• Sonuç bulunamadı

3. APPROACHES TO UNDERSTAND COMPLEMENTARY CONCEPTS-

3.2. Complementary Concepts-Pairs Through The Philosophy Of Yin-Yang

3.2.2. Relating to the levels in Chinese painting

O estado de Goiás sempre apresentou uma característica entre a maioria das suas cidades, que é a relação profunda com atividades do campo. No entanto, chega-se o momento em que o cidadão rural ultrapassa a linha da subsistência com seus próprios produtos e passa a depender obrigatoriamente de produtos e serviços oferecidos na área urbana. E, por mais que ainda as cidades permaneçam condicionadas ao meio rural, elas sobressaem à medida que o homem do campo estabelece moradia também na cidade e exige, assim, o desenvolvimento de infraestruturas urbanas.

O espaço urbano de Catalão, em meados da década de 1970, sofreu o rápido crescimento da malha urbana que coincidiu com a introdução de uma classe média de trabalhadores mais qualificados na cidade, no que diz respeito à formação e a espacialização da mão de obra. Resultado deste fato, foi a reconfiguração interna dos bairros, até então considerados heterogêneos no que diz respeito a situação social e econômica da população, às formas de residências de seus moradores que se encontravam integrados ao cotidiano dos bairros.

Em relação aos bairros, a cidade apresentava-se como o outro, o diferente, o distante, como lugar a ser conquistado. À perda gradativa dos espaços de representação corresponde a aceleração no uso do tempo, como conseqüência da modernização capitalista, à medida que o cotidiano urbano (a vida cotidiana) se constituía. (SEABRA, 2004, p. 189)

O cotidiano envolve outros momentos da vida social, além do trabalho, sob sua lógica, momentos que já não são alheios, ingênuos à reprodução do capitalismo. (DAMIANI, 2002, p. 161)

É neste momento, meados da década de 1970, que se inicia na cidade de Catalão um processo migratório considerável, o que fez com que o sítio urbano fosse ampliado. Em função disto, nas bordas da malha urbana existente, foram criados novos bairro, cujas características residenciais ficaram mais determinadas, expondo assim a que classe pertenciam os trabalhadores. Este conjunto de bairros novos introduziu novos arranjos espaciais e reconfiguraram internamente os bairros mais antigos.

Apesar da migração nesta época, os bairros da cidade de Catalão ainda apresentavam índices baixos de ocupação e adensamento, demonstrando estabilidade do espaço urbano no que diz respeito a grandes expansões urbanas.

A partir de meados da década de 1970, Catalão tem seu perímetro urbano alterado algumas vezes e esta divisão administrativa7 já há aproximadamente quarenta anos atrás, caracterizavam-se por divisões que segregavam grupos sociais distintos em função de sua condição dentro da estrutura da sociedade e do espaço no contexto geral da cidade.

A segregação desde aquela época pode ser um dos fatores que contribuíram para o que pode ser chamado de “culturalização” do crime nestas zonas periféricas. A população residente na periferia da cidade, nesta época em Catalão/GO, caracterizava-se na sua maioria por pessoas mais simples e desprovidas de educação e renda. Elas moravam em áreas da cidade que continham muitas características das zonas rurais e com algumas atividades conseguiam renda de forma precária apenas para sustento da família, não possuindo condições de acumular dinheiro e assim não tinham oportunidades para mudar o quadro social em que viviam.

É no ano de 1969 que se têm registros de um processo de expansão da malha urbana de Catalão por meio da implantação de conjuntos residências construídos para a população de baixa renda. Edir de Paiva Bueno, professor do departamento de Geografia da Universidade Federal de Goiás, expõe em seu texto que:

A construção de conjuntos residenciais com a Vila Liberdade, foi uma resposta política, dada pelo governo do estado de Goiás e dos políticos do Município á crescente pressão do povo por moradias na cidade, uma vez que o meio rural começava a expulsar boa parcela de seus trabalhadores. (BUENO, 2007, p. 5)

O lançamento de loteamentos já segregados continua a ocorrer na cidade de Catalão, e entre os anos de 1975 e 1996, o número deles, aproximadamente sessenta aumentou muito. Alguns loteamentos são lançados para a população mais abastada, criando-se juntamente aos lotes, boa infraestrutura. Outra parte dos loteamentos foi criada para atender as reivindicações dos trabalhadores por moradias, sendo que a maioria destes foi instalada na periferia da área urbana. A criação destes conjuntos habitacionais influenciou a ida de proprietários rurais e da elite já residente na cidade à construírem nestes novos bairros, destinados à eles, em busca do status residencial que estes novos espaços passaram a representar na sociedade, enquanto os trabalhadores

7 A divisão administrativa atual é a mesma divisão que se tinha-se em meados da década de 1970. No

entanto, atualmente tem-se os novos bairros, introduzidos na nova dinâmica espacial do espaço urbano da cidade de Catalão/GO.

com pequenas rendas também se mudavam para onde conseguiam pela Prefeitura a casa própria, nos bairros mais periféricos e ainda sem a infraestrutura necessária.

A criação de loteamentos com infraestrutura e características específicas para determinadas classes expõe o fenômeno da segregação, que não acontece apenas nas grandes metrópoles, ocorrendo também nas cidades emergentes ou cidades médias, como é o caso da cidade estudada.

A transformação da cidade em metrópole chega a expor com veemência e sem comiseração limites muito estreitos à reprodução da vida; chegamos à noção de territórios de uso, fruto de auto-segregação concebida e administrada como territórios exclusivos. Agora, muito mais dramaticamente do que em outros momentos da história urbana, a segregação socioespacial ao realizar-se é percebida e vivia como contradição inerente ao processo de reprodução social. Por isso a inclusão perversa (expressa nas subabitações, nas ocupações, nas favelas...) dos supostamente excluídos não passa desapercebida e expões }à sociedade inteira. A problemática da urbanização como um problema de reprodução da vida. A questão portanto, é também como nascer, viver, transitar, morrer sob as condições de uma mobilidade que tende a ser circunscrita nos territórios que ganharam conformação no desenho urbano. A segregação que, já se sabe como tal, integra-se à práxis social. (SEABRA, 2004, p. 193 e 194)

A cidade de Catalão, por suas características geográficas, principalmente pela sua localização dentro do território brasileiro, recebeu na década de 1980 grandes indústrias ligadas á mineração de fosfato e de nióbio. E neste momento, de uma forma desordenada, a zona urbana da cidade passou a se expandir consideravelmente. Bueno explica em seu breve trabalho sobre a expansão da cidade de Catalão/GO que:

Áreas próximas á cidade foram sendo progressivamente loteadas. Ruas e avenidas surgidas nestes novos loteamentos, tornaram-se prolongamentos das antigas ruas. Estes prolongamentos se dirigiam a uma nova periferia que se formava com a construção de Vilas Operárias financiadas pelo Banco Nacional de Habitação – BNH, por bairros populares e de classe média – alta. Bairros e Vilas surgiram a partir de loteamentos, que na sua maioria, eram desprovidos de infra- estrutura, e continuaram, por um bom tempo, desta forma. (...) O não acesso da classe trabalhadora urbana e migrantes de baixa renda, oriundos do campo e outras cidades, ao uso e posse do solo, acabou por influenciar na qualidade de vida e na própria conformação das espacialidades sociais urbanas. (BUENO, 2007, p.9)

Desde o início do século XX, Catalão destacava-se das demais cidades do estado de Goiás por possuir a partir do ano de 1920, uma ferrovia que passavam dentro e no centro da cidade. A partir da construção desta rodovia, a cidade passou a ser um dos três municípios mais populosos do estado e foi considerada uma das cidades mais prósperas do estado. Tal ferrovia, nomeada de Ferrovia Mogiana, hoje privatizada, formava uma rede territorial, ligando Catalão aos portos de Santos, no estado de São Paulo e de Vitória, no estado do Espírito Santo.

Além da Ferrovia Mogiana, construída em 1920, a cidade de Catalão ganham em 1960, um trecho da BR-050, que ampliou suas relações, agora com a Capital Federal e com a cidade de Uberlândia, importante centro logístico e portadora de grandes empresas distribuidoras do país.

Catalão, localizada às margens da rodovia estadual G0-330, que liga a cidade até a capital do estado Goiânia/GO, com quem mantém relações estreitas, potencializando seu desenvolvimento.