“TÜRKÜ RADYO” : İKİ ÖRNEK OLAY İNCELEMESİ
3.2. Demokrat Radyo: Genel Profil
3.2.2. Radyonun Gelir Kaynakları: Reklam, Sponsorluk ve Dayanışma Geceler
Em 1948 começa a funcionar o curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil. E aí começa a carreira de professor e catedrático de Danton Jobim, que trataremos mais à frente.
De acordo com Laurenti (2002), os primeiros cursos de Jornalismo no Brasil enfrentaram as dificuldades comuns e inerentes a um novo curso, que requer experiência para ganhar notabilidade e se posicionar no espaço acadêmico. Mas a dificuldade maior se dava em razão de sua vinculação com uma Faculdade de Filosofia, o que dificultava ainda mais sua estabilidade e luta pela legitimação do ensino.
Os entraves burocráticos que determinam subordinação à Faculdade de Filosofia, marginalizavam a sua condição e o conduziam a ser “simplesmente” um curso, sem o “status” de escola independente. (LAURENTI, 2002, p.151)
Sobre o assunto, Laurenti (2002) cita o parecer do relator Alceu Amoroso Lima, que afirmava que “o diploma do Curso de Jornalismo é um título cultural e não um privilégio profissional ou didático”, e o de Jurandyr Lodi, que confirmava que fazendo parte de uma Faculdade de Filosofia não poderia se “constituir Escola isolada, com regulamentação isolada”.
O curso só ganharia autonomia em 6 de junho de 1958, com o Decreto n° 43.839, que alterava o Decreto n° 26.493/49, de 19 de março de 1949, autorizando que fosse ministrado em instituto autônomo.
De acordo com Cunha (1989, p.103-104), a distribuição de alunos nos cursos de Jornalismo nos dez anos iniciais foi a seguinte:
Ano 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 n°
alun.
366 497 710 524 483 362 390 336 461 426
Uma curiosidade é que, dos 426 alunos matriculados no ano de 1957, 159 eram mulheres. O interessante é que essa proporção, superior a 37%, não se repetia no ensino universitário no Brasil. Naquela época, de um total de 78.659 estudantes matriculados, apenas 26% eram do sexo feminino. Só a título de ilustração, em 1964 o número de alunos chegava a 1.265 e, em 1986, quando o curso já havia se transformado em curso de Comunicação Social, 10.637 estavam matriculados apenas na habilitação em Jornalismo.
Um dos problemas é que o curso foi recebido com ceticismo, principalmente por parte dos profissionais mais antigos. Jobim lembra que o próprio autor da aula inaugural insistiu que o importante do curso era a parte teórica relacionada com as disciplinas de cultura geral em detrimento da prática. Segundo ele, o autor “insistiu no preconceito de que ‘jornalismo
não se aprende na escola, mas na banca de redação’”, refletindo a imagem apregoada na época e, muitas vezes, repetida até os dias de hoje. Jobim comemorou, em 1958, que essa “atmosfera de hostil ceticismo que se formara em torno do curso nos círculos jornalísticos” havia desaparecido, embora se saiba que ela permanece até hoje, principalmente entre os jornalistas remanescentes das décadas de 50 a 70, período em que o diploma não era obrigatório.
Mas o clima de hostilidade não impediu uma grande procura inicial pelos cursos. Jobim (2003, p.212) aponta os seguintes números de alunos ingressantes no curso da Universidade do Brasil nos seus dez primeiros anos iniciais:
Ano 1948 1949 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 n°
alun.
336 151 286 106 47 44 60 51 59 40
Nos primeiros anos, havia uma grande diferença entre o número de alunos ingressantes pelo concurso vestibular e o número de alunos matriculados. Tal diferença devia-se, principalmente, à facilidade inicial de ingresso dos candidatos que já exerciam a profissão de jornalistas. Deles não era exigida nem mesmo a conclusão do curso secundário, muito menos a aprovação no vestibular. Com o desaparecimento dessas
facilidades e com o estabelecimento de limites para o número de matrículas (apenas 40 vagas), as turmas diminuíram consideravelmente.
O curso sofreu diversas modificações no seu currículo inicial, como se descreve mais à frente. Mesmo assim, segundo Marques de Melo (1974, p. 31), “o ensino ali ministrado não conseguiu atingir os objetivos originais pretendidos pelos dirigentes jornalísticos que lutaram pela sua criação”.
Jobim (2003, p. 219), no entanto, reconhecia que existiam problemas de desajustamento entre os meios de que dispunham e as necessidades de um ensino eficiente para a formação de bons profissionais. Mas acreditava que, “tanto pela sua qualidade, como pela experiência acumulada durante dez anos”, o pessoal docente enfrentava os problemas com sucesso.
Sobre as mudanças na grade curricular do curso de Jornalismo, Jobim, em 1958, em exposição no Seminário sobre Formação de Jornalismo, realizado em Quito, no Equador, comentou:
O número de reformas sofridas pelos cursos em dez anos de vida mostra o interesse que põem as autoridades do ensino e a congregação da faculdade em dar-lhe cada vez maior eficiência. Nos debates em torno dessas reformas, tem-se mantido com segurança o critério de que o nível de instrução ministrado deve ser o universitário ou de ensino superior e não o de um curso para a simples formação de práticos em jornalismo. Um jornalista ― esta é a opinião generalizada ― tanto precisa de conhecimentos básicos na sua profissão como de uma cultura geral de nível universitário. Elevar o padrão não apenas profissional, no sentido estrito, mas ainda cultural e ético do ofício, esta é a missão das boas escolas de jornalismo, qual têm
participado inclusive os professores das cadeiras técnicas. (JOBIM, 2003, p. 216-217)
Embora defendesse um ensino amplo em países “onde as disciplinas do curso secundário são, em geral, deficientemente ensinadas”, Jobim queixava-se da falta do trabalho prático que deveria ser realizado pelos alunos. Ele acreditava que o contato direto com a profissão, através da redação de textos ― notícias, reportagens e editorias ―, era pouco utilizado pela universidade e pela imprensa, que relutava em abrir espaço para os estudantes. Da mesma forma, o estágio previsto em redações era irregularmente praticado, principalmente pelo fato de os bons repórteres e redatores não terem tempo disponível para acompanhar os iniciantes, deixando-os nas mãos de profissionais menos capacitados.
Para resolver esse problema, Jobim defendia a necessidade de laboratórios gráficos e da criação de jornais-laboratórios, que terminaram por ser implantados tempos depois. Para ele, isso possibilitaria aos alunos um treinamento mais completo de paginação, que até aquele momento ficava restrito às técnicas de diagramação e espelhagem. Porém, Jobim acreditava que a importância maior na criação de veículos laboratoriais estava na mudança de atitude do aluno, que passaria a escrever “matéria destinada a ser lida pelo público e não somente pelo professor” (JOBIM, 2003, p.215).
Outro problema era a falta de material didático. O professor reconhecia que a literatura em língua portuguesa era praticamente
inexistente. Os professores das disciplinas técnicas utilizavam material que era levado das redações para as salas de aula, como papel padronizado para originais, papel centimetrado para espelhos, réguas de medidas gráficas, fotografias e negativos, catálogos de tipos, entre outros.
Mas o número de horas dispensadas às disciplinas técnicas era significativo e representava cerca de um terço das disciplinas teóricas, embora estas fossem em um número muito maior. Mesmo com as práticas se restringindo apenas a técnica de jornal, técnica de periódico, administração de jornal, publicidade e rádiojornalismo. Isto no que se refere ao ano de 1958.
Porém, Jobim também confirmava que, do mesmo modo que os alunos da Escola Cásper Líbero de São Paulo, os alunos da Universidade do Brasil também se queixavam de que o ensino era “excessivamente acadêmico”, o que, para ele, se devia em parte “à falsa noção de que o curso de jornalismo deve ser meramente profissional, reduzindo ao mínimo o tempo dispensado às matérias não-técnicas” (JOBIM, 2003, p. 216). Ele acrescentava que essas disciplinas “de ilustração” visavam dar a base cultural necessária a qualquer jornalista, além de terem programas próprios adaptados às finalidades do curso.
Jobim acreditava que os resultados obtidos depois dos primeiros dez anos de cursos, “ao menos do ponto de vista do nível técnico- profissional do jornalismo”, eram positivos. Principalmente porque, antes da instituição do ensino superior de jornalismo, não se notavam esforços para “melhorar o padrão do estilo das notícias e de sua titulação”. Embora
confessasse a falta de pesquisa na área, ele acreditava que a melhora na imprensa se devia ao curso.
O curso só sofreu uma mudança radical depois que a reforma universitária, instituída pelo Decreto n° 60.455-A, de 13 de março de 1967, já na então Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) ― novo nome da Universidade do Brasil ―, criou a Escola de Comunicação (ECO), dotada de autonomia didática e administrativa.