificuldades. E naquele momento a única pessoa que estava comigo, dando apoio, segurança, conforto era o (E). Minha irmã Potyra, na época com 16 anos, ficou internada até o fim de maio, e quando saiu do hospital precisava de cuidados especiais, pois estava realmente com tuberculose, logo, não podia voltar ao ambiente do abrigo, visto que lá não tinha possibilidades de ter um acompanhamento exclusivo, e as condições de ventilação e higiene nos quartos das meninas não eram o ideal para a sua recuperação e tratamento. Assim, eu solicitei das irmãs que ela fosse morar comigo, diante dos cuidados que ela precisava. Você deve estar se perguntando e a mãe de vocês nessa história? (Pesquisa de campo, 2012).

Apurinã continuou fazendo Serviço Social no Uninorte, e já tinha certa proximidade com a mãe, mas ainda morava de aluguel. Começou a namorar o professor, e se encantava a cada dia com ele. Apurinã via nessa relação muitas possibilidades, e sonhava em construir com ele uma família.

Ele é um homem inteligente que ela sempre sonhou, logo descobre que ele seria o homem da sua vida. Esse novo namorado renovava suas esperanças de mulher e suas necessidades de carinho atenção e amor.

Com 16 anos eu já queria ser mãe, eu achava lindo, queria dar carinho, mesmo não tendo recebido carinho, viver o processo de gravidez, então, eu achava lindo. Então com dois anos de relacionamento com o (E), eu resolvi ser mãe e o (E) tinha que ser o

pai do meu filho, na verdade, a imaturidade me fez apressar esse processo, eu ainda não me sinto adulta, então, ser mãe para mim era como eu criei as minhas irmãs, só eu sei o que passei para concluir a faculdade de resguardo. (Pesquisa de campo, 2012).

Depois de um tempo com o professor, e muito apaixonada, Apurinã resolve ser mãe e acredita que o (E) é o homem de sua vida, e o homem ideal para ser o pai de seu filho. E, no último ano da faculdade, ela engravida, junto com a gravidez também surgem várias decepções com o namorado.

Contudo, a vida lhe apresenta outro desafio, pois sua irmã do meio, Potyra, recebeu o diagnóstico de doença muito grave e sem cura, Poliangeite

microscopica29 e, por causa da doença, a moça passa a receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC). E Apurinã lamenta a falta de apoio da mãe, e a falta de uma família. Afirma, com muita tristeza:

A minha mãe é a grande decepção da minha vida, eu já fui apaixonada pela minha mãe, mas agora não, eu entendo que ela também é vitima, mas não quero contato com ela, ela não se comporta como mãe, não cuida das filhas. Não tem uma presença, não tem apoio, eu tentei fortalecer esse vínculo mas não deu certo e eu abri mão da minha mãe. Sabe qual é a minha dificuldade de trabalhar com todos os problemas que eu tenho? É que eu não tenho com quem contar. Mesmo assim eu tenho o sonho de conhecer meu pai, eu queria ter o nome do meu pai, a minha mãe não sabe o nome do meu pai. Eu não tenho noticia dele, eu queria muito dar um avó para o meu filho, porque eu não tive. (Pesquisa de campo, 2012).

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Benzer Belgeler