• Sonuç bulunamadı

2. KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.2. Meslek Seçimi Kuramları

2.2.4. Psikanalitik Kuramlar

Consid erand o qu e a interação em ju lgam entos no Tribu nal d o Jú ri é altam ente ritu alística, faz-se necessário atentar p ara a d isp osição d os atores d essa mise en scène lingu ageira. O Ju iz constitu i a instância d e p od er; ele é a au torid ad e m áxim a. Com o tal, controla não som ente horários, d ocu m entos, m as o p róp rio u so qu e faz d a lingu agem . Desse m od o, tod as os ou tros su jeitos estão, em certo sentid o, su bm etid os as su as convicções e a su a au torid ad e. A Ju stiça o legitim a. Sob a óp tica d e Fou cau lt ele seria u m a figu ra em blem ática d a socied ad e d e controle. Os Ad vogad os, em bora p ossu am u m a grand e m argem d e m anobras, referentes à constru ção d e seu s d iscu rsos, estão su bm etid os a essa au torid ad e, qu e p od e lhes d elegar p od er, m as tam bém p od e desautorizá-los. É interessante qu e a estru tu ra esp acial d a tribu na rep resenta a ord em social vigente, u m a vez qu e à d ireita d o Ju iz está o Prom otor p ú blico, e a su a esqu erd a a d efesa. Em u m nível m ais baixo ficam os m em bros d o Conselho d e Sentença e, ainda, m ais abaixo, o réu . Os d egrau s, na estru tu ra esp acial, servem d e índ ice d a hierarqu ização social. Desse m od o, rep rod u z-se na tribu na o lu gar d e cad a u m na sociedade.

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68 Tod os os su jeitos envolvid os na interação, d u rante a sessão d e ju lgam ento, d evem d em onstrar adequação ao ritual sociolinguageiro85, o qu al constitu i, a m eu ver,

u m p rim eiro p rincíp io assu m id o p or eles. Com d estaqu e p ara o p ap el d esem p enhad o p elos Ad vogad os, tal ad equ ação será resp onsável p or garantir cred ibilid ad e, p ois a p róp ria Ju stiça Penal já lhes legitim a. Assim , ao d em onstrarem conhecer os p rincíp ios regentes d aqu ela interação esp ecífica, eles d em onstram u m saber e aind a criam u m a imagem positiva de si mesmos.

Com o segu nd o p rincíp io d o fu ncionam ento d iscu rsivo d o jú ri eu p od eria aind a hoje d estacar a qu estão d a Culpabilidade do réu, da construção de sua imagem. Este p rincíp io é tam bém resp onsável p ela encenação d os Ad vogad os. De u m m od o geral, os Ad vogad os d estacam a cu lp abilid ad e p ara, a p artir d ela, d esenvolver a argu m entação. Então, d e acord o com a p osição ocu p ad a p or eles na tribu na – d efesa ou acu sação – tentarão, através d e recu rsos d iversos, constru ir u m a im agem p ositiva ou negativa d o réu . N o qu e concerne ao Tribu nal d o Jú ri, p arece-m e p ossível até m esm o afirm ar a existência de u m caráter ritu alístico na constru ção d as estratégias, p ois elas obed ecem a u m p ad rão e já fazem p arte d o u niverso d e conhecim ento d os serventu ários d a justiça.86 Tod os têm ciência d o qu e se faz e d o qu e se d eve ou não fazer em term os

discursivos no Tribunal do Júri.

Por ú ltim o, aind a é p reciso d estacar o p ap el d a Ju stiça Penal, qu e hoje eu p od eria d enom inar d e o Lugar da Justiça Penal, em vez d e o Papel da Justiça Penal, com o eu havia d enom inad o em m inha d issertação d e m estrad o. Este p rincíp io tam bém baliza a p rod u ção d iscu rsiva, p ois cad a u m a d as p artes se m obilizará na tentativa d e encontrar brechas no d esenrolar d o Processo p ara d efend er ou cu lp abilizar o réu . Ao p roced erem assim os Ad vogad os colocam em jogo o p róp rio lu gar d a Ju stiça, u m a vez

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--- qu e é d esconstru ind o algu ns p receitos ou enaltecend o seu valor qu e p od erão trabalhar em favor de suas teses.

A p artir d essas inform ações, é p ossível verificar qu e, em se tratand o d e sessões de ju lgam entos d e Tribu nal d o Jú ri, os Ad vogad os são os m aiores resp onsáveis p or transform ar o mundo a significar, qu e é constitu íd o, basicam ente, d as p rovas técnicas, d os lau d os, p areceres e d os testem u nhos em u m mundo significado. É claro qu e a p róp ria organização d as p eças p rocessu ais e o fato d e servirem d e base p ara u m julgam ento, já p roced e a essa p assagem (mundo a significar – mundo significado) em outro momento, mas agora meu olhar se dirige para a sessão de julgamento.

A estru tu ra d a Ju stiça Penal, d e u m m od o geral, e a estru tu ra d o Tribu nal d o Jú ri, d e m od o esp ecífico, antecip am m u ito sobre a su stentação oral d os ad vogad os d u rante os ju lgam entos, m as é neles qu e tu d o virá à tona, é lá qu e o ritu al ficará m ais exp lícito e os atores, p orta-vozes d a Ju stiça ou d a socied ad e, entrarão em cena p ara fechar u m ciclo, ou p arte d ele, no caso d e u m novo ju lgam ento. Tod os os term os e conceitos p resentes no Processo, p or m ais vagos e am bígu os qu e sejam , servirão d e p onto d e p artid a p ara a organização d os textos a serem p roferid os p ela Defesa e p ela Acusação, e, evidentemente, fundamentarão o veredicto.

Du rante as sessões d e ju lgam ento há d istintos m om entos enu nciativos ocorrend o, os qu ais não são exclu d entes, m as se interseccionam . H á u m a grand e varied ad e d e instâncias d iscu rsivas coexistind o sim u ltaneam ente, p ois há vários su jeitos p articip and o d e form a d istinta d a troca. O Ju iz-p resid ente, resp onsável p or coord enar a sessão, sim boliza, na rep resentação social, o p roved or d a lei. Ele rep resenta a p rincip al figu ra d essa instância. Além d ele, tem os o p ap el d a acu sação encenad o p elo Prom otor Pú blico e p or u m Assistente d e Acu sação. O Defensor p od e

86 Tais elementos podem ser de conhecimento de quaisquer sujeitos que possam, por ventura, ter algum

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70 ser u m servid or d a Ju stiça ou tam bém u m Ad vogad o p ago. Então, até aqu i há, p elo m enos, cinco su jeitos envolvid os na troca. Ap esar d e não m anterem u m a interlocu ção exp lícita com os ou tros atores, os m em bros d o Conselho d e Sentença, p or su a vez, cap tam grand e p arte d os holofotes, u m a vez qu e, nesse lu gar, d esem p enham u m p ap el d e fu nd am ental im p ortância p or serem , teoricam ente, os rep resentantes d a socied ad e. O escrivão, p or seu tu rno, som ente atend e às solicitações d o Ju iz e anota o qu e lhe for solicitad o. O réu , figu ra central, só se m anifesta verbalm ente d u rante o interrogatório. H á no jú ri, então, su jeitos enu nciad ores, com u nicantes, d estinatários e interp retantes de distintas ordens.

As instâncias de produção dos discursos

1a instância de produção de discurso: os magistrados

A im p ortância e o p od er d o Ju iz conferem u m a legitim id ad e e u m a au torid ad e, as qu ais, p or estarem su bm etid as à situ ação d e com u nicação em u m a relação d e dependência, só fazem sentid o nesse esp aço d iscu rsivo. Através d o segu inte fragm ento do Código Penal é possível verificar como se dá essa relação:

Art. 408. Se o Ju iz se convencer d a existência d o crim e e d e ind ícios d e qu e o réu seja o seu au tor, p ronu nciá-lo-á, d and o os m otivos d e seu convencimento.

§ 1 N a Sentença d e Pronú ncia o Ju iz d eclarará o d isp ositivo nom e no rol d os cu lp ad os, recom end á-lo-á na p risão em qu e se achar, ou exp ed irá as ordens necessárias para sua captura.

§ 2 Se o réu for p rim ário e d e bons anteced entes, p od erá o Ju iz d eixar d e decretar-lhe a prisão ou revogá-la, caso já se encontre preso. 87

Com o se vê, o Ju iz é o resp onsável p or receber a d enú ncia feita p elo Ministério Pú blico e p or tom ar as d evid as d ecisões, a fim d e averigu ar as inform ações e d ecid ir

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--- qu al será o ru m o d o caso. Seu p ap el, nesse m om ento, é d e fu nd am ental im p ortância, p ois su a avaliação d eve ser o m ais im p arcial p ossível. Ele não p od e – ou não d eve – se p osicionar, m as ap enas averigu ar se há p rovas su ficientes contra o acu sad o, verificar se tod os os d ocu m entos necessários foram colhid os, entre ou tros p roced im entos. O Ju iz é o p orta-voz d a Ju stiça Penal com p od eres p ara d eterm inar o d estino d as p essoas e, assim com o a Ju stiça, d eve ser “cego” a fim d e tentar evitar a interferência d e su a subjetividade.88 Ele d everá interagir com a Prom otoria, com os Ad vogad os, com o

acu sad o, com as testem u nhas, com os Peritos e com tod os os ou tros su jeitos envolvid os, d ireta ou ind iretam ente, no caso. É im p ortante d estacar qu e a interação entre o Ju iz e tod os os ou tros su jeitos se d á d e form a assim étrica, p raticam ente u nilateral. Em ou tras p alavras, a troca é m onolocu tiva, u m a vez qu e não há realm ente u m d iálogo efetivo entre as p artes, m as ap enas qu estionam entos, im p osições, averigu ações. Oficialm ente, não p od e haver o d ebate, a interlocu ção, p ois não d eve haver envolvimento das partes com o caso.

Du rante o ju lgam ento, o Ju iz tam bém m anterá u m tip o p ecu liar d e troca com tod os os p articip antes d o evento, visto qu e os ind ivíd u os som ente se d irigem a ele p ara solicitar algo e p ara resp ond er aos seu s qu estionam entos, m as não sob a form a d e u m d iálogo exp lícito. Este ind ivíd u o rep resenta, então, u m a instância d e p rod u ção d iscu rsiva qu e d etém u m enorm e cap ital sim bólico. Se, p or u m lad o, essa instância se vê p ressionad a p ela situ ação d e com u nicação e p or tu d o qu e a anteced e, p or ou tro, seu olhar é d eterm inad o p elos im aginários sócio-d iscu rsivos qu e fazem p arte d e su a form ação. Assim com o os d em ais agentes, ele d eve agir d e acord o com as norm as regentes d o fu ncionam ento d o Tribu nal d o Jú ri e, m esm o send o d otad o d e u m im enso p od er, não p od e arriscar u m a p ostu ra m u ito ou sad a. Se agir fora d os p ad rões d e

88 É claro que essa imparcialidade não existe, pois embora deva ser uma pessoa douta o suficiente para

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72 exp ectativa, p od e p erd er não ap enas su a cred ibilid ad e, m as tam bém a p róp ria legitim id ad e qu e p ossu i. Além d isso, com o u m a instância esp ecífica d e p rod u ção d iscu rsiva, d eve ap enas rep rod u zir o d iscu rso d a lei, p ois não p od e, teoricam ente, criar nad a. Tod avia, é ele o resp onsável p or elaborar e enu nciar o vered icto, m esm o qu e se baseie no resu ltad o d a votação. É ele o resp onsável p or enu nciar a p u nição ao crim inoso. N esse sentid o, ao ap licar a lei às resp ostas d o jú ri e aos qu esitos d e votação, ele interp reta os d ad os e, su p onho, qu e além d a d istância necessária, seu u niverso d e crenças certamente entrará em jogo nesse momento.

2a instância de produção de discurso: os Advogados

Em u m ou tro nível enu nciativo, encontram -se os Ad vogad os qu e tam bém rep resentam a Ju stiça, m as d e form a d istinta. O Prom otor é efetivam ente o Rep resentante d o Ministério Pú blico e assu m e o p ap el d a acu sação, u m a vez qu e é ele o resp onsável p or ap resentar a d enú ncia. Du rante o ju lgam ento, o lu gar qu e ocu p a é exp licitad o p or su a localização esp acial – está ao lad o d ireito d o Ju iz. Seu p osto é, d e certa form a, p rivilegiad o em relação à Defesa. Ele ap resenta a d enú ncia e p recisa argu m entar em favor d ela, ou seja, em favor d a cond enação. O d efensor, p or seu tu rno, d everá tentar d esconstru ir tal d enú ncia a fim d e consegu ir a absolvição d o réu . Tem os, então, nesse m om ento, d u as instâncias d iscu rsivas coexistind o em d ireções op ostas, rep resentad as p ela acu sação e p ela d efesa. Du rante o ju lgam ento, eles m antêm u m tip o de troca que, apesar de monolocutiva, possibilita o contato e um diálogo permanente. 89

89 Apesar de serem orientados a se manifestar apenas em um momento pré-determinado, os Advogados

--- Além d e interagirem entre si, interagem , obviam ente, com o Ju iz, com o réu e, sobretu d o, com os ju rad os, os qu ais são os su jeitos-alvos d e su as falas. O m aior objetivo d os Ad vogad os é m anter u m a p seu d otroca com o jú ri. Assim com o o Ju iz, eles encontram-se p ressionad os p elas lim itações d a situ ação e d evem obed ecer aos mandamentos do júri, devem se adequar ao ritual sociolinguageiro e por isso se sentem p ressionad os, em su a tentativa d e p ersu asão a, p or exem p lo, u sar a variação lingü ística p ad rão, a serem p olid os, a u sar a toga. Além d essas p ressões d e ord em p rática, há ou tras relativas à p róp ria constru ção d iscu rsiva. Eles d evem elaborar seu s textos a p artir d as p eças p rocessu ais, as qu ais ap resentam o caso e, sobretu d o, a p artir d as p ressões a qu e estarão su bm etid os em d ecorrência d os d ocu m entos d e qu e d isp õem , dos d ep oim entos d as testem u nhas, d os lau d os técnicos, d a p osição na hierarqu ia social ocu p ad a p ela vítim a e p elo réu . É necessário, aind a, qu e ao elaborar a fala a ser p roferid a na tribu na, eles criem u m a d eterm inad a im agem acerca d a com p osição d o jú ri, a qu al d eterm inará, p ortanto, o and am ento e o su cesso d a argu m entação a ser empreendida.

É interessante p ensar qu e se em cad a Tribu nal d o Jú ri há u m nú m ero d e p essoas inscritas, m esm o qu e elas sejam sortead as som ente no m om ento d o ju lgam ento, com o p assar d o tem p o, p rovavelm ente, d eve ser p ossível fazer d eterm inad as p revisões acerca d e su a p articip ação. Além d isso, se, p or u m lad o, é p ossível p rever as reações d os ju rad os a p artir d e u m saber constru íd o ao longo d e u m p eríod o d e tem p o, p or ou tro, m esm o no m om ento d a troca, a p artir d e índ ices d e d iversas ord ens, os Ad vogad os se sentirão tam bém p ressionad os a agir d e d eterm inad o m od o e a reconstru ir seu s argu m entos a fim d e satisfazer a u m a exp ectativa “id eal” em relação ao jú ri, bem com o a p artir d e seu d esejo d e se sobressair em relação à tese defendida por seu oponente na tribuna.

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A instância-alvo dos discursos: os jurados

Os “cid ad ãos d e vid a id ônea” são os d estinatários d e tod a a su stentação oral d a acu sação e d a d efesa, bem com o d as exp ectativas e p ressões d a socied ad e.90 Com o são

tam bém p ortad ores d e u m a id entid ad e p sicossocial interp retarão os d ad os d e acord o com seu olhar, qu e é fru to d e crenças, d e valores e, obviam ente, d eterm inad o p elas rep resentações sociais qu e circu lam acerca d os p ersonagens envolvid os no crim e a ser ju lgad o. Tod avia, além d e serem a instância d e recep ção, p or excelência, os ju rad os d etêm o p od er d e d ecid ir qu al será o resu ltad o d aqu ela mise en scène sociolingu ageira. Eles são os “cid ad ãos ju rad os”, os legitim ad os p ela socied ad e. Assim , os vered ictos trad u zem , d e certa form a, os valores, os m ed os e as certezas qu e circu lam em nosso meio social.

Com o ind ivíd u os escolhid os e ativos no Tribu nal d o Jú ri, im agino qu e p erd em , com o p assar d o tem p o, o anonim ato, p assand o a ser conhecid os p elos qu e ad vogam naqu ele lu gar. Com o afirm ei anteriorm ente, é p reciso não p erd er d e vista qu e, m esm o tend o ap enas u m a p equ ena im p ressão acerca d esse su jeito-alvo, d u rante a encenação d os d iscu rsos, os Ad vogad os p od em reconstru í-lo a p artir d o m om ento d o sorteio e, m ais ad iante, d as reações d em onstrad as p or ele. Em ou tras p alavras, a p artir d a observação d a ap arência física d o su jeito é p ossível fazer u m a leitu ra e m ontar u m retrato (m esm o p arcial e p reconceitu oso) acerca d ele: está bem vestid o? É d o sexo feminino ou m ascu lino? Possu i id ad e avançad a? Ap arenta p ossu ir u m a boa ed u cação

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Vale lembrar que, de certo modo, eles são o alvo até mesmo do Policial Militar que elabora o BO. Eu acredito que todos os sujeitos envolvidos no percurso do Processo Penal têm sempre em mente esse tiers, o qual terá contato de algum modo com aquilo que eles produziram nesse caminho.

--- form al? Além d isso, d u rante a sessão, a p artir d as reações em ocionais d em onstrad as por estes sujeitos, um outro retrato pode se efetivar.

Assim com o os ou tros atores, os m em bros d o Conselho d e Sentença d evem adequar-se às normas regentes do Tribunal do Júri (não podem se comunicar, precisam cumprir horários e demais protocolos, devem aparentar equilíbrio emocional durante o ju lgam ento, não p od em se envolver no caso etc). Além d a p ressão referente ao ritu al, são os ind ivíd u os m ais p ressionad os, no nível sim bólico, p ela socied ad e. Certam ente, a p ressão d a com u nid ad e externa à tribu na (a p latéia) é tam bém u m d os fatores determinantes de sua performance no momento da votação.

Finalmente, nessa segu nd a p arte d a leitu ra, em bora tenha ap resentad o as características de duas distintas instâncias de produção discursiva – Juiz e Advogados - , p rivilegiarei a instância referente aos Ad vogad os, p ois é a p artir d ela qu e tentarei m elhor com p reend er fu ncionam ento d a mise en scène sociolingu ageira d a sessão d e julgamento.

A finalidade

Ap ós ap resentar as características e a relação entre as instâncias d iscu rsivas, é p reciso d iscorrer a resp eito d o qu e d eterm ina a finalid ad e d a com u nicação no Tribu nal d o Jú ri. Trata-se assim d e d estacar algu ns tip os d e visées d iscu rsivas d istintas, m as complementares nessa empreitada.

Uma viséé de captação

Consid erand o qu e o objetivo m aior d o encontro consiste no ju lgam ento d e u m ind ivíd u o, os Ad vogad os d evem ad equ ar-se à situ ação, esforçand o-se p or p ersu ad ir os sujeitos-alvos. Para isso, vêm -se cond icionad os p or u m a situ ação qu e os obriga a se

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76 p osicionar d iscu rsivam ente em relação ao crim e: acu sação ou d efesa. A p artir d esse p osicionam ento, d everão organizar seu s d iscu rsos d e m od o a introd u zir o su jeito-alvo no caso. Os p rod u tores d e d iscu rso d evem , d e algu m a form a, ap roxim ar os ju rad os d a cena d o crim e, levand o-os a realm ente p articip ar não ap enas d o ju lgam ento, m as d e tu d o qu e o envolve – fam ília, violência, religião, estatu to d os su jeitos etc. Os Ad vogad os d evem em p reend er, nesse sentid o, u m a ap roxim ação tem p oral e esp acial em relação ao caso ju lgad o, p ois este não p od e p arecer d istante. Ao contrário, d everá p arecer m u ito p róxim o d e tod os, tanto no tem p o com o no esp aço, a fim d e m ais facilm ente su scitar o tem or, p or exem p lo. Qu and o os Ad vogad os afirm am a p ossibilid ad e d e u m ataqu e d o réu a algu m d os m em bros d o jú ri ou a algu ns d e seu s fam iliares, obriga-os a p articip ar d aqu ela violência p articu lar, através d a encenação de uma situação possível.

Ap esar d e os fatos terem ocorrid o em ou tro tem p o, este d everá ser retom ad o, p or isso m esm o é p reciso qu e o m aior nú m ero p ossível d e d ad os p rocessu ais e testem u nhais sejam u sad os, d e acord o com os interesses em jogo (acu sação ou d efesa). Isto p orqu e a “visée d e cap tação” no Tribu nal d o Jú ri p ressu p õe, além d e u m fazer fazer e d e u m fazer crer, u m certo fazer prazer obscu ro. Os ju rad os são colocad os no lu gar d e verdadeiros voyeurs, uma vez que eles são incitados a se interessar pelas partes picantes d o Processo, p or aqu eles elem entos qu e, na m aioria d as vezes, nem d everiam ser m encionad os. Através d esse recu rso, os Ad vogad os p od em envolvê-los, baralhand o su a p ercep ção d a realid ad e. A cu riosid ad e, o d esejo d e saber m ais acerca d o caso são fu nd am entais, p orqu e os m antêm em sintonia com o Processo. N esse sentid o, qu anto