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2-) HEMATOLOJİK HASTALIKLAR

3. PLAZMAFEREZ UYGULANAN HASTALIKLAR

3.1. Aferez Uygulanan Hastalıklar

3.1.1. Mikroanjiopatik Hemolitik Anemiler

3.1.1.9. Klinik Bulgular ve Tanı

Ao invés de defender um único rótulo e desmerecer outros trabalhos, concordamos plenamente com Tânia A d ade Li a a edida e ue de e os utiliza as diferentes teorias como ferramentas que podem ser mais ou menos adequadas ao que um pesquisador se p op e Li a, : . Ao articular teorias adquirimos possibilidades de produzir diálogos frutíferos, pois seria muito preocupante se a Arqueologia fosse mais totalitária que outras disciplinas, querendo aprisionar uma realidade múltipla dentro de uma única gaveta de ida e te eti uetada (Prous, 1999: 258).

Com relação aos remanescentes materiais que dispomos, seja cerâmico ou lítico, pretendemos entender a seqüência de escolhas tecnológicas responsáveis pela seleção das matérias-primas e transformação destas num produto manufaturado, arcabouço conhecido como cadeia operatória (Leroi-Gourhan, 1964; Lemonnier, 1992). Este conceito toma como objeto de estudo a trajetória de um artefato, desde uma concepção mental por parte do artesão, sua construção, utilização e descarte (Prous, 2004).

Esta noção em grande parte inspirou-se no trabalho de Marcel Mauss sobre técnicas corporais (2003 [1934]), na qual todo o conhecimento técnico de uma sociedade é

67 transmitido tradicionalmente, ou seja, é representativo de uma idiossincrasia social. A etnologia proposta em 1926 por M. Mauss pretende coletar o máximo de indícios sobre uso e função de um objeto25, possui uma visão dinâmica das técnicas na medida em que considera os artefatos mais do que instrumentos ou resultados, verdadeiros objetos de estudo (Haudricourt, 1987 [1964]: 38).

Junto ao conceito mencionado acima, a noção de cadeia comportamental (Schiffer & Skibo, 1987; 1997) está presente em nossa pesquisa. Praticamente equivalente à noção francesa em considerar a trajetória dum determinado objeto, concepção, uso e abandono, ao ponto de recentemente reconhecerem as semelhanças destas duas vertentes (Skibo & Schiffer, 2008: 17)26, a norte-americana enfatiza uma visão de escolhas voltadas para o desempenho dos objetos, com uma razão prática, conhecida como característica de performance.

Este corpo teórico gira em torno das capacidades específicas de interação entre pessoas e objetos, que podem ser de natureza química, térmica, mecânica e toda a grande natureza sensorial, ou seja, os cinco sentidos (Schiffer & Skibo, 1997: 30-31). Tal preocupação com eficiência pragmática dos materiais levou os autores desenvolverem estudos voltados para uma comparação entre experimentações27 e análises de material arqueológico (Schiffer & Skibo, 1987), bem como geração de modelos de interpretação de marcas e manchas de utilização em materiais cerâmicos etnográficos (Skibo, 1992). Cabe frisar que a experimentação surgiu em meados do século XX entre pré-historiadores europeus e norte-americanos, tornando-se indispensável para análises de coleções arqueológicas; logo é uma ferramenta capaz de fomentar percepções de cunho funcional bem como gestual para a manufatura dos objetos (Prous, 2007).

25 Sob esta influência uma proposta de método para o estudo da tecnologia foi feita pelo francês André-

George Haudricourt (1987 [1964]: 42): Pa ti du p se t pou e o te au pass . Le p se t se tudi pa tout, aussi ie hez les peuples les plus p i itifs ue hez les a tisa s et les ouvriers de nos sociétés. Tous les gestes de travail, de jeu et de repos seront filmés, analysés et recueillis dans tout leur contexte social et eth i ue .

26 These app oa hes a e uite o pati le ith ou odel a d a e i teg ated i a useful a .

27 Michael Schiffer inclusive é ceramista e vende seus artefatos em sua web page:

http://www.u.arizona.edu/~schiffer/. Para uma visualização deste autor confeccionando um pote o leitor pode consultar também a seguinte página: http://www.youtube.com/watch?v=Ql0Y-n_dD-Q.

68 A despeito destas vertentes se criticarem (Lemonnier, op.cit., Van der Leeuw, 1993; Skibo & Schiffer, 2008), pretendemos compatibilizá-las e assim, obtivemos resultados interessantes, como se verá no capítulo 7.

A tecnologia deve ser pensada como um fenômeno que apresenta concomitantemente uma dimensão adaptativa e constituída de diferentes dimensões de significados (Silva, 2000a; 2000b; 2002). Em outras palavras, pode ser vista como meio pelo qual o homem se adapta a um determinado ambiente (Binford, [1962] 2007), simultaneamente em que é fruto de um produto social, a envolver todos os aspectos do processo de ação sobre a matéria a partir de determinadas escolhas representativas de uma maneira de se fazer e utilizar algo (Lemonnier, 1992; Van der Leeuw, 1993). Portanto, levamos em conta uma lógica social conjugada a uma lógica utilitária, em que a sociedade faz as técnicas ao passo que estas fazem a sociedade.

Esta noção de tecnologia se adéqua perfeitamente ao que A. Leroi-Gourhan (1971) definiu como Tendência e Fato, pois enquanto o primeiro possui um caráter previsível e i e it el, que leva o sílex seguro na mão a adquirir um cabo I id: , o segundo é particular, imprevisível e vincula-se à invenção.

Van der Leeuw (op.cit.) observa que manufaturar um recipiente com uma massa excessivamente plástica requer a utilização de um molde; a técnica da confecção por sobreposição de roletes pode ser feita com uma massa de plasticidade moderada; já com uma massa mais rígida a técnica de produção pode ser a modelação por pancadas. Ainda assim, apesar do estado destas argilas, dependendo do caso, há soluções humanas para amolecer uma massa dura e enrijecer uma massa muito plástica (Ibid: 261).

Ao ser uma atividade que envolve apropriação, criação e uso de artefatos, a tecnologia adquire significado através das atividades relacionadas a ela e não possui significado imanente em si mesmo28 (Pfaffenberger, 2001: 78). Pensando no caso da cerâmica ameríndia arqueológica, implica que seu significado, cujo sentido real nos escapa, está atrelado às atividades nas quais que está inserida, ou seja, na cozinha, nos momentos de preparo e consumo de alimentos, em momentos fúnebres, entre outros.

69 Decididamente, sendo um fenômeno humano que envolve muito mais do que transformação física de uma matéria, pois a produção e utilização de um artefato é sig ifi ada du a te o faze meaning in the making), a tecnologia necessita de um engajamento material sensorial (Dobres, 1999; 2001; 2010). Esta noção de sensibilidade é extremamente importante em um contexto não-industrial, porquanto envolve uma relação mais profunda entre artesão(ã) e seu trabalho, já que ele, ou ela, durante o ato produtivo, lida com situações nem sempre previstas, nas quais coloca em jogo percepção, julgamento e habilidade (Ingold, 2001), ao mesmo tempo em que lida com a construção de consciência individual, indiscutivelmente interligada com posição social e gênero (Dobres, 1999; 2010).

Se levarmos em conta que as atividades de olaria ameríndia são esmagadoramente feita por mulheres, tal percepção de se construir um vasilhame deve estar totalmente relacionada com o que significa ser mulher para aquela sociedade, dentre outras questões que nos fogem.

Em suma, um ingrediente crucial da tecnologia segundo Márcia Dobres:

... is that it is a e o u te i the o ld of so iall e gaged people; a meaningful, material, and embodied experience that produce awareness, u de sta di g, k o ledge, a d ate ial p odu ts Do es, : .

Insistimos em questões tais como sensibilidade, incorporação entre outras, uma vez que são fundamentais para contrapor algumas idéias modernas arraigadas na sensibilidade dos intelectuais Ocidentais. Estas são repletas de conceitos dicotomicamente estruturados, tais como cultura/natureza, estilo/função, significações simbólicas/fazeres utilitários, arte/tecnologia, que formam a base explanatória desde os princípios da profissionalização da arqueologia. Tais princípios são problemáticos, já que orientam a visão da tecnologia para preocupações pragmáticas, como se esta, moldassem as sociedades e que a tecnologia só existe para a resolução de problemas (Ibid).

Deve-se também evitar a dicotomia entre estilo/função, em que função está ligada a algo prático e estilo restrito a feições que não exercem ação no mundo material, apenas a de ser contemplada, já que ambos estão imbricados (Lemonnier, op.cit: 19). De acordo com o questionamento de Wobust (1999: 118), porque alguém faria algo sem função? O problema está em ver função unicamente pragmática, ou atribuir ao estilo só sentido estético, para

70 expressar uma forma de arte29. É necessário realizar uma análise estilística da cultura material, que leve em conta elementos visuais bem como elementos correspondentes à produção do objeto, ou seja, adotando uma noção de estilo tecnológico (Chilton, 1999; Silva, 2000b).

As palavras Tecnologia e Arte significam a mesma coisa etimológicamente30, ou seja, referem-se à aplicação de habilidades técnicas para produzir algo, portanto, entendê-las como opostas e antitéticas (tecnologia funciona enquanto arte significa) não passa de uma construção puramente moderna e só faz sentido em uma sociedade governada pelas marcas e máquinas, na qual a liberdade individual só existe residualmente no plano da arte (Ingold, 2001: 17-18). Assim, habilidade31, destreza32, inteligência, sensibilidade e expressão, são elementos básicos para execução da arte ou tecnologia, sobretudo numa conjuntura não- industrial.

Essas reflexões sobre escolhas, habilidades técnicas, percepção, sensibilidade, empenho, estão interligadas com a noção de agência que alguns arqueólogos estão utilizando sob influências de trabalhos de A. Giddens e P. Bourdieu (Shanks & Tilley, 1992; Shanks & Hodder, 1995; Hodder & Hutson, 2003; Dobres, 1999; 2001; 2010). Tal noção, como será visto adiante através de estudos etnológicos, se adéqua perfeitamente numa conjuntura ameríndia. De modo geral, existem três níveis de agência (Hodder & Houston,

op.cit.: 99), embora todos tenham em comum a meta de confrontar a forma dualista e

dicotomizante de como indivíduo/sociedade ou sujeito/estrutura são compreendidos nas relações sociais (Shanks & Tilley, op.cit.: 122-23).

O primeiro nível refere-se à agência como um manejo exercido intencionalmente pelos indivíduos, ou seja, pessoas com intenção, propósito de realizar algumas atividades33

29

Arte entendida dentro da noção Moderna Ocidental, ou seja, uma categoria específica do conhecimento, u a fi alidade se fi , de a o do o Ka t P ous, : .

30 Et ologi all , a t is de i ed f o the Lati artem or ars, hile te olog as fo ed upo the ste of a

term of classical Greek origin, namely tekhne. Originally, ars and tekhne meant much the same thing, namely

skill of the ki d asso ied ith afts a ship I gold, : .

31 I gold : defi e ha ilidade da segui te a ei a: Skill, i sho t, is a p ope t ot of the i di idual

human body as a biophisical entity, a thing-in-itself, but of the total field of relations constituted by the presence of the organism-pe so , i dissolu l od a d i d, i a i hl st u tu ed e i o e t .

32 I gold I id: defi e a ess ia da dest eza de a o do o u eu o ie tista usso: ...the esse e

dexterity lies not in bodily movements themselves, but in the responsiveness of these movements to su ou di g o ditio s that a e e e the sa e f o o e o e t to the e t .

33 as if People Matte ed Do es, .

71 (Hodder & Hutson, op.cit.). Em segundo lugar, esta agência, engajamento, possui um impacto sobre outras pessoas, tanto previsíveis, como imprevisíveis e, por último, é que agências podem advir de objetos (Ibid). O que poderia significar para um indivíduo a confecção de um grande pote, com acabamento impecável, perante seu grupo? Que tipo de ação simbólica esses objetos exerceram no momento de sua utilização? São algumas questões sem respostas definitivas, embora nos incitem a recorrer aos estudos etnológicos e etnoarqueológicos, de modo a raciocinar sobre os possíveis papeis sociais destes (arte)fatos cerâmicos.

2.2. Etnologia e Etnoarqueologia dos ameríndios das terras baixas sul

Benzer Belgeler