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“TÜRKÜ RADYO” : İKİ ÖRNEK OLAY İNCELEMESİ

3.1. Demokrat Radyo ve Can Radyo’nun Yayın Misyonu

Com a promulgação do Decreto-lei n° 5.480, de 13 de maio de 1943, assinado pelo presidente da República, Getúlio Vargas, e pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, que o curso de jornalismo finalmente começou a se concretizar. O artigo 3° referia-se ao curso que seria ministrado pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, com a cooperação da Associação Brasileira de Imprensa e dos sindicatos representativos das categorias de empregados e de empregadores das empresas jornalísticas. No caso de instituições não-federais, a organização do curso deveria estar de acordo com o Decreto-lei n° 421, de 11 de maio de 1938, que regulava o funcionamento das instituições de ensino superior.

Mas quem saiu na frente foi a Fundação Cásper Líbero. Em 1947, atendendo ao testamento do jornalista, a Fundação, em convênio com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Bento da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, instituiu o curso, aprovado por meio do Decreto n° 23.087, de 19 de maio daquele ano.

A exemplo de Pulitzer, empresário do jornalismo norte- americano que efetuou uma doação à Columbia University para a formação de uma escola destinada à preparação de jornalistas, Cásper Líbero, proprietário do grupo “ A Gazeta”, foi o responsável pela instalação de uma entidade da mesma natureza, em São Paulo. (MARQUES DE MELO, 1974, p.19)

Demonstrando seu pioneirismo, Cásper Líbero, um empresário progressista e preocupado com a formação de jornalistas, redigiu um testamento em março de 1943, antes mesmo do decreto governamental que instituiu o Curso de Jornalismo (de maio de 1943), legando seu patrimônio aos funcionários e à coletividade, transformando-o em uma Fundação. De acordo com o testamento de Cásper, além de sucedê-lo na propriedade de A Gazeta, a Fundação teria a missão de fundar e manter uma escola de jornalismo, com "cursos de grandes proporções" destinados a formar quadros profissionais para a imprensa (JAYO, 2004).

Seu testamento dizia:

(...) Visto como tudo que possuo devo à Providência que não me há desamparado, e à GAZETA, jornal que é o reflexo e o orgulho de toda a minha existência de labores, sempre a serviço de São Paulo, do Brasil, da justiça e das grandes ideologias, quero e disponho que todos os meus bens remanescentes sejam reunidos e aplicados como patrimônio da fundação que ora crio e instituo (....). Será tríplice a sua finalidade ou objetivo, a saber: a) objetivo patriótico, de iniciativas e campanhas por São Paulo, pelo Brasil, pela justiça, pelos nobres ideais, pela cultura e grandeza de nossa Pátria, servindo-se para isso de A GAZETA, do seu auditório, de seu rádio e dos recursos do patrimônio de que ora a doto; b) objetivo cultural, de criar e manter uma escola de jornalismo e ensinamentos de humanidades, particularmente português, prosa, estilo, literatura, eloqüência, história e filosofia, em cursos de grandes proporções, a começar pelo secundário e finalizar pelo superior; c) objetivo jornalístico, consistente em assegurar e desenvolver o nome, futuro, prosperidade, economia e prestígio de A GAZETA, mantendo-a órgão de genuína opinião pública e interesse da pátria, aparelhada dos inventos e aperfeiçoamentos que o progresso for engendrando, fidelíssima da fundação (...). (LÍBERO apud HIME, 1997, p. 244-245)

Embora não tenha sido uma idéia original, em 1943, Cásper Líbero avalizou e deu “continuidade às ações da ABI, movendo-se, ao menos em

parte, pelas mesmas motivações desta última, atribuíveis à necessidade de treinar profissionais preparados para lidar com a crescente modernização técnica da atividade jornalística” (JAYO, 2003).

Hime (1997) não se surpreende que fizesse parte de seu testamento a criação da primeira faculdade de jornalismo brasileira, porque mantinha-se ligado a todas as discussões presentes nos movimentos de classe de sua época, num momento em que imperava o debate sobre a necessidade de formação profissional no jornalismo. Além disso:

Como ele próprio tantas vezes afirmou, era um homem de jornal, que no jornal encontrava o estímulo necessário para as lutas a que se determinava. No jornal passava o dia. Chegava cedo, acompanhava de perto a produção, discutia as edições, recebia as pessoas. E mesmo quando expandia a sua atuação para além das páginas do vespertino, por meio de promoções e eventos, era ainda no jornal que se ancorava. (HIME, 1997, 235)

Hime lembra ainda que, em suas viagens aos Estados Unidos e Europa, Cásper teve contato com diferentes modelos de ensino do jornalismo. Embora não tenha especificado qual tipo de curso tivesse atraído mais sua atenção, havia indicações de que fosse um curso voltado para as Ciências Humanas.

Marques de Melo acredita que Cásper Líbero tivesse ainda motivações de cunho empresarial, principalmente por sua visão progressista.

Havia (...) demanda de pessoal habilitado para exercer profissionalmente um novo tipo de jornalismo, seguindo padrões que contrastavam com o desempenho da imprensa na época.

Logo, a escola de jornalismo impunha-se como instrumento necessário para solucionar tal impasse treinando novas vocações, de acordo com a plataforma editorial, ética e política vigentes nas suas empresas. (MARQUES DE MELO, 1994, p.19)

Mas é preciso lembrar que Cásper tinha fortes convicções ideológico-religiosas. Em vida, cultivou o hábito de financiar pessoalmente os estudos de diversos de seus funcionários no Largo de São Francisco, entre outras formas de ajuda material. Por isso, não surpreende o fato de ter destinado uma parte de seu patrimônio à criação de uma escola de qualidade, com cursos gratuitos "de grandes proporções", destinados ao ensino do jornalismo.

Ele faleceu poucos meses depois de escrever seu testamento, em agosto de 1943. Mas, em 1947, “depois que o Ministério da Educação fixou as diretrizes pedagógicas para os cursos de jornalismo, começou a funcionar a instituição idealizada por Cásper Líbero” (MARQUES DE MELO, 1974, p. 21).

O curso da Escola Cásper Líbero da Faculdade de Filosofia da PUC-SP foi reconhecido em 1949. Nos primeiros anos, a orientação pedagógica do curso foi baseada no modelo norte-americano da Universidade do Missouri, de acordo com Rizzini (1953, p. 46), que afirmava que a Escola mantinha o jornal mensal, A Imprensa, a cargo dos estudantes, “fiel ao princípio de que o aluno deve ver impresso aquilo que escreve”.

Mas Marques de Melo (1974) contesta essas afirmações. Segundo ele, um memorial dos alunos, em que entre os signatários estava o jornalista José Hamilton Ribeiro, encaminhado à Fundação, reclamava da falta de treinamento profissional prático. Marques também se utiliza da justificativa do programa da disciplina Técnica de Jornal, do ano de 1953, ministrada pelo jornalista Luís Silveira, para mostrar que o curso tinha a orientação voltada para a Faculdade de Jornalismo da Universidad Internacional “Pro-Deo” para as Ciências de Opinião de Roma.

O material que temos recebido desse notável instituto de ensino superior, de alto conceito universal, é que nos tem guiado na orientação do ensino da cadeira Técnica de Jornal. (SILVEIRA apud MARQUES DE MELO, 1974, p. 23)

O próprio Rizzini, em seminário promovido pelo Ciespal no Rio de Janeiro, em 1965, reconheceu que as escolas brasileiras tinham problemas com a parte prática do curso, satisfazendo apenas o lado cultural e não suas finalidades profissionais.

Mas o problema não estava unicamente na Escola Cásper Líbero. Veremos, mais adiante, que o curso da Universidade do Brasil sofria do mesmo problema.

Benzer Belgeler