• Sonuç bulunamadı

Com a intenção explícita de alcançar êxito nesta pesquisa, busquei por uma abordagem qualitativa, uma vez que o contato com o grupo pesquisado era em tempo integral, pois além de pesquisadora era também a diretora da unidade escolar, sendo assim, o objeto de pesquisa conduziu-me a esta metodologia, a qual me proporcionaria um mergulho na realidade estudada, um aprofundamento fundamentado teoricamente. Este estudo deveria estar amparado por uma abordagem que não poderia ser outra, a não ser a pesquisa-ação.

Segundo Chizzotti (2003, p. 79):

A abordagem qualitativa parte do fundamento de que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, uma interdependência viva entre o sujeito e o objeto, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito[...] o sujeito-observador é parte integrante do processo de conhecimento e interpreta os fenômenos, atribuindo-lhes um significado.

O pesquisador é parte fundamental da pesquisa qualitativa. Ele deve estar livre de preconceitos, e predisposto a assumir atitudes abertas a todas as manifestações que observa, não se deixando levar pelas aparências e com o objetivo de ter uma compreensão global da situação. Havia no meu caso, um acordo estabelecido com as profissionais da unidade escolar, ou seja, em todos os nossos encontros e conversas tanto formais como informais, haveria o meu olhar de pesquisadora. As informações servir-me-iam de referenciais para a minha pesquisa e ao mesmo tempo para a construção do projeto político-pedagógico. Esse acordo fora firmado em 2004 entre todas nós, quando ingressei nesta escola como diretora e expus ao grupo sobre o trabalho de pesquisa que desenvolveria na unidade escolar.

O grupo (docentes e não docentes) se posicionou positivamente sobre o trabalho de pesquisa, assim como com a idéia da construção do projeto político- pedagógico na escola, por acreditarem na importância desse documento para a construção da identidade da unidade escolar e também por possuírem o desejo de realizar algumas mudanças qualitativas no cotidiano escolar. Essas mudanças,

acreditavam, se dariam através dos estudos que seriam importantes e necessários a todos os profissionais envolvidos no trabalho educacional nesta Emei.

Na pesquisa qualitativa, “todas as pessoas que participam da pesquisa são reconhecidas como sujeitos que elaboram conhecimentos e produzem práticas adequadas para intervir nos problemas que identificam”. (CHIZZOTTI, 2003, p.83).

A pesquisa participante, assim como a pesquisa-ação, caracteriza-se pela interação entre pesquisador e os membros pesquisados. Há autores que empregam as duas expressões como sinônimos. Porém, a “pesquisa-ação”, além da participação, supõe “uma forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro, que nem sempre se encontra em propostas de pesquisa participante” (THIOLLENT, 1985, p.7).

Um dos objetivos da pesquisa-ação consiste em dar aos participantes os meios de se tornarem capazes de responder com maior eficiência aos problemas da situação em que vivem, em particular sob a forma de diretrizes de ação transformadora.

Todos os sujeitos são igualmente dignos, iguais, porém únicos, assim como todos os pontos de vista são relevantes.

Segundo Chizzotti (2003, p. 90):

A observação participante é obtida por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado, para recolher as ações dos atores em seu contato natural, a partir de sua perspectiva e seus pontos de vista.

A certeza de se trabalhar com a pesquisa-ação se deu por acreditar que a dimensão espaço-tempo é essencial, pois “toda pesquisa-ação é singular e define-se por uma situação precisa concernente a um lugar, a pessoas, a um tempo, a práticas e a valores sociais e à esperança de uma mudança possível”.(BARBIER, 2004, p.119).

Como pesquisadora-diretora, a partir do ano de 2005 estava presente na unidade escolar em maior tempo, pois nos últimos três meses do ano de 2004, ou seja, outubro, novembro e dezembro me ausentava uma vez por semana a fim de terminar o curso das disciplinas necessárias ao trabalho de Mestrado, na Unesp/Marília.

É possível que este afastamento semanal tenha sido importante para os profissionais da unidade escolar avaliarem a minha postura pessoal e profissional,

pois era o momento da equipe se sentir a vontade para refletir sobre os reflexos que a mudança administrativa poderia gerar no comportamento profissional do grupo.

Num primeiro momento pude perceber a resistência dos membros da equipe em relação à minha presença, fato que considero normal, pois se tratava de uma situação nova e também porque até aquele momento a direção da unidade escolar era ocupada por uma professora da própria escola. A substituição de direção por essa professora perdurou durante sete anos consecutivos, pois durante esse período não houve concurso para diretor de escola e a solução que a administração municipal de Bauru encontrou foi a de colocar professoras com maior tempo de serviço e com habilitação em Pedagogia na substituição de direção, respondendo por um cargo sem terem sido avaliadas em concurso.

A impressão que se deu, quando houve a nomeação efetiva para o cargo de diretora de escola, através do concurso de acesso, foi que o lugar da professora substituta tivera sido “retirado”. Fato este que não procede, uma vez que houve o concurso e a nomeação de maneira legal em Diário Oficial do Município.

Porém, a questão da empatia era de fundamental importância nesse processo de construção de vínculos afetivos profissionais e pessoais, e durante os três primeiros meses de atuação na escola o que mais importava era a construção desse vínculo e a aceitação da equipe em relação ao mais novo membro do grupo, ou seja, eu, a diretora que estava se apresentando como efetiva na unidade escolar.

Aos poucos, as professoras e funcionárias foram se tornando menos apreensivas, assim como eu, a diretora, que passei a conhecer e a confiar nos membros da equipe. As professoras e as funcionárias já trabalhavam na escola por mais de cinco anos consecutivos, e desta forma, havia uma amizade fortemente estabelecida entre todas e o vínculo profissional estava bastante enraizado.

Com o passar dos meses a equipe pode verificar que havia diante dela mais uma companheira de trabalho, que estava disposta a somar pensamentos positivos e também muito disposta a dividir os problemas, os quais não são poucos em Educação.

Em relação à professora que estava na substituição da direção, pude perceber que ela poderia colaborar com a formação continuada do grupo. Em 2005, quando os estudos com a equipe foram sistematizados, esta professora colaborou significativamente com o enriquecimento dos estudos.

Ela estudava os textos, socializava com as colegas e, assim, todas discutíamos sobre o assunto em questão nas reuniões pedagógicas ou em momentos que era possível, como por exemplo, a meia hora antecedente a entrada dos alunos. Durante aquele ano, várias professoras desenvolveram o mesmo processo nos estudos e discussão em grupo como será visto posteriormente.

Freqüentemente eu disponibiliza textos para estudos em AEC31, os quais ficavam em uma pasta destinada a eles. Todas as funcionárias tinham acesso aos mesmos. Também informava sobre os cursos oferecidos, tanto pela Secretaria Municipal da Educação como por outras Instituições.

Em uma destas informações, a equipe tomou conhecimento sobre um curso oferecido em nível de pós-graduação (lato-sensu) pela Unesp - Marília sobre Educação Especial. Ofereci o folder e as informações necessárias. A professora que estava na substituição de direção mostrou bastante interesse em cursar a pós, porém havia certos empecilhos pessoais que a deixaram em dúvida.

Conversávamos bastante sobre esse assunto e, sempre que era possível, a incentivava para que fizesse o curso. Recordo-me que, no último dia para a inscrição, ela foi até a sala de diretoria e explicou que gostaria de continuar os estudos em nível de pós-graduação, mas estava com dúvidas se seria possível realizar esse desejo. Naquele dia conversamos sobre a importância da formação continuada do profissional e como é gratificante estudar e se aperfeiçoar na área de trabalho na qual se está inserida, e, mais importante, na profissão que sentimos prazer em trabalhar.

Algumas providências pontuais foram tomadas naquela sexta-feira à tarde a fim de facilitar e possibilitar que ela fizesse a sua inscrição. Na segunda-feira ela chegou com a notícia de que havia enviado a sua inscrição pelo correio, com a permissão dos organizadores, e começaria a freqüentar o curso.

Fiquei muito feliz com esse resultado positivo que os estudos proporcionaram. Com isso, toda a equipe foi contemplada, pois a professora socializava os textos estudados durante as aulas e como temos três crianças portadoras de necessidades educacionais especiais, as informações trazidas auxiliavam na condução do trabalho pedagógico. Além deste, essa mesma professora também se matriculou no curso “Letra e Vida”, oferecido pela Secretaria Municipal da

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Educação – curso para professores alfabetizadores – o qual contribuiu positivamente para as mudanças de concepção sobre alfabetização, que conseqüentemente alteraria as atividades no plano pedagógico das professoras.

Desta forma, posso afirmar que o relacionamento com a equipe e com a professora que estava na substituição de direção, se deu de maneira muito positiva para a construção do trabalho coletivo na unidade escolar.

Um outro fato que acredito também tenha contribuído para a aceitação do grupo em relação a mim, foi a nota e a minha classificação no concurso realizado para a direção. Como já expliquei, houve problemas devido ao edital do concurso, e nesta escola onde sou diretora a equipe também fez o mesmo julgamento que fora feito por tantas outras candidatas, e chegaram à conclusão que eu não estava na direção por ter sido beneficiada pelo tempo de serviço e sim porque a nota obtida nas provas me levou a conseguir classificação satisfatória, a qual me proporcionou a escolha de uma escola.

Ouvi, em certo momento de 2004, que eu estava ali por merecimento e sendo assim, houve a aceitação do grupo de modo rápido e pudemos dar prosseguimento ao objetivo proposto, ou seja, os estudos com a equipe e com a comunidade escolar.

Aderindo as idéias de Chizzotti (2003), onde afirma que o pesquisador deve manter uma conduta participante, com compromisso claramente assumido perante a equipe, partilhando os problemas e formulando estratégias de superação das necessidades encontradas, procurei criar uma relação dinâmica com a equipe escolar, que se mantém até os dias atuais.

Ainda seguindo os raciocínios do mesmo autor (2003, p. 84):

Esta relação viva e participante é indispensável para se apreender os vínculos entre as pessoas e os objetos, e os significados que são construídos pelos sujeitos. O resultado final da pesquisa não será fruto de um trabalho meramente individual, mas uma tarefa coletiva, gestada em muitas microdecisões, que a transformem em uma obra coletiva.

Acredito que essa relação viva entre os membros do grupo é realmente indispensável, à medida que não há construção solitária quando estamos reunidos em equipe, com o mesmo objetivo, com o mesmo desejo de transformar a realidade encontrada por outra melhor, com mais significado para quem está vivendo nela.

Na pesquisa-ação é possível estudar dinamicamente os problemas, decisões, ações, negociações, conflitos e tomadas de consciência que ocorrem entre os agentes durante o processo de transformação da situação.

Desta forma, se desenvolveu a metodologia para este trabalho científico. Acredito, após várias reflexões e discussões em torno de qual procedimento metodológico seria utilizado, ter feito a escolha correta, pois o objetivo era realizar mudanças na realidade estudada através da participação de todos os membros da equipe e o envolvimento com o grupo era em tempo integral, o que possibilitou a realização de vários encontros com discussões produtivas acerca do tema proposto neste trabalho, bem como as alterações que foram surgindo com essas discussões.

Benzer Belgeler