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8 Mart Kimin Günü?

4.5. Reddediş: Kapitalizmle Mücadele Yeterli!

A grande diferença entre os verbos denominais sincrônicos e os não- denominais está em que naqueles o primeiro merge ocorre entre raiz e a categoria de nome para depois se tornar verbo, enquanto nestes a raiz se concatena diretamente com o núcleo verbal v. Também nessa subclasse, encontramos verbos tanto sufixais quanto parassintéticos. Constituem essa classe os verbos que apresentaram agramaticalidade frente aos testes 3, (4), 5 e 6 conjuntamente. São eles os verbos acabar, arcar, arrumar, avaliar, brincar, casar, causar, concentrar, cruzar, desfrutar, faltar, apontar2 (indicar) e traçar2 (definir), processar2 (dados).

Arrumar

(478) A Paula arrumou a casa. (479) *A casa arrumou.

(480) Casa pequena arruma rápido. (481) *A Paula deu um rumo à casa. (482) *A Paula arrumou um rumo da casa.

(483) *A Paula arrumou a casa com um rumo certo.

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(485) A Paula arrumou a casa (486) I 3 I v1 -ou 3 DP v1 A Paula 3 v1 DP 3 4 v √rum- a casa a-...Ø

O verbo arrumar, em sentenças como as testadas, certamente não tem a interpretação de dar rumo a, mas sim de organizar, limpar, melhorar, etc. Nessa leitura, os falantes não reconhecem mais o nome rumo na formação desse verbo.

Uma possibilidade de análise diria que a raiz √rum não está presente na estrutura, e, por esse motivo, parece se possível sugerir que essa raiz tenha gerado outra, nomeadamente, √arrum-. Dessa forma, daríamos conta da inatividade do prefixo –a, que parece ser apenar um elemento fonológico ou mesmo morfológico. Temos palavras na língua como a nominalização arrumação, o particípio arrumado(a), o nome agentivo arrumadeira, todas com sentido de “organizar”, e não com sentido de rumo, e contendo o suposto prefixo a- . Essas palavras poderiam ser evidência da existência da raiz √arrum.

Entretanto, no sentido de manter uma análise mais uniforme e evitarmos a necessidade de da existência de duas raízes na lista 1, √rum e √arrum, que são relacionadas de alguma forma, podemos dar conta da explicitação dos fatos novamente pela operação de fissão. Se assumirmos que o prefixo –a é também parte do morfema fissionado, como sugerimos para os outros verbos, damos conta da não- relação entre arrumar e rumo somente pela ausência de uma fase nominal. As evidências independentes apontadas para a existência de √arrum- são falseáveis. A

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observação de que palavras como a nominalização arrumação, o particípio

arrumado(a), o nome agentivo arrumadeira têm o prefixo –a explica-se pelo fato de

que as mesmas são deverbais, formadas a partir do verbo arrumar e a explicação da presença de –a se segue da explicitação dada acima.

Nessa abordagem, podemos ainda explicar como se dá a formação do verbo para o falante que interpretada arrumar a vida como dar um rumo na vida. Ele pode estar formando outra estrutura, diferente daquela em que a raiz √rum é categorizada por um v diretamente. A estrutura deve ser assim:

(487) A Paula (se) arrumou (n)a vida (488) v1 3 DP v1 A Paula 3 v1 PP 3 4 v n na vida (se)a-...Ø 3 n √rum -o

Quando o falante de PB quer formar uma perífrase de arrumar a vida, ele usa algo como Paula deu um rumo em sua vida, o que indica que o significado passa pelo nome rumo.

Brincar

O verbo brincar se comporta de forma idêntica ao verbo arrumar, com a diferença de ser somente sufixal. O núcleo verbal não sofre o processo de fissão no componente morfológico. Ficou comprovado que já não há mais relação sincrônica entre brinco e brincar.

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(489) A criança brincou com o amigo. (490) *(Com o amigo) brincou.

(491) *(Com amigos) brinca fácil.

(492) *A criança fez brinco com o amigo.

(493) *A criança brincou um brinco com o amigo.

(494) *A criança brincou com o amigo com um brinco engraçado.72 (495) *A criança brincou com o amigo com um adereço engraçado.

(496) A criança brincou com o amigo. (497) I 3 I v1 -ou 3 DP v1 A criança 3 v1 PP 3 4

v √brinc- com o amigo Ø

Desfrutar

O verbo desfrutar parece um caso um pouco mais complexo. Sua relação estreita com o nome formador foi abandonada há muito tempo. No momento em que o verbo se formou existia uma relação entre des- no sentido de tirar, colher, e frutos, que no sentido metafórico significara recompensas. No entanto, será que ao formular a frase com esse verbo o falante necessita recompor esse percurso histórico? Segundo os testes abaixo, não.

72 As sentenças em (494) e (495) apresentam ambiguidade. Os adjuntos podem ser interpretados como

adjuntos de verbo Brincar ou como adjuntos do NP sujeito criança. A segunda leitura não é relevante para nossos propósitos. Os falantes que apresentaram seus julgamentos para ela tendo em vista a primeira leitura, a julgaram como agramatical

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(498) O grupo desfrutou a viagem. (499) *A viagem desfrutou.

(500) *Viagem de fim de ano desfruta muito. (501) *O grupo não fez fruto da viagem.

(502) ?O grupo não desfrutou bons frutos da viagem. (503) ?O grupo não desfrutou a viagem com bons frutos. (504) Impossível formular teste.

Des- e -ar constituem um caso de morfema fissionado, apesar de os falantes não reconhecerem o nome fruto em desfrutar, a raiz está ativa. Nesse caso, vemos sentido para propor que o nome eventivo desfrute seja um deverbal, preservando a herança do verbo desfrutar, o prefixo -des.

(505) I 3 I v1 -ou 3 DP v1 O grupo 3 v1 DP 3 a viagem v √frut- -des...Ø (506) n 3 n v -e 3 v √frut- -des...Ø

A manutenção do sentido eventivo em desfrute se dá por conta da existência da fase verbal. Outras palavras na língua parecem não ter mais o sentido de negação da base quando formadas pelo prefixo des- e servirão como evidência independente para a análise acima. O verbo desabar, por exemplo, não tem o sentido estrito de “tirar

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ou negar aba” na maioria dos casos em que ocorre, e há ainda o adjetivo desabado, que não significa “sem abas” na maior parte dos contextos, mas pode significar na expressão “chapéu desabado”, por exemplo. O mesmo parece ocorrer com palavras como desesperar, desesperado, desabafar, desabafado, desgastar, desgastante, entre outros73.

Dentre os verbos que perderam relação entre nome e verbo, apenas acabar participa de alternância causativo-incoativa e alternância média. Os verbos arrumar e filtrar participam apenas de alternância média. As estruturas de alternância para eles serão as mesmas sugeridas para verbos como misturar.

6.2.5.3. Verbos com Estruturas Denominais e estruturas “de maneira”

Benzer Belgeler