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Com o crescimento da informática e de novas formas de convergência entre as mídias já existentes, acrescidas da conectividade, convencionou-se dar uma nova nomenclatura: tecnologias de comunicação e informação – TIC que incorporou a mídia televisiva, rádio, e linguagens como a fotografia.

O contexto de desenvolvimento tecnológico gerou intensas transformações nos paradigmas sociais vigentes que prometem revolucionar o cenário educacional. O novo modelo foi adotado rapidamente pelo discurso de empresas fabricantes de aparelhos eletroeletrônicos, especialmente aqueles ligados à área de informática associando-os a possibilidades de sucesso escolar, influenciando as políticas nacionais de educação.

A denominação TIC entrou nas escolas brasileiras predominantemente através de textos oficiais, e políticas educacionais de inspiração neoliberal. Através desse discurso as políticas educacionais encenam uma retomada da ideia de meios como instrumentos utilizados na escola para auxiliar o ensino, dessa forma os meios foram reclassificados numa nova escala de valores, cujo topo está ocupado pelas tecnologias informatizadas representadas pelo uso de computadores, programas, internet, entre outros. A forma como o termo TIC vem sendo utilizado acaba por fazer com que o estudo das relações comunicacionais na escola e na sociedade fique nublado pelo aspecto técnico dos aparatos tecnológicos.

Reconhecendo que práticas mais críticas podem ser desenvolvidas apesar das nomenclaturas utilizadas, creio ser necessário evidenciar esse ideário para que se possa esclarecer e desmistificar (pré)conceitos e dar a dimensão da complexidade dos estudos sobre as mídias.

Analisando as expressões recursos didático/audiovisuais, percebemos que nelas a palavra recursos, pela sua construção histórica em educação, traz a ideia de um estudo mais instrumental, ligado às listas do como fazer que levaria inexoravelmente ao resultado desejado.

Já as expressões mídias/meios de comunicação carregam um caldo cultural, cuja elaboração esteve ligada às ideias de comunicação, inter-relação, cultura, reciprocidade, relação eu-outro-eu-mundo. Enfim, elas implicam numa série de questões que localizam a relação com os meios num contexto de formação mais amplo que ultrapassa os conteúdos curriculares imediatos e se conecta com a compreensão do quem sou eu/ de onde vim/ para onde vou.

Estas relações não ficam tão evidentes no uso das denominações Tecnologia Educacional/Tecnologias de Informação e Comunicação. A relação comunicacional assim como os estudos a respeito da produção e circulação de sentidos parecem ter sido apagados ou estão ausentes do campo abrangência dos termos Tecnologia Educacional/TIC assim a comunicação acaba sendo entendida de forma bastante reduzida na equação das TIC, devido à forma como esses termos foram apropriados pelo discurso das indústrias de produtos midiáticos e de materiais didáticos e do uso político relacionado a uma determinada visão de sociedade, descritos anteriormente.

O quadro abaixo apresenta uma síntese do exposto até aqui sobre a relação entre os termos e as concepções a que se filiam:

Quadro 1 - Relação entre termos e concepções

Termo Concepção dos meios Influências

Recursos Didáticos

Suporte de conteúdos – não há distinção entre os meios e outros objetos como a palmatória ou os brinquedos e contemplam: livros, quadros de escrever, desenhos, jogos ou instrumentos que auxiliem na explicação do mundo aos alunos e na apreensão de relações físicas e matemáticas, de tempo e espaço, etc.

Comênio – corrente “sensual- empirista” que enfatiza mais a aproximação com o real ou de sua simulação.

Jesuítas – ensino de matriz memorialista, reprodutora.

Recursos Meios Técnicas Audiovisuais

Facilitador do ensino – Os meios são vistos como forma de centrar o ensino no aluno, e livrá-lo do autoritarismo. (Espontaneísmo). Caracteriza-se por uma ligação com a imagem (como mapas, quadro de escrever, livros), com o som (como discos de vinil, rádio ou fitas de áudio) ou com ambos – som e imagem – (como slides sonorizados, cinema, TV/Vídeo).

Cinema e rádio – primeiras iniciativas de educação através desses meios.

Psicologia comportamental – Há uma (re)valorização da influência dos sentidos para a aprendizagem, especialmente a visão e audição.

Tecnologias Educacionais

Instrução Programada – O que diferencia essa corrente da anterior é o lugar central da tecnologia com destaque para o planejamento dos materiais, e o elogio da técnica em detrimento da ação do professor (Tecnicismo). Ganham relevância as experiências feitas com fitas de vídeoaulas gravadas e com educação a distância via rádio /TV e informática.

Teoria do Capital Humano – Considera a educação como índice de desenvolvimento do país. Com ênfase na educação tecnológica e nas demandas por formação rápida de técnicos que saibam operar máquinas com eficiência.

Meios de Comunicação

Mídias

Meios de manipulação – Os meios são considerados como objetos de estudo e ênfase na Leitura dos Meios com o objetivo de defender os alunos da manipulação.

Indústria Cultural – teoria que considera as mídias como aparelhos reprodutores da ideologia do Estado e das classes dominantes.

Meios de comunicação – A comunicação passa a ser o centro dos estudos e os processos de produção são considerados como meio de proporcionar a compreensão da função social dos meios.

Teorias da Recepção – considera a participação ativa do receptor no processo de comunicação.

TIC - Tecnologias de Informação e

Comunicação

Transmissor de conteúdos – o professor seria o coadjuvante das máquinas, responsável apenas pela seleção das informações. A Informática ganha destaque.

Meio de comunicação – que traz para a educação implicações tanto em relação à compreensão do cognitivo quanto das práticas socioculturais.

Teorias reorientadas pelo neoliberalismo Há uma releitura das tendências anteriores dando ênfase aos interesses econômicos.

Teorias Críticas – a releitura se dá na perspectiva crítica de alfabetização para os meios. Fonte: A autora.

A apresentação sintetizada dos termos não significa que eles devam ser pensados de forma linear como se cada um inaugurasse uma nova etapa que incorporasse a anterior, extinguindo-a. Na verdade, alguns termos surgiram quase

que ao mesmo tempo e nenhuma dessas nomenclaturas saiu da cena pedagógica, antes convivem, coexistem e estão interligadas. Carregam também algumas distorções e deformações que se mesclam no ideário dos diversos atores envolvidos: pais, alunos, professores, comunidade escolar, universidade, profissionais de comunicação e responsáveis pelas políticas de comunicação e educação. Um ideário importante de ser identificado para que se possa esclarecer e compreender práticas, desmistificar (pré)conceitos e dar a dimensão da complexidade que envolve o estudo das mídias.

Benzer Belgeler