B. XX YÜZYILDA AZERBAYCAN TÜRKÇESĠ
1.3. RÜSTEM BEHRUDĠ‘NĠN ESERLERĠ
2.1.1. Ferdî Tema ve Konular
2.1.1.2. Rüstem Behrudi‘nin Yalnızlık Temalı ġiirleri
O estudo da linguagem enquanto discurso não pode desconsiderar os aspectos vinculados às suas condições de produção. E o que são, afinal, essas
condições de produção do discurso, um dos conceitos-chave mais importantes da
AD? Segundo Orlandi, as condições de produção (doravante, CP) de um dado discurso “compreendem fundamentalmente os sujeitos e a situação em que o discurso é produzido” (op.cit.,p.30).
Assim, quem fala? ou de onde se fala? são elementos constitutivos de todo discurso, representando, por assim dizer, os aspectos imediatos de um dado processo de produção; num sentido mais amplo, porém, podemos dizer que as CP de um dado discurso abarcam também os elementos histórico-ideológico-sociais que envolvem os sujeitos desse mesmo processo.
Pêcheux, em sua Análise Automática do Discurso (AAD-69), afirma que o estudo dos processos discursivos supõe duas ordens de pesquisa, sendo que uma delas compreenderá:
O estudo da ligação entre as ‘circunstâncias’ de um discurso – que chamaremos daqui em diante suas condições de produção – e seu processo de produção. Esta perspectiva está representada na teoria lingüística atual pelo papel dado ao contexto ou à situação, como pano de fundo específico dos discursos [...] (1997: p.75, destaques do autor).
A citação acima permite observar, inicialmente, a forma sutil com que o autor procura afastar do estudo dos processos discursivos o conceito de circunstância.23 Para Possenti, a finalidade dessa substituição é deslocar o
23 A tal respeito, atentar para o uso das aspas marcando um distanciamento do autor em relação ao termo ‘circunstâncias’.
funcionamento discursivo da cena pragmática, inserindo-o “nas instâncias enunciativas institucionais, marcadas por características amplamente históricas” (op.cit., p.367). Permite, ainda, perceber que Pêcheux propõe, por meio de tal deslocamento teórico, a consideração do discurso a partir das condições em que foi produzido, evidenciando, desse modo, “a relação necessária entre um discurso e seu lugar em um mecanismo institucional extralingüístico” (op.cit., p.77).
A partir dessa perspectiva, o processo discursivo estaria ancorado em alguns mecanismos que, contribuindo para o seu funcionamento, seriam constitutivos de suas condições de produção. Tais mecanismos são: a) as relações
de força, que estabelecem uma relação entre o que se diz ou enuncia e o lugar a
partir do qual se enuncia. Assim, determinado enunciado não terá o mesmo estatuto conforme o lugar ocupado por seu sujeito (como exemplo, compare-se a fala de um professor e de um aluno ou a fala de um padre em uma missa junto aos seus fiéis)24. Dito de outro modo, o lugar de onde o sujeito enuncia é constitutivo de seu dizer; b) as relações de sentido, uma vez que, conforme afirma Pêcheux, “o discurso se conjuga sempre sobre um discurso prévio, ao qual ele atribui o papel de matéria- prima” (idem, ibidem). Isto significa que todo dizer pressupõe outros dizeres com os quais necessariamente vão se construindo os discursos. Em outras palavras, não há discurso que não estabeleça algum tipo de vínculo com outros discursos, na medida em que, de acordo com Orlandi, “as palavras falam com outras palavras. Toda palavra é sempre parte de um discurso, o qual se delineia com outros: dizeres presentes e dizeres que se alojam na memória” (op.cit.,p.43); c) os mecanismos de
antecipação, por meio dos quais, ainda conforme esta autora, “todo sujeito tem a
capacidade de experimentar, ou melhor, de colocar-se no lugar em que seu interlocutor ‘ouve’ suas palavras” (idem, p.39).
Vale ressaltar ainda um último aspecto de fundamental importância para a consideração dos processos discursivos e, conseqüentemente, das condições de produção do discurso: as formações imaginárias.
Foi Pêcheux quem, partindo do esquema informacional inicialmente proposto por Jakobson (mas, dialeticamente, rompendo com ele), explicitou tal noção. Para o autor, a teoria elaborada pelo lingüista russo apresentava “a vantagem de pôr em cena os protagonistas do discurso bem como seu ‘referente’” (op.cit. p.81). Contudo, Pêcheux negou-se a ver na relação estabelecida entre os pólos A e B, respectivamente representados pelo emissor e o receptor do processo discursivo, apenas uma simples troca de informações. Para o autor, além disso, os elementos A e B designavam algo diferente da presença física de organismos humanos individuais, dado que tais elementos referem lugares de uma certa estrutura social, representados pelos sujeitos.
De acordo com Pêcheux:
O que funciona nos processos discursivos é uma série de formações imaginárias que designam o lugar que A e B se atribuem a si e ao outro, a imagem que eles se fazem de seu próprio lugar e do lugar do outro (idem, p.82).
Desse modo, o que conta para o funcionamento do processo discursivo não são os sujeitos e os lugares de onde enunciam, considerados empiricamente, isto é, a partir de “lugares dos quais a sociologia pode descrever o feixe de traços objetivos característicos” (ibidem, ibidem), mas sim as imagens resultantes de suas projeções. Secundando Pêcheux, Orlandi observa que são justamente essas projeções que, estabelecendo a distinção entre lugar e posição, “permitem passar das situações empíricas – os lugares dos sujeitos – para as posições dos sujeitos no discurso” (op.cit., p.40). Além disso, há que se mencionar o papel desempenhado pela antecipação das representações do receptor, sobre a qual, de acordo com Pêcheux, “se funda a estratégia do discurso” (op.cit., p.84). Para o autor, integra os mecanismos de produção do processo discursivo o modo através do qual “A representa para si as representações de B, e reciprocamente, em um dado momento do discurso” (idem). Em outras palavras, trata-se da imagem que o sujeito faz da imagem que seu interlocutor faz “a) do lugar que ocupa o sujeito do discurso; b) do
lugar que ele (interlocutor) ocupa; c) do discurso ou do que é enunciado” (Mussalim, 2004: p.137).
A consideração das condições a partir das quais se constituem os processos discursivos adquire especial importância para esta pesquisa, uma vez que, partindo da análise de nosso corpus, trabalho com a hipótese de que os formandos do Provão/2001 ‘falam’, por meio das reescritas realizadas, não apenas do lugar que a eles foi conferido – a de estudantes de cursos de Letras sendo examinados – mas, também, da posição enunciativa que assumem, a saber, a de professores de Português diante daquele texto originalmente produzido pela menina de 10 anos.
Além do mais, por meio de um dos aspectos das condições de produção do discurso, a saber, das relações de sentido, isto é, dos vínculos que todo discurso estabelece com outros discursos, é possível identificar os processos de reescrita textual elaborados pelos formandos a um entrelaçamento de vozes orquestradas a partir de um discurso que, embora mencionado aqui como tendo sido originalmente produzido pela menina de 10 anos, também mantém relações (‘ressonâncias dialógicas’) com um discurso prévio: a narrativa literária infanto-juvenil ‘O outro lado da ilha’, de J.M. Monteiro.
Por fim, no que diz respeito aos mecanismos de “antecipação das representações do receptor” (Pêcheux, op.cit., p.84), mediante a qual o sujeito poderá se “antecipar a seu interlocutor quanto ao sentido que suas palavras produzem” (Orlandi, op.cit.,p.39), há que se destacar o fato de que os formandos, ao produzirem suas reescritas textuais, propuseram alterações ao texto-base que, de alguma forma, coincidiam e se antecipavam ao que eles julgaram integrar as expectativas por parte da banca examinadora do Provão.