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Rektörlük Düzeyi mza Yetkileri ve Yetki Devri Yönergesi … 140

1. BÖLÜM

3.5. Görev ve Sorumluluklar

4.1.4 mza Yetkileri ve Yetki Devri Yönergeleri

4.1.4.1 Rektörlük Düzeyi mza Yetkileri ve Yetki Devri Yönergesi … 140

Diante de um contexto global desfavorável à integração por meio do emprego assalariado (Castel, 1998)139, o intuito da SDTS era garantir o direito a uma renda desatrelada do trabalho produtivo, mas que no caso dos jovens fosse articulada à elevação da escolaridade e à realização de atividades educativas ou trabalho comunitário. Ao que parece, foram as atividades educativas entendidas como cursos (de formação cidadã e formação específica) que ganharam centralidade no trabalho desenvolvido com os jovens. Ainda que a SDTS afirmasse que a “inserção” no mercado de trabalho não era compromisso do PBT, havia certa expectativa de que isso seria possível a partir da articulação com outros programas

139 Como afirma Castel (1998, p. 593), “é no momento em que a ‘civilização do trabalho’ parece impor-se

definitivamente sob a hegemonia da condição de assalariado que o edifício racha, repondo na ordem do dia a velha obsessão popular de ter que viver ‘com o que se ganha em cada dia'”.

municipais. De fato, a própria equipe havia apontado como seu diferencial esta possibilidade de articulação, com a construção de “portas de saída” para aqueles que participavam dos programas redistributivos. Mas quais eram as portas de saída desejadas pelos próprios jovens?

Uma análise anterior, produzida no âmbito da pesquisa que deu origem a esta tese, já sinalizava o forte desejo de que essas portas estivessem atreladas à conquista de um lugar no emprego assalariado formal, assinalando a distância entre as razões do poder público e as orientações do mundo, da vida dos sujeitos que se tornam “alvo” das políticas140. Para a equipe gestora, mais do que um conjunto de programas, a SDTS estava disputando novas formas de regulação no campo do trabalho e do emprego. Particularmente no caso da população jovem, desejava-se instituir um novo modo de enfrentar o desemprego, considerando os limites da ampliação da sociedade salarial em nosso país. A equipe chegou a alargar o programa e construir alternativas mais próximas da inserção desejada pelos jovens, como Bolsa Trabalho Estágio e Emprego. Mas a modalidade Renda permaneceu dominante (Corrochano, 2007).

Diante da inegável crise do trabalho assalariado, é preciso reconhecer a busca da SDTS por novas formas de enfrentamento da pobreza, do trabalho e do desemprego, apontando como medidas fundamentais a elevação da escolaridade, a realização de cursos que se afastassem da perspectiva profissionalizante mais tradicional, a construção de “novos nichos de mercado” e a ampliação do “trabalho comunitário” entre os chamados “jovens excluídos”. Todavia, embora tenha determinado o público e os objetivos, a secretaria delegou a um conjunto heterogêneo de entidades a implementação do programa, contribuindo, de certo modo, para a tendência de “terceirização da política” que vem sendo apontada por outros estudos (Abílio, 2005). Os novos modos de enfrentamento do desemprego juvenil, que inicialmente se concretizariam pela articulação dos diferentes programas nos territórios, não se efetivaram, ficando a cargo das diferentes entidades e no limite dos próprios jovens, solitária e privadamente.

Ao analisar o que chama de descompassos entre as expectativas dos beneficiários e dos gestores do programa, Campos (2004), que estuda o assunto ao mesmo tempo em que atua como gestor na SDTS, assinala:

[...] a tradição que envolvia a pobreza na cidade de São Paulo não deixou de se mostrar aí em alguns de seus piores aspectos. E se mostrar até mesmo em uma espécie de 'descompasso' entre os direitos constituídos ou exponenciados por essa secretaria e aqueles apreendidos ou exercidos pelos

habitantes das periferias. Por vezes, o que foi enunciado como direitos acabou registrado como mera ajuda ou favor, com toda a perversidade que essas palavras podiam adquirir. E certamente, esse 'descompasso' não foi devido a qualquer espécie de 'irracionalidade' dos moradores das periferias, mas sim a fatores que incluíam a própria experiência destes últimos com a questão social na cidade e, também, a dificuldade da Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade em lidar com esta experiência no plano material e, principalmente, simbólico. (Campos, 2004, p. 5).

Abílio (2005, p. 89-98) não apenas desconstrói os argumentos de Campos como lança uma crítica aguda em relação aos resultados dos programas apresentados na última publicação da SDTS (“Programas de Desenvolvimento Local são apresentados inicialmente e depois desaparecem nessa massificação dos resultados”); aos argumentos positivos dos documentos oficiais, à temporalidade definida dessas iniciativas; à falta de compromisso do poder público e dos parceiros quando findo o mandato ou o contrato de serviços das organizações que de fato executam as ações; e, por fim, à noção de “ruído de comunicação” que supostamente explicaria o descontentamento ou a “falta de compreensão” da “população-alvo” em relação ao funcionamento dos “programas sociais”.

Cabe acrescentar que o programa não fomentou a construção de espaços públicos para discussão das “velhas” ou “novas” formas de enfrentamento da questão da pobreza e do desemprego e pouco dialogou com os modos como os jovens estavam vivendo e significando a crise e mutações na esfera do trabalho.

É sobre este último aspecto que repousa o interesse desta tese. Nesse sentido, cabe reiterar que, desde o início da pesquisa, o objetivo não era realizar uma avaliação dos resultados do PBT, mas sim compreender os modos como os jovens participantes dessa experiência vivem e significam a experiência do trabalho e da ausência de trabalho, na qual se inclui a categoria do desemprego. Em segundo plano também se trata de investigar o lugar e os sentidos que o programa teve nos percursos escolares e profissionais desses jovens. Como passo seguinte, serão apresentados os caminhos (e os descaminhos) para a chegada até eles.

Benzer Belgeler