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3.2. RUHSAL ZEKA VE LİDERLİK İLİŞKİSİNİN DEĞERLENDİRİLMESİ

3.2.1. Ruhsal Zeka ve Liderlik İlişkisi

Não  importa  se  examinada  pelo  olhar  de  uma  instituição  centenária  (aqui  considerando  o  início  a  partir  de  Lord  Dawson)  ou  a  partir  de  seu  30º  aniversário  (nesse caso considerando Alma Ata), a APS encontra‐se cada vez mais em evidência e  sua importância para as sociedades atualmente é indiscutível. 

 

Muitos  anos  de  predomínio  (sim,  até  hoje  hegemônico)  do  paradigma  biomédico  possibilitaram na verdade o surgimento de uma modalidade de produção de serviços e  bens  em  saúde  que  se  caracteriza  por  ser  altamente  contraditória.  Assim,  nada  aconteceu por um acaso e o momento histórico no qual esse paradigma teve início foi  justamente aquele no qual o capitalismo mais precisava de força para se desenvolver.    

Dessa  maneira,  e  essa  é  a  vertente  positiva  do  paradigma,  inúmeras  possibilidades  terapêuticas  se  tornaram  viáveis  a  partir  de  indústrias  (farmacêuticas  e  de  equipamentos)  que  então  se  desenvolviam  e  que  foram  beneficiadas  pelo  mesmo  paradigma.  Novos  tratamentos,  novos  medicamentos,  novas  possibilidades  para  a  humanidade (sim, aquela mesma que busca a utopia da vida eterna através da saúde)  começaram  a  acontecer.  Doenças  que  hoje  são  tratáveis,  preveníveis,  situações  até  então impensáveis do ponto de vista do arsenal médico passaram a ser realidade.     Ao mesmo tempo foi observado um aumento da crença na ciência como sendo uma  “entidade” capaz de proporcionar soluções para os mais diferentes dilemas da saúde.  As ciências da saúde, principalmente a medicina, apresentavam‐se cada vez mais como  sendo “ferramentas” possibilitadoras de uma “nova vida”, um “novo horizonte” para a  humanidade.  Ou  seja,  bastava  que  se  recorressem  aos  médicos,  aos  hospitais,  às  clínicas para que as dores estivessem aliviadas, as feridas cicatrizadas e, quase isso, a  morte  estivesse  afastada.  Os  recursos  humanos  seriam  formados  de  acordo  com  as  necessidades desse momento, tudo estaria garantido, seria uma engrenagem perfeita:  grande  ênfase  nos  tratamentos,  na  cura,  nas  doenças;  pouca  preocupação  com  as  pessoas;  estas  eram  na  verdade  patologias  incômodas  e  seus  corpos  seriam  adequadamente  despidos,  investigados,  fracionados,  submetidos  a  intervenções 

dolorosas (desumanas?). Sua qualidade de vida não se consistiria em preocupação. Sua  cultura  era  desprezível  frente  à  “ciência”  e  suas  condições  de  existência  não  fariam  parte  das  questões  que  a  saúde  deveria  se  preocupar.  Essa  situação  alimentaria  o  sistema,  que  venderia  medicamentos,  que  possibilitaria  exames,  que  disponibilizaria  insumos diversos.     Tanto barulho praticamente impediu que críticas e reflexões sobre esse modelo quase  “milagroso” fossem formuladas. Em um primeiro momento não devia haver dúvidas: a  humanidade havia chegado ao futuro. Mas o caminho para uma viagem tão distante  não devia ter custado barato. Algum preço deveria estar lá a ser pago. E a conta devia  ser paga por alguém. E aí surge o lado obscuro do paradigma. E aí também surgem os  questionamentos sobre ele, as insatisfações, o reconhecimento de que muito daquilo  que então parecia verdade era de fato uma utopia. A conta veio logo. E veio alta. E,  pior ainda, veio desigual e injusta. E, é lógico, cheia de insatisfações.   

A  realidade  chegou  às  pessoas.  Cansadas  de  serem  divididas  e  fragmentadas,  insatisfeitas  com  o  custo  que  não  correspondia  a  avanços  concretos  em  suas  vidas,  bem como com a maneira como eram (são?) atendidas, de forma descompromissada e  desinteressada, começaram a entender que esse modelo não é adequado.     São essas as principais razões pelas quais se faz necessário o surgimento de um novo  paradigma, libertador, baseado na promoção da saúde, capaz de colocar as pessoas na  condução de suas próprias vidas, humano, ético e solidário e sensível à determinação  social  das  doenças  dos  sujeitos,  ciente  de  que  sua  atuação  por  vezes  se  limitará  na  assistência, mas o horizonte e a “imagem objetivo” serão a atenção e a integralidade.    Mas como colocar em prática um novo paradigma, uma nova forma de produção de  serviços em saúde? Um novo modelo se estabelece por si próprio? Ele opera, produz e  torna suas ações concretas de maneira espontânea?    Por isso acredito que a superação desse desafio, que é o de transformar um modelo  baseado na doença para outro baseado na promoção da saúde, passa necessariamente 

por aqueles que na prática irão efetivamente desenvolver as ações de saúde junto à  população, que são os profissionais de saúde. E é também por essa razão que acredito  que  o  início  desse  processo  passa  por  sua  formação  acadêmica.  Torna‐se  para  mim  cada  vez  mais  evidente  que  o  profissional  formado  deve  saber  se  equilibrar  adequadamente entre diferentes saberes e permitir que sua prática profissional seja  balizada  por  tal  equilíbrio:  todas  as  formas  de  tecnologia  são  necessárias  (como  dar  conta  de  tamanho  desafio  imposto  pela  integralidade  sem  que,  pelo  menos,  haja  o  entendimento  da  complexidade  do  ser  humano  e  o  necessário  arsenal  para  o  seu  cuidado?);  sua  conduta  deve  permitir  a  crítica  e  a  reflexão  constante  de  seus  atos,  possibilitando  a  condução  de  encontros  éticos  e  solidários  entre  sujeitos,  cada  vez  mais  demandados,  pois  cada  vez  mais  torna‐se  claro  que  a  produção  de  encontros  desinteressados  e  descompromissados  não  é  aceitável;  devem  exercer  sua  profissão  de maneira adequada ao contexto social aonde estão inseridos, entendendo que esse  exercício  nada  mais  é  que  uma  forma  de  participação  e  contribuição  social;  devem  enfim reconhecer que o paradigma hegemônico não é onipotente, tem muitos limites  e que as posturas baseadas em “certezas” que ele traz podem muitas vezes conduzir a  mais males que benefícios para a saúde dos sujeitos.     E é natural imaginar que o aprendizado dessas habilidades, entre outras que também  poderiam ter sido citadas e que definem o perfil desejável do “novo” profissional de  saúde pode se dar a partir das IES. E como devem ser adequados ao contexto social  onde estão inseridos, entendendo e contribuindo para a política de saúde do país, a  ênfase deve ser na APS, local aonde legitimamente deve se dar a dignidade, o acesso, a  crítica e a reflexão, a contribuição e construção de uma nova realidade, de um novo  paradigma.    Essa nova realidade, que pode ser construída a partir da APS, passa por essa postura  profissional  renovada,  menos  normatizadora,  mais  afetiva,  mais  solidária,  buscando  compromisso  entre  os  sujeitos.  As  pessoas  precisam  se  sentir  amparadas,  entender  que  o  profissional  de  saúde  está  lá  ao  lado  delas  não  como  alguém  que  irá  fazer  cobranças e sim alguém que irá possibilitar apoio quando estiverem em dificuldade de  colocar  em  prática  determinadas  atitudes.  Não  se  trata  de  adotar  uma  postura 

paternalista: é necessário reconhecer o problema, escutar as pessoas  e permitir que  elas  construam  caminhos  para  a  solução  de  seus  problemas,  amparados  pelos  profissionais  de  saúde,  ao  invés  de  impor  verticalmente  “soluções”  que  para  elas  muitas  vezes  não  são  factíveis.  Assim  feito  iremos,  profissionais  da  saúde,  aproximarmos cada vez mais das pessoas, entender suas dificuldades diárias e limites  impostos por essas dificuldades, respeitá‐las e fazer da luta diária que travam por sua  sobrevivência a nossa própria luta. 

 

Os  resultados  obtidos  a  partir  desse  trabalho  podem  de  fato  apontar  para  um  perfil  profissional  mais  adequado  para  a  solução  dos  desafios  que  são  colocados,  especialmente se forem comparados com outros estudos feitos anteriormente e que  apontam uma evidente inadequação do egresso de odontologia (PAIXÃO, et, al, 1981).  Mas  estão  longe  de  encerrar  a  questão.  A  construção  dessa  nova  tão  sonhada  realidade  passa  tanto  pela  efetivação  dos  princípios  que  definem  a  APS  (sim,  é  nela  que  efetivamente  tem  início  a  tão  desejada  chamada  dignidade)  quanto  pela  adequada  formação  dos  recursos  humanos  envolvidos,  sendo  que  é  praticamente  impossível  no  meu  entendimento  a  dissociação  dessas  duas  metas.  Também  é  importante que se afirme que a sociedade se modifica constantemente, com reflexos  diretos sobre os processos ligados à saúde e ao adoecimento e assim investigações se  tornam  necessárias  para  a  atualização  das  diferentes  possibilidades  de  ação  (DRUMOND, 2002).  

 

O momento econômico que o mundo vive e que serve mais uma vez como um grande  questionamento  do  sistema  capitalista,  excludente  e  egoísta,  chama  a  todos  a  trabalhar  arduamente  pela  efetivação  da  APS,  inclusivo  e  solidário,  um  verdadeiro  projeto de mundo e sociedade. A formação dos profissionais de saúde deve, portanto,  ser constantemente revista e examinada para que atendam a esse novo imperativo de  construção desse projeto, na verdade muito mais que um novo modo de se atender  pessoas. 

 

O  desafio  está  lançado.  Mais  que  coragem,  devemos  encará‐lo  de  frente,  nunca  perdendo a esperança, mas lutando sempre... 

                          ANEXOS                         

ANEXO1: Parecer do COEP 

ANEXO 2: Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Odontologia  CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO  CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR    RESOLUÇÃO CNE/CES 3, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2002.(*)   

Institui  Diretrizes  Curriculares  Nacionais  do  Curso de Graduação em Odontologia. 

 

O  Presidente  da  Câmara  de  Educação  Superior  do  Conselho  Nacional  de  Educação,  tendo  em  vista  o  disposto no Art. 9º, do § 2º, alínea “c”, da Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, e com fundamento no  Parecer  CES  1.300/2001,  de  06  de  novembro  de  2001,  peça  indispensável  do  conjunto  das  presentes  Diretrizes Curriculares Nacionais, homologado pelo Senhor Ministro da Educação, em 4 de dezembro de  2001, resolve: 

 

Art.  1º  A  presente  Resolução  institui  as  Diretrizes  Curriculares  Nacionais  do  Curso  de  Graduação  em  Odontologia,  a  serem  observadas  na  organização  curricular  das  Instituições  do  Sistema  de  Educação  Superior do País. 

 

Art.  2º  As  Diretrizes  Curriculares  Nacionais  para  o  Ensino  de  Graduação  em  Odontologia  definem  os  princípios, fundamentos, condições e procedimentos da formação de Cirurgiões Dentistas, estabelecidas  pela  Câmara  de  Educação  Superior  do  Conselho  Nacional  de  Educação,  para  aplicação  em  âmbito  nacional  na  organização,  desenvolvimento  e  avaliação  dos  projetos  pedagógicos  dos  Cursos  de  Graduação em Odontologia das Instituições do Sistema de Ensino Superior.    Art. 3º O Curso de Graduação em Odontologia tem como perfil do formando egresso/profissional o  Cirurgião Dentista, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, para atuar em todos os  níveis de atenção à saúde, com base no rigor técnico e científico. Capacitado ao exercício de  atividades referentes à saúde bucal da população, pautado em princípios éticos, legais e na  compreensão da realidade social, cultural e econômica do seu meio, dirigindo sua atuação para a  transformação da realidade em benefício da sociedade.   

Art.  4º  A  formação  do  Cirurgião  Dentista  tem  por  objetivo  dotar  o  profissional  dos  conhecimentos  requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades gerais:  

 

I ‐  Atenção  à  saúde:  os  profissionais  de  saúde,  dentro  de  seu  âmbito  profissional,  devem  estar  aptos  a  desenvolver  ações  de  prevenção,  promoção,  proteção  e  reabilitação  da  saúde, tanto em nível individual quanto coletivo. Cada profissional deve assegurar que  sua  prática  seja  realizada  de  forma  integrada  e  contínua  com  as  demais  instâncias  do  sistema  de  saúde,  sendo  capaz  de  pensar  criticamente,  de  analisar  os  problemas  da  sociedade e de procurar soluções para os mesmos. Os profissionais devem realizar seus  serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da ética/bioética,  tendo em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato  técnico,  mas  sim,  com  a  resolução  do  problema  de  saúde,  tanto  em  nível  individual  como coletivo; 

II ‐  Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na  capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custo‐efetividade, da  força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas.  Para  este  fim,  os  mesmos  devem  possuir  competências  e  habilidades  para  avaliar,  sistematizar e decidir as condutas mais adequadas, baseadas em evidências científicas;  III ‐  Comunicação:  os  profissionais  de  saúde  devem  ser  acessíveis  e  devem  manter  a 

confidencialidade  das  informações  a  eles  confiadas,  na  interação  com  outros 

(*)

CNE. Resolução CNE/CES 3/2002. Diário Oficial da União, Brasília, 4 de março de 2002. Seção 1, p. 10.

profissionais de saúde e o público em geral. A comunicação envolve comunicação verbal,  não‐verbal  e  habilidades  de  escrita  e  leitura;  o  domínio  de,  pelo  menos,  uma  língua  estrangeira e de tecnologias de comunicação e informação; 

IV ‐  Liderança:  no  trabalho  em  equipe  multiprofissional,  os  profissionais  de  saúde  deverão  estar aptos a assumirem posições de liderança, sempre tendo em vista o bem estar da  comunidade.  A  liderança  envolve  compromisso,  responsabilidade,  empatia,  habilidade  para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz;  V ‐  Administração e gerenciamento: os profissionais devem estar aptos a tomar iniciativas, 

fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho, dos recursos físicos e  materiais  e  de  informação,  da  mesma  forma  que  devem  estar  aptos  a  serem  empreendedores, gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde; e 

VI ‐  Educação permanente: os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente,  tanto  na  sua  formação,  quanto  na  sua  prática.  Desta  forma,  os  profissionais  de  saúde  devem aprender a aprender e ter responsabilidade e compromisso com a sua educação  e  o  treinamento/estágios  das  futuras  gerações  de  profissionais,  mas  proporcionando  condições para que haja benefício mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais  dos  serviços,  inclusive,  estimulando  e  desenvolvendo  a  mobilidade  acadêmico/profissional,  a  formação  e  a  cooperação  através  de  redes  nacionais  e  internacionais. 

 

Art.  5º  A  formação  do  Cirurgião  Dentista  tem  por  objetivo  dotar  o  profissional  dos  conhecimentos  requeridos para o exercício das seguintes competências e habilidades específicas: 

 

I ‐  respeitar os princípios éticos inerentes ao exercício profissional; 

II ‐  atuar  em  todos  os  níveis  de  atenção  à  saúde,  integrando‐se  em  programas  de  promoção, manutenção, prevenção, proteção e recuperação da saúde, sensibilizados  e comprometidos com o ser humano, respeitando‐o e valorizando‐o; 

III ‐  atuar  multiprofissionalmente,    interdisciplinarmente  e  transdisciplinarmente  com  extrema  produtividade  na  promoção  da  saúde  baseado  na  convicção  científica,  de  cidadania e de ética; 

IV ‐  reconhecer  a  saúde  como  direito  e  condições  dignas  de  vida  e  atuar  de  forma  a  garantir  a  integralidade  da  assistência,  entendida  como  conjunto  articulado  e  contínuo das ações e serviços preventivos e curativos, individuais e coletivos, exigidos  para cada caso em todos os níveis de complexidade do sistema; 

V ‐  exercer  sua  profissão  de  forma  articulada  ao  contexto  social,  entendendo‐a  como  uma forma de participação e contribuição social; 

VI ‐  conhecer métodos e técnicas de investigação e elaboração de trabalhos acadêmicos e  científicos; 

VII ‐  desenvolver assistência odontológica individual e coletiva; 

VIII ‐  identificar  em  pacientes  e  em  grupos  populacionais  as  doenças  e  distúrbios  buco‐ maxilo‐faciais  e  realizar  procedimentos  adequados  para  suas  investigações,  prevenção, tratamento e controle;  IX ‐  cumprir investigações básicas e procedimentos operatórios;  X ‐  promover a saúde bucal e prevenir doenças e distúrbios bucais;  XI ‐  comunicar e trabalhar efetivamente com pacientes, trabalhadores da área da saúde e  outros indivíduos relevantes, grupos e organizações;  XII ‐  obter e eficientemente gravar informações confiáveis e avaliá‐las objetivamente;  XIII ‐  aplicar conhecimentos e compreensão de outros aspectos de cuidados de saúde na  busca de soluções mais adequadas para os problemas clínicos no interesse de ambos,  o indivíduo e a comunidade; 

XIV ‐  analisar  e  interpretar  os  resultados  de  relevantes  pesquisas  experimentais,  epidemiológicas e clínicas; 

XV ‐  organizar,  manusear  e  avaliar  recursos  de  cuidados  de  saúde  efetiva  e  eficientemente; 

XVI ‐  aplicar conhecimentos de saúde bucal, de doenças e tópicos relacionados no melhor  interesse do indivíduo e da comunidade; 

XVII ‐  participar  em  educação  continuada  relativa  a  saúde  bucal  e  doenças  como  um  componente da obrigação profissional e manter espírito crítico, mas aberto a novas  informações; 

XVIII ‐  participar de investigações científicas sobre doenças e saúde bucal e estar preparado  para aplicar os resultados de pesquisas para os cuidados de saúde; 

XIX ‐  buscar  melhorar  a  percepção  e  providenciar  soluções  para  os  problemas  de  saúde  bucal e áreas relacionadas e necessidades globais da comunidade; 

XX ‐  manter reconhecido padrão de ética profissional e conduta, e aplicá‐lo em todos os  aspectos da vida profissional; 

XXI ‐  estar ciente das regras dos trabalhadores da área da saúde bucal na sociedade e ter  responsabilidade pessoal para com tais regras; 

XXII ‐  reconhecer  suas  limitações  e  estar  adaptado  e  flexível  face  às  mudanças  circunstanciais; 

XXIII ‐  colher, observar e interpretar dados para a construção do diagnóstico;  XXIV ‐  identificar as afecções buco‐maxilo‐faciais prevalentes; 

XXV ‐  propor e executar planos de tratamento adequados;  XXVI ‐  realizar a preservação da saúde bucal; 

XXVII ‐  comunicar‐se  com  pacientes,  com  profissionais  da  saúde  e  com  a  comunidade  em  geral; 

XXVIII ‐  trabalhar em equipes interdisciplinares e atuar como agente de promoção de saúde;  XXIX ‐  planejar e administrar serviços de saúde comunitária; 

XXX ‐  acompanhar  e  incorporar  inovações  tecnológicas  (informática,  novos  materiais,  biotecnologia) no exercício da profissão. 

 

Parágrafo  único.  A  formação  do  Cirurgião  Dentista  deverá  contemplar o  sistema  de  saúde  vigente  no  país,  a  atenção  integral  da  saúde  num  sistema  regionalizado  e  hierarquizado  de  referência  e  contra‐ referência e o trabalho em equipe.    Art. 6º Os conteúdos essenciais para o Curso de Graduação em Odontologia devem estar  relacionados com todo o processo saúde‐doença do cidadão, da família e da comunidade, integrado  à realidade epidemiológica e profissional. Os conteúdos devem contemplar:   

I ‐  Ciências  Biológicas  e  da  Saúde  –  incluem‐se  os  conteúdos  (teóricos  e  práticos)  de  base  moleculares  e  celulares  dos  processos  normais  e  alterados,  da  estrutura  e  função  dos  tecidos,  órgãos,  sistemas  e  aparelhos,  aplicados  às  situações  decorrentes  do  processo  saúde‐doença no desenvolvimento da prática assistencial de Odontologia. 

II ‐  Ciências Humanas e Sociais – incluem‐se os conteúdos referentes às diversas dimensões  da  relação  indivíduo/sociedade,  contribuindo  para  a  compreensão  dos  determinantes  sociais,  culturais,  comportamentais,  psicológicos,  ecológicos,  éticos  e  legais,  nos  níveis  individual e coletivo, do processo saúde‐doença. 

III ‐ Ciências Odontológicas – incluem‐se os conteúdos (teóricos e práticos) de: 

a)  propedêutica  clínica,  onde  serão  ministrados  conhecimentos  de  patologia  bucal,  semiologia e radiologia; 

b)  clínica  odontológica,  onde  serão  ministrados  conhecimentos  de  materiais  dentários,  oclusão,  dentística,  endodontia,  periodontia,  prótese,  implantodontia,  cirurgia  e  traumatologia buco‐maxilo‐faciais; e 

c)  odontologia  pediátrica,  onde  serão  ministrados  conhecimentos  de  patologia,  clínica  odontopediátrica e de medidas ortodônticas preventivas. 

 

Art. 7º A formação do Cirurgião Dentista deve garantir o desenvolvimento de estágios curriculares, sob  supervisão  docente.  Este  estágio  deverá  ser  desenvolvido  de  forma  articulada  e  com  complexidade  crescente  ao  longo  do  processo  de  formação.  A  carga  horária  mínima  do  estágio  curricular  supervisionado  deverá  atingir  20%  da  carga  horária  total  do  Curso  de  Graduação  em  Odontologia  proposto,  com  base  no  Parecer/Resolução  específico  da  Câmara  de  Educação  Superior  do  Conselho  Nacional de Educação.  

 

Art.  8º  O  projeto  pedagógico  do  Curso  de  Graduação  em  Odontologia  deverá  contemplar  atividades  complementares e as Instituições de Ensino Superior deverão criar mecanismos de aproveitamento de  conhecimentos,  adquiridos  pelo  estudante,  através  de  estudos  e  práticas  independentes  presenciais  e/ou  a  distância,  a  saber:  monitorias  e  estágios;  programas  de  iniciação  científica;  programas  de  extensão; estudos complementares e cursos realizados em outras áreas afins. 

 

Art.  9º  O  Curso  de  Graduação  em  Odontologia  deve  ter  um  projeto  pedagógico,  construído  coletivamente,  centrado  no  aluno  como  sujeito  da  aprendizagem  e  apoiado  no  professor  como  facilitador  e  mediador  do  processo  ensino‐aprendizagem.  Este  projeto  pedagógico  deverá  buscar  a  formação integral e adequada do estudante através de uma articulação entre o ensino, a pesquisa e a  extensão/assistência.  

 

Art.  10.  As  Diretrizes  Curriculares  e  o  Projeto  Pedagógico  devem  orientar  o  Currículo  do  Curso  de  Graduação em Odontologia para um perfil acadêmico e profissional do egresso. Este currículo deverá  contribuir,  também,  para  a  compreensão,  interpretação,  preservação,  reforço,  fomento  e  difusão  das  culturas nacionais e regionais, internacionais e históricas, em um contexto de pluralismo e diversidade  cultural. 

 

§  1º  As  Diretrizes  Curriculares  do  Curso  de  Graduação  em  Odontologia  deverão  contribuir  para  a  inovação e a qualidade do projeto pedagógico do curso.    § 2º O Currículo do Curso de Graduação em Odontologia poderá incluir aspectos complementares de  perfil, habilidades, competências e conteúdos, de forma a considerar a inserção institucional do curso, a  flexibilidade individual de estudos e os requerimentos, demandas e expectativas de desenvolvimento do  setor saúde na região.   

Art.  11.  A  organização  do  Curso  de  Graduação  em  Odontologia  deverá  ser  definida  pelo  respectivo  colegiado do curso, que indicará a modalidade: seriada anual, seriada semestral, sistema de créditos ou 

Benzer Belgeler