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BÖLÜM 2: 1917 YILINDA CEPHELERDE DURUM

2.4. Romanya Cephesi

A primeira parte da análise procura testar a hipótese de erro de mensuração da raça. As estimativas da equação de Mincer são reportadas na Tabela 3.2, apresentada no final da seção. Imediatamente, observa-se que a correção é necessária para evitar estimativas de mínimos quadrados inconsistentes, tendo em vista que por meio do teste de Hausman, rejeita-se fortemente a hipótese de exogeneidade da dummy para raça e, dessa forma, a não existência de um erro de mensuração. A restrição de identificação é a dummy para a religião africana, que é estatisticamente significativa, apresentando um impacto positivo sobre a identificação dos negros na população brasileira, em aproximadamente 16,3%, permitindo assim afastar eventuais problemas decorrentes de um instrumento fraco. A última coluna apresenta o primeiro estágio do estimador de variáveis instrumental, com resultados próximos aos encontrados com a estimação paramétrica, cujos efeitos marginais estão expostos na segunda coluna, tendo em vista que, para melhor investigar a probabilidade do indivíduo se declarar negro, na primeira e na segunda coluna estão expostos os valores estimados para um modelo probit.45

A educação, em geral, possui um impacto negativo. Quanto maior o nível educacional, tanto no nível individual como na média do grupo na microrregião, menor é a probabilidade de uma pessoa considerar-se negra. A educação superior também mostra um efeito significativo e negativo, o que também é observado no coeficiente relativo à educação média do grupo na microrregião. Com isso, caso um indivíduo com as médias educacionais encontradas nos grupos dos negros passe a ter os respectivos valores dos brancos, sua probabilidade de ter-se declarado negro é reduzida em 10,85%. Diante desse quadro, não se pode rejeitar a hipótese de que a cor do indivíduo esteja relacionada com seu nível educacional, tornando-a uma proxy válida para a qualificação do indivíduo, no sentido sugerido por Coate e Loury (1993).

De outro lado, um emprego formal aumenta as chances de uma pessoa declarar-se negra, num valor estimado em torno de 10,30%. No entanto, olhando apenas para os dados, observa-se que entre indivíduos trabalhando, 40,65% dos brancos possuem carteira assinada, contra

45 Como a dummy para negros é uma variável binária, restrita ao intervalo unitário, não é recomendável o uso de

mínimos quadrados ordinários em virtude da possibilidade da estimação de valores não válidos. Dessa forma, é mais apropriado o uso de métodos paramétricos como probit (GREENE, 2003).

37,54% dos negros, de sorte que há um efeito positivo de se ter uma relação formal de trabalho na probabilidade do indivíduo se reconhecer como negro.

Residir no Norte, Nordeste e nas regiões Centro-Oeste também é um fator que contribui para aumentar essa probabilidade, o que é consistente com a distribuição geográfica da população brasileira. O fato de ser do sexo feminino também aumenta a probabilidade de se declarar negro, muito embora o efeito seja pequeno, de apenas 3,29%. Note-se, contudo, que a maioria das mulheres se declarou branca.

Por sua vez, o viés devido ao erro de mensuração da raça na Equação Mincer pode ser avaliado pela comparação da terceira e da quarta colunas da Tabela 3.2. Nota-se que, com exceção das variáveis geográficas, controlar para a raça altera pouco a estimativa dos coeficientes, dada a similitude das estimativas encontradas entre a terceira e a quarta coluna. No entanto, já no tocante ao impacto da dummy para negros existem importantes diferenças, justamente em decorrência da dissonância entre a ”autoclassificação” e aquela recebida no mercado de trabalho. De fato, observa-se um expressivo aumento do valor estimado, em 20,01 pontos percentuais, saindo de uma redução esperada de 17,31% para 34,38%, o que indica a subestimação do diferencial de salários entre brancos e não brancos, em decorrência do erro de mensuração.46

O impacto de um ano de educação sobre os salários diminui ligeiramente, aproximadamente 0,68 p.p, para 10,53%, enquanto o efeito de cursar uma graduação também se reduz, de 44,87% para 42,57%. Comparando o retrato do Brasil de 2000 com o cenário de quase dez anos mais tarde, retratado pela PNAD 2009, verifica-se que a média de anos de estudo da população como um todo subiu de 5,86 anos para 7,15 anos. Por seu turno, a fração de universitários saiu de aproximadamente 8,01% para 12,02% do total da população com mais de 25 anos, de sorte que, a despeito da expansão da universidade básica, há um evidente gargalo no acesso ao Ensino Superior, a despeito do alto retorno esperado nos salários.

A estimativa do coeficiente de carteira assinada aumenta em quase 0,85 p.p, ao passo que o impacto de se viver em meio urbano cresce 1,31 p.p, provocando um dilatação de 39,57% nos rendimentos esperados. Por sua vez, a experiência, mensurada como idade, mantém seu

formato convexo, sendo praticamente idênticos os valores estimados. Já no que tange à influência da região de localização do indivíduo, os resultados mostram diferenças relevantes. A estimativa do coeficiente relativo à dummy para o Norte do Brasil cai 7,61%, ou seja, para uma redução esperada de 4,61%, deixando, porém, de ser estatisticamente significante. Fenômeno similar se verifica com o impacto do Centro-Oeste, em que também não se pode rejeitar a hipótese de nulidade do coeficiente. De outro lado, em virtude da correção para o erro de mensuração, a redução esperada nos salários na região Nordeste cai de 34,98% para 30,03%, ao passo que, no Sul, a perda cresce de 10,41% para 15,43%. Ao final, os resultados mostram que a discriminação de gênero praticamente não se altera, mantendo-se em torno de elevados 42%, o que permite inferir que as mulheres negras estão na pior situação, com uma diminuição esperada nos salários em torno de 79,70%.