2-) HEMATOLOJİK HASTALIKLAR
3. PLAZMAFEREZ UYGULANAN HASTALIKLAR
3.2. Renal Transplantasyon Hastalarında Aferez
Os Jê foram outrora classificados como os menos desenvolvidos grupos indígenas do continente sul-americano (Fausto, 2000). Localizados no cerrado, uma área tida como ecologicamente pobre, pensou-se que praticassem uma economia de subsistência de caçadores coletores e uma tecnologia rudimentar, sendo representantes do grau mais baixo
73 de desenvolvimento cultural da América do Sul. Contudo, a partir dos trabalhos de Curt Nimuendajú e Claude Lévi-Strauss, passaram a ser vistos como grupos sofisticados, com organização social estruturada em metades cerimoniais (Ibid: 62), entre outras características melhor esmiuçadas a partir da criação do Harvad-Central Brazil Project.
No final dos anos 60, com o estabelecimento do supracitado projeto aconteceu um divórcio entre duas linhas de estudos etnológicos no Brasil, denominadas por Eduardo B. Viveiros de Castro (1999) respectivamente de e te tes l ssi a e de et ologia do o tato i te t i o ou o tatualistas . E ua to a p i ei a esta a centrada no pólo nativo, entendendo os ameríndios como situados no Brasil, procurando ver como eles enxergavam a sociedade nacional, a segunda estava focada no pólo do colonizador, vendo os índios como parte do Brasil, cidadãos nacionais, a enfrentar o problema de como o Estado vai absorver os índios uma vez que a aculturação destes era apenas questão de tempo (Ibid).
A primeira destas vertentes, portanto, pode ser vista como uma i dige izaç o da so iologia (Ibid: 144), o que forneceu um caráter propriamente antropológico à etnologia praticada no Brasil. Esta vertente foi de suma importância para que os estudiosos percebessem que as estruturas ameríndias eram refratárias às categorias tradicionais da antropologia, que estes grupos organizavam seu pensamento em:
P i ípios os ológi os e utidos e oposições de ualidades sensíveis, uma economia simbólica da alteridade inscrita no corpo e nos flu os ate iais, u odo de a ti ulaç o o a atu eza ue p essupu ha uma socialidade universal – eram esses os materiais e processos que pareciam tomar o lugar dos idiomas juralistas e economicistas com que a antropologia descrevera as sociedades de outras partes do mundo, com seus feixes de direitos e deveres, seus grupos corporados perpétuos e te ito ializados... (Viveiros de Castro, 1999: 147).
No entanto, os estudos l ssi os e o tatualistas o de e se e lui , afi al de contas fazem parte da mesma moeda. Como argumentou Te e e Tu e a a lise das formas sociais e culturais nativas tornou-se inseparável da análise das situações de dependência e conflito interétnico e a e íp o a ta e dadei a : . O o tato não quer dizer que os ameríndios deixem de ser quem são na medida em que possuem uma maneira singular de se relacionar com as influências externas. Como pensa M. Sahlins, a História de um grupo está baseada em sua Estrutura, em outras pala as, a ultu a justa e te a o ga izaç o da situaç o atual e te os de passado op.cit.: 192).
74 Os grupos em questão absorvem elementos exteriores transformando-os dentro de seu modo de enxerga o os os, u a ez ue a cultura funciona como uma síntese de estabilidade e mudança, de passado e presente, de diacronia e sincronia I id: . Por exemplo, o núcleo doméstico Kayapó em contato com a sociedade brasileira tornou-se dividido diametralmente entre parte interna, os Kayapó, e outra externa, as mercadorias brasileiras (Turner, op.cit.). O grupo Gavião Parkatêjê34, reduzido a apenas 30% de sua população anterior na década de 70, em 1984, voltou a reproduzir o desenho circular tradicional das aldeias timbira, mesmo com casas de alvenaria servidas por rede de água, luz e esgoto35.
Cesar Gordon (2006) em sua pesquisa com grupos Kayapó-Xikrin, autodenominado
Mebêngôkre, demonstrou que os índios se relacionam com objetos nacionais e mercadorias
de uma maneira própria. Sendo assim, o contato foi antes uma causa do que um efeito do o su is o a e í dio . E sua i estigaç o a t opol gi a so e a elaç o dos Xik i o bens industrializados e mercadorias, foi notado que o acesso por parte dos ameríndios a objetos importados dos brancos remete a um tema de diferenciação entre os Xikrin, como uma espécie de competição agonística entre as aldeias, colocando em jogo a maior ou menor capacidade de incorporação de bens exteriores (Ibid: 58).
Para este grupo, os objetos possuem seu valor fixado não em relação a preços ou às funções que nós Ocidentais damos a eles. Antes de tudo, possuem valor enquanto objetivação das relações sociais seja na constituição de parentes ou na construção da pessoa I id . O auto pe sa este o su is o o o u a fo a de p edaç o o tol gi a a ual, diferentemente de sociedades canibais, o que está em jogo não é a predação do corpo do outro, mas sim, da sua cultura. Eles almejam a so e a dife e ça do est a gei o o jeti ada em sua cultura material, seu conhecimento, seus saberes, sua expressividade técnica e
estética. (Ibid: 98). Da mesma forma, em mitos ligados a grupos Jê, o fogo de cozinha foi
roubado da onça (Lévi-Strauss, [1971] 1991).
P. Descola (2002) argumenta que é mais fácil adotar um objeto técnico do que adotar uma nova relação técnica. Como exemplo, ele demonstra que recusa em aceitar a técnica de
34 Também conhecidos parte dos Timbiras, assim como os Apinayé.
35 Estas informações foram expostas por Lara Ferraz no site http://pib.socioambiental.org/pt/povo/gaviao-
75 domesticação de animais na América do Sul não-andina está profundamente ligada com a razão da impossibilidade de transformar seu modelo de relação cognitiva com o animal selvagem e com a natureza.
Para os grupos falantes de língua Jê, tomar como ponto de referência o centro de sua cultura está especialmente relacionado com o centro da aldeia. Tal relação entre pensamento e um lugar no espaço se vincula com aspectos cosmológicos específicos dos grupos em questão.