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III. ÇALIŞMANIN KAYNAKLARI

2.1. AZÎMET

2.2.5. Ruhsat Sebepleri

A) FORMATO DE MEGAFONE INVERTIDO. B) FORMATO DE MEGAFONE

O formato de “Megafone invertido” (a) representa o conceito da Escola Tradicional Italiana de Canto, cujos preceitos defendiam a abertura interna da faringe. A abertura da boca nunca deve ser exagerada e o seu formato ao cantar deve ser natural, mantendo-se um leve sorriso, sem ser horizontal. O sorriso vem mais da região dos olhos, “inner smile” ou sorriso interior, confome

Jones (2001). A abertura da garganta está relacionada com uma emissão saudável do tom, permitindo uma adução total das pregas vocai e um livre fluxo de ar transformado imediatamente em som puro (JONES, 2002).

O formato de “Megafone”, em geral, não tem relação com a técnica de canto

lírico, discutida neste trabalho.

Após conhecer a história da ópera e a Pedagogia Vocal Italiana como referência até o século XX, bem como a importância da anatomia funcional da laringe e da respiração para a ressonância e projeção vocal do tenor, torna-se necessário compreender de que forma os professores de canto de Belo Horizonte vêm-se utilizando desses conhecimentos para a formação de seus alunos tenores.

A

Para um jovem tenor, um dos aspectos técnicos mais importantes é saber diferenciar a emissão adequada e com projeção, daquela forma de cantar baseada numa sonoridade nasal. De acordo com Jones (2006), com muita frequencia, na busca de um recurso para superar a zona de passagem, o tenor recorre à nasalidade, ou nasalância, que é o resultado de alguns fatores improdutivos, como os mencionados a seguir:

1) Posição baixa do palato mole e esfíncter palatino caído.

2) Emitir o som com excesso de pressão aérea, provocando a elevação da laringe e o fechamento da garganta.

3) Tensão na base da língua acompanhada de uma mandíbula em protusão (empurrada para frente). A mandíbula movimentada para frente não permite o fechamento completo (adução) das pregas vocais.

Segundo Jones (2006), o tenor sueco Jussi Bjoerling recomendava que o brilho, squillo, na voz do tenor fosse refletido em direção às cavidades da face e de certa forma na parte de trás do nariz, mas partindo de uma abertura da faringe, confirmando que a sensação na região nasal é muito sutil. O resultado da qualidade vocal é cálido e brilhante ao mesmo tempo, mas nunca nasal. O professor deve dedicar muito cuidado ao treino vocal do aluno. Se a sua voz estiver no registro de peito ou no registro de cabeça, a mesma deverá ser emitida de forma precisa e clara, sem passar pelo nariz ou ficar presa na garganta, pois são esses os mais nefastos defeitos de um cantor. Conclui, dizendo que é uma prioridade pedagógica remediar esses vícios (TOSI 1723 apud STAINER e BELL, 1987).

Miller (1993) afirma que as modificações de timbre que ocorrem em certos pontos da escala ascendente são resultado de variações de ajuste nos músculos da laringe. Alega ainda que um incremento da atividade do músculo Tiroaritenóideo (graves) é característica das notas do registro peito, enquanto o registro de cabeça é resultado da atividade do músculo Cricotireóideo.

Para Miller, os tenores fazem muitos ajustes dinâmicos durante o processo ascendente em direção à zona de passagem, o que demonstra que ao abordar essas notas há uma presença ativa de ambos os músculos, TA e CT. Conclui, denominando essa atividade “equalização de registros” (PERNA, 2008).

Conforme estabelecido por Jones (2006), a nasalidade na voz do tenor está relacionada com uma garganta estreita ou fechada. Essa emissão leva a uma falta de equilíbrio nos diferentes registros e, por isso, o tenor frequentemente clareia demais o timbre para se aproximar da sonoridade da voz de cabeça quando, na realidade, está “subindo” no registro de peito, fazendo com que o timbre começe a ficar estridente e áspero na região aguda.

O próprio autor revela que experimentou esse defeito técnico quando era aluno devido a uma classificação vocal equivocada, que o considerava um tenor, sendo, na verdade, um barítono lírico. Conta que a sua laringe subia na tentativa de alcançar as notas agudas, enquanto o palato estava baixo. Finalmente assegura que não pode existir uma correta transição de registros se a faringe estiver estreita e a voz colocada no nariz (JONES, 2006).

Quando o aluno tenor pretende cantar com mais brilho na voz, frequentemente confunde uma emissão anasalada ou muito aberta com a correta ressonância frontal, ou anterior. Na esperança de projetar a voz com claridade, não consegue ajustar as vogais na região de passaggio e, consequentemente, a região aguda fica inacessível (MILLER, 1993).

5.5. CLASSIFICAÇÃO DA VOZ DE TENOR

Conforme acontece com todas as vozes masculinas, a região mais grave da voz cantada do tenor se compara com a região da sua voz falada. Se colocar a palma da mão na região peitoral enquanto fala ou canta notas graves, haverá uma vibração facilmente perceptível. No entanto, ao cantar uma escala ascendente, a vibração no peito não será tão evidente. Daí vem a denominação voce di petto (voz de peito). Curiosamente, os pulmões não

funcionam como ressonadores, pois eles contêm ar, mas é possível que alguma forma de ressonância advinda da traqueia e, em menor medida, dos brônquios, junto à resposta pneumofonatória da laringe, possa contribuir para uma vibração claramente perceptível na região do peito durante as notas do registro grave. Assim sendo, quando o cantor usa a sua voz de peito, essa região é sentida como um ressonador (MILLER, 1993).

Segundo Miller (1993), o fenômeno dos registros vocais não depende somente das mudanças no nível da laringe e de ajustes supraglóticos, mas também da pressão subglótica e do fluxo aéreo, ou seja, do ar expirado durante a fonação. A “zona de passagem” é a região, onde devem acontecer as mudanças necessárias para manter o equilíbrio dinâmico da musculatura vocal.

Ao cantar uma escala ascendente, essa região pode variar de acordo com o tipo de tenor que, em geral, pode ter uma voz mais leve e aguda, ou mais pesada e dramática. Logo, se faz necessário uma observação das diferentes categorias da voz aguda masculina para melhor compreender esses aspectos (MILLER, 1993).

Conforme comentado anteriormente, ao cantar uma escala ascendente, uma parte dos músculos intrínsecos da laringe exerce uma ação dinâmica em oposição à outra parte em atividade estática. Isso acontece em zonas específicas da escala musical, que são descritas na pedagogia vocal, como “quebras”, ou “notas de passagem”. Será esclarecido, a seguir, como essas regiões de “risco de quebra de notas” são determinantes para definir a categoria, ou tipo de tenor (MILLER,1993).

A altura do som deve ser atingida com a ideia de manter a pressão aérea e a unidade da nota cantada e, para isso, é necessário o alongamento progressivo das pregas vocais com ações físicas específicas (LIVIGNI, 2013).

O êxito do ajuste de vogais na escala ascendente também pode depender de outros processos que influenciam a ressonância das vogais e que envolvem a posição baixa da mandíbula, a elevação do palato, a configuração correta da

língua e dos lábios, a faringe aberta e relaxada, e a laringe baixa. (NAIR 1999 apud SACRAMENTO, 2009).