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Giyinme Soyunma Teknikleri

Belgede Çocuklarda Öz bakım (sayfa 25-33)

2.1. Önemi

2.1.2. Giyinme Soyunma Teknikleri

Hoje, Apurinã está com 23 anos, é graduada em Serviço Social, mora com o filho de um ano de idade, ainda trabalha como auxiliar administrativo na CMM e aufere R$ 700,00 por mês. Não tem casa própria, mora de aluguel e paga R$ 500,00 por mês. Ela também conta com a ajuda do pai da criança.

29 É uma forma de vasculite sistêmica de pequenos vasos, associada aos anticorpos anticitoplasma

de neutrófilos, que preferencialmente acomete vênulas, capilares e arteríolas, e que pode, entretanto, envolver artérias e veias. Está entre as vasculites sistêmicas primárias de pequenos vasos mais frequentes, e pode ter apresentação clínica indistinguível da granulomatose de Wegener e da síndrome de Churg-Strauss. Estas vasculites de pequenos vasos são histologicamente semelhantes e podem ser diferenciadas pela presença de granulomas na granulomatose de Wegener, ou de quadro clínico-funcional de asma na síndrome de Churg Strauss. (Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo>. Acesso em: 20 abr. 2012).

Ela tem dificuldade de trabalhar com um filho pequeno; como é muito bem quista na CMM, atualmente leva o filho para o trabalho. Diante dessa realidade de pura sobrevivência, ela destaca que ainda passa por necessidades econômicas, principalmente.

Como, infelizmente, qualificação profissional não é garantia de um emprego que possa mudar a situação de pobreza, é como assistente social que ela abre, com muita tristeza e emoção, o seu coração ferido:

Eu estou em crise com a profissão, na realidade não é com a profissão em si, é com a conjuntura, eu tenho muito fé que as coisas vão chegar na minha vida, a crise é porque se tu não tem um sobrenome, se não faz parte de grupos, você não consegue emprego, eu sei de colegas, que colaram a faculdade inteira, eu conheço tanta gente nessa cidade, mas não quero me vender, eu não tenho coragem de trair o que eu acredito e por isso eu não consigo emprego. Eu pedi minhas contas da CMM, porque eu preciso cuidar do meu filho da minha irmã, mesmo agora, depois de formada, eu passo necessidades. E isso para mim dói muito, lá foi a minha casa, e hoje eu não me sinto valorizada por ela. Sabe, quando a irmã me apresenta como ex-abrigada e diz que agora sou assistente social, eu me sinto um troféu, por que eu fui um projeto que deu certo, a casa ganhou muito dinheiro às minhas custas, eu fui a primeira abrigada a concluir a faculdade, na verdade, para mim, isso é muito triste. (Pesquisa de campo, 2012).

Apurinã tenta sobreviver e contornar a relação complicada com o pai do seu filho pois, em quatro anos de relacionamento, ele já a fez sofrer muito, porém, mesmo ela sabendo dos defeitos dele, não consegue deixar de amá-lo, no fundo, acredita que vai chegar o momento da grande mudança; ela já se separou várias vezes e voltou novamente. Ele tem outros relacionamentos, filhos e histórico de várias mulheres, mesmo assim é o amor da vida dela.

E, diante de mais uma fase difícil, ela fala da fé, acredita que Deus vai olhar por ela, que vai chegar a hora, e emocionada ela fala orgulhosa de ter lutado muito:

Só vejo uma esperança: passar num concurso público, preciso acreditar que tudo tem seu tempo, pois eu passaria por tudo novamente para poder estudar, hoje eu vejo no rosto das minhas irmã e primas o orgulho que elas têm de mim, por ter concluído a faculdade, vejo a esperanças nas pessoas, e isso para mim vale a pena. (Pesquisa de campo, 2012).

Esse orgulho talvez só seja realmente compreendido por quem teve que passar por tantas dificuldades para ter acesso ao direito à educação, acreditar que a educação é a chave para um mundo melhor pode não ser óbvio, o que não está posto para alguém que vivenciou a ausência real de garantias de direitos.

Potyra,atualmente, está com 20 anos de idade, é beneficiária do BPC por causa da doença diagnosticada, é uma moça introspectiva e que não quer nenhum tipo de relacionamento com sua mãe. Conviveu algum tempo com Apurinã, mas recentemente resolveu morar com um companheiro. Ela ainda não terminou o ensino médio e, além das marcas e lembranças da vida de risco e desproteção, convive com a certeza da doença incurável.

Jassy está com 17 anos de idade, é mãe de um menino de dois anos e reside com seu companheiro. Ainda não concluiu o ensino fundamental. Mesmo diante da luta vivenciada, ela é uma menina alegre e amorosa, guarda poucas lembranças da infância e, talvez por isso, não demonstra sofrimento e/ ou raiva da mãe.

4 CONSIDERAÇOES FINAIS: O ENTRECRUZAR DAS HISTÓRIAS

O real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe para a gente é no meio da travessia

(Guimarães Rosa) Por meio do estudo realizado a partir das narrativas apresentadas neste trabalho, foi possível constatar que a história é contada muitas vezes pelo colonizador, restando ao colonizado o estigma do pobre acomodado ou do preguiçoso que não quer trabalhar para mudar suas condições de vida. Diante desse cenário permeado de injustiças sociais que se constrói a história de milhares de pessoas que lutam cotidianamente para validar o direito e o acesso à proteção social, à equidade e à parte que lhes foi bruscamente retirada deste “latifúndio”.

Em um contexto de desigualdades sociais é que essas histórias reais, relatadas neste trabalho, entrecruzaram-se e desenvolveram-se, num processo distinto e ao mesmo tempo semelhante, quanto à necessidade de acesso à proteção social.

É na realidade da pobreza e de abandono que as duas mulheres apresentadas neste trabalho traçaram seus caminhos, resistindo para romper com a violência e com a falta de proteção por parte da família, da sociedade e do Estado. Assim, ao falar em proteção social, no contexto brasileiro, é relevante resgatar as impressões de quem dela necessita e a conjuntura que a desenvolve, no bojo da sociedade capitalista.

Mediante os relatos apresentados, observa-se como os sujeitos em situação de pobreza se posicionam na sociedade e nos convidam a refletir a respeito da relação com o Estado. Apresenta-se a riqueza do ser genérico e o acúmulo de experiências da vida real, coberta de significados e de meandros que constroem as relações sociais, bem como a violência da pobreza e da falta de oportunidades, diante de uma realidade social excludente.

As marcas somadas durante toda uma vida permeada de riscos sociais é uma realidade frequente para as crianças pobres, que podem ser obrigadas a perder o convívio familiar, por causa de um processo de violência e maus-tratos, que é evidente na realidade brasileira.

A primeira mulher que dá vida a esta história relata momentos de muitas dificuldades e abandono, durante todo a sua infância e adolescência. A vida expressada pelos sujeitos deve ser observada para compreender e materializar estratégias de atenção às crianças e aos adolescentes e à família como um todo, para efetivar a proteção social e a assistência social, visando ao fortalecimento e à manutenção dos vínculos familiares, para possibilitar a cidadania e a justiça social.

A pobreza e desproteção social que afeta a família imprime novos desafios, condiciona a vida e os vínculos familiares; estes, fragilizados, se rompem bruscamente, força o abandono dos seus membros, mediante as condições de sobrevivência. Ser criança, nessas condições, é realizar as tarefas de casa, é trabalhar para o sustento do grupo familiar. É o amadurecimento precoce, é o aviltamento da infância, e essas condições prevalecem, em detrimento da importância da escola, da saúde, ou até mesmo da afetividade familiar de seus membros.

São realidades como essas que revelam a inoperância do Estado e a segmentação imposta pela sociedade capitalista, que exclui parcela da população, do usufruto de bens e serviços, assim como do direito ao reconhecimento de sua própria condição, numa realidade crescente de carência que se constituem em desafios para o sistema de proteção social brasileiro.

O contexto da constituição das leis de proteção social no Brasil e as tensões que movimentam a realidade, podem ser relatados de várias formas e diferentes perspectivas. Porém, é imprescindível levar em consideração a visão dos sujeitos que compõem essa história, os quais tendem a ser elencados de forma genérica e suas experiências são esquecidas ou esvaziadas de significados.

Para tanto, é fundamental atentar para as especificidades locais, pois as diferenças regionais não podem ser suprimidas de suas características específicas, as quais estão inseridas no movimento da história e da luta dos sujeitos nas suas particularidades cotidianas que constituem o Brasil e seus “brasis”.

Dentre esses brasis, cita-se o Estado do Amazonas e sua capital, Manaus, que, mesmo estando distante das grandes regiões desenvolvidas do País, sofre as influências dos contextos social, econômico, cultural e histórico nacional e apresenta um desenvolvimento repleto de desigualdades sociais e de concentração de renda.

Diante do exposto, verifica-se que o texto da CF de 1988 garante o modelo de proteção social não contributiva, que tem por eixo principal a proteção integral às

famílias, isto é, o reforço para que elas exerçam a proteção de seus membros (SPOSATI, 2009, p.50). Contudo, a partir da década de 1990, as estratégias neoliberais de um Estado mínimo, principalmente no trato das políticas sociais, vão direcionar a proteção social no Brasil.

Essa realidade apresenta baixos investimentos no social, mais focalização e menos universalização dos direitos, desconsiderando, assim, a supremacia dos direitos sociais em detrimento do econômico. Essa lógica determina a pontualidade das políticas de atendimento às famílias, incentiva o trabalho voluntário e a responsabilidade do indivíduo pelo seu bem-estar, e, com isso, a lógica do esforço pessoal.

A segurança, a proteção à maternidade e à infância são garantias da CF de 1988, em seu art. 6o, e nessa perspectiva é imprescindível que a intervenção estatal esteja conectada com a territorialidade, para que a pobreza e a desigualdade social não sejam naturalizadas, e incorpore concretude de condições de acesso como dois elementos imbricados mutuamente (KOGA, 2011, p.16).

Esse movimento possibilita o estabelecimento de parâmetros de questionamentos a respeito da política social desenvolvida e suas características históricas, que podem simplesmente não comportar a realidade complexa da população empobrecida e em situação de risco social, não efetivando, dessa forma, a segurança social.

É necessário, também, romper definitivamente com o estigma histórico que coloca a proteção social no campo da compaixão, do amor ao próximo. Pois o modelo de proteção social assegurada na CF de 1988, não é continuísmo de velhas práticas assistencialistas ou de modelo de gestão tecnocratas (SPOSATI, 2007, p. 20). Concretizando-a como direito do cidadão, incidindo em mudanças concretas que efetivem o dever do Estado na proteção à família.

Os direitos da criança e da família pobre, no Brasil, passam por avanços significativos, porém, o desrespeito que marcou a vida dessas mulheres ficará para sempre. A memória estará viva e as marcas estarão sempre presentes, mesmo que sua condição social hoje seja outra, ninguém esquece tanta violência sofrida. Além da violência e da pobreza, existiu a violência do abandono, do desrespeito, e mutilação da infância, da adolescência.

Esses relatos são claros e enfáticos a respeito da necessidade da proteção social. E, de acordo com Sposati (2007, p. 442), há necessidade de criminalização

da pobreza, pois a condição de ser pobre não gera direitos. Toda a história demonstra que o sofrimento poderia ser amenizado.

Assim, as marcas são profundas e a história é rica de detalhes que dispensam qualquer análise, pois, chegar a qualquer lugar, em uma realidade de abandono, é basicamente improvável. Mas, diante do improvável, essa história mostra a urgência da efetivação da proteção social, como garantia de cidadania, da equidade, e do desenvolvimento humano.

A proteção ao trabalho é imperativo para que as famílias consigam preservar sua autonomia e garantir a própria subsistência. Deve buscar formas para priorizar o atendimento de qualidade aos sujeitos, garantir o acesso e criar condições para que os cidadãos ampliem sua resiliência (SPOSATI, 1998 p.26).

Todavia, é diante do reconhecimento dos problemas estruturais da sociedade brasileira e do debate sobre a efetividade do sistema de proteção social, que as diferentes correntes de pensamentos destacam a inoperância do sistema no enfrentamento da pobreza e da desigualdade.

Contudo, a vida das duas mulheres, que têm suas histórias relatadas neste trabalho, explicita a importância da proteção social; principalmente a história de Apurinã. Mesmo que as garantias constitucionais efetivadas nesse contexto não tenham conseguido prevenir uma realidade de sofrimento, abandono, exploração do trabalho e violência, pois é possível constatar o retardo e a perspectiva do extremo para que o direito e a dignidade humana fossem protegidos de acordo com os dispositivos constitucionais.

Isso posto, é importante elencar que, para garantir os direitos sociais, não basta apenas o reconhecimento em lei, este é apenas o primeiro passo; dessa forma, é imprescindível a materialização do direito sob o reconhecimento do sujeito, da igualdade e da autonomia e da vida ativa, nos territórios, local onde se concretizam as relações sociais. (KOGA, 2011, p.33).

E, assim, serviços que atendam às demandas, de acordo com suas respectivas necessidades. Para Jaccoud (2009, p. 69), é justamente pela via do direito social que a proteção social se torna efetiva, reduzindo vulnerabilidades e, incertezas, igualando oportunidades e enfrentando as desigualdades.

Em suma, é importante lembrar que a pobreza não é um problema individual, ou apenas a carência de renda, mas, é advinda de problemas estruturais da sociedade capitalista que determina o lugar do sujeito. A pobreza deve ser

combatida com políticas articuladas, com garantias de oportunidade, de acesso a bens e serviços, ao direito e empregos, mecanismos para ampliar a capacidade protetiva dos sujeitos e a equidade, para que velhas praticas não permaneçam em novas configurações.

Fundamentos que inovaram a concepção de direitos sociais e elaboram o conceito de seguridade social, superando o antigo padrão de proteção social e com “novas concepções de direito e justiça social” (JACCOUD, 2009, p.62, apud DRAIBE, 2002, p. 3). Diante dessa nova concepção, a proteção social pública seria direcionada contra as privações, sejam elas decorrentes de riscos sociais ou de situações socioeconômicas, ampliando a responsabilidade pública. Concretizando o tripé da seguridade social.

E assim, somos convidados a refletir a respeito das inúmeras categorias que poderiam aqui ser trabalhadas, para aprofundar o estudo, porém, não teríamos tempo para essa análise no período de um mestrado, nos colocando a possibilidade de aprofundamento futuro no doutorado.

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Benzer Belgeler