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6. BULGULAR VE TARTIŞMA

6.7 İstatiksel Analiz

6.7.1 RSM sonuçlarının değerlendirilmesi

A concepção de Bourdieu de “campo religioso” revela uma transformação das mais importantes na realidade social e cultural ocorrida com o advento da Modernidade no mundo ocidental. No período antecedente, a religião era uma realidade que permeava todas as áreas da vida humana e social. Relações sociais, aspectos bem particulares da vida pessoal, ações coletivas, atividades produtivas e reprodutivas, intelectuais e morais, políticas e particulares, eram governadas e motivadas pelo religioso. Não se pensava em “campo religioso”, como uma área distinta das outras áreas. Com a Modernidade, surgiu a separação entre Igreja e Estado e a conseqüente reformulação do lugar e do papel da religião na vida individual e social. Surgiu a distinção entre sagrado e profano. Este se expandiu e se subdividiu em diversos campos específicos, enquanto que aquele se via cada vez mais reduzido.

O conceito bourdieano de “campo” ajuda-nos a compreender os processos sociais que são construídos no interior dos grupos religiosos e o seu funcionamento. A sociedade é um sistema de campos em que cada campo possui uma estrutura própria, regras próprias e capital social próprio. O que caracteriza, para Bourdieu, cada campo e sua estrutura é a dinâmica de luta ou de conflito, em busca da conquista ou da manutenção do poder. “Campo” é definido por Bourdieu como espaço estruturado de posições ou de postos, cujas propriedades dependem das posições nestes espaços, posições que podem ser analisadas

independentemente das características de seus ocupantes. Um campo é, portanto, uma estrutura de luta, de conflito, caracterizada por uma relação de forças, o que significa dizer que cada campo, inclusive o religioso, é um espaço estruturado de poder.

Para Bourdieu (1998), os sistemas simbólicos exercem um poder de estruturar, de construir a realidade, em virtude de serem eles sistemas estruturados. O poder simbólico estabelece uma “ordem gnoseológica”, que consiste numa homogeneidade de sentido do mundo, especialmente do mundo social. O símbolo não somente comunica sentido, mas, ao fazê-lo, exerce uma função social, ou seja, a função de integrar os indivíduos socialmente e contribuir para a manutenção e reprodução da ordem social vigente. Em suma, o símbolo é uma estrutura que constrói ou comunica sentido e que, por isso, integra a sociedade e que, por sua vez, reproduz a ordem social.

A modernidade secularizada e secularizante, entretanto, não permite a existência de um único sistema simbólico. Com isso, a integração da sociedade passa a ser realizada por diversos sistemas simbólicos. A pluralidade social implica em uma pluralidade simbólica. A quebra da hegemonia religiosa e o deslocamento da legitimidade do poder do céu para a terra produziu a relativização de toda legitimidade definitiva absoluta e trouxe como resultado a fragmentação do poder. Aparecem poderes relativos e localizados, inscritos, construídos e legitimados no interior de cada campo.

O poder está presente em toda parte na sociedade. Porém, é no campo simbólico que ele se manifesta com menos visibilidade e, por isso mesmo, com mais eficácia. O poder simbólico é derivado dos agentes envolvidos nas relações sociais em que ele opera. Tais relações são, sobretudo, relações de poder ou dominação. Assim, a luta de forças na sociedade de classes abrange o campo simbólico, na medida em que uma classe social impõe sobre as outras classes seus interesses, sua ideologia e suas definições de mundo.

No pensamento bourdieano (1992), há uma homologia entre o campo de produção ideológica e o campo das classes sociais: a divisão do trabalho religioso é uma dimensão da divisão do trabalho social. Os leigos são desapossados dos meios de produção simbólica, assim como a classe dominada é desapossada dos meios de produção ma terial. Numa sociedade de classes, portanto, verifica-se um processo de constituição de um corpo de especialistas na produção, seja material, seja simbólica. As religiões de modo geral constituem uma classe de produtores especializados, que definem os credos e as práticas corretas, impondo-os para todo o grupo. Nas igrejas tradicionais, os concílios maiores, constituídos em sua maioria por clérigos, têm exclusivamente a competência de definir as doutrinas e a ética corretas. Nas igrejas neopentecostais, as crenças, os rituais e as práticas

corretas são definidas pelo líder carismático maior, que também é o administrador, ou gerente do grupo, que define as metas e objetivos a serem alcançados pela sua empresa de bens religiosos.

Tais produtores competentes exclusivos de bens religiosos detêm, portanto, tanto o poder simbólico como também o poder material; concentram em si mesmos, pessoalmente e individualmente, não só o poder ideológico, simbólico, carismático como também o poder administrativo. As classificações e estruturas sociais são legitimadas por taxinomias filosóficas, religiosas, jurídicas, etc. A reprodução das estruturas sociais nas estruturas simbólicas é oculta como relação de força e manifesta como relação de sentido. Assim, o campo simbólico – do qual participa o campo religioso – permitindo tal ocultamento, manifesta sua função ideológica.

Conclui-se daí que o poder simbólico é derivado de outro poder, a saber: aquele que é exercido pelos agentes sociais em relações de poder, no próprio campo social em que se produz a crença. Porém, ele só pode ser exercido quando há o seu reconhecimento. A força simbólica é chamada, por Bourdieu, de capital simbólico. As classes dominadas não são destituídas de poder. Sua condição não é passiva e imutável. Sempre existe a possibilidade de manifestar-se o poder latente das classes dominadas, quando se revelam a arbitrariedade e as falsas evidências da ortodoxia (que apresenta a ordem estabelecida como se fosse natural).

Benzer Belgeler