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1. GİRİŞ

1.7. PCR

1.7.1. Real-Time PCR

Se a escola é uma rede global, onde tudo é interdependente e interligado, isso significa que uma mudança numa parte da escola não só depende de outras partes da escola para apoiá-la mas, também, que se acontecer um imprevisto, positivo ou negativo, afecta o todo. É difícil separar as principais influências numa rede global ecológica e isso pode tornar difícil o planeamento, bem como a avaliação. A organização mais conhecida desta metáfora ecológica é a de Bronfenbrenner (1992), que teoriza sobre o conjunto de influências que liga a escola a contextos mais amplos.

Tentar compreender as barreiras e as resistências à mudança das práticas educativas, é uma tarefa muito complexa.

The reform sets out to change School but in the end School changes the reform. One may at first blush see a tautology in using this proposition to explain failures of reform. But to say that School changes the reform is very different from simply saying that School resists or rejects the reform. It resists the reform in a particular way -- by appropriating or assimilating it to its own structures. By doing so, it defuses the reformers and sometimes manages to take in something of what they are proposing. (Papert, 1995).

Papert (1993) dá-nos uma visão mais ampla e perspicaz da relação entre a adopção de uma inovação e a resistência à mudança. Do seu ponto de vista, como destaca, as inovações são introduzidas nas escolas, mas estas tratam de alterá-las, contextualizando-as às necessidades, aos interesses, aos recursos e aos propósitos da escola ou da sala de aula.

…little by little the subversive features of the computer were eroded away: instead of changing the emphasis from impersonal curriculum to excited live exploration by students, the computer was now used to reinforce School's ways. What had started as a subversive instrument of change was neutralized by the system and converted into an instrument of consolidation. (p. 39)

Papert não sugere que a escola resiste à inovação, nem que o modelo de partilha foi quebrado, mas que o processo pelo qual as escolas adoptam novas práticas é construído através da adaptação aos seus contextos. Tentar compreender a forma mais eficaz de partilhar inovações e ideias promovendo um novo ensino e uma nova aprendizagem é mais do que destacar e superar as barreiras, é um trabalho de vencer resistências em contextos específicos.

Compreender este processo e os factores que moldam a maneira como a inovação pode ser recebida, bem como a forma como os processos de partilha da inovação podem ser alterados para ter em conta as resistências dos contextos específicos, vai permitir melhorar as possibilidades de que uma nova ideia tenha mais hipóteses de ser implementada com sucesso.

A discussão aqui apresentada considera que uma inovação é a introdução de algo novo que suporta uma mudança na prática social.

A percepção de uma inovação pode ser crucial para o seu sucesso. Podemos considerar que a vontade de usar as TIC depende, fortemente, não só da sua facilidade de utilização mas, também, da percepção da sua utilidade. Inicialmente, os professores já têm um conjunto de crenças internas e atitudes que irá afectar o valor percebido da inovação. Estas atitudes podem ir desde o apoio incondicional, resultante de um desejo de ir ao encontro das necessidades dos alunos ou para reflectir um mundo em mudança, até à crença do professor de que o seu relacionamento com os alunos não melhorará com uma abordagem pedagógica inovadora.

Essas atitudes não existem isoladamente. A percepção do professor sobre o valor de uma inovação, em particular, pode ser influenciada pelo interesse manifestado pela administração.

Em jeito de mote podemos considerar que:

 a percepção de uma inovação, incluindo o que é considerado como novo ou diferente, é vista como podendo ser crucial para o seu sucesso;

 essa percepção pode ser construída a partir de todas as camadas de influência;

 a aplicação bem sucedida de uma inovação requer uma compreensão conjunta do que a distancia da prática corrente, dos recursos de que depende e dos seus modelos de influência;

 as inovações para que possam ser amplamente divulgadas e compartilhadas devem ter três propriedades fundamentais:

o longevidade: a inovação pode ser sustentada ao longo do tempo; o fecundidade: a inovação pode ser aplicada por diferentes profissionais; o fidelidade: a inovação só pode ser replicada em condições idênticas.

Até agora caí na tentação de falar demasiado da escola, é normal, afinal é nela que vivo quase desde que me entendo como gente. Será seguramente um defeito, terá seguramente condicionado a minha visão do mundo, mas citando Fino (2008a)

…a verdade é que, embora aparentemente hegemónica, a escola tradicional não esgota o leque, nem dos locais, nem dos motivos que desembocam na pedagogia. As práticas pedagógicas ocorrem onde se reúnem pessoas, das quais algumas têm o propósito de aprender alguma coisa e, outras, o propósito de facilitar ou mediar nessa aprendizagem. Ou quando todas têm o mesmíssimo propósito de aprender alguma coisa em conjunto.

e

Hoje, como sempre, apesar deste modelo de escola que nos acompanha desde os inícios do século XIX e está à beira de esgotar o prazo de validade, o mundo é o locus da informação, e a vida, incluindo obrigatoriamente a interacção social, é um projecto de adaptação permanente.

SÍNTESE

O termo tecnologia surge sempre na nossa mente como associado à inovação e ao progresso. De facto, uma das grandes revoluções que ocorreu nos finais século XX, se não a maior,

prende-se, necessariamente, com a invasão da tecnologia nos diferentes contextos do quotidiano de todos nós.

Com o tempo, a tecnologia foi operando grandes e significativas transformações na nossa maneira de estar, na forma como vemos o mundo, causando um impacto social que é irreversível. O mundo de hoje é um mundo em rede.

A modernidade colocou-nos perante uma sociedade onde já não se executam as mesmas tarefas da mesma forma, que desenvolveu um conjunto de novas profissões directamente dependentes da tecnologia e trouxe um valor acrescido à comunicação como um elemento fundamental do novo mundo. A tecnologia tornou-se um verdadeiro agente de mudança e de ruptura de paradigma. Podemos considerar o mundo como antes e depois da banalização da tecnologia, dos computadores, das tecnologias de informação e comunicação e da Internet. O desenvolvimento humano está hoje directamente relacionado com os meios tecnológicos.

Parafraseando Papert se fosse possível viajar no tempo os viajantes do passado que voltassem ao mundo de hoje não o reconheceriam. A grande maioria não se reveria nas profissões actuais e mesmo as que ainda persistem são exercidas com recursos a meios completamente novos.

Mas como é que a escola viveu e vive esta transformação? Sendo uma instituição altamente resistente a agentes externos, desenvolvendo rapidamente um conjunto de anti-corpos a tudo o que vem do exterior, a escola desta vez teve de baixar a guarda. Ela não podia ignorar o que era óbvio e que já tinha conquistado uma boa parte da sociedade, principalmente aquela para quem a instituição escolar se dirige, os jovens. Teve necessidade de olhar para a tecnologia como uma oportunidade de modernização, teve de aprender a gerir o conhecimento de outra forma, pois até então este era gerido e transmitido por ela, condição que rapidamente deixou de se encaixar na nova realidade social. A parafernália de informação que a tecnologia, particularmente a Internet, veio disponibilizar a todos, abriu novos canais de aquisição, de

criação e de gestão do conhecimento, agora cada vez mais longe da escola e através de processos mais aliciantes, podendo ocorrer em qualquer lugar sem horário marcado.

Estas marcas inovadoras não parecem ser do agrado da escola, pois assim não consegue controlar o que se aprende e como se aprende. A primeira solução encontrada foi tornar a tecnologia refém da escola, criaram-se salas de informática, disciplinas de TIC, a tecnologia, que antes já tinha invadido a sociedade, invadiu a escola. Os projectores multimédia, os quadros interactivos, os computadores portáteis, as plataformas, o e-learning… Mas, na essência, o que mudou na escola de hoje? Arrisco dizer que mudou muito pouco. No essencial, a escola continua igual ao que sempre foi, o que ela soube fazer foi pôr a tecnologia, que se previa pudesse funcionar como uma forma de transformação da escola e dos processos de aprendizagem, ao serviço do clássico sistema transmissivo de conhecimento, agora mais sofisticado, com grandes recursos tecnológicos.

A ruptura que parecia iminente está sendo adiada. A criação de “contextos de aprendizagem incomuns”, referidos por Fino como pressuposto para a inovação pedagógica, só ocorre esporadicamente, pois a escola continua a ser uma instituição de ensino e não de aprendizagem. “The reform sets out to change School but in the end School changes the reform.” (Papert, 1995)

4. O QUE SABEMOS SOBRE A APRENDIZAGEM

Learning is a lifelong activity. Learning occurs intentionally in formal instructional settings and accidentally through experience. Learning encompasses a multitude of competencies, from knowledge of simple facts to great effort and sometimes proceeds with relative ease. These are a few of the things we know about learning. But learning is a complex affair. The results of learning are often observable in human performance, but the process of learning is much less obvious (Driscoll, 2005, p. 2)

Ao longo do século passado, a compreensão do processo e do acto de aprender avançou consideravelmente. No início do século XX, os investigadores que se dedicavam a perceber o fenómeno da aprendizagem olharam para ele através da lente do behaviorismo, relegando o funcionamento interno da mente para o estado de uma caixa negra, concentrando-se no que era observável e no que era possível manipular, os comportamentos externos. Essa visão servia muito bem a era industrial em que se desenvolveu, a era da informação estava ainda a décadas, no futuro.

Como se aprende não é uma questão nova para a psicologia, estabeleceu-se como área de investigação desde o século XVIII. Mas a aprendizagem é algo que não diz respeito unicamente ao território da psicologia, é um assunto que preocupa bastante a filosofia há muitos séculos. O que é a mente? Como se desenvolve? O que é o conhecimento e como é que a mente o adquire? Como é que a mente conhece a mente dos outros? Estas são apenas algumas questões que fornecem a base intelectual e filosófica das modernas teorias da aprendizagem.

Benzer Belgeler