5.4 Eksenel Yük Aktaran Birleşimler
5.4.2 Düşey çapraz bağlantılar
A interação dos índios Kaiwá aldeados com as demais etnias – Guarani e Terena, com a população que vive na cidade de Dourados e com viajantes que passam na rodovia que corta a aldeia é intensa e reflete na redução da preservação dos costumes culturais da etnia. Na declaração descrita abaixo feita por um dos índios idosos entrevistados fica clara a importância que ele coloca na preservação da cultura indígena.
No meu pensamento como índio, e hoje tenho um pouquinho a idéia do civilizado porque estudei, mas o meu sangue sempre puxa pro lado indígena, os nossos patrícios não deviam trocar nossos costume por festa de branco, por festa de branco, a nossa festa a nossa festa é diferente... do branco é do branco. (M-01)
Outro ponto fundamental da interação ou da “transfiguração étnica”, como refere Darcy Ribeiro (1996) em seu livro Os índios e a civilização, é o das crenças religiosas diferenciadas entre as etnias indígenas e os moradores da cidade, descritas nos depoimentos a seguir.
Os nossos pais e avôs, eu lembro quando eu era pequeno, juntavam na fogueira e rezavam, cantavam pra Tupã e pra sucuri ou pra onça que tinham o mesmo respeito. A gente sabia que eles cuidavam de nós e não tinha medo da cobra, tinha respeito. Pedia as coisas e ganhava. Também ela avisava quando tinha coisa ruim pra acontecer... (F-01)
A interação representa o novo, a troca de conhecimento e de cultura. A fala de uma das entrevistadas refere à importância de entender o que o outro diz. A língua do “branco”.
Há muito tempo, quando eu era mais nova, não tinha branco aqui. Aí só falava Guarani. Usava muito a linguagem misturada quando começou a falar a língua dos branco. A gente não entendia. Eu ainda não entendo muito bem. Tinha uns trinta para quarenta anos quando comecei entender um pouco. (F-01)
Da mesma maneira, a interação trouxe modificações importantes na cultura, como mudanças e até extinções de algumas festas da cultura Guarani-Kaiwá, comuns na aldeia até a
chegada da etnia Terena, que para muitos é vista como similar à cultura dos brancos. Dançavam
e cantavam de escurecer até amanhecer o dia, fazia chicha.(F-01)
Outro depoimento se refere também às modificações ocorridas no interior das casas como a necessidade de possuir bens eletrodomésticos e eletro-eletrônicos que surgiu após a interação com os moradores da cidade.
Até dentro da casa não existiam naqueles tempos nada, nada que tem hoje... Televisão, rádio, tanta coisa... Uma coisa que eu queria falar comparando o povo antigo com o de hoje, antigamente era mais fácil de educar os filhos a nossa família... Hoje tem estudo pra poder ser educado e civilizado... (M-01)
5.4.1. O convívio com o diferente
Os brancos chegaram com tudo, junto com Tereno (referindo-se aos índios da etnia
Terena). Eram famílias grandes que vinham de modo esquisito. Falavam diferente e tinham
umas idéias diferentes. Vieram no Bororó e vieram os Bertulino... Os Bertulino falavam Guarani e os Bororó não sabiam falar. Eles faziam casa diferente e trouxeram cabrito, cavalo e vaca pra cá... Tinha muitos deles, vieram de muitos. Misturavam com as família. Iam nas festa e aí foi acabando as festa, tudo foi mudando... (F-01)
A aceitação pela interação também não foi tranqüila, na opinião dos entrevistados, pois além das modificações culturais ocorridas nas festividades da aldeia, também houve mudanças na organização das moradias com a divisão das terras que eram utilizadas em forma de
“consórcio” pelos “patrícios”, sem cercas e divisões em metragem, devido até ao estilo nômade dos índios Kaiwá que costumavam mudar de lugar e escolher outro, ainda vago, para montar nova moradia.
5.5. As mudanças na aldeia - a casa e sua ecologia
Hoje a Aldeia não tem mais mato. Há muito tempo só tinha trieiro, não tinha estrada e a gente andava fazendo muitas curvas, era cheio de curva e nós não tinha medo de andar sozinho pra visitar amigo... A gente ia buscar água longe no “corgo”. Não tinha estrada, era só caminho estreito. Não tinha poço, água só no “corgo”. Não tinha cavalo. Porco só do mato e a galinha também era selvagem. Tenho saudade do tempo de criança, dos momentos de dar risada, muita risada (demonstra sua fala com um sorriso amplo sonoro). O medo que a gente tinha era de cobra, tinha muita cobra aqui. (F-01)
Esta fala lembra a alegria estampada no riso das crianças de hoje na aldeia. Uma característica comum ao andar nas ruas. Todas as casas têm crianças e estas abrem um sorriso cativante ao ver alguém passar. A maioria das crianças é tímida e sorriem se escondendo, o que torna o sorriso ainda mais bonito.
Nós vivíamos aqui, só mato e muito bicho, né, e com nossos colegas aqui a gente vivia caçando no meio deste mato, nos tempo de guavira (fruta típica do cerrado), aqui na cidade de Dourados não tinham muitas casas, nos tempos de infância nós saíamos daqui para chupar guavira na vila, hoje se chama vila Izidro Pedrozo, era um campo de uma fazenda de primeiro para lá, hoje, são tudo da minha idade e, outros não vivem mais. (M-01)
As lembranças de como era a vida na aldeia e na cidade de Dourados reforça a questão da identidade e da liberdade de ir e vir que os índios Kaiwá prezam. Hoje, com o crescimento da cidade e com a diminuição de terras livres na aldeia, os índios sentem-se presos a pequenos espaços de terra que devem ser utilizados para moradia e cultivo da agricultura para subsistência.
A moradia teve grandes modificações. Todos os entrevistados referiram em seus depoimentos que as casas eram feitas de sapé e que dormiam em redes até cerca de trinta a quarenta anos atrás ou até a interação maior com as outras etnias. Nas visitas realizadas à aldeia é possível constatar que as moradias atuais representam a cultura da cidade, casas de madeira ou de alvenaria, a maioria delas ainda sem reboco, mas com água encanada e energia elétrica.
A casa era de Sapé, bonita, bem alta... A casa era feita do chão, levantava o sapé. O índio do passado chamava de Oga jekutu. A gente dormia em cima de rede, rede de karaguata torcida, disso era feita a rede. Colocava brasa embaixo da rede no tempo de frio. (F-01)
5.5.1. O loteamento e a apropriação da terra
Dos 40 anos pra cá foram fazendo loteamento (dividindo as terras em pedaços pequenos
demarcados pela FUNAI). Hoje em dia cada um tem o seu loteamento (lote de terra)... E até
hoje né? Sabe que tem muita gente ignorante né? O índio Kaiwá pensa que o lugar é deles e Guarani também... Eu penso no meu pensamento e, sendo índio né, ele pode morar. Ele é índio, sendo a aldeia, certamente falando aqui é meu (apontando para a casa e o terreno em volta), ai é diferente aqui quem manda é eu... (M-01)
Com a chegada dos índios da etnia Terena na aldeia, na década de setenta, a Fundação Nacional do Índio - FUNAI dividiu as terras por metragem cedendo espaço para os índios já existentes, ou delimitando-os em um pequeno espaço de terra, para que os novos habitantes da Reserva tivessem espaço para construírem suas próprias casas.
Então viviam assim... O índio Kaiwá no seu pedaço de terra, e aí foram vindo mais índios da aldeia deles lá de Bananal né (Bananal é o nome de outra aldeia em município
próximo a Dourados). Mirando, mas só que numa parte chegaram trabalhado ai com seu
esforço... E hoje uns deles têm mercearia, bicicletaria, tem borracharia, muitos são vereadores, e mais por quê? Por que se interessaram né, e o nosso povo também pode ser assim. (M-01)
As terras são divididas de forma díspar entre as famílias indígenas das três etnias existentes. Os índios da etnia Kaiwá ainda representam os que têm mais filhos por família e estes são também os que menos se afastam da aldeia para estudar nas escolas da cidade ou nos cursos de graduação oferecidos por convênios com a Fundação Nacional do Índio – Funai.