T- kesitler ve Çift Köşebentler
I- Kesitler, U-Kesitler ve Kutular
3. ÇELİK ÇERÇEVELERİN BOYUTLANDIRILMASINDA YÖNETMELİKLERDEKİ SİSMİK ŞARTLAR
3.3 DBYBHY’ye göre Sismik Şartlar
3.3.5 Süneklik düzeyi yüksek dışmerkez çelik çaprazlı perdeler
Tema de significado para os entrevistados, a violência é entendida como a perda de filhos, parentes e amigos, principalmente por homicídio, como seguem descritos nos relatos.
Eu tive filhos, mas eles tão longe. Foram pra usina em Naviraí (cidade próxima a
Dourados). Trabalhar na usina. Lá brigavam e muitos índios morreram. Meu filho também
morreu lá mesmo no canavial. Fizeram acerto de conta. Hoje tem um lá ainda na cidade. Este deu certo... (M-03)
A ausência de casa na busca de melhores condições de vida faz com que muitos jovens busquem emprego nos canaviais das usinas de álcool da região em época de colheita da cana- de-açúcar. As dificuldades encontradas levam, em muitos casos, ao consumo excessivo de álcool e, como conseqüência, o envolvimento em brigas e episódios de violência, que resultam em deficiência ou morte.
Eu tinha quatro filhos e morreu três na usina. Ficou um. O mais velho foi o primeiro que morreu... Meu vizinho não tem mais nenhum filho vivo, todos se foram cedo. (M-02)
Ao falar de violência social, Faleiros (2001, p.01) coloca que: “Quando extremamente pulverizada ou rotineira a violência banalizada e diluída, até mesmo aceita e legitimada por uma cultura de que uma violência justifica a outra, de ruptura de limites sociais da convivência e da cidadania”. A violência citada nos depoimentos dos índios idosos reflete este conceito de banalização, pois muitas vezes é despercebida de sua gravidade social.
Os relatos sobre a violência na usina, ou na cidade, como se referem em alguns depoimentos, mostram a desintegração da cultura Kaiwá devido ao afastamento da família pelos filhos em busca de trabalho fora da aldeia, de ganho financeiro e de mudança de hábitos. A vida na cidade era vista como chance de crescimento econômico e social pelos índios nas décadas de oitenta e noventa. Atualmente, o conceito se resume à busca de melhores condições econômicas, mas com alto custo, devido às perdas relacionadas à convivência familiar.
Ao falar da cidade e se referir a interação entre índios e brancos e à necessidade do índio de buscar trabalho nas usinas de álcool da região, veio à tona a concepção de violência dos entrevistados, que é vista como um processo natural de interação social.
Faleiros (1998, p.01) salienta que: “...a violência não tem um único significado (...) deve ser compreendida no seu contexto histórico-cultural”. E, neste contexto, os depoimentos dos índios idosos entrevistados citam a morte precoce dos jovens índios trabalhadores das usinas como o reflexo da interação e da falta de espaço social do índio que se vê obrigado a procurar um espaço em outra sociedade que não a sua. Esta procura o deixa susceptível às ameaças sociais existentes e a morte é apenas uma conseqüência natural, reflexo da violência social.
Um dos pontos de apoio à família mais citado pelos idosos é a religião que também foi considerada tema que sofreu as modificações mais importantes na cultura Kaiwá, pois representa a interferência dos missionários evangélicos que atuam na aldeia há muitos anos.
Acreditar em diversas entidades como protetoras fazia parte da cultura Kaiwá, antes da intervenção dos jesuítas, no início do século XX, e ainda hoje, mas de forma discreta, mais silenciosa, como descrita nos depoimentos. Entre as principais alterações citadas estão as práticas religiosas e as crenças nos deuses e em diversas entidades significativas.
Apelam muito por essas coisas de feitiçaria que existe até hoje no nosso meio, nossa aldeia tem muitos que trabalha com isso, o nosso povo índio Kaiwá tem medo disso, com essa idade vou aprendendo mais coisa ainda, o povo de agora não acreditam nisso, dão risada, eu não duvido disso, por que já vi isso, por que tem coisa que é aviso... Vou contar uma experiência uma vez que eu vi um rato tudo queimado subiu no pé de uma árvore e ficou fazendo assim (fazendo gesto com as mãos como se chamasse alguém) com as mãozinhas pro meu lado e outro dia eu vi uma cobra na ramada da minha casa, eu corri pra vê se eu matava. Depois disso o meu filho foi assassinado e eu nunca falei disso pra ninguém. Eles vão pra usina por que não tem profissão e acham que ganham mais. (M-01)
Este depoimento demonstrou a confiança depositada neste trabalho de pesquisa como instrumento de guarda da memória deste idoso que fez questão de participar das entrevistas e de registrar imagens, tanto quanto os demais, principalmente ao tocar chocalho, um instrumento típico da sua cultura.
Os depoimentos a seguir colocam a crença religiosa dos índios Kaiwá representando um sentimento de respeito e medo das diversas representações espirituais.
Tem gente que acredita em feitiçaria, eu acho que existe, mas eu tenho medo. (F-01) Os índios acreditam que a cobra vai fazer as coisas direito... Dizem que se elas não quer, não vai dar certo o pensamento. Muitos que morreram na usina foram avisados que iam morrer ou os pai, mãe ficaram sabendo que ele não ia mais voltar, porque eles avisa quando vai acontecer alguma coisa de ruim. Mas também avisa quando tem coisa boa, quando a mulher vai ter nenê, se é nessa lua ou na outra. (F-02)
O idoso entrevistado que conviveu sua infância e adolescência em contato direto com a religião evangélica, por ter sido abandonado pela mãe e criado por missionários da Missão
Caiuá8, na própria aldeia, descreve a religião como importante elo de sobrevivência, na visão
monoteísta, diferentemente da cultura indígena Kaiwá.
Falando de religião, estas pessoas (referindo-se às pessoas que se suicidaram) não conhecem o Deus verdadeiro, se eles conheciam não faziam isso, segundo a escritura eu aprendi não deve tirar a vida, só Deus pode tirar a vida. Tudo isso é fraqueza espiritual. (M-
01)
Ao referir sobre o suicídio, prática que foi bastante utilizada, principalmente por jovens nas décadas de 80 e 90 nas aldeias Jaguapiru e Bororó em Dourados e que, segundo Brand,
“durante o ano de 1999 o número de casos aumentou e chegou a 45, sendo que entre 1981 e 1999 foram registrados 384 casos... e a faixa etária variou geralmente entre 12 e 21 anos”, os entrevistados expuseram o sentimento de desalento por não terem mais controle das crenças sobre seus filhos e, pelo fato dos jovens não terem esperança de novos horizontes para seu futuro na aldeia e como índio.
Os jovens tão muito fracos hoje, eles não tem mais força do Tupã pra continuar vivendo. Acham que aqui não é bom. Não é mais tão bom, mas tem que acreditar. Não pode desistir, hoje tem mais morte, mais roubo. Não é fácil, mas não pode desistir, tem que continuar. (M-03)
Entre a interferência nas crenças religiosas a mais lembrada entre os entrevistados foi a relacionada ao uso do tembetá – adorno usado no lábio inferior pelos homens, quer tem o poder de lhe proteger dos maus espíritos. A cerimônia de fura-lábio como é conhecida é cada vez mais rara e está ameaçada de extinção. Anos atrás, com a chegada das missões evangélicas esta prática foi condenada e deixou de ser realizada na mesma proporção de nascidos homens. Atualmente, apenas três índios homens possuem o tembetá na aldeia Jaguapiru conforme relato de um dos entrevistados. Todos com mais de 50 anos de idade. Um dos responsáveis pela preservação da cerimônia reside atualmente em outra aldeia, conhecida como Panambizinho.
O Kaiwá puro né, eles furam o beiço... O meu irmão já falecido ele é do beiço furado... Hoje não fura mais. Eu queria fazer o tembetá, mas a missão diz que não tá certo. Só um sobrinho meu tem. Ele mora no Panambizinho e furou lá. (M-01)
Este depoimento representa a interferência direta na cultura deste idoso, que diz querer usar o tembetá, mas que teve que respeitar os missionários com quem viveu como família parte de sua vida depois de ter sido abandonado pelos pais.