KOMUTANLIĞI DÖNEMİ FAALİYETLERİ
3.3. Rota Muharebesi ( 20 Ocak 1915)
responsabilizar os culpados foram interpostas nas áreas criminal, civil e trabalhista pelos promotores e procuradores locais. Com relação à ação penal, há demora em alguns dos procedimentos legais que estão atrasando a prestação de justiça às famílias das vítimas. O processo crime se arrasta há 3 anos, sem que haja uma condenação dos responsáveis pela morte e lesões corporais das vítimas.
A denúncia foi interposta em 13.04.99, mas o andamento da ação penal ficou paralisado por 6 meses a fim de se cumprir as cartas precatórias relativa à oitiva de testemunhas, isto é, a citação das testemunhas proporcionadas pela defesa. O art 203 do Código de Processo Civil estabelece que em todas as cartas precatórias o juiz declarará o prazo dentro do quais estas deverão ser cumpridas, atendendo à facilidade das comunicações e à natureza da diligência. O art 212 do código supra mencionado, por sua vez, determina que o prazo de devolução da carta precatória ao juízo deprecado é de 10 dias. No presente caso, alguns dos juízes deprecantes, levaram 6 meses para devolver as cartas precatórias cumpridas, apesar da insistência do juízo deprecado. Conseqüentemente, após 3 anos desde a abertura do processo, este sequer finalizou a fase de instrução.
Ademais, o mandado de prisão preventiva do réu (o proprietário da fábrica Osvaldo Prazeres Bastos) nunca foi cumprido. Os autos do processo demonstram que o mandado não pôde ser cumprido porque o réu encontrava-se foragido, mas os habitantes de Santo Antonio de Jesus sabem onde mora o Sr. Osvaldo Bastos, que é comerciante próspero e personagem influente e conhecido na cidade. A demora no andamento da ação penal vem repercutindo na área civil, pois esta seria resolvida mais rapidamente se já houvesse uma condenação na esfera pena. A ação civil de indenização foi proposta em 09.02.99, mas ainda não foi aberta a sua fase de instrução (produção de provas). Em dezembro de 2000, foi aberta vista ao Ministério Público que, somente 6 meses depois, em junho de 2001, protocolou uma petição argumentando que o réu não havia contestado e solicitando julgamento antecipado da lide.
As Reclamações Trabalhistas. A respeito das reclamações trabalhistas, das 43 ações
interpostas, 42 foram indeferidas pela Juíza do Trabalho, Dra. Esmeralda Simões Martinez, que, apesar de reconhecer toda a problemática de irregularidades existentes na fabricação de fogos de artifício na cidade de Santo Antonio de Jesus e adjacências, (cujos trechos da sentença foram transcritos acima), extinguiu os processos sem julgamento do mérito por entender que, na maioria dos casos, não estava comprovado o vínculo empregatício entre os donos da fábrica e as pessoas que ali se encontravam trabalhando quando a explosão ocorreu.
Esta sentença foi alvo de críticas tanto por parte das vítimas, como também da sociedade em geral Algumas das sentenças apeladas já foram revertidas pela segunda instância da Justiça do Trabalho, especificamente, o acórdão n.17.012/01, emitido pela 2a. Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 5a Região, o qual reconheceu o liame empregatício de forma inequívoca e remeteu os autos de volta à Juíza do Trabalho a fim de que prosseguisse no julgamento da lide.
O Projeto Fênix Após a tragédia ocorrida na fábrica, o governo estadual, em parceria com a
prefeitura e diversos segmentos da sociedade civil organizada, como a Associação Comercial e Industrial de Santo Antonio de Jesus, igrejas, e o Sindicato do Comércio de Santo Antonio de Jesus, criou em 1999 o Projeto Fenix, com a finalidade de regularizar o fabrico de fogos de artifício na região. O governo do Estado assinou o protocolo de intenção para construir um condomínio, onde seriam fabricados fogos de artifício de forma segura, para desenvolver um sistema de cooperativa e planejou o atendimento de crianças através do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI).
Todavia, transcorridos 3 anos da criação do projeto, nada do planejado foi efetivamente realizado, sendo que a construção do condomínio foi paralisada, conforme demonstram as fotos tiradas do local em agosto de 2001 . Atualmente, o PETI está atendendo as crianças, mas sua estrutura do PETI está deficitária, com muitos problemas internos (violência, professores não especializados, etc). Com isso, o PETI não está se adequando a realidade das crianças. A fabricação de fogos de forma clandestina e irresponsável, bem como a exploração de mão-de- obra de mulheres, adolescentes e crianças, continua sendo realizada na região.
A falta de fiscalização atual e a continuidade das fábricas ilegais Embora a explosão na
fábrica de propriedade de Osvaldo Prazeres Bastos em 11 de dezembro de 1998 tenha alcançado proporções enormes, outras fábricas administradas por ele continuam a funcionar até hoje, e sob as mesmas condições precárias. Em outubro de 1999, um Coronel do Exército Fernando José de Matos Oliveira recebeu denúncias de utilização irregular de produtos controlados na região de Santo Antonio de Jesus.
O coronel solicitou informações a respeito de tais denúncias ao Sr. Gilson Fróes Prazeres Bastos, vereador da cidade e, curiosamente, um parente do Sr. Osvaldo Prazeres Bastos. O Sr. Gilson afirmou que a fabricação de “estalinhos” naquele município era feita livremente, com a conivência da Prefeitura local, a qual fornecia alvarás para essas fábricas artesanais. O vereador ademais informou que membros de sua família participavam deste tipo de atividade comercial, inclusive o Sr. Osvaldo Prazeres Bastos (Anexo 11).
Na época o Coronel, a cargo da investigação, enviou um ofício ao Juiz da Comarca de Santo Antonio de Jesus solicitando que este determinara providências a fim de coibir tal prática, já que constitui crime a utilização ilegal de pólvora, de acordo com o artigo 253 do Código Penal Brasileiro.
Atualmente, as fábricas de fogos na região continuam funcionando sob as mesmas condições precárias, expondo os trabalhadores ao risco de morte. Em sua sentença datada de 29.03.01, nos autos do processo 42.01.00.1357-01, a Juíza do Trabalho afirma: “enfim, tudo continua como antes, a atividade do fabrico de fogos também, afinal Natal e São João acontecem todos os anos, o que nunca mais vai acontecer é a volta daqueles que foram devorados pelas chamas da irresponsabilidade de alguns, que se omitiram na prestação do seu dever.”
Em entrevista realizada pela Justiça Global e membros da Comissão de Direitos Humanos da OAB de Salvador com os promotores designados para o caso, o promotor Dr. Julimar Barreto Ferreira informou que havia realizado uma “blitz” na cidade no dia 12 de junho de 2001 a fim de averiguar a existência de outras fábricas clandestinas. A operação foi coordenada juntamente com membros do Exército e um Procurador do Trabalho, mas resultou negativa. O Dr. Julimar relatou que não encontraram pessoas trabalhando no local, mas apenas cloreto de potássio e traques armazenados e que dito material não era passível de apreensão pelo exército. Em virtude de denúncias feitas por entidades locais, a Justiça Global decidiu investigar por conta própria a situação das vítimas da explosão da fábrica de fogos de artifício. Assim, entre os dias 19 e 24 de agosto, pesquisadores do Centro de Justiça Global foram a Santo Antônio de Jesus levantar dados para a elaboração da presente petição. Foram feitas várias entrevistas com os promotores e com juízes do caso. Foram ouvidos e fotografados todos os sobreviventes e quase todos os parentes das vítimas (Anexos 02 e 10).
Além disso, buscou-se averiguar a existência de fábrica de fogos de artifício clandestina ou sem as condições mínimas de segurança para o seu funcionamento. O resultado desta investigação foi surpreendente. A equipe da Justiça Global conseguiu localizar quatro fábricas clandestinas de fogos de artifício de propriedade de Antônio dos Prazeres e que continuam existindo mesmo após a tragédia de 1998. Foram flagradas também famílias que confeccionam fogos em casa sem a menor segurança. As fábricas clandestinas empregam preferencialmente mulheres e crianças, burlando a fiscalização da Secretaria Regional do Trabalho. Ficou constatado ainda que o Ministério do Exército, que deveria fiscalizar atividades ligadas à produção de material explosivo, tem ignorado as fábricas ilegais em Santo Antônio de Jesus. A situação de extrema pobreza dessas comunidades obriga a população a se submeter ao trabalho extremamente perigoso nas fábricas de fogos de artifício. Além da situação de risco,
esses trabalhadores recebem salários miseráveis. Eles contam, por exemplo, que recebem R$ 0,50 (cinqüenta centavos) pela produção de mil traques (pequenos pedaços de pólvora embrulhados em papel).
Em uma das fábricas flagradas pela equipe da Justiça Global foi recolhida 01 caixa de estalos Buri com data de fabricação de abril/200, o que comprova que a produção de fogos persiste. Note-se ainda que o Sr. Osvaldo Prazeres e família usam o nome de parentes ou amigos para registrar as fábricas clandestinas de sua propriedade, junto a JUCEB - BA, sendo que os números dos telefones que constam na caixa de estalos são de propriedade de sua família. (Anexo 12)
II. ADMISSIBILIDADE DO PEDIDO