2-) HEMATOLOJİK HASTALIKLAR
3. PLAZMAFEREZ UYGULANAN HASTALIKLAR
3.3. ANCA Pozitif Vaskülitlerde Aferez 1 Wegener Granulomatozu (WG)
Se, por um lado, a alimentação é crucial no estabelecimento e reforço dessas relações, as vasilhas de cerâmica, por sua vez, assumem um papel muito importante na esfera cotidiana36, pois é através delas, que se preparam alimentos, se consomem estes37 e se armazenam líquidos. No entanto, informações sobre vasilhames cerâmicos, assim como sobre sua importância e significado, como apontou Tânia A. Lima (1986), costumam ser omitidas nos trabalhos etnográficos. Mesmo os poucos que falam disto recortam-nos de seu contexto cultural, isolando-os de outras manifestações às quais se encontram forte e inevitavelmente vinculado.
Entendendo à luz do perspectivismo, os potes possuem uma condição ambígua, da mesma maneira que outros elementos da cultura material na medida em que são artefatos e apontam para um sujeito38, são ações congeladas, fenômenos materiais da uma intencionalidade não material (Viveiros de Castro, 2002).
Segundo Lévi-Strauss ([1985] 1987), a olaria teoricamente está ligada a um conflito cósmico entre um povo celeste e um povo da água. Empiricamente, o que se observa nos mitos ligados a esta arte é que a conexão entre olaria e o ciúme é um dado do pensamento ameríndio:
Seja ual fo o o e ue se lhe d : M e-Terra, Avó da argila, Senhora da argila e da louça de barro, etc., a patrona da olaria é uma benfeitora já que os humanos lhe devem, e depende das versões, a preciosa matéria prima, as técnicas cerâmicas ou então a arte de decorar louça. Mas ela mostra também um caráter ciumento e intriguista. (...) ela mesma dá provas de uma ternura invejosa pelos seus alunos: quer soterrando-os por uma derrocada para os manter junto de si, quer impondo-lhes inúmera obrigações no que se refere ao período do ano, o momento do mês ou do dia em que permite que se retire argila; ou ainda, estipulando precauções a tomar, proibições a respeitar – como a castidade obrigatória das oleiras nas Guianas e na Colômbia, dos oleiros entre os Urubus – sob pena de castigos que vão do rachar dos potes durante a cozedura até à morte dos doentes e epide ias L i-Strauss, [1985] 1987: 36).
36 Os potes também possuem importância em rituais funerários que, por fins deste trabalho, não serão
abordados, já que no sítio Vereda III, até o momento, não encontramos sepultamentos.
37 É comum também usar cabaças para se servir. Outros elementos naturais podem ter sido utilizados como
olhe es e o has , e t e out as fu ç es.
81 Regras, interdições, ao que tudo indica, fazem parte de todo processo de confecção de um pote. Os Xokleng necessitavam de um determinado tipo de barro cuja jazida era indicada pelo arco-íris (Paula apud Silva, 2000b: 74). No trabalho etnoarqueológico realizado com os Borôro Muccillo e Wüst (op.cit.) transcreveram uma passagem boa para se pensar nos significados da busca de matéria prima:
Na ida, o eio do a i ho, ela e t ou e u lo al ue e e te e te havia sido queimado para a instalação de uma roça. Ela voltou com algumas folhas queimadas que passou no peito e nos braços, sem porém, querer especificar quais eram as folhas e para que finalidade as estava usando. Nas imediações do local da coleta de argila, a ceramista repetidas vezes soltou algu s g itos. I dagada so e o sig ifi ado disto, ela afi ou: N o ada . Tal fato se deu ta to a ida ua to a olta (Muccillo & Wüst, op.cit.: 324).
Coincidência ou não, como tempero a oleira acrescentou casca de árvore queimada pa a da fo ça ao pote . Esta pequena narrativa remete a uma questão cara a grupos Jê, a da equivalência dos corpos, na medida em que temos vegetal queimado tanto no corpo da oleira como no corpo cerâmico a ser manufaturado. Para os Maxakali, esta equivalência entre corpo cerâmico e corpo da oleira também está presente de maneira profunda, já que através da mitologia as mulheres, ceramistas, são provenientes do barro (Oliveira, 1999: 134).
As oleiras Assurini39 mantêm cuidados durante toda a construção do pote. Este é entendido como um corpo, na medida em que possui o a e o os , de t e out as partes de um corpo qualquer (Silva, 2000a). Durante o acabamento de superfície, as oleiras utilizam sua saliva durante o alisamento para deixar a vasilha com um aspecto igual a pele de ge te ; p oi ido a u a olei a a i gest o de gua e at es o peida pa a ue u pote não rache durante a queima, o que demonstra uma noção de consubstancialização entre cultura material e artesã (Ibid.: 63-4). Vemos aí diferenças gritantes entre duas perspectivas, arqueológicas e indígenas: enquanto no jargão arqueológico considera-se a superfície de um artefato, as indígenas enxergam a pele de um ser.
As prescrições ligadas à olaria são interessantes, pois a transgressão de regras em todo o processo produtivo é prejudicial para aqueles que se utilizam dos objetos, a demonstrar um caráter ativo, dentre outros, que esta cultura material possui nestes grupos, por isso que são corpos cerâmicos e em alguns casos possuem até personalidade. A etapa de
82 queima dos vasilhames também é circundada de interditos. As artesãs Marúbo não comem a e de aça, pa a a pasta o fi a do e e a ha du a te esta etapa; as Kaigang não admitem a presença de estranhos, pois isto poria em risco a integridade do vaso; pelos mesmos motivos, as mulheres Borôro, quando menstruadas, não produzem cerâmica (Lima, 1986).
Vemos assim que a cultura material ameríndia está permeada de significados durante todo o processo de sua manufatura. Os vasilhames estão profundamente conjugados ao processo de alimentação e, principalmente no caso Jê, de construção dos corpos, a ocorrer na esfera cotidiana, reforçando os laços de parentesco da família elementar. Dito de outra forma: são corpos cerâmicos através dos quais os ameríndios se alimentam e reforçam os
laços de su st ia .
Mesmo sabendo que estas informações foram retiradas num contexto do século XX, podemos supor que em tempos Pré-Cabralinos o pensamento ameríndio relacionado a utilização de recipientes de cozinha não haveria de ser diferente. Se considerarmos que, em razão da cosmologia ameríndia, é mais fácil para os indígenas adotar um objeto técnico do que adotar uma nova relação técnica (Descola, op.cit.) e que a reavaliação funcional aparece como extensão lógica dos conceitos tradicionais (Sahlins, op.cit.), a adoção de panelas de alumínio por parte de grupos Jê não implica necessariamente numa mudança frente à relação estabelecida com este artefato40. O que mudou indiscutivelmente foi a relação entre olei a ue este aso o ais olei a e o o o ute sílio adotado da so iedade
asilei a 41.