Existem diversas formas de terapia anti-cancerígena, entre as quais podemos salientar: a terapia biológica, por vezes designada de imunoterapia, bioterapia ou terapia de modificação da resposta biológica, e a quimioterapia. [13][14]
A quimioterapia, que corresponde à utilização de fármacos anti-cancerígenos para destruir as células cancerígenas, efectuando a disrupção do crescimento destas células; a terapia de radiação (também chamado de radioterapia, terapia de raios-X, ou irradiação) que consiste na utilização de um determinado tipo de energia (chamada de
Retrospectiva
16 fotodinâmica, que utiliza o laser ou outras fontes de luz, combinadas com um fármaco
sensível à luz (agente fotosensibilizante) para destruir as células cancerígenas; a cirurgia; as vacinas; e a terapia genética. Neste trabalho estamos interessados na quimioterapia. [15][16]
2.2.1. Quimioterapia
Os fármacos utilizados na quimioterapia são geralmente administrados através de injecção intravenosa, circulando através da corrente sanguínea, de modo a chegar às células cancerígenas que se encontrem em qualquer parte do organismo.
A quimioterapia é o tratamento utilizado para tratar diversos tipos de cancro, podendo ser utilizado antes ou após a cirurgia, ou a radioterapia para os tornar mais eficazes, ou administrada conjuntamente com a radioterapia. Este tratamento também pode ser administrado a pessoas em que ocorreu o alastramento do cancro para outras partes do organismo, ou em casos em que o cancro reapareceu após a radioterapia. Também é utilizado para tentar diminuir e controlar o cancro, para aliviar os sintomas provocados por esta doença e para tentar prolongar a boa qualidade de vida dos pacientes. [16]
Existem três objectivos associados ao uso dos agentes anti-cancerígenos mais comuns, sendo estes a reparação das lesões no DNA das células cancerígenas afectadas; a inibição da síntese de novas cadeias de DNA de modo a parar a replicação da célula, uma vez que esta replicação permite que o tumor cresça; parar a mitose, porque desta forma a divisão celular (replicação) do cancro é parada, podendo parar a progressão do cancro. [17]
A maioria dos fármacos utilizada não é específica, provocando diversos efeitos secundários, que estão vulgarmente associados com a quimioterapia cancerígena. A quimioterapia tem como objectivo diminuir a divisão celular das células cancerígenas, tentando diminuir e, se possível, parar o crescimento e o alastramento do cancro. No entanto, os efeitos secundários são visíveis a nível físico, uma vez que afecta as células da pele, do cabelo, do sistema gastrointestinal e da medula óssea, provocando anemia, queda de cabelo, náuseas, vómitos, entre outros efeitos. [16][17]
Retrospectiva
Em geral, os agentes de quimioterapia podem ser divididos em três categorias principais com base no seu mecanismo de acção. Uma destas categorias é constituída pelos fármacos que param a produção de unidades para a síntese da molécula de pré- DNA. Os precursores do DNA são o ácido fólico, bases heterocíclicas e nucleótidos, que são produzidos naturalmente no interior das células. Todos estes agentes trabalham nos passos de formação de nucleótidos ou deoxiribonucleótidos (necessários para a produção do DNA). Quando estes passos são bloqueados, os nucleótidos, que são partes constituintes do DNA e RNA, não podem ser sintetizados. Deste modo, as células não podem replicar-se já que não é possível produzir o DNA sem nucleótidos. Nesta categoria estão incluídos fármacos como o metotrexato, o fluorouracil, o hidroxiurea e o mercaptopurina. [17]
Outra das categorias dos fármacos utilizados na quimioterapia é a que engloba os fármacos que reparam os danos no DNA do núcleo da célula. Os agentes de quimioterapia danificam quimicamente o DNA e o RNA, afectam a replicação do DNA e/ou a paragem total da replicação ou provocam a produção de DNA ou RNA sem sentido (isto é, o novo DNA ou RNA não codifica nada útil). Alguns dos fármacos que pertencem a esta categoria são o cisplatina, os antibióticos daunorubicina, o doxorubicina e o etoposido. [17]
Existem também fármacos que evitam os efeitos da síntese ou falhas nos fusos mitóticos. Os fusos mitóticos são muito importantes devido à sua ajuda na divisão para a obtenção de uma nova cópia de DNA, que estará em cada uma das duas novas células durante a divisão celular. Estes fármacos interrompem a formação destes fusos e, portanto, interrompem a divisão celular. A esta categoria pertencem fármacos como a vimblastina, a vincristina e o pacitaxel. [17]
2.2.2. Alvos Terapêuticos
Os alvos terapêuticos são moléculas chave, geralmente de natureza proteica, que participam no crescimento e na divisão das células cancerígenas de diferentes formas durante o desenvolvimento, crescimento e dispersão do cancro. Ao interferir com os alvos terapêuticos os sinais que estes transmitem às células cancerígenas para crescerem
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18 e se dividirem descontroladamente são bloqueados, sendo possível, desta forma, ajudar
a parar o crescimento e a divisão das células cancerígenas. [18]
Focando-nos nas alterações específicas que ocorrem a nível molecular e celular para o desenvolvimento do cancro, o tratamento pode tornar-se mais eficaz e ser menos nocivo para as células normais. Esta intervenção poderá fornecer assim uma forma mais adequada de tratamento do cancro, uma vez que os tratamentos podem ser individualizados com base num único conjunto de alvos moleculares produzidos pelos tumores dos pacientes. Estas terapias fazem com que o tratamento seja mais selectivo, afectando menos células normais, reduzindo os efeitos secundários e aumentando assim a qualidade de vida dos pacientes.
Os fármacos utilizados para interactuar com os alvos terapêuticos são “moléculas pequenas” que bloqueiam as enzimas específicas e os receptores dos factores de crescimento (GFRs) envolvidos no crescimento das células cancerígenas, podendo também serem designados de inibidores de transdução de sinais. Existem também fármacos que induzem a apoptose, fazendo com que as células cancerígenas sofram a morte celular, pois interferem com as proteínas envolvidas no processo da apoptose. [18]