Esta dissertação teve por objetivo estudar os gastos em P&D e inovação como parte do valor das empresas químicas brasileiras.
Como não existe um número significativo de empresas químicas listadas no mercado de capitais brasileiro, utilizou-se como proxy do valor de mercado das empresas químicas o fluxo de caixa descontado. De forma a simplificar o modelo adotou-se um valor padrão para o custo de capital destas empresas com base em estudos de empresas químicas em países emergentes. Já os gastos em P&D e inovação foram obtidos através dos anuários da ABIQUIM de 1996 a 2006.
A estimação por Efeitos Fixos foi escolhida, tanto para a estimação do modelo aditivo, quanto para o modelo multiplicativo. Os resultados dos coeficientes estimados para o modelo aditivo indicam relação negativa entre gastos em P&D e excesso de valor de mercado. Entretanto, vale ressaltar que a imposição da hipótese de que o q de Tobin seja 1 pode ter gerado um viés para baixo nos coeficientes das duas variáveis explicativas consideradas (caso o q de Tobin verdadeiro fosse menor do que 1).
O modelo multiplicativo permite uma flexibilização das hipóteses assumidas no modelo aditivo e os seus coeficientes geram as próprias elasticidades de cada gasto considerado. A elasticidade dos gastos em P&D e inovação, com relação aos valores de mercado das empresas, indicou relacionamento positivo entre estes gastos e o aumento de valor das empresas. O coeficiente de 0,26 indica que um aumento de 1% nos gastos com P&D geram, em média, um aumento de 0,26% no valor de mercado destas empresas.
Acredita-se que o modelo multiplicativo, além de mais geral, seja o mais adequado para a modelagem de interesse, uma vez que ele trata as diferenças entre o porte das empresas consideradas por meio da linearização, e conseqüente suavização, do modelo.
Desta forma, este trabalho apresentou o modelo aditivo mais como uma forma de ilustração dos modelos existentes na literatura, porém o modelo multiplicativo é mais consistente com o contexto da indústria química brasileira.
Com base nisto, seria justificável a argumentação das empresas petroquímicas que a integração vertical no pólo petroquímico, que aumentaria a capacidade de gastos em P&D, resulta em um maior valor de mercado para as empresas. Ou seja, enquanto que a integração vertical das empresas petroquímicas dá margem a um maior poder de monopólio no setor em questão e um possível aumento de preços para o consumidor final, por outro lado, estas empresas exerceriam seu potencial de investimento em P&D para aumentarem seu valor de mercado. Assim, o país teria uma economia mais robusta com empresas mais bem preparadas para competirem em igualdade com empresas internacionais.
O coeficiente obtido neste estudo, de 0,26, é menor do que o coeficiente obtido na grande maioria dos estudos em países desenvolvidos, onde a média é centrada entre 5 e 6. Uma possível justificativa seria que este trabalho considerou empresas de capital aberto e fechado, onde neste último o fluxo de informações para o mercado não é tão rápido e transparente. Assim, a absorção dos gastos em P&D e inovação no valor de mercado das empresas químicas não teria o mesmo impacto comparado aos mercados mais maduros, onde se observa um grande número de empresas de capital aberto, uma agilidade e transparência maior na divulgação das informações.
Para futuros estudos, este trabalho pode ser aprofundado em vários aspectos. O primeiro seria um cálculo mais preciso do custo de capital de cada empresa, de forma a considerar a relação entre o passivo e o patrimônio líquido de cada empresa e calcular a média ponderada do custo de capital. O fluxo de caixa não foi projetado individualmente para cada empresa, de forma a considerarmos o fluxo de caixa passado, e limitar o trabalho para a análise das empresas que tinha este dado disponível. A taxa de crescimento perpétuo do fluxo de caixa também foi adotado como único, sendo que temos na literatura que empresas consolidadas crescem a um ritmo menor na perpetuidade do que empresas menores (Damodaran 2006).
Outras variáveis que afetam o valor de mercado de uma empresa poderiam ter sido consideradas no modelo, como por exemplo, o poder de monopólio da empresa e a concentração de cada setor.
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