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D- VERGİ HUKUKUNDA SÜRELER

1- Sürelerin Sınıflandırılması

Após o segundo lanche, as crianças voltam à sala, que já está organizada para recebê-las. Esse é o horário em que ocorre a “atividade pedagógica”, que dura aproximadamente 20 minutos.

Renata define como pedagógicas apenas as atividades que envolvem o aprendizado de algum conteúdo (como as cores, os números, as partes do corpo etc.) e que foram previamente planejadas por ela, esquecendo que a ação educativa se efetiva, também, nos momentos que não foram intencionalmente programados com esse fim, como lembra Oliveira (2004).

De acordo com atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil- DCNEI (BRASIL, 2009),

Art. 3º O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico, de modo a promover o desenvolvimento integral de crianças de 0 a 5 anos de idade (p. 1).

Dessa forma, todas as práticas realizadas na instituição de Educação Infantil fazem parte do seu currículo e, portanto, devem ser constantemente planejadas e avaliadas, considerando a indivisibilidade de todas as dimensões infantis. Não é isso, entretanto, que acontece na creche Semente do Amanhã, conforme já foi observado.

Geralmente as atividades propostas às crianças são coletivas (fotografia 22) e constam de desenhos em papel madeira em que elas devem colar pedaços de papel, algodão ou qualquer outro material. Outras vezes são individuais (fotografia 23) e, nesse caso, como a creche não dispõe de fotocopiadora ou mimeógrafo, são preparadas manualmente, uma a uma, pela professora, que aproveita o momento da brincadeira na sala para fazer isso. Quando o tempo é insuficiente, as crianças têm que ficar sentadas esperando, sem nada fazer, até que ela acabe de prepará-las.

De qualquer forma, nenhum dos dois tipos de atividade instiga a manifestação da subjetividade infantil de maneira mais plena já que, na maioria das vezes, resumem-se a pintar, colar ou desenhar algo previamente determinado pela professora. Também não

se constituem oportunidades de interação, uma vez que todos devem ficar em seus lugares e se posicionar apenas quando forem solicitados pela professora.

Tanto o conteúdo desse tipo de atividade como a forma com que são propostas às crianças denotam a representação empirista68 de desenvolvimento e aprendizagem da professora. Segundo tal concepção, o sujeito é um ser passivo ante as pressões do meio em que está inserido, e a aprendizagem ocorre através da repetição pura e simples. Além disso, contrariam o que está expresso nas DCNEI que, em seu artigo 9º, ressaltam que

“As práticas pedagógicas que compõem a proposta curricular da Educação Infantil

devem ter como eixos norteadores as interações e a brincadeira” (BRASIL, 2009, p.4). É necessário destacar, contudo, que ainda há muitas dúvidas quando pensamos em um currículo para bebês e crianças pequenas. Segundo Barbosa (2010), esse currículo deverá ser proposto

(...) a partir da criação de uma vida cotidiana com práticas sociais que possibilitem alargar horizontes, ampliar vivências em linguagens, para que os bebês experienciem seus saberes . Serão exatamente esses primeiros saberes, essas experiências vividas principalmente com o corpo, através das brincadeiras, na relação com os outros – adultos e crianças – que irão constituir as bases sobre as quais as crianças, mais tarde, irão sistematizar os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, artístico, ambiental, científico e tecnológico (p.5).

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Entre os principais representantes dessa concepção, também denominada behaviorista ou comportamentalista, estão Aristóteles, Locke, Comte, Pavlov, Watson e Skinner.

Fotografia 22- Crianças realizando uma “atividade

Observa-se, pois, que uma especificidade do trabalho junto a bebês e crianças pequenas é a centralidade das brincadeiras e relações sociais, sendo imprescindível para

esta pedagogia “possibilitar encontros e visibilizar os modos e as diversas formas de

relacionamento que se estabelecem entre as pessoas” (IDEM, IBIDEM, p. 5), o que não costuma acontecer na turma D.

De qualquer forma, as crianças parecem gostar das atividades propostas pela professora e se empenham em fazê-las. Como, todavia, essas “tarefinhas” não exigem muito esforço de sua parte, costumam terminá-las rapidamente, algumas em até 5 minutos, e levar até Renata, que geralmente diz estar faltando alguma coisa e solicita que retornem a seus lugares para complementar. Aquelas que não querem participar não são obrigadas a fazê-lo; contudo, não lhes são oferecidas outras opções de atividade. Na maioria das vezes, a orientação da professora é que fiquem quietas e caladas esperando que os colegas acabem suas produções. A não obediência a essas normas implica sanções diversas, sendo a mais comum colocar a criança sentada num lugar afastado das

demais (geralmente no canto da parede), denominado “canto do pensar” (fotografia 24).

Segundo Kamii (1990), sanções dessa natureza, em que as crianças são punidas de forma arbitrária, reforçam o comportamento heterônomo, dificultando, assim, a construção da autonomia moral e intelectual. De acordo com a autora, a melhor atitude diante de comportamentos considerados inadequados é conversar sinceramente com a criança, falar de sentimentos, respeito e confiança e depois pedir que ela pense sobre

Fotografia 23: Crianças pintando de verde o desenho de um sapo feito pela professora.

isso. Esse pensar, todavia, não pode nem deve ser visto como punição, tampouco precisa ser realizado de forma isolada. Além disso, apesar de demonstrar decepção diante da má conduta, o professor sempre deve oferecer opções de atividades, caso a criança precise sair do grupo por alguns instantes e se mostrar disponível a ouvi-la e aceitá-la de volta, assim que possível.

É importante destacar que retirar as crianças do grupo não parece indicar displicência de Renata em relação a elas, mas, pelo contrário, demonstra seu interesse em que as crianças mudem de comportamento. Essa tentativa realizada da forma como mostra a fotografia 24, contudo, tem o efeito oposto ao esperado por ela: são as três crianças mais punidas na sala as que mais desobedecem e enfrentam a professora

criando um “circuito perverso” prejudicial a todos. Provavelmente, Renata não se dá

conta de que a oposição às regras e ao outro faz parte do processo de constituição da identidade infantil, e a forma como as pessoas com quem as crianças têm contato reagem diante disso trará consequências para a construção de sua personalidade, de uma forma ou de outra.

Desse modo, uma condescendência exagerada em relação a suas atitudes pode contribuir para a criação de uma criança onipotente, com dificuldades de adaptação social para respeitar, por exemplo, as normas impostas pela sociedade. Por outro lado, uma atitude muito rígida pode gerar uma criança tímida e insegura, sem coragem de mostrar quem realmente é. Carente de oportunidades para refletir sobre essas e outras questões, a professora permanece impossibilitada de ajudar as crianças de maneira mais eficaz (WALLON, 1981).

Dependendo da atividade proposta é que a docente permanece, ou não, próxima às crianças. No caso, por exemplo, de atividades de pintura ou desenho com giz de cera, Renata fica em uma mesa no canto da sala organizando materiais ou preenchendo o

diário. Já quando o trabalho envolve tinta ou se refere à confecção de “lembrancinhas”

que as crianças levarão para casa em função de alguma data comemorativa, a professora

fica junto delas para que não se sujem e realizem a produção “direito”, conforme sua

orientação (fotografia 25).

Aparentemente, esse é o único momento planejado durante o dia e não é sempre que acontece, mesmo estando previsto na rotina oficial. Muitas vezes, as crianças passam o dia inteiro sem qualquer tipo de atividade previamente elaborada, aparentemente largadas ao acaso das situações que surgem fortuitamente entre elas, como, por exemplo, quando um colega resolve ensinar alguma brincadeira.

Esse fato, aliado à pobreza dos materiais disponíveis, contribui para que a maioria das suas experiências educativas seja desprovida de oportunidades que promovam o desenvolvimento das crianças.

Fotografia 25- Criança pintando metade de uma garrafa pet, que representa um coelho, que servirá como lembrancinha da Páscoa. A sombra à sua frente é da professora.

Benzer Belgeler