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O objetivo do curso era capacitar os professores para a produção de vídeos. Contou com textos que trataram das seguintes temáticas: Alfabetização audiovisual, Funções do vídeo, O professor como produtor de imagens; que visavam fornecer uma fundamentação teórica sobre a função social do vídeo e suas possibilidades de uso na educação. Alguns dos textos apresentavam critérios para a escolha de produções comerciais para uso pedagógico e a produção de vídeos pelos professores com finalidade de integrá-los ao currículo das diversas disciplinas. O curso contou também com oficinas que visavam à familiarização com aspectos técnicos, como: ângulos e movimentos de câmera, enquadramentos, roteiro e edição. Foram feitos exercícios práticos e reflexivos a respeito das temáticas tratadas. O trabalho de conclusão da primeira fase foi a elaboração de um vídeo curto feito em grupo.

Na primeira etapa desse módulo houve um conjunto de aulas presenciais que envolveram a discussão de temáticas relacionadas aos textos e oficinas de produção. Houve também uma parte virtual que consistia na realização de tarefas como a leitura dos textos, e o envio de reflexões a respeito de textos escritos e midiáticos (filmes comerciais, filmes de curta-metragem, etc.), planejamento de uso dos meios. As tarefas concluídas eram enviadas por e-mail para a professora responsável pelo curso. Não tive acesso a respostas de outros professores nessa etapa, pois o retorno dessas atividades foi feito individualmente e de forma virtual. Já o trabalho final foi elaborado também no período não presencial e apresentado numa cerimônia de encerramento que contou com uma palestra e com a exibição comentada dos vídeos de todos os grupos.

O segundo módulo tinha a proposta de fazer um aprofundamento do módulo anterior, e centrou em exercícios de leituras de imagem incentivando a turma a identificar os posicionamentos de câmera, como foi conseguido determinado efeito, etc. Além disso, foi feito o roteiro para a produção coletiva de um vídeo sobre a vida de Dorian Gray, artista plástico local de carreira nacional e internacional. Este módulo propunha fornecer aos professores e professoras uma experiência que lhes auxiliasse a ultrapassar o nível caseiro e pudesse introduzi-los no universo da produção num nível mais avançado, bem como lhes proporcionar uma competência tanto de “leitura” quanto de “escrita” de textos midiáticos. Para isso, contou com

atividades como: a escolha de nome e elaboração de logomarca para o grupo, pesquisa sobre os temas a serem tratados para a construção do roteiro, elaboração e gravação em vídeo de entrevistas com o artista, críticos de arte, estudiosos, amigos e familiares, registros de bastidores, produção de cenários, procura de locações, edição de imagens, etc.

Desde o início não era meu objetivo analisar a metodologia deste curso, pois meu interesse era saber como as professoras se apropriavam dessas experiências e as articulavam com outras fontes de formação e informação em uma perspectiva emancipatória. Mesmo sabendo que a forma como o curso é ministrado, o tempo dado a cada atividade a sua organização e oportunidades de interação, assim como as tensões externas e as disputas de poder, as condições materiais de realização do curso também interferem na apropriação de seus conteúdos. Esses dados foram levados em consideração à medida que apareciam nas falas das professoras.

3.4 Os Caderninhos

A opção de participar do curso se deu com a finalidade de me familiarizar com os conteúdos e como uma forma de me aproximar mais da realidade escolar da cidade de Natal até então distante para mim, já que sou oriunda de outra região do país. Se por um lado as vivências pessoais com a instituição escolar como aluna, professora e pesquisadora me aproximavam das experiências das professoras52, por outro lado a história, a cultura, o jeito de ser e até mesmo de falar convidavam a trocas de (re)conhecimento de ambas as partes. Isso porque, como aponta Gilberto Velho (1979), o fato de pertencermos ao mesmo país e à mesma área de trabalho nos proporcionava repertórios em comum, no entanto, esse repertório não significava conhecimento. Esse momento de aproximação foi crucial para o desenvolvimento da pesquisa, pois “só há dados quando há um processo de empatia correndo de lado a lado” (DA MATTA, 1979).

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Embora o grupo tenha um participante do sexo masculino, vou me referir em alguns momentos ao grupo no feminino já que são em sua maioria mulheres, e apesar do machismo da língua, configuram um universo diferente daquele que se constituísse numa proporção inversa. Não vai aí nenhuma discriminação, ou dúvida quanto a masculinidade do participante, quando falo no feminino, espero que ele (e todos os homens) sinta(m)-se incluído(s).

O aprendizado da escuta ajudou a realizar essa aproximação e fez com que no lugar de determinar as informações que necessitava através de questionários, assumisse uma postura mais aberta de deixar espaço para que os participantes escolhessem por si os fatos a serem relatados da sua experiência com as mídias. Para isso dei a cada uma das participantes um caderno de dimensões reduzidas de modo que pudessem sempre tê-lo a mão para os seus registros. Logo nos primeiros relatos, as professoras começaram a colocar suas referências pessoais, percebi que as integrantes da pesquisa se referiam afetivamente à sua experiência com as mídias, assim como também eram afetivas as lembranças. Os relatos de uso das mídias se misturavam a reflexões a respeito da sua trajetória e da participação da mídia em sua vida.

Inicialmente incentivei que fizessem os registros de acordo com o que gostariam de dizer, conforme os retornos orais foram acontecendo, foi possível obter indicações dos temas que interessavam à pesquisa como, por exemplo, a relação pessoal com as mídias e o motivo de terem escolhido o curso. Os momentos de conversas espontâneas também foram considerados, pois a minha condição de participante no curso criou uma espécie de confiança, de modo que quando as professoras me encontravam logo se acercavam para comentar algo do que haviam vivenciado ou aprendido53. Para registrar esses momentos também utilizei diário de anotações – o meu próprio caderninho.

Benzer Belgeler