BÖLÜM 8. BULGULAR
8.3 Regresyon Analizi Bulguları
McDowell apresenta uma resposta à objeção da fineza de granulação. Ele parte da ideia de que a habilidade de abarcar cores no pensamento conceitual “não pode se restringir a termos
32 McDowell considera a posição de Peacocke um não-conceitualismo parcial. Segundo essa leitura, a
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como “vermelho”, “verde”, ou frases, como castanho queimado” (McDowell, 2005, p. 94). Se a aplicação de conceitos se limitar a expressões específicas, nossa experiência perceptiva apresenta propriedades não-conceituais e o argumento da granulação fina falseia o conceitualismo. É preciso alargar a ideia de conceitual. Vejamos o que diz McDowell contra a objeção da fineza de granulação:
É possível adquirir o conceito de matiz de cor, e a maioria de nós, de fato, o adquiriu. Por que não dizer que estamos, com isso, preparados para abarcar os matizes em nosso pensamento conceitual com a mesma determinação que tais matizes apresentam em nossa experiencia visual, de tal modo que nossos conceitos seriam capazes de capturar as cores com uma acuidade tão grande quanto a da experiência que as apresenta? (McDowell, 2005, p. 94).
A ideia é a de que podemos dar uma descrição conceitual às supostas experiências com granulação fina apelando para termos como aquele matiz, na qual o demonstrativo se vale da presença da amostra original. O uso de termos demonstrativos envolveria conteúdo conceitual? Parece que exercemos habilidades conceituais no uso de expressões como aquele matiz “se defendermos que exatamente a mesma capacidade de abarcar uma cor na mente pode, em principio, persistir após a própria experiência” (McDowell, 2005, p. 95). Se a nossa mente tem a capacidade de reter e usar as informações retidas de matizes de cores – em pensamentos baseados em amostras originais, ou na ausência da amostra – das quais não possuímos conceitos específicos, então exercemos habilidades conceituais no uso de termos demonstrativos.
McDowell chama essa capacidade de reter informações na mente por meio da experiência perceptiva de capacidade de reconhecimento. Diz ele:
O que nos faz reconhecer a existência de um conceito disponibilizado pela presença na experiência da amostra original é uma capacidade de memória. Uma pessoa pode reter a capacidade de reconhecer que as coisas possuem aquele matiz, e enquanto persistir esta capacidade de reconhecimento, possivelmente por um período muito curto de tempo o sujeito pode incorporar aquele matiz a seu pensamento (McDowell, 2005, p. 215). Conforme observamos, esta é uma capacidade fundada na memória. A função cognitiva da memória é reter informações de experiências passadas. A ideia é a de que podemos ter uma
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experiência com uma determinada tonalidade de cor com a qual não estamos familiarizados, e nem possuímos conceitos adequados, mas que, caso nos seja apresentada em uma nova experiência, teremos a capacidade de reconhecê-la como aquele matiz. Vejamos o seguinte exemplo, o sujeito X usa a expressão aquele matiz para uma tonalidade (k2), com fineza de granulação, percebida em t1, caso se depare com a mesma tonalidade (k2) em t2, ainda tem
retido em sua memória a informação adquirida em t1. Nesse caso podemos dizer que ele
aplica o conceito aquele matiz ao mesmo conteúdo. Podemos formular a tese da capacidade de reconhecimento da seguinte maneira:
(CR) Exercemos nossas capacidades conceituais sobre uma propriedade de granulação-fina Q, caso possamos, em uma segunda experiência com esta mesma propriedade Q endossa-la como sendo Q.
É interessante observar que para McDowell a capacidade de reconhecimento pode funcionar até em pensamentos dos quais não possuímos ligação com a experiência presente da amostra original. Diz ele:
Esta capacidade, que está fundamentada na memória, de incorporar exatamente um determinado matiz ao pensamento, também pode ser exercida num pensamento que não esteja engrenado a experiência presente. Considere, por exemplo, o caso de alguém que se recorda da cor de uma rosa
que não está sendo mais vista, e pensa: “Gostaria que as paredes de meu
quarto fossem pintadas com aquele matiz” (McDowell, 2005, p. 215).
A ideia é de que a capacidade de reconhecer certos matizes ou propriedades de granulação fina em uma segunda experiência, depois de termos entrado em contato com amostra original na primeira experiência, pode também ser usada para formular pensamentos em que não estamos em contato presente com amostra original. Significa dizer que podemos formar pensamentos baseados nesta capacidade de reconhecimento sem estar em contato com amostra original. Vejamos: quando temos o conceito de casa não precisamos estar diante de uma casa para falarmos que “desejamos comprar uma casa na rua x”. Podemos falar: a casa é feita de tijolos; sabemos do que se trata. Não precisamos apontar para uma casa. A ideia é de
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que desfrutamos da representação conceitual da casa quando somos capazes de integrá-la em uma gama de pensamentos sobre casas.
McDowell pensa que essa mesma capacidade de curta duração pode ser estendida a tonalidade de cores das quais não desfrutamos de conceitos específicos. Na experiência, o sujeito X entra em contato com certa tonalidade (k2) da qual não desfruta do conceito especifico. Pela capacidade de reconhecimento ele retém informação sobre este matiz. Essa informação retida permite ao sujeito X formular pensamentos sobre esta tonalidade (k2). Então, pode o sujeito X julgar este vermelho não é igual à tonalidade (k2), gostaria de pintar
a minha casa com este matiz (k2). Uma metáfora que McDowell usa para entendermos o uso da informação retida na memória de uma tonalidade específica para a qual não possuímos um conceito determinado e que não estamos em contato com amostra original é “ver com os olhos da mente” (McDowell, 2005, p. 215). McDowell diz que “é como se amostra ainda estivesse disponível para comparação com quaisquer candidatos à atribuição daquele matiz” (McDowell, 2005, p. 216).Para McDowell é possível incluirmos, além de matizes de cores, outras propriedades de granulação fina em nossa capacidade de reconhecimento.
Essa capacidade de reconhecimento não exclui as propriedades de granulação fina do conteúdo representacional da experiencia, como pensa Peacocke. Pelo contrário, são integradas racionalmente no conteúdo representacional da experiencia, “pelo fato de capturarmos por esses conceitos de reconhecimento os detalhes de fina granulação de certos objetos ou propriedades” (McDowell, 2005, p. 96). Quando temos experiência de determinada propriedade apresentando fineza de granulação capturamos os detalhes por causa da nossa capacidade de reconhecimento, qual faz uso de expressões demonstrativas. Expressões estas que integram racionalmente o conteúdo representacional da experiência perceptiva. Podemos formular o argumento de McDowell nos seguintes termos:
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(T1) Na experiência perceptiva existem propriedades com granulação-fina, tais como tonalidade de cor.
(T2) Possuímos termos demonstrativos, associados a nossa capacidade de reconhecimento, que capturam detalhes cromáticos.
(T3) Portanto, possuímos conceitos adequados para capturar experiências que envolvam propriedade com fineza de granulação.
Se isso se segue o argumento de McDowell se sustenta e (P4) que afirma não possuirmos conceitos adequados para aspectos de fina granulação é falso. Desta forma, o conceitualismo se sustenta diante do argumento da granulação. Podemos capturar conceitualmente todos os detalhes cromáticos por nossa capacidade de reconhecimento lançando mão dos termos demonstrativos, que integram racionalmente o conteúdo representacional da percepção. Essa parece ser uma resposta razoável ao problema da fineza de granulação levantado por Evans e desenvolvido, como citado por Peacocke.33
Para McDowell nenhum conteúdo experienciado na percepção escapa das nossas capacidades conceituais. O conteúdo não-conceitual parece não fornecer as razões para as nossas crenças empíricas. Somente o conteúdo conceitual da experiência pode fazer o papel das razões. Esta parece ser a única forma de estabelecer uma relação racional entre a mente e o mundo e escapar do Mito do Dado.