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Bolşevik Đhtilali ve Rusya’nın Savaştan Çekilmesi

BÖLÜM 1: 1917 YILI SĐYASĐ OLAYLARI

1.6. Bolşevik Đhtilali ve Rusya’nın Savaştan Çekilmesi

Até o momento, os modelos apresentados consideraram a formação de grupos como exógena. No caso da discriminação por gênero, trata-se de uma hipótese incontroversa, uma vez que os conjuntos de homens e mulheres na sociedade são bem definidos e disjuntos. Contudo, quando examinamos a discriminação racial, em que a noção de raça é um construto político- social, sem embasamento biológico, a formação endógena de grupos é uma questão relevante. Conforme demonstra Telles (2005), a América Latina em geral vivenciou um processo de miscigenação racial muito mais intensa do que os Estados Unidos, produzindo um numeroso contingente populacional miscigenado, reduzindo a força das barreiras entre grupos. Ademais, outros fatores, como a prática de regras de etiqueta, além da cor da pele, podem ser igualmente válidos para caracterizar as clivagens sociais.

A questão é investigada por Fang (2001), que propõe uma formação de grupos condicionada à participação de uma atividade qualquer que: é observável pela firma, totalmente irrelevante para a capacidade de produção do indivíduo e cujas preferências dos trabalhadores em realizá- la são heterogêneas. A ideia é que o desempenho dessa atividade se torna uma forma de

sinalização de maior qualificação dos trabalhadores. Inúmeras atividades podem se encaixar, tais como seguir estritamente as regras de etiqueta, jogar golfe ou mesmo usar um tipo específico de roupas.

O modelo supõe uma tecnologia de produção linear, similar a de Coate Loury, porém, em que os salários são definidos endogenamente, como em Moro e Norman. A economia é formada por duas ou mais firmas que dispõem de duas tecnologias: uma tradicional e uma nova, cuja adoção depende da qualificação do empregado. Qualquer trabalhador produz uma unidade de produto com a tecnologia tradicional. Com a nova, porém, um trabalhador qualificado produz

1 q

x  , ao passo que um não qualificado gera zero.

Por sua vez, o conjunto dos trabalhadores é um contínuo de massa unitária, dividindo-se em dois tipos: aqueles com alto custo de investimento em capital humano, dado por ch, e aqueles com baixo custo, cl, onde 0  . As empresas não observam o tipo do trabalhador. cl ch

Assume-se que é socialmente ótimo o investimento em qualificação e o uso da nova tecnologia: xqc h1.

Na cronologia do jogo, em uma primeira etapa, os trabalhadores observam a realização do seu custo c{ , }c cl h , decidindo se investem ou não em qualificação e c c:{ , }l h { , }e eq u . Em seguida, as firmas não observam perfeitamente a ação do jogador, apenas um sinal 

 

0,1 de cada indivíduo, sendo assumidas as mesmas hipóteses de Coate e Loury. Assim, a firma decide um quadro de salários, definido pela função :[0,1]w   , pelo qual os trabalhadores

decidem aonde trabalhar. Por fim, a firma determina uma regra de alocação entre as tecnologias tradicional e nova.

No equilíbrio em que os agentes estão jogando a melhor resposta dadas as estratégias dos demais jogadores, os salários são iguais ao produto marginal esperado do trabalhador. Assim, seja  a fração de trabalhadores qualificados e, dado um sinal  :

( , ) max 1, ( , ) q

O primeiro elemento no operador de maximização é a produtividade esperada na tecnologia tradicional, enquanto o segundo corresponde à esperada na nova tecnologia. O trabalhador é alocado na tecnologia em que ele é mais produtivo. Dessa forma, a nova tecnologia será utilizada apenas se sinal observado  for tal que:

( , )xq 1

   

De modo similar a Coate e Loury, o benefício privado do investimento em qualificação é dado por:

1 0

( ) w( , ) f sq( ) f su( ) d

  

    

O valor de será positivo sempre que a percepção da firma não for extrema. Por exemplo, se a percepção da empresa for a de que todos os trabalhadores não são qualificados, todos serão alocados na tecnologia tradicional, assim, não há incentivos para investir. De outro lado, caso todos sejam considerados qualificados, todos irão para a tecnologia nova, a despeito do seu sinal. Assim, (0) (1) 0 .

Além disso, como o benefício privado é função de , claramente há um problema de carona informacional. Seja  e l  o conjunto de valores de h  que induzem, respectivamente, trabalhadores do tipo baixo custo e alto custo a investirem em qualificação,

 

0,1 : ( )

l    cl

    e  h



 

0,1 : ( )  ch

. Fang mostra que qualquer

economia em que min  , com lll  e 0    terá um único equilíbrio em que h  0. Em outras palavras, a existência de trabalhadores com um alto custo para se qualificar reduz o incentivo em qualificação daqueles que possuem um baixo custo.

Considere-se agora que exista uma atividade A que os trabalhadores possam realizar, gerando uma utilidade V , em termos monetários. O sinal obtido pelo trabalhador e sua

qualificação não são afetados pelo desempenho da atividade. V possui uma distribuição

acumulada contínua e estritamente crescente *

*

:[ , ] [0,1]

H V V    , tal que

( / )l ( / )h ( )

dada por * *

:{ , } [ ,l h ] { , }q u

e c cV Ve e , resolvem se realizam a atividade A ou não.

Formalmente, *

*

:{ , } [ ,l h ] { , }

g c cV VA B . Aqueles, que optam por fazê-la, são chamados

“Trabalhadores A”, e aqueles que não, “Trabalhadores B”.

Vamos supor primeiramente que a introdução de uma atividade cultural não tenha nenhuma consequência sobre a decisão das firmas quanto aos salários e à regra de alocação, ou seja, um equilíbrio não cultural. Nesse caso, naturalmente, as ações dos trabalhadores não se alteram e nenhum trabalhador se qualifica. A existência da atividade, porém, pode ser útil para as firmas, como um instrumento para separar os trabalhadores qualificados dos não qualificados. A ideia é simples. Concedendo um tratamento preferencial para trabalhadores A, haverá um estímulo para que a atividade seja realizada até mesmo por alguns indivíduos que não gostem dela, mas que serão incentivados a usá-la como um instrumento para sinalizar o seu maior investimento em capital humano. Há, portanto, no modelo de Fang, uma fase preliminar, anterior à decisão de investimento em capital humano, em que os trabalhadores devem considerar a hipótese de realizar a atividade.

Um equilíbrio cultural A é um equilíbrio de Nash bayesiano em que uma fração positiva dos trabalhadores A, denotada por a, são alocados na nova tecnologia, enquanto todos os trabalhadores B são assinalados para a tecnologia tradicional, implicando b  . Vamos 0 analisar o impacto da atividade A, supondo novamente que min  , com lll  e 0

h

   . Evidentemente, se parcela dos trabalhadores que realizam a atividade são alocados na nova tecnologia, temos que a . l

O surgimento de uma atividade cultural não determina qualquer impacto sobre os salários, que continuam se igualando à produtividade esperada. Assim, o salário pago pela firma i é dado por B( ) (0, ) 1

i

w  w   e A( ) ( , )

i a

w  w  , respectivamente para trabalhadores B e A,

para todo [0,1], em que a, neste caso, indica a proporção dos trabalhadores qualificados que desempenham a atividade A.

Considere-se que A( )

q a

W  31 seja o salário esperado de um trabalhador A qualificado e

( ) A

u a

W  32 o correspondente valor para um trabalhador não qualificado. Evidentemente,

usando o axioma da preferência relevada, temos que um indivíduo de custo baixo somente irá desempenhar a atividade se o ganho proporcionado em termos de utilidade, da própria atividade, V , somando ao ganho líquido do investimento em qualificação, A( )

q a l

W  c for

superior ao obtido na tecnologia tradicional, pelos trabalhadores B. De modo similar, um indivíduo cujo custo é alto, apenas realizará a atividade A se o seu ganho for superior ao salário obtido pelos trabalhadores B. Assim:

, 1 ( ) ( , ) , 1 ( ) ( , ) , 1 ( ) A q l l q a u A l l q a A h u a e se c c V c W e c V e caso contrário A se c c V c W g c v A se c c V W B caso contrário                       

Analisando a situação em que trabalhadores qualificados e não qualificados estão a ponto de decidir realizar a atividade A, observamos que:

*( ) *( ) A( ) A( )

u a q a q a u a l

V  V  W  W  c

Logo, como a e existe uma massa positiva de trabalhadores A, designados para a nova l tecnologia, implicando A( ) 1 u a W   : *( ) *( ) 0 q a u a V  V  

No equilíbrio cultural, portanto, um trabalhador qualificado possuirá um estímulo maior para pertencer ao grupo A do que um indivíduo não qualificado. Dessa forma, a atividade se torna um instrumento de sinalização adicional, em virtude do aparecimento de uma single cross 31 1 0 ( ) ( , ) ( ) A q a a q W  

w  f  d 32 1 0 ( ) ( , ) ( ) A u a a u W  

w  f  d

property gerada endogenamente. Fang estabelece as condições necessárias e suficientes para a

existência de um equilíbrio cultural, demonstrando assim a possibilidade do aparecimento endógeno de grupos sociais. Assim, com a segmentação do mercado de trabalho em dois grupos, a escolha de investimento dos trabalhadores A irá depender apenas na percepção da firma sobre a fração de qualificados dentro dos trabalhadores A, ao invés da crença sobre a população como um todo.