2. KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR
2.8. Mesleki Değerlerin Ölçülmesi ve Değer Ölçekleri
De acord o com Charau d eau , enqu anto os saberes d e crença referem -se a critérios d e verd ad e, interiores ao su jeito, os valores d e conhecim ento estariam ligad os a critérios d e verd ad e, exteriores ao su jeito.206 N o p rim eiro caso, então, os valores não
teriam a obrigação d e ser verd ad eiros, p orqu e estariam ligad os à su bjetivid ad e d o ind ivíd u o, o qu e não seria o caso d os valores d e conhecim ento. Ap oiand o-se nas id éias d e Pap erm an, N u ssbau m e Elster, Charau d eau trilha u m cam inho em relação a u m
205
CHARAUDEAU, 2000: 130. Minha tradução do original em francês: “Não apenas o sujeito deve perceber alguma coisa, não somente essa alguma coisa deve se acompanhar de uma informação, isto é, de um saber, mas é preciso, ainda que o sujeito possa avaliar esse saber, possa se posicionar em relação a ele para poder provar ou exprimir a emoção”.
206
--- tratam ento d as em oções qu e leva em conta su a ligação fu nd am ental com as crenças.207
Segundo ele,
[...] les croyances sont constituées par un savoir polarisé autour de valeurs socialement partagées; le sujet mobilise un, ou plusiers, des réseaux inférentiels proposés par les univers de croyance disponibles dans la situation où il se trouve, ce qui est susceptible de déclencher chez lui un état émotionnel; le déclenchement de l’état émotionnel (ou son absence) le met en prise avec une sanction sociale qui aboutira à des jugements divers d’ordre pycologique ou moral.208
De acord o com Elster, haveria u m a racionalid ad e nas crenças, o qu e n ão significa qu e elas sejam nem m ais nem m enos verd ad eiras, u m a vez qu e d evem somente ser bem fu nd ad as sobre a inform ação d isp onível ao su jeito.209 As crenças são
racionais se elas forem form ad as p or p roced im entos os qu ais, em longo p razo, tend em a produzir mais crenças verdadeiras que outro procedimento. Entretanto, o autor alerta sobre a p ossibilid ad e d e qu e, em u m a situ ação p articu lar, a crença assim form ad a não corresp ond a aos fatos. Assim , a form ação d as crenças é vu lnerável, p orqu e p od e ser d eform ad a p or influ ências d e tod o tip o.210 Segu nd o esse p onto d e vista, em oções e
norm as sociais estariam , então, intrinsecam ente ligad as, send o as norm as as resp onsáveis p ela regu lação d as em oções. As em oções não teriam u m a conexão obrigatória com o qu e as p rovoca, u m a vez qu e nossas crenças entrariam em jogo, determinando o modo como uma emoção poderia ou não aparecer.
Ao d iscorrer acerca d a au sência d e em oção, Pap erm an211, p or exem p lo,
apresenta-nos exem p los d e d ois casos em qu e d ois p olicias tiveram u m a reação
207
Para saber mais sobre o assunto, ver os debates de ELSTER acerca da racionalidade das emoções, o de PAPERMAN sobre a ausência de emoção como ofensa e o de NUSSBAUM a respeito dos julgamentos e de sua relação com as emoções.
208
CHARAUDEAU, 2000: 131-132. Minha tradução do original em francês: “[...] as crenças são constituídas por um saber polarizado em torno de valores socialmente partilhados; o sujeito mobiliza uma ou várias redes inferenciais propostas pelos universos de crenças disponíveis na situação em que ele se encontra, o que é susceptível de desencadear nele um estado emocional; o desencadeamento do estado emocional (ou sua ausência) o coloca frente a uma sanção social que resultará em julgamentos diversos de ordem psicológica ou moral.”
209
ELSTER, 1995.
210
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138 totalm ente d iferente ao atirar contra u m su jeito, d u rante u m a p ersegu ição. O p rim eiro foi severam ente criticad o p orqu e, segu nd o testem u nhas, assassinou a sangu e-frio u m su sp eito. Atirou no hom em , virou d e costas e foi em bora tranqü ilam ente. A su p osta au sência d e em oção chocou a op inião p ú blica. N o ou tro caso, o Policial teve u m ataqu e d e nervos ap ós atirar em u m a situ ação sem elhante d e p ersegu ição a u m su sp eito. A p artir d aí ela d iscu te a qu estão d o ju lgam ento fu nd ad o em crenças, o qu al d eterm ina o olhar d o su jeito sobre a em oção e sobre o qu e significa em ocionar-se. É p ossível conclu ir d isso qu e as rep resentações d o su jeito acerca d e si e d o m u nd o são d eterm inantes p ara su a relação com as em oções, p ois, com o alerta Patrick Charau d eau ,
“si on définit les émotions comme des états mentaux intentionnels qui s’appuient sur des croyances, alors on peut dire que cette notion s’inscrit dans une problématique de la représentation.”212
Tod avia, se na p ersp ectiva d e Pap erm an e d e Charau d eau , qu e segu e su as trilhas, o caso d o Policial qu e atirou e foi em bora estaria relacionad o à au sência d e em oção, acred ito ser p ossível p ensar qu e haveria sim , nesse caso, u m tip o d e em oção. O p róp rio controle excessivo d o corp o, a agressivid ad e d isfarçad a seriam índ ices d essa em oção; a atitu d e “sangu e frio” seria a m anifestação d e u m a em oção. Desse m od o, acred ito qu e, em bora na ap arência se p ossa im aginar não haver em oção, m as u m a p rim azia d a razão, haveria sim u m tip o d e em oção qu e eu consid eraria, p or falta d e um termo melhor, “negativa”.
Ao d esenvolver d iscu ssão em torno d as relações entre em oção e rep resentação, Charaudeau ap resenta a id éia d e qu e haveria rep resentações qu e p od em ser consideradas patêmicas. Tais representações se referem, por exemplo, no caso de Suzane
211
PAPERMAN, 1995: 178-179.
212
CHARAUDEAU, 2000: 132. Minha tradução do original em francês: “[...] se as emoções são definidas como estados mentais intencionais, que se apóiam sobre crenças, então se pode dizer que essa noção se inscreve em uma problemática da representação.”
--- Richtoff213 à d escrição d a situ ação a p artir d e u m ju lgam ento d e valor qu e é p artilhad o
p ela coletivid ad e (o qu e o assassinato d os p ais significa em relação ao u niverso d e crenças e d e conhecim ento d os brasileiros; em qu e sentid o nos ap roxim am os d essa situ ação; em qu e ela nos im p lica) e é institu íd o com o norm a social, colocand o em d estaqu e u m su jeito, qu e é vítim a ou algoz. As notícias sobre esse crim e p od em m e levar, socialm ente, a ficar chocad a, a sentir p ena d essa m oça ou até m esm o a ficar ind iferente, d ep end end o d a relação qu e m antenho com esse tip o d e fait divers, p or exem p lo. N esse sentid o, eu teria u m a reação em ocional, qu e obed eceria às regras sociais d a com u nid ad e na qu al m e insiro, as qu ais seriam interiorizad as ou d ecorrentes de minhas representações.
Esta id éia d e rep resentação d a qu al Charau d eau se u tiliza baseia-se tanto na Sociologia qu anto na Psicologia, p ois ela seria, em seu entend er, “sócio-d iscu rsiva”, no sentid o d e qu e o p rocesso d e configu ração sim bolizante d o m u nd o se faz não através d e u m sistem a d e signos isolad os, m as d e enu nciad os qu e significam a vid a d os seres do mundo. Tais enunciados nada têm de arbitrário uma vez que são determinados pela relação d o su jeito com o m u nd o, com seu s valores e seu s ju lgam entos. São eles qu e contribu em na form ação d os saberes d e crenças, consid erad os p elo au tor com o sócio- discursivos, em oposição ao caráter externo dos saberes de conhecimento.214
Ao d iscorrer sobre o grau d e institu cionalização d as em oções, Plantin215 d ialoga
com Charau d eau no sentid o em qu e p ostu la ser este grau resp onsável p or reger a m od alid ad e d a gestão interacional. Parece p ossível tom ar essa id éia d e institu cionalização d as em oções com o resu ltante d a rep resentação p atêm ica. H averia,
213
Suzane Richtoff, uma garota de 19 anos e pertencente à classe alta, tornou-se conhecida em todo o Brasil após o assassinato de seus pais. Ela, juntamente com o namorado e o irmão dele, assassinou os pais enquanto eles dormiam. Esse caso chocou a opinião pública brasileira (e mundial) em virtude da gravidade do ato de violência cometido e em decorrência da frieza com que a morte desse casal foi tratada pela mentora do crime, a própria filha.
214 CHARAUDEAU, 2000: 133. 215
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140 nesse sentid o, certos com p ortam entos em ocionais m ais ou m enos p revisíveis d e acord o com cad a cu ltu ra. N o Brasil, p or exem p lo, o choro e o u so d a cor p reta estão associados ao lu to, enqu anto qu e em ou tros lu gares a d or d a p erd a d e algu ém p od eria ser exp ressa d e u m a form a d iferente.216 Tais com p ortam entos revelam m u ito d o
engajam ento d o su jeito em situ ações d ad as e d o tip o d e relação p atêm ica qu e m antém com seu meio.
Além da idéia de institucionalização, Plantin discorre sobre a competência emocional dos sujeitos217
. Segundo o autor, é possível saber em que consistem as emoções por as termos provado de algum modo. Além disso, nós as gerenciamos de acordo com os valores de nossa cultura, com as situações nas quais nos encontramos e com os sujeitos com os quais interagimos. Já, para Charaudeau, nada garante que alguns signos verificáveis nos discursos correspondam ao que é experimentado pelos sujeitos. Devido a essa incerteza, é preciso analisar a patemização levando em conta o que é palpável aos olhos do analista.