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C. Sessiz Kalma Yolu İle Hak Kaybının Koşulları

5. Süre

suportes e profissionais sobre a qual se estrutura e desenvolve a sexualidade de pessoas com deficiência. Entre profissionais da área médica, cuidadores e familiares, a sexualidade dos participantes é decifrada, compreendida, controlada e administrada obedecendo a

ordenamentos, modelos e pressupostos que muitas vezes são cristalizados e naturalizados como sendo resultado de sua própria condição de pessoa com deficiência.

Esse cenário revela uma sexualidade que é balizada por perspectivas biomédicas e terapêuticas, um tipo de sexualidade que precisa ser aprendida, melhorada e ajustada a um corpo que agora na condição de amputado/lesionado/deficiente, é de domínio médico, clínico ou hospitalar.

Até tenho muita amizade com o urologista e ele quis me oferece comprimidinhos. Deixa quieto que tá funcionando legal! Ele me deu um comprimido e eu nunca usei, deixei dentro do carro. Me recordo de uma aula de sexo no hospital em que fiz reabilitação. Eu lembro de algumas palestras que eles implantam pro lesionado, é reabilitação até no aspecto da sexualidade. Aula sobre sexualidade e aí tem lá os remédios que eles fala, quem precisa, quem não precisa, tem injeção e tem uma sexóloga que ensina as maneiras de como fazer, que tem também alguns cuidados. Isso que me ajudou muito porque eles treina você a inventar, você tem que ter algumas técnicas pra fazer e foi um dos grandes pilares que ajudou minha vida. Pra que eu possa ir pra uma cama fazer sexo com uma mulher, eu preciso que uma pessoa me ajude. Por exemplo, eu tinha um amigo de confiança que me colocava na cama, tirava minha roupa, ai eu fazia relação e depois me ajudava, um amigo de confiança. Pois, eu tenho essa dificuldade de depender de terceiros e a parceira precisa saber. Aí quando falei pra ela “Vou ligar pro meu cuidador e ele me joga na cama”, a mulher falou assim “Pô, mais, teu cuidador vai ajudar você? Acha que eu vô querer que outro cara vê eu com você?”. E aí não rolou! Por ser tetra, eu sinto maior dificuldade, porque o tetra tem uma dependência maior. Então é sério, ser lesado nessa hora, ser tetraplégico é foda. Por exemplo, meu cuidador, ele me joga na cama. Portanto, tenho que dizer que dependo de terceiros, que eu não sou uma pessoa independente, mesmo no sexo. Mas aí entrou ciúmes de família, sabe? Também um pouco por causa da minha mãe, que não aceitava muito. Ela começou a frequentar a minha casa aqui e minha mãe ficou meio com o pé atrás, sabe? E aí acabou não dando certo. Se não tem esse diálogo, é onde que as coisas continuam como estão e aí é esse o grande problema na área de sexualidade.

A influência desse modelo normativo e biomédico da sexualidade está marcado fortemente no discurso dos participantes, como no trecho “Me recordo de uma aula de sexo no hospital em que fiz reabilitação. Eu lembro de algumas palestras que eles implantam pro lesionado, é reabilitação até no aspecto da sexualidade.”

A partir do discurso dos participantes verifica-se que profissionais da área médica são os únicos a quem recorrem quando objetivam discutir, obter informações ou sanar dúvidas sobre

o campo da sexualidade. Nessa esteira, tem-se o hospital como lugar para discutir, pensar e desenvolver práticas, atividades, prazeres e rotinas sexuais. Essa constatação é no mínimo preocupante, pois evidencia o domínio exclusivo de um determinado tipo de saber-poder biomédico.

Destarte, é salutar manter sempre uma crítica sobre esse processo histórico de medicalização da sexualidade da pessoa com deficiência, na medida em que, ao analisar o fenômeno em questão, é perceptível a presença de uma abordagem normatizadora da sexualidade, retomando a compreensão de que devemos buscar sempre uma atividade sexual adequada. Concebida por um viés funcional, essa sexualidade adequada, na verdade, evidencia a força de uma ideologia patriarcal e heterossexual que fixa a noção do que é uma sexualidade normal, com foco principal na ereção masculina em detrimento da satisfação e saúde sexual e psicológica de homens e mulheres com deficiência.

Pode-se destacar outro trecho do DSC, no qual o participantes informam que no hospital tinham “Aula sobre sexualidade e aí tem lá os remédios que eles fala, quem precisa, quem não precisa, tem injeção e tem uma sexóloga que ensina as maneiras de como fazer, que tem também alguns cuidados.”, revelando, assim, o domínio dos saberes biomédicos no plano da sexualidade de pessoas com deficiência.

Já em um estudo desenvolvido por Deepak (2002, p.30, tradução nossa), ao informar a um dos participantes que era médico, ouviu a seguinte resposta: “Se eu soubesse que você é um médico, eu não teria participado dessa pesquisa. Os médicos são uma merda e eu já tive o suficiente deles. Eles só querem controlá-lo e complicar sua vida.”52, anunciando uma critica/resitência aos saberes e controles médicos pouco ou nada evidentes entre os participantes desta pessquisa.

Nas contribuições de Deepak (2002) e Shakespeare (2003), revelam-se posicionamentos políticos e críticos referentes ao campo da sexualidade de pessoas com deficiência, alertando para a importância de desarticular e desestabilizar domínios e saberes biomédicos que historicamente se legitimaram sobre corpos deficientes/amputados/lesionados e outros tantos que foram igualmente patologizados e administrados.

Kaufman, Silverberg e Odette (2003) apresentam em sua obra conhecimentos, informações e discussões pertinentes para que as pessoas com deficiência possam manifestar de maneira mais prazerosa e satisfatória sua sexualidade, incluindo uma sessão na qual abordam

exclusiva e cuidadosamente os brinquedos eróticos (sex toys), suas funcionalidades, utilidades, manuseio, valores, tipos mais indicados para cada corpo lesinado/amputado/deficiente e, claro, como adaptá-los. A referida seção ainda conta com ilustrações, dicas de livros, lubrificantes e filmes e seus diretores, particularmente aqueles que tratam as pessoas com deficiência como sensuais, sedutoras e desejáveis.

Uma mudança paradigmática pode ser vislumbrada somente quando a sexualidade integrar a pauta de lutas e reivindicações que objetivam superar todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência, seja no trabalho, educação ou outra área da vida. A vida privada e a história sexual das pessoas com deficiência precisam ser incluídas nas pautas dos movimentos sociais de deficientes/pessoas com deficiência. Inicia-se um tempo de preocupações, investigação e conhecimentos sexuais sobre pessoas com deficiência que ainda hoje são escassas e até mesmo o campo de Estudos da Deficiência ainda não trazem muitas produções a respeito desse assunto (SIEBERS, 2012).

No discurso, os participantes denotam compreender o papel singular que a família pode desempenhar para que efetivem/materializem suas atividades sexuais e sejam reconhecidos como sujeitos com amplo potencial erótico, amoroso e sexual. Porém, no caso dos participantes do estudo, a família se lançou como limitadora das experiências e relacionamentos sexuais/afetivos, ao externarem que: “Mas aí entrou ciúmes de família, sabe? Também um pouco por causa da minha mãe, que não aceitava muito. Ela começou a frequentar a minha casa aqui e minha mãe ficou meio com o pé atrás, sabe? E aí acabou não dando certo.”

Nesse sentido, ao pensar que caberia à família das pessoas com deficiência considerarem e assumirem sua posição singular no processo de desenvolvimento de uma atuação sexual que favoreça à pessoas com deficiência o exercício pleno de sua vida sexual, afetiva e social (DENARI, 2010; LITTIG et al., 2012), os participantes do estudo vão precisar (re)negociar seus momentos de prazer, atividades, fantasias e práticas sexuais/eróticas junto aos seus familiares.

Ao requererem variados tipos de apoio ou suporte para suas atividades e rotinas diárias, as pessoas com deficiências físicas, invariavelmente, estão no interior de uma trama de relacionamentos, atendimentos e serviços que são acionados também quando pretendem desempenhar suas atividades ou práticas sexuais/eróticas. Como expresso em uma passagem do DSC: “Pra que eu possa ir pra uma cama fazer sexo com uma mulher, eu preciso que uma pessoa me ajude. Por exemplo, eu tinha um amigo de confiança que me colocava na cama, tirava minha roupa, ai eu fazia relação e depois me ajudava, um amigo de confiança.

Nesse sentido, a partir do DSC forjado é possível identificar junto aos participantes uma rede de pessoas, suportes, profissionais e serviços, especialmente de aqueles recebidos nas fases de reabilitação após a lesão medular, que estão organizados para suprir demandas por informações sexuais, remédios, suportes, conhecimentos eróticos e técnicas que objetivam melhorar suas rotinas e práticas sexuais.

Siebers (2012) denominou essa rede de relações, estruturas, apoios e serviços de “Cultura Sexual” (Sexual Culture), admitindo-a como um processo em que se analisa as experiências e práticas sexuais de pessoas com deficiência, desvelando suas relações sociais, espaços, circunstancias e materialidades relacionadas ao sexo. Para que as pessoas com deficiências físicas possam manter sua vida sexual ativa, necessitam de uma série de arranjos, pessoas, momentos, logística, suportes, facilitações, cuidados e preparativos que exigem todo um planejamento sexual.

Portanto, se somos ensinados que o sexo deve ser espontâneo, no que tange às pessoas com deficiência, o sexo muitas vezes precisará ser planejado, uma vez que requer o auxílio de outras pessoas, acessibilidade e outros fatores. As pessoas com deficiências físicas quase sempre vão romper com essa assertiva do sexo espontâneo, com esse padrão que diz que o sexo, para ser verdadeiro e/ou autêntico, não pode ser planejado/esquematizado (KAUFMAN; SILVERBERG; ODETTE, 2003; SIEBERS, 2012).